IN VINO VERITAS DE HENRIQUE DE CURITIBA

“O bom vinho alegra o coração dos homens”

Henrique de Curitiba (1934 – 2008)

No inverno e em isolamento social, nada como um bom vinho. A sugestão é a Suíte de Vinhos do compositor Henrique de Curitiba (1934-2008).

Henrique de Curitiba Morozowic, membro de uma família de artistas, tanto ele quanto os irmãos Norton e Milena Morozowicz são artistas consagrados internacionalmente. A mãe, Wanda Lechowski, era pianista amadora, e, o pai, Tadeu Morozowicz, bailarino e coreógrafo formado no Teatro Nacional de Varsóvia e na Escola Imperial de Ballet de Saint Petersburg, na Rússia. Professor Tadeu foi o criador do primeiro curso de ballet do Paraná, na Sociedade Thalia, em Curitiba.


Wanda, Milena, Tadeu e Henrique – Acervo Família Morozowicz

Henrique nasceu e viveu a maior parte de sua vida na capital paranaense; mas passou por diversas cidades e países, inclusive Goiânia, onde morou por alguns anos. Compôs, ao longo de sua vida, mais de 150 obras. Com uma produção consistente, é considerado: “um de nossos melhores compositores neoclássicos”.

Em 1954 Henrique foi aperfeiçoar seus estudos em São Paulo na afamada classe de composição do professor Hans Joachim Koellreuter (1915 – 2005) na Escola Livre de Música. Com um nome tão difícil de pronunciar – Zbigniew Henrique Morozowicz, logo ficou conhecido como o “Henrique de Curitiba”.

Suas obras foram editadas em diversos países, além do Brasil. A obra coral de Henrique de Curitiba Morozowicz”, foi publicada em 2009, pela Fundação Cultural de Curitiba, em projeto coordenado pela Professora Glacy Antunes de Oliveira.


Henrique de Curitiba (1934 – 2008)
Diário de Viagem de Henrique de Curitiba

Sempre rodeado de música e verdadeiros amigos, Henrique, gostava de tomar um bom vinho e brindar a vida com pessoas queridas. Para festejar os vinhos compôs, no ano 2000, uma suíte coral intitulada In vino veritas” (No vinho está à verdade), que estreou na Califórnia (EUA), no ano de 2001, com o coro da famosa vinícola Robert Mondavi de Napa Valley.

  “Tudo começou assim: no ano de 2000 completei os meus 50 anos de compositor. Para celebrar o fato, escrevi uma suíte coral, In vino veritas, tendo por tema vinhos de diversos tipos. Por sugestão de meu filho Aléxis, que fazia o seu mestrado em San Francisco, enviei a partitura para o NAPA VALLEY CHORALE. A sua regente, Jan Lanterman, gostou da música e me propôs de fazer a sua estreia mundial em Napa, na Califórnia – a capital dos vinhos finos da América – em maio de 2001. Meus amigos, ter ido à NAPA VALLEY, foi uma das mais belas experiências da minha vida”. (Morozowicz, 2001 – Diário de Viagem de Henrique Morozowicz)


Henrique, Alexis e Norton
Acervo da Família Morozowicz

A suíte foi inspirada no texto do antigo provérbio latino, Bonumvinum laetificat cor hominum, (O bom vinho alegra o coração dos homens), usado nas quatro peças que a compõem – cada uma evocando um tipo de vinho. O refrão, O bom vinho alegra o coração dos homens, repete-se em todas as peças, mas a cada delas foi atribuído um caráter musical diferenciado, representando as diferentes qualidades dos vinhos Cabernet/Merlot (solene, de andamento lento e harmonia densa, como a natureza encorpada do vinho), Beaujolais Nouveau (allegro buliçoso, demonstrando o caráter leve e algo frisante deste vinho novo, o primeiro da safra anual), Liebfraumilch (vinho suave e adocicado, recebeu do compositor um tempo de barcarola) e Bardolino (o mais rápido dos movimentos, para um vinho italiano leve e vibrante).


Henrique e Norton
Acervo Família Morozowicz

Difícil não apreciar uma boa música e um bom vinho. Escolha o seu, escutando a versão de In vino Veritas”com a Camerata de Curitiba sob a regência de Maestro Norton Morozowicz na comemoração dos 80 anos de Henrique de Curitiba.

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BIDU SAYÃO

“Considerada uma das maiores estrelas da ópera de todos os tempos”

Bidu Sayão (1902-1999)

A “Diva” Balduína de Oliveira Sayão (1902-1999) herdou da mãe, sua grande incentivadora o apelido de Bidu. Dedicou-se ao canto lírico desde cedo e estreou aos 18 anos, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Eu não tinha voz alguma quando comecei. Os professores me disseram que eu era muito nova ainda, que minha família ia gastar dinheiro à toa. Mas eu insisti, chorei muito, garanti que não me importava com bailes, namorados, festas. E comecei a cantar”. Bidu Sayão

Bidu Sayão

 Bidu Sayão iniciou sua carreira internacional na Europa, onde estudou canto em Bucareste, Romênia, com a soprano Elena Theodorini (1857-1926), e em Nice, França, com o grande tenor polonês Jean de Reszke (1857-1925).

No Velho Continente fez a sua estreia oficial em 1926, em Roma, interpretando Rosina, da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, Rossini (1792 – 1868). O sucesso a levou a cantar nas principais casas de ópera da Europa, incluído o teatro La Scala de Milão.


Teatro  La Scala
Milão – Itália

Em 1935, estreou nos Estados Unidos, cantando no Carnegie Hall em Nova Iorque sob a regência do afamado Arturo Toscanini (1867-1957), o maestro era seu admirador, referindo-se a ela como “la piccola brasiliana”.


Arturo Toscanini (1867-1957)
Pastel on Board (13.3X19.3)
Frederico Zandomneghi (1841 – 1917)

Sayão radicou-se nos EUA e fez brilhante carreira no Metropolitan, onde atuou durante 16 temporadas operísticas. Apresentou-se também em turnês por outras grandes cidades dos EUA, como Chicago e San Francisco.

 A brasileira que fez sua carreira na Europa e os Estados Unidos nunca esqueceu suas origens. Em fevereiro de 1938, cantou para o casal  Roosevelt na Casa Branca. O Presidente dos EUA lhe ofereceu a cidadania estadunidense, mas ela recusou. De acordo com Bidu “no Brasil eu nasci e no Brasil morrerei”. Infelizmente Sayão morreu aos 96 anos,  no estado norte-americano do Maine, onde vivia.


Eleanor e Franklin Roosevelt
Na Casa Branca entre 1933 e 1945

Seu nome é lembrado e reverenciado como uma das maiores estrelas da ópera de todos os tempos. O Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão é a mais importante competição vocal da América Latina. Em 1995, aos 92 anos, sua  vida e  carreira tornaram-se enredo da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis. Bidu entrou na avenida no último carro alegórico sentada num trono cuidadosamente preparado para ela.


Bidu Sayão
Carnaval de 1995, RJ

É de Bidu Sayão a versão mais conhecida da “Bachiana Brasileira n. 5”, de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959). Em 1959, Bidu aceitou o convite de Villa para gravar a composição “Floresta Amazônica”.

Observe nesta versão da “Bachiana Brasileira n. 5” a voz cristalina de Bidu Sayão ao interpretar esta obra magistral de Heitor Villa-Lobos.

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MARILIA MEDALHA

“Marília não canta como uma cantora; canta como uma mulher que gosta de cantar”

Marilia Medalha (1944)

Há 76 anos nascia em Niterói – RJ a grande cantora e compositora Marilia Medalha (25/07/1944). Marília Iniciou a carreira no Clube de Regatas de Icaraí e no Clube Central, em Niterói, partindo daí para o mundo.

Em 1967 conquistou o 1º lugar com a música “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam no III Festival da Música Popular Brasileira. A canção foi vencedora, à frente de Domingo no parque (Gilberto Gil), Alegria, alegria (Caetano Veloso), e Roda viva (Chico Buarque), entre outras. Foi uma das poucas mulheres protagonistas daquela noite de 1967.


Capa da Revista Cruzeiro (1967)
José Carlos Capinam, Marilia Medalha e Edu Lobo,

Marilia também se destaca como parceira de Vinicius de Moraes (1913-1980). A lista de parceiros de Vinicius é bem longa, traz nomes como: Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque, Edu Lobo, Toquinho e Carlos Lyra, além de jovens desconhecidos na época como Jards Macalé e Francis Hime, até nomes como Pixinguinha e Ary Barroso. Desses nomes, a parceria com Marilia merece grande destaque, afinal, foi ela a única mulher a compor em parceira com Vinicius de Moraes.

Vinicius e Marilia se conheciam desde que a cantora foi de Niterói para São Paulo em 1965, participar do musical Arena Conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, com músicas de Edu Lobo. Nesse musical, que ficou em cartaz por mais de um ano, Marília recebeu o prêmio de Atriz Revelação, da Associação Paulista de Críticos Teatrais, em 1966.


Os Parceiros Musicias
Marilia Medalha  e Vinícius de Moraes

Os amigos, Marilia e Vinícius, se tornaram parceiros em uma das fases mais conturbadas da vida do país e dos dois músicos. Vinicius havia sido desligado do Itamaraty ao qual serviu durante duas décadas. Marília, por sua vez, teve prejudicada uma carreira em plena ascensão, no início de 1969, quando seu então marido, o escritor e teatrólogo Isaias Almada, foi preso pelos órgãos de repressão da ditadura militar. Neste momento nasce a parceira musical entre os dois músicos.

Marilia Medalha, uma intérprete sem qualquer espécie de vedetismo e, além do mais, uma mulher fora de série, digna, leal e corajosa quanto as que mais o sejam. (…) Marília não canta como uma cantora; canta como uma mulher que gosta de cantar”.

Vinicius de Moraes, Dezembro de 1970.

Nos últimos anos Marília Medalha tem participado de eventos especiais, dedicando-se somente aos projetos com os quais se identifica estética e ideologicamente, como o trabalho “Tributo a Zé Kéti”, no CCBB do Rio de Janeiro, coordenado por Elton Medeiros, e o musical “Rainha Quelé”, homenagem a Clementina de Jesus, em 2002, no SESC Ipiranga, em que reverencia a sambista Clementina na interpretação marcante de seus jongos, partidos e corimas. Participou de um tributo ao compositor Sidney Muller, na Funarte do Rio de Janeiro, e do evento “A Era dos Festivais”, coordenado por Zuza Homem de Mello.


Marilia Medalha

Atualmente Marilia reside em São Paulo, um tanto recolhida. Vez por outra vem à Goiânia visitar os amigos que aqui fez, e, seu irmão Luiz Medalha, renomado pianista que vive na capital goiana.

Ouviremos Ponteio, de Edu Lobo e José Carlos Capinam no histórico III Festival da Música Popular Brasileira,  interpretado por Edu Lobo, Marília Medalha, Quarteto Novo y Momento Quatro  – Maurício Maestro/Zé Rodrix/David Tygel/Ricardo Sá.


Troféu em 1967
Edu Lobo/Marilia Medalha/Capinam

Observe ao ouvir Ponteio:  do motivo principal da melodia, extrai-se o elemento melódico da introdução que tanto chama a atenção nesta obra magistral. Não foi por acaso que Ponteio venceu o Festival de 1967.

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O CENTENÁRIO DE ALBERTO NEPOMUCENO

Compositor, organista, pianista e professor, Alberto Nepomuceno foi considerado precursor do nacionalismo brasileiro

Alberto Nepomuceno (1864 – 1920)

Para 2020 estavam programadas várias comemorações artísticas e acadêmicas em homenagem a datas significativas de grandes compositores da música de concerto. O centenário da morte do compositor brasileiro Alberto Nepomuceno estava inserido nesta lista.

Compositor, organista, pianista e professor, Alberto Nepomuceno nasceu em Fortaleza, Ceará, em 06 de julho de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de outubro de 1920, há 100 anos.

Em 1885 chega ao Rio de Janeiro para prosseguir seus estudos. Nepomuceno passa a residir, com a dupla de irmãos artistas plásticos naturalizados brasileiros, Rodolpho e Henrique Bernardelli.


Irmãos Rodolpho e Henrique Bernardelli

A capital do Império vivia, neste momento histórico, uma grande efervescência politica, social e cultural. A corte presenciava uma verdadeira “febre” de festas, bailes, concertos e reuniões com a importação dos bens culturais da Inglaterra e França.


Sarau na Corte do Rio de Janeiro

As Sociedades de Concertos e os Clubes eram comuns neste período. Foi frequentando o Clube Beethoven que Nepomuceno se aproximou do músico português Arthur Napoleão e do escritor Machado de Assis, bibliotecário do Clube.


Arthur Napoleão (1843-1925) Machado de Assis (1839 – 1908)

A partir do convívio com os irmãos Bernardelli e de compositores, escritores e artistas do Club Beethoven, favoráveis às causas abolicionistas e republicanas, Nepomuceno compõe a Dança de Negros (1887), uma das primeiras composições na qual utilizou motivos africanos. Torna-se republicano e abolicionista, defensor do uso da língua portuguesa na música clássica, afirmando que:

“não tem pátria um povo que não canta em sua língua”.

A Dança de Negros, as ideias abolucinonistas e republicanas, bem como as composições e a defesa da lingua portuguesa, trouxeram ao compositor Alberto Nepomuceno, a fama de “nacionalista”, ou, “precursor do nacionalismo brasileiro”. 


Claude Debussy (1862 – 1918)  e Edvard Grieg (1843 – 1907)

Entre os anos 1888 e 1895, Nepomuceno vive na Europa, onde aprimora seus estudos musicais, conhece e convive com músicos renomados como o francês Claude Debussy e o norueguês Edvard Grieg . Em 1895 casa-se com a pianista norueguesa Walborg Bang.


Família do Maestro Nepomuceno
Óleo sobre tela (1902)
Visconti, Eliseu d’Angelo
Coleção Particular, Rio de Janeiro, RJ

Em 2014, o professor João Vidal, lançou a publicação “Formação Germânica de Alberto Nepomuceno”, desconstruindo o mito do nacionalismo tão propagado na obra do compositor; Vidal revela dados importantes sobre a formação musical europeia revelada no conjunto composicional de Nepomuceno.

Independente da polemica sobre o nacionalismo na obra de Nepomuceno, faz-se interessante notar, uma composição com motivos étnicos africanos compostos ainda em 1887, estreados em 25 de abril de 1888, em Fortaleza – Ceará, menos de um mês antes da abolição da escravatura no Brasil.


Batuque

Dança de Negros (1887) mais tarde, tornou-se o Batuque da Série Brasileira para orquestra com versão para piano a quatro mãos do próprio compositor, dedicada “ao amigo Rodolpho Bernardelli”. Batuque é, ainda hoje, uma das obras mais executadas de Alberto Nepomuceno.

Ouviremos o “Batuque” com a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do maestro Roberto Minczuk (1967).

Observe a inserção dos ritmos afro-brasileiros no Batuque de Alberto Nepomuceno.

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CHEGA DE SAUDADE

Dono de uma sonoridade original e moderna, João Gilberto levou a música popular brasileira ao mundo

João Gilberto (1931-2019)

Já se foi um ano sem João Gilberto (1931-2019). O ícone da Bossa Nova partiu em 06 de julho de 2019 aos 88 anos.

Considerado um dos músicos mais influentes no jazz americano do século XX, João Gilberto ganhou importantes prêmios nos Estados Unidos e na Europa.

Em 1958, o músico baiano, então com 27 anos, entrou no estúdio da gravadora Odeon, no centro do Rio de Janeiro, para mudar a música brasileira: era a gravação de Chega de Saudade, música de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.


Capa do LP Chega de Saudade (1959)

Essa primeira gravação marca o surgimento da Bossa Nova, um movimento da música popular brasileira, caracterizado por ser um estilo de música com forte influência do samba carioca e do jazz norte-americano, marcado, em sua grande maioria, pelo tom coloquial, temas habituais e voz mais baixa, permeada de harmonias de samba e invenções melódicas de jazz.

João Gilberto dizia:

Apesar de sexagenária, a bossa não envelheceu, vai ser admirada pelo mundo para sempre. É como Debussy, que morreu há cem anos. São só números”.

Com o intuito de buscar algo novo, jovens cariocas reúnem-se em prol da inovação musical. Além dos músicos que giraram em torno de Chega de Saudade, o cantor João Gilberto e os autores Tom Jobim e Vinicius de Moraes, outros músicos como: Dorival Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime, Marcus Valle, Paulo Valle, Carlos Lyra, Nara Leão, Baden Powell, Nelson Motta, Wilson Simonal, dentre tantos outros, aderiram ao novo estilo de música.

Com  mais 60 anos,  e, com a partida  de  vários de seus de personagens emblemáticos,  a Bossa Nova continua viva e encantando plateias pelo mundo.

Segundo Leny Andrade

“Canto canções que gravei nos meus primeiros discos (nos anos 1960), para diferentes plateias e com o mesmo frisson. Não dá nem para nomear. São eternas. Eu as reverencio hoje e daqui a 20 anos”.

Para matar a saudade, ouviremos, Chega de Saudade  de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, no primeiro álbum do cantor e compositor brasileiro João Gilberto, o  disco foi lançado em LP em 1959, grande sucesso no Brasil, que impulsionou a carreira de João Gilberto, tornando conhecido o movimento da Bossa Nova que se iniciava.


Tom Jobim, João Gilberto e Vinicius
de Moraes

Observe que Chega de Saudade se caracteriza pelas suas improvisações e modelações, combinando influências de diversos ritmos. Aproveite esta versão na voz do inesquecível João Gilberto.

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ERUDITO OU POPULAR?

 “Ernesto Nazareth é a verdadeira encarnação da alma musical brasileira”


Ernesto Nazareth (1863 – 1934)

Estamos vivendo tempos desafiadores. Constantemente convivemos com falta de empatia e bom senso. Há extremismo, nas discussões dos mais diversos assuntos,  em exaltadas opiniões nas redes sociais, bem como entre amigos e familiares.

Na música, ainda hoje, se discute diferenças entre o “erudito” e o “popular”. O compositor carioca Ernesto Nazareth (1863 – 1934) ilustra bem esta polemica. Nazareth sonhava em ser um reconhecido pianista, estudar no exterior, ser aceito como “músico erudito”.

Ernesto Nazareth transita entre o chamado “erudito” e o “popular”. Ora se percebe em sua obra um toque “chopiniano”, especialmente nas valsas, ora a vibração de uma polca, um tango ou de um choro entranhado de “alma brasileira”.

Polemica a parte, Ernesto Nazareth foi genial. Apresentava-se como pianista ou “pianeiro” em recitais, salas de cinema, lojas de partituras, bailes, reuniões e cerimônias sociais. Foi tocando piano na sala de espera do Cine Odeon no centro do Rio de Janeiro que compôs em 1910,  uma de suas mais famosas obras,   o Tango ODEON.

Muitas personalidades ilustres frequentavam o Cine Odeon exclusivamente para ouvir o artista.  Foi neste tradicional cinema carioca que Nazareth conheceu o compositor francês Darius Milhaud (1892 – 1974) e nada menos que o afamado pianista  Arthur Rubinstein (1887 – 1982). 


