MARCOS PORTUGAL (1762-1830)

e o hino à independência do Brasil

Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1762 – 1830)

O Hino da Independência foi uma canção criada em homenagem à Independência do Brasil, conquistada em 7 de setembro de 1822. Ainda em clima das comemorações dos 200 anos dessa “independência” explanaremos sobre o hino.

Essa composição é inspirada em um poema criado por Evaristo Ferreira da Veiga (1799-1837), um escritor, poeta, jornalista, livreiro e político. Evaristo ficou conhecido por ser defensor da independência do Brasil, desenvolvendo carreira na política e elegendo-se deputado por Minas Gerais. Evaristo da Veiga também é patrono da Academia Brasileira de Letras.

Evaristo Ferreira da Veiga (1799-1837)

O que pouco se comenta é o fato da letra do Hino da Independência ter sido extraído do poema Hino Constitucional Brasiliense, escrito por Evaristo da Veiga em agosto de 1822. O poema de Evaristo da Veiga tornou-se popular e recebeu uma melodia composta por Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1762 – 1830), em 1822.

Marcos Portugal nasceu em uma família de músicos em 24 de Março de 1762, na freguesia de Santa Isabel em Lisboa, e estudou música no Seminário Patriarcal, fundado por D. João V em 1713. Seu reconhecimento como músico data de 1783 quando, já autor de várias composições conhecidas e executadas, aproxima-se da família real portuguesa. Em 1792 parte para Itália e lá, conhecida como Marcos Portogallo, apresenta grande número de óperas nas cidades de Florença, Parma, Veneza, Milão, Nápoles, Ferrara e Verona. Em 1800 retorna a Lisboa já gozando de fama e assume importantes cargos musicais no Reino.

Curiosamente, embora considerado o músico mais querido do Príncipe Regente, Portugal não embarcou para o Brasil com a Família Real. Não fica estabelecida de forma definitiva a razão pela qual ele não teria acompanhado a corte ao Brasil.

Marcos Portugal chega ao Rio de Janeiro em 1811 e lá permanece até sua morte em 1830, exercendo grande influência musical e política na corte. Ao desembarcar na capital carioca foi imediatamente nomeado Mestre da Capela Real e o principal professor dos filhos de Dom Joao VI, incluído o príncipe Pedro primeiro.

Aluno do maestro, dom Pedro I, demonstrava interesse pelo ramo da música, e após a Independência do Brasil, ele resolveu produzir uma nova melodia para o Hino. Com as modificações, o Hino da Independência foi oficializado. Marcos Portugal seria então apenas o professor do autor do hino à independência.

De acordo com uma versão divulgada pelo historiador e parlamentar político, Eugênio Egas,  em 1909, a música teria sido composta pelo Imperador na tarde do mesmo dia da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822.  A versão de Eugênio Egas, por outro lado, jamais foi registrada nos jornais brasileiros de 1822 e nunca foi comprovada com documentação do período, a versão de dom Pedro I.

 Óleo sobre tela, por Auguste Bracet (1881 – 1960)
O Imperador dom Pedro I do Brasil compondo o Hino da Independência em 1822.
Coleção Museu Histórico Nacional

Já a letra do Hino Constitucional Brasiliense com música de Marcos Portugal, foi publicada pela Typographia do Diário, em 1822, conforme documentação do arquivo Nacional.

Libreto do Hino da Independência do Brasil
Fonte: Arquivo Nacioanal

Segundo relatos, com a perda de popularidade e a abdicação do Governo Imperial em 1831, o Hino da Independência, com música de Dom Pedro I, caiu no esquecimento. Nos cem anos da Independência, em 1922, o Hino voltou a ser executado com a melodia original de Marcos Portugal.

Foi na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, que o então ministro da Educação e da Saúde, Gustavo Capanema nomeou uma comissão que estabeleceu os hinos brasileiros. O Hino à Independência, como conhecemos hoje, foi finalmente regulamentado. Com o apoio do maestro Heitor Villa-Lobos, membro daquela comissão, a melodia composta por dom Pedro I foi dada como única a ser utilizada na execução do Hino.

Ouviremos uma versão do hino oficial, de um clip lançado pela TV Cultura  gravada com a Brasil Jazz Sinfônica, sob a regência do Maestro Ruriá Duprat,  gravado no Museu do Ipiranga e no Parque da Independência em maio desse ano de 2022. O museu reabriu suas portas nas comemorações dos 200 anos da independência do Brasil.

Observe! O clipe mostra imagens exclusivas dos músicos em apresentações solos executando o Hino da Independência em diferentes espaços do Museu do Ipiranga, ao mesmo tempo em que traz recortes dos operários da reforma do Museu extraindo sonoridades de suas ferramentas, num perfeito casamento, apresentando um conjunto rítmico da orquestra com sons da reforma.

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Elizabeth II (1926 – 2022)

uma rainha que adorava música

Princesa Elizabeth tocando piano no Palácio de Buckingham, 1946

A partir da noticia do falecimento da Rainha Elizabeth II (1926 – 2022) na ultima quinta-feira (08/09), a pauta de todas as mídias, gira em torno da trajetória da monarca britânica mais longeva da história.

Rainha Elizabeth II (1926 – 2022)

 A vida pessoal dos membros da família real britânica, sempre foi motivo de muita curiosidade. Porém, o que nem todos comentam é que a rainha adorava música, e, passou isso para seu filho Charles, o atual Rei.

Segundo o site oficial da rainha britânica, Elizabeth gostava de trilhas sonoras de musicais e de músicas da Guarda Britânica. Seu gosto era clássico e refinado.

O pai da rainha Elizabeth II, o Rei George IV (1895 – 1952), foi um generoso patrono da música de concerto e um devoto inabalável da vida musical da Grã-Bretanha, frequentando regularmente concertos, premiando músicos com as mais altas honras, apoiando bandas e orquestras militares do país além de incentivar o estudo de música das filhas.

 George VI ouvindo a Rainha Elizabeth (Rainha-Mãe) ao piano

A vida da princesa Elizabeth, junto com sua irmã, a princesa Margaret, foi banhada por música desde a tenra idade. A Rainha-Mãe (1900 – 2002)e a governanta das meninas ensinavam as princesas em casa, com foco em literatura, língua, história e música.

Ainda crianças na década de 1930, as princesas Elizabeth e Margaret passaram o período de guerra no Castelo de Windsor, onde foram colocadas sob a tutela do organista e compositor ingles Sir William Henry Harris.

Princesa Elizabeth e Princesa Margaret sentadas juntas ao piano no Castelo de Windsor, 1940

Aos 11 anos, a princesa Elizabeth aprendeu a tocar piano. A princesa Margaret era mais conhecida por ser a cantora e pianista da família, enquanto Elizabeth tinha uma paixão maior pelo ar livre, cavalos e cães, que ela nutriu ao longo de sua longa vida, sem deixar de cultivar o gosto pela música.

A princesa Elizabeth observa sua irmã, a princesa Margaret, tocar uma valsa de Brahms no piano na sala da escola no Palácio de Buckingham.

A rainha tinha dois títulos honorários em música, bacharel em música pela Universidade de Londres e doutora em música pela Universidade de Gales. Ambos obtidos antes de ela ascender ao trono como símbolo de sua devoção à música.

Como os pais, Elizabeth II soube apreciar as artes, e, passou esse legado aos seus filhos, principalmente ao, agora atual, Rei Charles III.

Quando criança, Charles era um membro assíduo da plateia, ao lado de sua avó, a rainha-mãe, nas casas de ópera e salas de concertos da Inglaterra.

A princesa Anne e o príncipe Charles com a avó, conhecida como a Rainha Mãe, em Windsor. A foto foi tirada pouco depois que as crianças viajaram para Tobruk, na Líbia, para se juntar ao rei e à rainha, que estavam fazendo um tour pelos países que já fizeram parte do Império Britânico, 1954

Em uma entrevista a Alan Titchmarsh, da Classic FM, em 2020, o então Príncipe de Gales ressaltou a importância e a necessidade urgente de nossa sociedade proteger e valorizar as artes, principalmente durante a pandemia. Rei Chalés III ainda declarou:

“É tão importante, eu acho, que os avós e outros parentes levem crianças com cerca de sete anos para experimentar alguma forma de arte em performance.”

O Rei do Reino Unido, Charles III, é um músico de coração, com um profundo amor pelo balé e pela música. Ele é defensor e patrono do mundo das artes, com patrocínios na Royal Philharmonic Orchestra, Associated Board of the Royal Schools of Music, Royal College of Music.

Charles III estudou violoncelo, trompete e piano. Com deveres reais e a expectativa do serviço militar, Sua Majestade deixou seu violoncelo quando se juntou à Marinha Real e à Força Aérea Real em seus 20 e poucos anos.

“Quando entrei para a Marinha, descobri que não era tão fácil levar um violoncelo em

Principe Charles estudando violoncelo

Vida longa ao Rei. Que ele mantenha o amor e o incentivo às artes.

Homenageando a família real britânica ouviremos “Skyline Pigeon” de Elton John (1947) a versão apresentada no Rock in Rio de 2015. 

O artista prestou homenagem à Rainha Elizabeth II após o anúncio da morte da monarca.  AtualmenteElton John está na turnê no Canadá, e, passou uma mensagem emocionante para a multidão que o assistia em Toronto.

“Ela é uma presença inspiradora para estar por perto, (…) eu estive perto dela e ela é fantástica. Ela liderou o país em alguns de nossos maiores e mais sombrio momentos com graça, decência e carinho genuíno. Tenho 75 anos, ela esteve comigo toda a minha vida”.

Elton John (1947) recebendo título Cavaleiro da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II, 1998.

Elton John foi um dos músicos condecorados com o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II.  Ele recebeu o título devido ao trabalho de caridade e contribuição para a cultura do Reino Unido. Se tornar cavaleiro é a maior honra dada pela monarquia britânica sendo destinada apenas para as personalidades que contribuíram notavelmente para a vida nacional britânica.

Observe a grandeza desse músico inglês!

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Estercio Marquez Cunha (1941)

o compositor goiano é tema de curta-metragem

Estercio M. Cunha (1941)

O compositor goiano Estercio Marquez Cunha (1941) é uma daquelas pessoas que todos querem estar perto. Com uma palavra de carinho, um sorriso, pronto a ajudar os jovens músicos que estão sempre à sua procura.

Marquez é ligado profissionalmente à Universidade Federal de Goiás, onde foi professor de Harmonia, Contraponto e Fuga, mas a sua carreira acadêmica começa na década de 1970, quando lecionava na Faculdade de Artes da Universidade Federal de Uberlândia.

Ainda na mesma década, mais precisamente no ano de 1973, se junta às professoras Glacy Antunes de Oliveira, Delmari Brito Rossi e Elizabeth Caramashi para fundar o MVSIKA! Centro de Estudos, uma escola de proposta inovadora, pioneira do ensino de artes integradas.

No início da década de 1980, doutorou-se em Composição nos Estados Unidos, na Universidade da Cidade de Oklahoma, e é à carreira de compositor que Estercio se dedica desde sua aposentadoria em 1995.

Universidade da Cidade de Oklahoma

Além de compor, Marquez, segue dando aulas de composição aos alunos que sempre o rodeiam.

Paulo Guicheney (1975)

Segundo o compositor goiano professor da Universidade Federal de Goiás  Paulo Guicheney (1975):

“Estercio é um dos compositores mais interessantes que o Brasil já produziu, mas por estar afastado dos grandes centros, e também por seu comportamento tímido, não tem o reconhecimento que sua obra merece. É dono de uma linguagem própria única, plena de lirismo e inovações”.

Grupo “Música Íntima”

Outros compositores goianos que comungam das mesmas ideias é o grupo que forma o,  “Música Íntima”,  projeto de compositores egressos da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, no qual fazem parte Douglas Sá, Gabriel Araújo, Gilberto Filho, Lucas Manassés, Luiz Gonçalves e Ubiratan Costa.

O Projeto “Música Íntima”, além de mostrar as novas composições do grupo, divulga e promove compositores contemporâneos do estado de Goiás. Dentro da proposta do projeto, está a realização de documentários sobre compositores contemporâneos.

Luiz Gonçalves (1986)

O compositor e videomaker Luiz Gonçalves (1986), doutorando em música pela UDESC e professor de composição nas Oficinas de Música da UFG, que integra o “Música Intima”, é grande admirador de Estercio. Com o intuito de divulgar a obra e a vida do compositor goiano, agregou a ideia do grupo, e, realizou um documentário sobre Estercio.

O curta foi selecionado para participar 23º FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental na categoria MOSTRA DO CINEMA GOIANO. Intitulado: TEMPO DE SILÊNCIO. O curta, com duração de 21 minutos, foi apresentado na cidade de Goiás no ultimo FICA em maio de 2022. 

Com Direção, roteiro e edição de Luiz Gonçalves; Direção de fotografia e colorização de  Fernando Canhete e Produção do Projeto Música Íntima e T3mpo filmes.

TEMPO DE SILÊNCIO conta um pouco sobre a trajetória do compositor Estercio  Marquez Cunha. Segundo Gonçalves:

“(…)  Estercio é um dos compositores mais prolíficos do cerrado. Nascido em Goiatuba em 1941, foi o primeiro, e por muitos anos também o único, compositor goiano a aderir ao Modernismo na música. Neste curta-ensaio, onde sua música e suas ideias são retratadas, Estercio nos faz um apelo: que sejamos de fato donos de nossa percepção, pois nossa liberdade enquanto indivíduos jamais dispensa o ato de perceber, cada um à própria maneira, o mundo“.

Vamos assistir esse curta-ensaio com Estercio Marquez Cunha. Além de falas de Estercio seguindo o roteiro proposto por Gonçalves, o filme contem algumas obras do compositor como: Quatro cantos de fé; Música para soprano, flauta e violão Nº3 e Nº1; Música para piano Nº55; Ofício de Treva e Luz; Quarteto de cordas Nº5.

Observe a grandeza desse compositor goiano tão bem retratado no curta-ensaio TEMPO DE SILÊNCIO.

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CAETANO VELOSO

os 80 anos de um dos gênios da arte brasileira

Caetanos Veloso (1942)

Músico, produtor, arranjador e escritor brasileiro, Caetano Veloso, completou 80 anos de idade no ultimo domingo 07 de agosto, comemorado em grande estilo com um show, transmitido por plataformas digitais, rodeado pelos filhos: Moreno, Zeca e Tom, e, da irmã Maria Bethânia.

Caetano com os filhos e a irmã Maria Bethânia.

Com um passado e um presente que lhe garantem admiração no Brasil e exterior, Caetano, construiu uma obra musical marcada pela releitura e renovação, com grande valor intelectual e poético, se destacando como uma das principais referencia artísticas brasileiras.

O artista plural que nunca parou de compor nem de cantar, ao longo de sua carreira, também escreveu livros e produziu cinema. Caetano Veloso tem canções em trilhas sonoras no cinema nacional e  internacional como “Hable com Ella”, de Pedro Almodovar e em “Frida”, de Julie Taymor, recebendo, ao longo de sua carreira, inúmeros prêmios.

“Hable com Ella”, de Pedro Almodovar

Caetano Emanuel Vianna Teles Veloso nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, no dia 07 de agosto de 1942. Filho de José Veloso, funcionário dos Correios e Telégrafos, e de Dona Canô, aos 14 anos de idade, veio de mudança com a família para o Rio de Janeiro.

Em 1960, a família voltou à Bahia, indo morar em Salvador. Nessa época, ao violão,  Caetano passou a acompanhar, sua irmã Maria Bethânia, em bares da cidade.

Foi ao lado de Gal Costa que Caetano grava “Domingo”, seu primeiro disco. A música “Alegria, Alegria” é classificada em quarto lugar no III Festival de MPB da TV Record.

Nesse momento, surge na música  brasileira um movimento de ruptura cultural que tem como marco o lançamento, em 1968, do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”, disco-manifesto  do Tropicalismo, cujos participantes foram: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa,  os Mutantes  (banda) e o maestro Rogerio Duprat.

Capa do Disco “Tropicália ou Panis et Circensis”
fotografia realizada na casa de Oliver Perroy, fotógrafo da Editora Abril, SP

Outro fato que marca a vida e a carreira de Caetano Veloso foi o exilio. Caetano é preso pela ditadura militar, acusado de ter desrespeitado o Hino Nacional e a Bandeira. Em 1969, parte para o exílio, em Londres, voltando em 1971.

Deprimido com o exilio europeu, o artista baiano ganhou ânimo quando o produtor musical britânico Ralph Mace o convida para compor e gravar um disco na Inglaterra.

Álbum Caetano Veloso
Lançado na Inglaterra em junho de 1971 pelo selo Famous / GW (de Ralph Mace) e editado no Brasil via Philips no segundo semestre daquele mesmo ano de 1971

Já no Brasil, Caetano Veloso, Gal, Gil e Bethânia formam o grupo “Doces Bárbaros” gravam “Os Mais Doces dos Bárbaros” e excursionam por todo o país.

“Os Mais Doces dos Bárbaros”

Outro parceiro marcante  na vida e na carreira de Caetano foi  Gilberto Gil, que assim se expressa sobre os 80 anos de Caetano:

“meu afeto fortalecido de amigo e de irmão é tudo que posso lhe dar de presente no seu aniversário de 80 anos”

Gilberto Gil e Caetano Veloso

Na década de 80, ao lado de Chico Buarque, apresentou na televisão, o programa “Chico & Caetano”, onde cantava e recebia convidados.

Chico Buarque e Caetano Veloso

Caetano não para de produzir arte. Completa 80 anos nos brindando com sua genialidade que parece inesgotável. 

Difícil escolher uma obra como exemplo. Optamos por “Sampa”, do álbum Muito – Dentro da Estrela Azulada, sendo a canção mais ouvida dentre os inúmeros sucessos do baiano Caetano.

Em vídeo ao vivo de março de 2017  – Caetano Veloso e Gilberto Gil – Caetano interpreta (voz e violão) “Sampa”

Observe! “Sampa” promoveu a ruptura na composição brasileira, libertando-a do vocabulário culto e do romantismo exagerado.

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80 anos do Teatro Goiânia

O dia do “Batismo Cultural de Goiânia”

Teatro Goiânia em 1942, ano de sua inauguração. Batismo Cultural da cidade de Goiânia
Foto: IBGE

Há 80 anos, no dia 05 de julho de 1942, a população goianiense despertou com o toque de alvorada e fogos de artifício, para comemorar o dia intitulado “Batismo Cultural de Goiânia”, termo utilizado para designar o dia da inauguração oficial da capital.

No decorrer da semana a cidade foi palco de realizações culturais que atraíram várias personalidades politicas, artísticas, eclesiásticas e intelectuais do país e da participação do público em geral.

Dentre os vários eventos e festividades que marcaram a Inauguração oficial de Goiânia, a missa campal realizada na manha do dia 05 de Julho pelo arcebispo de Goiás, D. Emanuel Gomes de Oliveira, e pelo arcebispo de Cuiabá, D. Aquino Correia, constitui-se como um momento de relevante significado para o restabelecimento de uma nova aliança entre a Igreja e o Estado em Goiás.

Getúlio Vargas (1882 – 1954), então Presidente da República, deu força, influindo para que aqui se realizassem o Oitavo Congresso Brasileiro de Educação e a Assembleia Geral dos Conselhos do IBGE. Foram dias de discussão febris e excitantes, com destaque para o lançamento da Revista OESTE, que reunia a intelectualidade. Cerca de seiscentos visitantes estrangeiros participaram das comemorações.

Batismo Cultural de Goiânia
Foto: Acervo IFG

Nessa data também foi inaugurado o Cine Teatro Goiânia, como era denominado à época, com a peça “Deus lhe pague”, protagonizada pela atriz Eva Tudor (1919-2017). Foi também no mesmo palco que Pedro Ludovico Teixeira entregou a chave simbólica da cidade ao indicado prefeito da nova capital, Venerando de Freitas Borges.

Eva Tudor (1919-2017)

No entanto o Cine Teatro, então inaugurado, não possuía capacidade para apresentações teatrais, havia sido planejado para estas funções, mas as dimensões de palco eram reduzidas e impróprias para a montagem de espetáculos amplos e sofisticados.

Durante toda a década de 40, 50 e 60 o local fez sucesso promovendo exibições de filmes nacionais e internacionais, bem como formaturas e eventos, reunindo personalidades políticas e a população goiana.

Teatro Goiânia

No início de 1976, com o declínio dos cinemas, a falta de uma estrutura teatral para espetáculos e o a necessidade de reparos em suas instalações, o espaço, foi fechado e passou por minuciosa reforma, quando então se abandonou a ideia de cineteatro, para ter somente a função de teatro.

  A reinauguração aconteceu na noite de 15 de março de 1978, marcada pela apresentação do Corpo de Baile da Associação de Ballet do Rio de Janeiro. A companhia trouxe ao palco os bailarinos Margot Fonteyn (1919 – 1991) e David Wall (1946 – 2013). Após o espetáculo, Fonteyn declarou para a imprensa:

“O equipamento eletrônico do Teatro Goiânia coloca esta casa na liderança dos teatros do Brasil e entre as melhores do mundo”.

Margot Fonteyn e David Wall

Em 1998, o teatro Goiânia, recebe mais uma reforma e se torna uma das mais modernas casas de espetáculos do país e se torna patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN),

Atualmente o Teatro Goiânia possui capacidade de 850 lugares e recebe os mais variados espetáculos e peças teatrais. Resgatando parte de seu histórico, o Teatro Goiânia também recebe exibições de filmes e é palco de importantes festivais de cinema regionais.

Teatro Goiânia

Chama a atenção o nome dado ao hall de entrada do Teatro Goiânia, denominado “Tia Amélia”.

Amélia Brandão Nery, carinhosamente chamada de Tia Amélia, como ficou conhecida, nasceu em Pernambuco em 25 de maio de 1897 morrendo aos 86 anos de idade em Goiânia no dia 18 de outubro de 1983.

Tia Amélia (1897 1983)

Tia Amélia foi um grande nome da música brasileira. Compositora e pianista, frequentou e brilhou nos grandes centros. Em Goiânia abriu uma escola de música. Podemos citar como uns de seus ilustres alunos: Heloisa Barra, Estercio Cunha, Maria Augusta Callado e Glacy Antunes de Oliveira.

Para celebrar a grande musicista que dá nome ao hall de entrada do Teatro Goiânia ouviremos de Tia Amélia a Valsa Gratidão – executado por Hercules Gomes, piano e Rodrigo Y Castro, flauta.

Observe a beleza dessa obra composta por tia Amélia com apenas 12 anos de idade.

Vida longa ao Teatro Goiânia que comemora 80 anos de idade.

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O ADEUS Á GILBERTO TINETTI

pianista de grande personalidade e reconhecido mérito

Gilberto Tinetti (1932 – 2022).
Foto: Reprodução

Morreu, no ultimo 18 de junho, preste a completar 90 anos, o pianista e professor aposentado da Escola de Comunicação e Artes da USP Gilberto Tinetti (1932 – 2022).

Intérprete de variado repertório dedicou especial atenção à divulgação da música brasileira, principalmente dos compositores Camargo Guarnieri e Heitor Villa-Lobos.

Villa-Lobos (1887 – 1959) ao piano ao lado da pianista Magda Tagliaferro (1893 – 1986), 1956. Acervo do Museu Villa-Lobos
Fonte: institutopianobrasileiro.com.br

Tinetti iniciou seus  estudos de piano aos 10 anos, com Josephina De Felice. Mais tarde tornou-se aluno de Hans Bruch, que o apresentou a Magdalena Tagliaferro, com quem estudou em Paris, entre 1957 e 1959.

Na Europa venceu o Concurso da Academia Internacional de Verão do Mozarteum de Salzburgo, na Áustria, em 1970.

De volta ao Brasil, formou, em 1975, o TRIO BRASILEIRO  com os músicos Erich Lehninger, no violino, Watson Clis, no violoncelo.  O Trio foi condecorado como o melhor conjunto de câmara pelo Prêmio Carlos Gomes, 1999.

Trio Brasileiro – Erich Lehninger, Watson Clis e Gilberto Tinetti

Entre os anos de 1980 e 2002 o pianista Tinetti foi professor do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.  Na ECA, onde formou diferentes gerações de artistas, ministrou aulas de piano e música de câmara.

Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo

Também, entre 1980 a 2002, Tinetti foi professor e diretor artístico do Seminário de Música Pró Arte de São Paulo, fundado por Hans-Joachim Koellreutter.

Sendo que em 1986 foi convidado pela direção da Cultura FM para apresentar a série “A Arte de Magdalena Tagliaferro”, em homenagem à sua professora que havia falecido naquele ano.

Posteriormente, em 1987, passou a integrar o quadro de apresentadores da Rádio, com o programa diário “Teclado”  com séries semanais dedicadas a integral de obras para piano de relevantes compositores nacionais e estrangeiros.

  Em 1996, o programa “Teclado” passa por algumas mudanças e é denominado “Pianíssimo”, atração que Gilberto Tinetti apresentou na Cultura FM até dezembro de 2019.

Gilberto Tinetti ao piano

A notícia da morte de Tinetti gerou depoimentos emocionados e homenagens pelo Brasil a fora. Querido por seus pares, a morte de Tinetti deixa uma vazio na música brasileira.

Segundo o Diretor da Sala Cecília Meireles João Guilherme Ripp“a música brasileira perde a arte, técnica e elegância de Tinetti, um de nossos maiores intérpretes”.

O compositor Ronaldo Miranda disse: “Ele deixa uma legião de ex-alunos brilhantes, de Lilian Barretto a Antonio Vaz Lemes, além de incontáveis admiradores (…)”.

A pianista Olga Kiun  se pronunciou: “Acabou mais uma linda e superprodutiva vida de grande músico e ser humano. Vai ser lembrado por muitos com amor”.

