NARA LEÃO (1942-1989)

Transpondo a imagem de mera musa da Bossa Nova

NARA LEÃO (1942-1989)

Nara Lofego Leão nasceu em Vitória do Espirito Santos, mas foi na capital carioca, ainda na adolescência, que transforma o apartamento de seus pais em um ponto de encontro de jovens compositores ligados à criação da Bossa Nova.

Nara Leão em 1964

Nara Leão, como ficou conhecida, era a segunda filha do casamento entre o advogado Jairo Leão e a professora Altina Lofego Leão, e, irmã mais nova da modelo e jornalista Danuza Leão.

Foi com os amigos que se reuniam no apartamento da família na zona sul que entediados com as músicas que estavam sendo feitas no país, começaram utilizar as reuniões para buscar ritmos diferentes e fazer uma nova música.


No apartamento de Nara Leão
Nara Leão, Roberto Menescal e Dori Caymmi

Foram nesses encontros com a participação de artistas como Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994), Roberto Menescal (1937) e João Gilberto (1931 –  2019), e, outros grandes nomes da música brasileira que teria nascido a bossa-nova.  Em função disso, Nara Leão, torna-se a musa daqueles rapazes que queriam fazer música com poesia.

A estreia profissional de Nara aconteceu com o musical de Vinícius de Moraes (1913 – 1980) e Carlos Lyra (1939), ‘Pobre Menina Rica‘. Apesar da superprodução, o espetáculo não fez o sucesso esperado.


Lyra (à esquerda), o produtor Aloysio de Oliveira, Nara Leão e Vinicius

Curiosamente a musa da bossa-nova alcançou o sucesso após espetáculo Opinião, juntamente com João do Vale (1934 – 1996) e Zé Keti (1921 – 1999), em uma  obra de crítica social à repressão durante o regime militar no Brasil, iniciado em 1964.


SHOW OPINIÃO
LP Nara Leão, Zé Keti & João do Vale  

Em 1966, Nara vence o II  Festival de Música Popular Brasileira da TV Record com a música “A Banda” de Chico Buarque (1944) e conquista definitivamente o público brasileiro.

Chico Buarque e Nara Leão

Foi a partir do contato com o ambiente politizado do Centro Popular de Cultura (CPC), ao lado de  Carlos Lyra (1939) e dos cineastas Ruy Guerra (1931),  Cacá Diegues (1940) e Glauber Rocha (1939 – 1981) que  Nara  passa a se interessar mais pelas ideias de esquerda.

Em entrevista em 1966 a cantora declara:

Os militares podem entender de canhão ou de metralhadora, mas não ‘pescam’ nada de política”

A repercussão da entrevista causou problemas com o, então presidente, Arthur da Costa e Silva que  pretendia  enquadrá-la na Lei de Segurança Nacional. Para a sorte de Nara, uma legião de intelectuais saiu em sua defesa, entre eles o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987).

A percepção de uma saturação da música de protesto leva a cantora a retomar o lirismo da canção popular. A partir de intensa pesquisa, Nara retoma o cancioneiro da era do rádio fazendo uma releitura da modinha imperial; do choro de Ernesto Nazareth (1863-1934); passando por sambas e marchinhas da era do rádio.

A Musa da Bossa Nova, também recebeu o convite para o álbum “Tropicália ou panis et circensis” e integrou o movimento provando toda a sua versatilidade e generosidade. Nara cantou “Lindonéia” e trouxe para o disco questões como violência e feminicidio, temas que não eram muito ventilados naquela época.

Nara Leão e a Tropicália

Casada com Cacá Diegues,  permaneceram um tempo no exílio na Itália e na França.


Casamento de Nara Leão e Cacá Diegues
26 de Julho de 1967

Voltando ao Brasil, dedicou-se quase que exclusivamente à maternidade e foi estudar psicologia.

Nara Leão e os filhos Francisco e Isabel

Nara Leão retomou aos poucos a sua carreira cantando com amigos e fazendo shows por todo mundo, principalmente no Japão, onde tinha um público cativo.

Prematuramente, aos 47 anos, na manhã de 7 de junho de 1989, Nara  morreu devido a um tumor inoperável no cérebro.

Nara Leão foi muito mais do que um ícone da Bossa Nova. Com uma obra eclética, a cantora, compositora, artista plástica, violonista e até atriz, transitou entre a bossa nova e o tropicalismo, passou pelas canções da era do rádio, visitou o samba do morro, contribuindo de forma significativa para a Música Popular Brasileira.

Ouviremos Nara Leão interpretando “QUEM É?” de Joracy Camargo (1898 – 1973) e Custódio Mesquita(1910 – 1945) do Álbum: A Lenda Viva de Carmen Miranda.

Observe como Nara Leão consegue recuperar a oralidade e ritmo do álbum original, porém em um registro mais conciso, eliminando vibratos e outros tipos de ornamentação. Fantástico!

*Depois, deixe seu comentário e vamos papear também nas Redes sociais!

4 comentários em “NARA LEÃO (1942-1989)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: