CLÁUDIO SANTORO (1919 – 1989)

“um dos mais inquietos e polivalentes músicos de nosso tempo”

Claudio Franco de Sá Santoro (1919 – 1989)

Em um novembro, 101 anos atrás, nascia o grande compositor Cláudio Santoro em Manaus.

Em 1937 deixa sua cidade natal, onde havia iniciado seus estudos e parte para o Rio de Janeiro, buscando aperfeiçoamento.  Nesse período carioca, compõe suas primeiras obras, e, no final dos anos 30, integra o Grupo Música Viva juntamente com os jovens compositores de então: Edino Krieger (1928), Guerra-Peixe (1914 -1993), Eunice Katunda (1915 – 1990) dentre outros. Durante este período, foi influenciado pelo dodecafonismo defendido por Hans-Joachim Koellreutter (1915 – 2005).



Koellreutter (1915 – 2005);
Claudio Santoro (1919 – 1989); Edino Krieger (1928); Guerra-Peixe (1914 – 1993) e Eunice Katunda (1915 – 1990)

Em 1948, teve recusado seu visto para ir aos EUA como bolsista, devido à sua militância no Partido Comunista Brasileiro. Santoro muda-se para a França, a fim de estudar composição com Nádia Boulanger (1887-1979), professora e regente francesa que atraia alunos de todo o mundo ocidental. Da convivência com a mestra e com o ambiente político parisiense, ocorre uma transformação estética em sua criação. Santoro passa da música rigorosamente abstrata para uma linha mais lírica e expressiva, procurando criar uma obra mais comunicativa.

Nádia Boulanger (1887-1979)

Neste mesmo período, na França, aproximou de um grupo de músicos que o levou a Praga, na então Tchecoslováquia, onde, no Congresso dos Compositores Progressistas, Santoro participa como delegado brasileiro. Neste congresso é apresentado “oficialmente” para a doutrina soviética do Realismo Socialista aplicada à música, do qual o compositor passa a ser praticante, defensor e divulgador no Brasil. 

Alessandro Santoro

Alessandro Santoro, filho de Cláudio Santoro diz:

“Ele deixou de querer se aposentar na Alemanha, com todos os privilégios que ele poderia ter. Com certeza, papai estava muito ligado ao Amazonas por toda a família e tudo o que ele viveu aqui, mas ele tinha uma ligação muito forte com Brasília. Eu acho que essa ligação forte vem com a criação da Universidade”.

Claudio Santoro foi professor fundador do Departamento de Música da  Universidade de Brasília. Viveu um período na Alemanha, voltando à Brasília em 1979, ocasião em que fundou a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, a qual dirigiu até sua morte.

 Foi em Brasília que Santoro conheceu sua segunda esposa, a bailarina Gisèle, com quem teve três filhos: Gisèle (bailarina), Alessandro (pianista e cravista) e Cláudio Rafaello (DJ). 


Cláudio Rafaello Santoro

Segundo o filho caçula do casal, o conhecido DJ Raffa Santoro:

“Eu cresci ouvindo ele fazer as músicas eletroacústicas, essas loucuras que ele tinha de estúdio. Ele tinha um estúdio no quarto, mas ele movimentava a casa inteira, colocava vários gravadores de fita magnética tocando ao mesmo tempo. Eu cresci ouvindo aqueles sons ‘estranhos’ essa parte tecnológica”.

Em 1989 passa suas férias na Casa de Brahms, em Baden-Baden, Alemanha, onde termina sua 14° Sinfonia. Em seu vasto catálogo, destacam-se obras para piano,  cordas, Fantasia para violino e Orquestra, Verborgenheit, Ponteio e Três Abstrações, 14 Sinfonias e a Brasiliana para orquestra. 

Casa de Brahms, em Baden-Baden, Alemanha

 Ainda em 1989, Santoro morre regendo. Um infarto fulminante tira a vida do compositor no pódio do Teatro Nacional de Brasília ao ensaiar o 2º Concerto para Piano e Orquestra de Brahms (1833 -1897). No mesmo ano, o Teatro Nacional foi batizado com o seu nome.

Claudio Santoro (1919 – 1989)

Ouviremos de Cláudio Santoro,  Ponteio (Allegro ma non tropo)  interpretado pela Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro de Brasília, com a regência do maestro Claudio Cohen no 43º Festival de Inverno de Campos do Jordão gravado em julho de 2012.

Observe a originalidade, vanguarda e o nacionalismo presente na obra de Claudio Santoro.  

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