Ouviremos o Pianista brasileiro Gilberto Tinetti interpretando os 4 movimentos, das Bachianas Brasileiras Nº 4 de Heitor Villa-Lobos: 1º mov: Prelúdio 2º mov: Coral (Canto do Sertão) 3º mov: Aria (Cantiga) 4º mov: Dança (Miudinho) em uma Transmissão da Tv Cultura  – Programa Clássicos  gravado em 2000.

Observe! Tinetti em encontro com Villa-Lobos registra orientações interpretativas valiosas em relação a essa obra, como a valorização dos baixos em oitavas.  Segundo o pianista, Villa-Lobos teria dito: “Aí está o Bach!”.

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FESTAS JUNINAS

Considerada a segunda festa brasileira mais popular no Brasil

Festa Junina

Com traço marcante da cultura popular brasileira, as festas juninas, tem sua formação histórica ligada ao sincretismo entre sua origem pagã e a celebração de santos católicos.

As festas juninas chegaram ao Brasil através da colonização portuguesa, e, marcam um ciclo de festividades para celebrar três santos importantes para Portugal e para o cristianismo ocidental: Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29).

Santos Juninos

As celebrações, no entanto, devem ser compreendidas num cenário maior de apropriação de festas pagãs pelo calendário da Igreja Católica.

Segundo Christian de Oliveira:

“A Igreja Católica se apropria de festas pagãs, das festas judaicas às indígenas”.

 Importante notar que as festas juninas, no Brasil, receberam influências temporais e regionais, apresentando atualmente, de forma diferente em cada região do país. É na decoração, nas comidas típicas, nos ritmos e danças, dentre outras particularidades, que se diferenciam de acordo com a região do país.

No que tange a afamada quadrilha, inicialmente, era um conjunto de danças com cinco partes, cada uma com ritmos e músicas diferentes, derivadas das danças palacianas, trazidas para o Brasil pela corte portuguesa a partir de 1808.

Lundu no Brasil colonial  por Johann Moritz Rugendas (1802-1858)

Com o advento da República em 1889, foi criado o termo “festa junina” como uma forma de identificação nacional da festa no Brasil. 

Segundo Alberto Ikeda: “O que restou da quadrilha no Brasil foi o último movimento deste conjunto de danças palacianas, que era uma polka”.

Quadrilha no Brasil

Historicamente, os ritmos que ficaram marcados como juninos foram a polka e a marcha. Com o passar do tempo, o forró passou a ganhar mais espaço nas festas juninas do Brasil.

Ainda segundo Ikeda:  “os ritmos e danças mais populares, se alteraram ao longo dos anos – Um fenômeno atual é a abertura das festas juninas para outros gêneros musicais que não o forró ou as marchas juninas”.

Trazendo essa tradição para a música de concerto, encontramos vários compositores brasileiros que se inspiraram nesses ritmos e compuseram obras lembrando a tradição das festas juninas.

A fogueira é recorrente em Festas Juninas pelo Brasil. O compositor carioca Lorenzo Fernandes (1897 – 1948), compôs em 1935 “Recordações da Infância” uma suíte para jovens pianistas: 1. Caminho da Serra; 2. Na Beira do Rio; 3. Fogueira de São João.

Lorenzo Fernandes (1897 – 1948)

Ouviremos a Fogueira de São João, interpretada pela pianista Carla Reis,  disponibilizada pelo Instituto Piano Brasileiro – IPB

Observe! Essa obra, tão simples, consegue remeter a memórias afetivas relacionadas às fogueiras das tradicionais festas jun

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MELODIA SENTIMENTAL

de trilha sonora a canção popular

Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
Foto: Reprodução

O compositor brasileiro, Heitor Villa-Lobos (1887-1959), é considerado um expoente da música no Brasil. Suas obras são executadas no circuito dos mais prestigiados teatros brasileiros, europeus e americanos.

Sua obra consegue frequentar diferentes círculos. Villa-Lobos se faz presente tanto nas salas de concertos mais tradicionais, como em palcos de cantores de música popular.

 Modernista de primeira hora gostava de cinema e foi um dos primeiros compositores brasileiros a compor trilhas para a sétima arte.

Nos anos 50, Villa recebeu a proposta de compor a trilha sonora do filme “Green Mansions” do estadunidense Mel Ferrer (1917 – 2008), estrelado pela atriz britânica Audrey Hepburn (1929 – 1993).

Inicialmente o longa foi um fracasso. As obras de Villa-Lobos foram em grande parte excluída da trilha sonora. Insatisfeito, o compositor reaproveitou os temas na cantata “A Floresta Amazônica”, sendo um dos temas a canção “Melodia Sentimental”.

Dora Alencar Vasconcellos (1910 – 1973) por Candido Potinari ((1903 – 1962)

Melodia Sentimental logo chamou a atenção de sopranos de todo o planeta. A suave serenata com letra da poeta e diplomata brasileira Dora Alencar Vasconcellos (1910 – 1973) seduziu vários cantores populares de sucesso.

Elizeth Cardoso (1920 – 1990)

Nos anos 60, Elizeth Cardoso (1920 – 1990),incorpora de forma definitiva o adjetivo “Enluarada” ao gravar a canção de Villa-Lobos com parâmetro de interpretação distante do “Bel canto”, abrindo caminho para diversas gravações até os dias de hoje.

