O ADEUS A ZUZA HOMEM DE MELO

“Se você pergunta se é possível formar uma nova geração como a dos anos 60, posso responder: é perfeitamente possível, desde que surja um novo João Gilberto


ZUZA HOMEM DE MELO (1933 – 2020)

O Brasil perdeu um dos maiores estudiosos da música brasileira, José Eduardo Homem de Melo (1933 – 2020), mais conhecido como Zuza. Pesquisador, produtor e crítico musical, morreu neste ultimo 04 de outubro em São Paulo aos 87 anos.

 A música foi sua vida. Trocou a faculdade de engenharia pelo contrabaixo, estudou musicologia na afamada Julliard School of Music, desembarcando, no final dos anos 50, na Tv Record, onde fez uma revolução como técnico de som, tornando-se o homem de confiança do proprietário da emissora, Paulo Machado de Carvalho.

Assim relata Zuza sobre seus primeiros anos na Tv Record:

“Num programa musical, a música tem de sair da melhor forma possível, apesar das limitações dos aparelhos de televisão da época. Foi o que eu fiz, colocando mais microfones, dando destaque a instrumentos ignorados pelos técnicos das demais emissoras, como contrabaixo, violão, guitarra”.

ZUZA HOMEM DE MELO

Homem de Melo descobriu talentos, produziu e discutiu a música popular brasileira com seriedade e competência. Segundo ele o termo “MPB é um rótulo em que cabem vários gêneros e, com o tempo, foi ficando mais abrangente em relação a esse núcleo inicial”.


Música com Z

Com larga experiência como produtor e diretor musical, dirigiu inúmeros programas, festivais, shows, espetáculos e concertos. Além de seus trabalhos na Tv Record, na Rádio Jovem Pan, no Jornal o Estado de São Paulo, dentre outros, contribuiu de forma pontual para o estudo da Música Popular Brasileira ao coordenar a publicação da Enciclopédia da Música Brasileira e editar a coleção didática História da Música Popular Brasileira.

Zuza Homem de Melo também publicou: Música popular brasileira cantada e contada; A canção no tempo; João Gilberto; A Era dos Festivais; Música nas veias: memórias e ensaios; Eis aqui a bossa nova; Música com Z e Copacabana: a trajetória do samba-canção.   


A TURMA DOS ANOS 60

Assim Homem de Melo definiu uma década:

 “A Bossa Nova foi o êmulo de todos os compositores brasileiros da geração dos anos 60. Todos se tornaram o que seriam, mais especificamente, em função do João Gilberto, que foi o agente provocador de um número razoável de compositores talentosos. (…) A música de João Gilberto os atraiu de tal forma que os fez mudar de ideia e resolver seguir carreira de cantor, de compositor, de músico. A partir de João Gilberto surge essa geração de grandes talentos. Se você pergunta se é possível formar uma nova geração como a dos anos 60, posso responder: é perfeitamente possível, desde que surja um novo João Gilberto”.

Segundo sua esposa, Ercília Lobo, na semana anterior a sua partida, Zuza Homem de Melo, havia concluído a biografia do músico  João Gilberto (1931-2019). Homem de Melo será sempre lembrado pela música popular brasileira.


ZUZA  e JOÃO GILBERTO

Em sua homenagem ouviremos o “agente provocador” João Gilberto em Show de comemoração dos 50 anos da Bossa Nova em Outubro de 2008 no Auditório Ibirapuera em São Paulo.

JOÃO GILBERTO

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