Cine Odeon, Rio de Janeiro

No anseio de ser reconhecido como pianista “erudito”, Nazareth não pode perceber o quanto sua música era original e repleta de brasilidade. O fato de não ter ido estudar na Europa como outros compositores da época, não o fez menor, muito pelo contrário, foi bebendo na fonte da música urbana carioca que ele compôs tão originalmente.

Ernesto Nazareth deixou 218 obras como: “Apanhei-te, cavaquinho”, “Ameno Resedá”, “Confidências”, “Coração que sente”, “Expansiva”, “Turbilhão de beijos”, “Odeon”, “Fon-fon”, “Escorregando”, “Brejeiro” “Bambino” e muitas outras.

Sua vida não foi fácil. Portador de sífilis foi internado na Colônia Juliano Moreira em Jacarepaguá no Rio de Janeiro.   Fugiu no principio de 1934, sendo seu corpo encontrado, três dias após a fuga, boiando nas águas da represa que abastecia o manicômio. Nunca foram comprovados os reais motivos de sua morte.

O que diziam de Nazareth?


Brasílio Itiberê (1846 – 1913)

Segundo Brasílio Itiberê (1846 – 1913) Nazareth foi:

“… Expoente máximo de nossa música popular e um autêntico precursor da música erudita de caráter nacional”.

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Villa-Lobos (1887 – 1959)

Para Villa-Lobos (1887 – 1959) Ernesto Nazareth :

“… É a verdadeira encarnação da alma musical brasileira”.


Mário de Andrade (1893 – 1945)

Mário de Andrade (1893 – 1945):

“… Ninguém melhor do que ele para representar o espiritamente achacoalhado e jovial do carioca”.


Francisco Mignone (1897 – 1986)

Francisco Mignone (1897 – 1986) disse:

“… Ele deve ser considerado um clássico da música brasileira nacionalista”

Ouviremos de Ernesto Nazareth – Odeon em gravaçãode 1975 do pianista Arthur Moreira Lima (1940). Ao gravar a obra de Nazareth, gerou polemica, por se tratar de um pianista “erudito” consagrado, vencedor de prêmios internacionais.  Sem se abalar com as controvérsias, acabou por fazer grande sucesso.

Arthur Moreira Lima (1940)

Observe nesta interpretação de Odeon à brasilidade rara de Ernesto Nazareth, e o pianismo particular de Arthur Moreira Lima.

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IMAGENS DO MUNDO QUE FLUTUA

 

O não visto se chama invisível. Não podendo ouvi-lo será inaudível

Vamos ouvir música contemporânea?


Paulo Guicheney (1975)

Convido-o a conhecer o premiado compositor goiano Paulo Guicheney (1975).

Guicheney escreve para várias formações instrumentais, foi premiado na XVII Bienal de Música do Rio de Janeiro com a obra “Anjos são mulheres que escolheram a noite” e na XIX Bienal com a obra

“MUSIK NACH W.”

Sua obra vai muito além das fronteiras de Goiás, e tem sido executado em diferentes países como Argentina, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Uruguai e México.

Atualmente Guicheney está cursando o Doutoramento em Musicologia na Universidade Nova de Lisboa em Portugal. Paulo é professor efetivo de composição da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás além de escritor e autor do livro “Tempo de atirar pedras e dançar” (Martelo Casa Editorial, no prelo). 

Segundo o compositor brasileiro, Paulo Costa Lima, Membro da Academia Brasileira de Música: “A obra de Guicheney pode ser tomada como fresta para esse grande tema da relação entre a invenção e suas referências”.

Ouviremos de Guicheney a Suíte “7 Ukiyo-e” – para ensemble (11 músicos). A obra é uma leitura sonora de sete imagens: três gravuras de Hiroshige, três de Hokusai e uma pintura de Van Gogh. Segundo Guicheney, não é uma peça programática, mas pode-se dizer que elas são reverberações sonoras das imagens. Ukiyo-e, segundo o compositor, também pode ser traduzido como imagens do mundo que flutua.