Luis Leite (1979) e Mônica Salmaso (1971)

São várias as Interpretação de Melodia Sentimental, escolhemos o do violonista carioca Luis Leite (1979) e da cantora Mônica Salmaso (1971) em gravação ao Vivo na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro em junho de 2019.

O violonista Luis Leite possui sólida formação clássica, e, vem sendo apontado como um dos violonistas brasileiros de maior destaque na cena instrumental Contemporânea.

 Já a cantora Mônica Salmaso possui uma suave voz de mezzo soprano, combinada com intimismo e extremo bom gosto na seleção das obras que interpreta. A cantora brasileira foi indicada ao Grammy Latino e conquistou na categoria de melhor cantora, o Prêmio de Música Brasileira (2014) e da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (1999). 

Observe! Essa é uma das primorosas interpretações de “Melodia Sentimental” de Villa-Lobos.

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CASAMENTOS NO MÊS DE MAIO

e a curiosa história da “Marcha Nupcial” de Carlos Gomes

Foto oficial da família real britânica, depois do casamento de Harry e Meghan Markle , em 19 de maio de 2018
Foto: Reprodução

Maio é conhecido como o “mês das noivas” existindo algumas possibilidades para essa escolha.

Entre as possíveis explicações estão: ser essa a época das flores no hemisfério norte; a ligação com a consagração de Maria, mãe de Jesus; e forte influência do Dia das Mães em alguns países incluído o Brasil.

 Dessa forma, o mês, é um dos preferidos, pelos casais, para a celebração de casamento.

Dentre as tantas preocupações com a cerimonia, à escolha da música para a entrada triunfal é fundamental. As Marchas Nupciais são as mais utilizadas dentre as escolhas de noivos.

As marchas nupciais mais conhecidas e tocadas em casamentos até os dias de hoje, são as dos compositores alemães Wilhelm Richard Wagner (1813 – 1883) e Felix Mendelssohn (1809 – 1847). 

A Marcha Nupcial de Richard Wagner foi composta em 1850 para a Ópera Lohengrin. Escrita para Coral e Orquestra, é conhecida também como “Coro Nupcial” e é uma parte do terceiro ato da referida Ópera.

Wilhelm Richard Wagner (1813 – 1883)

Já a Marcha Nupcial de Felix Mendelssohn foi composta em 1842 para musicar a peça de teatro de Shakespeare – Sonho de Uma Noite de Verão. Originalmente a peça é instrumental,  tendo sido apresentada em casamentos na versão com coro e orquestra.

Felix Mendelssohn (1809 – 1847)

As afamadas Marchas de Wagner e Mendelssohn começaram a ser difundidas e utilizadas em casamentos a partir do casamento real de Vitoria e Frederico, realizado na Capela Real do Palácio de St. James em Londres em 25 de janeiro de 1858, no qual eles utilizaram as duas marchas nupciais.

Cerimônia de casamento da Princesa Vitória– Capela Real do Palácio de St. James em Londres em 25 de janeiro de 1858

A Princesa Vitória escolheu a Marcha Nupcial de Wagner, que já havia sido tocada em um casamento real em 1842 para sua entrada na igreja e a Marcha Nupcial de Mendelssohn, tocada pela primeira vez em um casamento, para a saída do casal real.

A verdade é que a moda pegou. E mesmo depois de tantos anos, essas ainda são as Marchar Nupciais mais tocadas em casamentos até os dias de hoje, inclusive em casamentos no Brasil.

 Existe, no entanto, uma história curiosa por traz de uma Marcha Nupcial composta pelo brasileiro Antônio Carlos Gomes (1836-1896).

Antônio Carlos Gomes (1836-1896)

Carlos Gomes passou para história como grande operista: a ópera Il Guarany, escrita na língua italiana e baseada no romance homônimo do brasileiro José de Alencar (1829 – 1877) teve muito sucesso já em sua estreia, no famoso Teatro Scala de Milão, tornando-se, assim, o primeiro compositor brasileiro a alcançar sucesso na Europa, como destaca o musicólogo Bruno Kiefer:

“Numa época em que ainda se media a grandeza de uma nação pelos feitos de seus pensadores, cientistas, inventores, artistas e escritores, o êxito de Carlos Gomes era muito mais do que um sucesso individual: era a exaltação de um país recém-emancipado, preocupado em desenvolver as suas próprias potencialidades, em se afirmar perante as demais nações”. (KIEFER 1977, p. 83)

Mas a obra de Carlos Gomes vai muito além da famosa ópera. Dentre muitas peças significativas, ele deixou uma Marcha Nupcial para piano a quatro mãos.

Dedicatória na versão original da Marcha Nupcial de Carlos Gomes Acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
Pasta M7862 –  G I 2

Composta no Rio de Janeiro em fevereiro de 1896, o ano de sua morte, a Marcha Nupcial, apresenta uma dedicatória assinada de próprio punho:

“Expressamente escrypta para solemnisar o feliz consórcio de d. Maria Dolores de Albuquerque Mello por Carlos Gomes. Rio de Janeiro”.

Segundo o historiador Vicente Salles, a Marcha Nupcial, foi escrita por encomenda do jornalista paraense Dr. Miguel Lúcio de Albuquerque Melo, amigo de Carlos Gomes, para o casamento de sua filha – certamente um dos últimos trabalhos do compositor. A peça não consta de seus catálogos conhecidos e foi editado por iniciativa do próprio Sr. Miguel Lúcio, como foi noticiado na imprensa na ocasião:

“O Paizdiz que a brilhante peça musical foi ‘primorosamente executada no dia do casamento da distintíssima senhora a quem era oferecida e distribuída aos convidados em rica edição expressamente feita pela família da noiva’”.

Além dessa inusitada edição, também existe uma partitura da Marcha Nupcial de Carlos Gomes editada pela Buschmann & Guimarães, e um dos exemplares encontra-se nos arquivos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, disponível para algum casal que queira inovar na tradição e experimentar uma marcha nupcial brasileira.

Ouviremos a Marcha Nupcial de Carlos Gomes para piano a quatro mãos interpretada pelo DUO MALTESE, mãe e filha: Ida Baianconi Maltese e Sylvia Maltese Moysés.

Observe como essa Marcha Nupcial é bem construída musicalmente, no entanto, permanece esquecida nas prateleiras da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

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DIA DO CHORO

uma homenagem à data de nascimento de Pixinguinha

DIA NACIONAL DO CHORO
Foto: Reprodução

Desde o ano 2000 esse estilo musical passou a ser celebrado em 23 de abril. Isso porque se acreditava que seria a data de aniversário do Compositor emblemático da música popular brasileira, Alfredo da Rocha Vianna Filho, mais conhecido como Pixinguinha (1897-1973), um dos precursores do choro.

Pesquisas recentes comprovaram que Pixinguinha nasceu em quatro de maio, a data comemorativa, no entanto, continua sendo 23 de abril.

 Há intensos debates sobre a natureza e a origem do choro. Alguns estudiosos do assunto discutem se o choro seria apenas um estilo de tocar ou um gênero musical próprio.

Chorinho – Candido Portinari, 1942

O pesquisador Alexandre Pinto, autor do livro Choro – Reminiscências dos Chorões Antigos:

“considera o choro uma forma de tocar diferentes gêneros musicais, inclusive de outros países”.

Já para outros pesquisadores, o choro é o primeiro estilo de música urbana do país, criado ainda no século 19.

O choro, ou chorinho, como é conhecido, é marcado por renomados nomes na história da música do Brasil, como: Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935),  Antônio Calado (1848 – 1880),  Anacleto de Medeiros(1866 – 1907), Jacob do Bandolim(1847 – 1935), Pixinguinha dentre outros.

Pixinguinha
por Amarildo –  chargista e editor de ilustração do Jornal Gazeta de Vitória

Porem, o compositor que carrega a homenagem do dia nacional do choro é Pixinguinha.

 “Pixinguinha” foi resultado do apelido colocado por sua avó Edwiges, africana de nascimento e derivado do dialeto natal: “Pizindin” que quer dizer, menino bomque depois virou Pixinguinha.

As primeiras lições de flauta foram dadas pelo pai, Alfredo da Rocha Vianna, Aos oito anos quando a família foi morar em um casarão, na Rua Vista Alegre, logo apelidado de “Pensão Viana”, pois estava sempre cheio de gente.

Com 12 anos Pixinguinha já dominava os conhecimentos de teoria musical. Nessa época, tocava flauta, cavaquinho e bandolim, mas sonhava com uma clarineta de sons agudos.

Na década de 40, Pixinguinha trocou a flauta pelo saxofone e se interessou pelo jazz. Tornou-se amigo de Louis Armstrong sem deixar de ser o senhor absoluto das rodas de choro.

Pixinguinha e Louis Armstrong 

Pixinguinha, que não foi só “chorão” teve uma movimentada e eclética carreira musical.  Em 1962, teve como parceiro Vinicius de Moraes na trilha sonora do filme “Sol Sobre a Lama”. 

Pixinguinha e Vinicius de Moraes

Segundo o Jornalista Lúcio Rangel:

“Em todas as suas manifestações de arte, Pixinguinha revela-se admirável, o que nos leva a afirmar, com toda a serenidade, estamos diante do maior músico popular que já tivemos em todas as épocas”.

Lamentavelmente, em 1964, sofreu um infarto. Curiosamente, enquanto esteve internado compôs vinte músicas, uma por dia, entre elas, as valsas: Solidão, Mais Quinze dias e No Elevador.

Pixinguinha disse:

“Hoje só quero saber de sossego e de viver em paz com todo mundo. Tenho medo que a morte me apanhe de surpresa

Pixinguinha

Pixinguinha faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de fevereiro de 1973, mas sua obra o mantem vivo.

O autor da música “Carinhoso”, em parceria com João de Barro, considerada nosso  “segundo hino nacional”, é uma das canções mais lembradas pelos brasileiros.

Escrita por volta de 1917, segundo Pixinguinha“Carinhoso era uma polca lenta. Naquele tempo, tudo era polca. O andamento era esse de hoje. Por isso, eu chamei de polca-lenta ou polca vagarosa. Depois, passei a chamar de choro”.

Ouviremos “carinhoso”  interpretado pelo violonista Yamandú Costa (1980) em gravação de 2013. No vídeo o publico é quem canta o “segundo hino brasileiro”.

Observe a sintonia entre estrutura musical e narrativa poética. Não foi ao acaso a escolha de Pixinguinha como o representante da data comemorativa do dia Nacional do Choro.

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