Para entendermos a inspiração de Guicheney, lembramos o pintor e gravador japonês Hiroshige (1797- 1858) conhecido sobretudo por suas gravuras de paisagens. Como o ultimo grande professor de Ukiyo-e (escola de gravura popular),   Hiroshige converteu as paisagens cotidianas em cenas de grande intimismo.  

 


Hiroshige

O outro artista que o inspirou, Katsushika Hokusai (1760 – 1849), por sua vez, fez mais de trinta mil desenhos em toda a vida, criando aos 70 anos A Grande Onda. Com esta obra, o artista japonês inspirou nada menos que Vincent van Gogh (1853 – 1890).


Katsushika Hokusai, auto-retrato, 1839


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 A três referencias artísticas resultaram na Suíte “7 Ukiyo-e” (em sete movimentos)   I. Plum Park in Kameido – Hiroshige; II. The Spirit of the Servant Okiku – Hokusai; III. Sudden Shower over Shin-Ohashi Bridge and Atake – Hiroshige;  IV. Fireworks at Ryogoku Bridge – Hiroshige; V. The Amida Waterfall on the Road to Kiso – Hokusai; VI. The Ghost of Oiwa – Hokusai e VII. Bridge in the Rain, after Hiroshige – Van Gogh.


Imagens dos sete movimentos

A versão que ouviremos é a gravação da estreia mundial da obra, de Fevereiro deste ano em Morelia – México, no Conservatorio de las Rosas. O ensemble tem a participação de professores e alunos do Conservatório, a regência é de Sergio Ortíz.

Observe na percussão, a utilização de diferente instrumentação como taças de cristal e enxadas; além de um gongo e uma mola de carro. Paulo vem trabalhando desde 2017com taças de cristal.

Paulo Guicheney

A obra de Guicheney é instigante. Ouse! Permita-se aventurar no Novo.

Boa audição!

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VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

 Muito além da primeira pianista negra a ingressar na Julliard School of Music
Muito além da primeira pianista negra a ingressar na Julliard School of Music.

Nina Simone (1933 –
2003)

Em meio à pandemia, uma onda de indignação contra o racismo se espalha por todo o mundo. Em todo o planeta, uma só voz: VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

Talvez o isolamento, a reflexão e o contato com a imagem real do racismo filmada pelo celular e propagada pela mídia, fez vir à tona algo que acontece há séculos, todos os dias com os negros do mundo.

Na arte seria diferente? Infelizmente NÃO.  

No post desta semana falaremos sobre Nina Simone.

Pianista, cantora, compositora e ativista dos direitos civis dos negros norte-americanos, a estadunidense Nina Simone, conhecida como “musa do Jazz”  viveu todos os conflitos do seu tempo.  


Nina Simone

Sobre o título de “musa do jazz” ela dizia: “É o título que todo branco concede piedosamente aos cantores negros”.

Nas décadas de 70 e 80, Nina Simone acompanhou a ascensão e a queda dos direitos civis, a derrota do Black Power, a opressão sobre as mulheres negras e a persistência do racismo.

Nina Simone


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 “Eu podia cantar para ajudar meu povo e isso se tornou o principal esteio da minha vida. Nem o piano clássico, nem a música clássica, nem mesmo a música popular, mas a música dos direitos civis.” 

Nina Simone (Eunice Kathleen Wayman) nasceu em Tryon, Carolina do Norte, EUA, em 21 de fevereiro em 1933, e morreu em Carry-le-Rouet, Provence-Alpes-Côte d’Azur, França em 21 de abril de 2003, aos 70 anos, enquanto dormia.

Seu talento surgiu logo aos três anos de idade, quando passou a tocar piano de ouvido e foi encorajada pela mãe, empregada doméstica e pastora metodista, a estudar piano seriamente.

Aos 12 anos sentiu na cor da pele o preconceito que a aguardava. Ao dar seu primeiro concerto, seus pais foram impedidos de ocupar os primeiros acentos, destinados exclusivamente a brancos.

“Eu estudei piano clássico por 22 longos anos e teria seguido carreira se tivesse dinheiro para isso. Acontece que eu era pobre e fui rejeitada pelo Curtis Institute of Music da Filadélfia [por ela ser negra]. Então, eu não tive alternativa além de cantar em clubes noturnos para sustentar a família [ela tinha sete irmãos]”, afirmou à Folha de São Paulo em setembro de 1988.


Julliard School of Music

Nina Simone estudou na afamada Julliard School of Music, se tornando a primeira negra a ingressar na renomada Escola de Nova Iorque. A pianista foi além, e, se tornou, como escreveu o repórter da Folha Thales de Menezes, no ano de 2017: “uma grande cantora de jazz e também de soul, rhythm’n’blues, pop, folk, gospel. Além de exímia pianista, tornou-se uma compositora inspirada e engajada na luta pelos direitos civis”.

A carreira e a vida de Nina foram conturbadas e polemicas. A musicista parecia ter uma busca insana pela perfeição e pelas causas relacionadas aos direitos humanos.  

Nina Simone

“Gastei muitos anos perseguindo a excelência, porque é nisso que se pauta a música clássica (…) Agora eu me dedico à liberdade, o que é muito mais importante”. Disse Nina Simone.

Ouviremos Nina Simone no Festival de Montreux em 1976 interpretando a canção “how it feels to be free”

Observe a genialidade de Nina Simone. Sua voz rouca e profunda, acompanhado de um piano na medida certa. Incrível!

Boa audição!

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UM AMOR PARA TODA VIDA

 “Ele me sorriu e com grande esforço me enlaçou em seus braços. Eu não trocaria esse abraço por todos os tesouros do mundo”

Clara Wieck (1819 – 1896) e Robert Schumann (1810 – 1856) 

Vamos falar de amor? Reclusos devido à pandemia, talvez isto se torne urgente. Um dos meus casais preferidos da história da música é Robert e Clara Schumann.

Robert e Clara viveram uma verdadeira história de amor. O jovem Robert Schumann (1810 – 1856), recém-formado em Direito, resolve estudar música. Viaja para Leipzig e procura o mais renomado professor de música da Alemanha, o Sr. Frederich  Wieck (1785 – 1873), pai da pianista, Clara Wieck (1819 – 1896).


Clara Wieck

Quando conheceu a filha do professor, Clara era uma criança.  Com o passar dos anos Clara e Robert se se descobrem apaixonados.  Robert revela o amor do casal ao professor Wieck. O professor de música, que, até então, o tratava como filho,  torna-se inimigo mortal de Schumann. Clara e Robert começam a viver um grande e proibido amor. Para separá-los Clara é mandada pelo pai numa turnê de concertos pela Europa; os jovens são proibidos de se encontrar ou se corresponder; Wieck acusa Schumann de alcoolismo, difama-o, acusa-o de várias maneiras, sob os mais variados pretextos. Após vários desencontros amorosos, Clara ao completar 21 anos, torna-se legalmente maior e eles enfim, conseguem se casar.

Filhos de Clara e Robert

Sempre rodeados de amigos, Robert e Clara mantinham uma convivência repleta de amor e música. Com o nascimento do primeiro filho, (tiveram oito) reconciliam-se com o pai de Clara, e a vida parece assumir contornos de uma existência normal. Clara e Robert pareciam um casal feliz.

Mas nem tudo vai bem. Infelizmente a linda história de amor vem recheada de sofrimento.  Schumann não alcança a fama logo de imediato. Começam as crises de melancolia acompanhadas de alucinações, depressão e pouco poder de concentração.  Como compositor, Schumann, ainda está no auge de sua capacidade, mas sua mente declina condenando-o à loucura. Robert Schumann atira-se ao Reno. Salvo, é internado em um sanatório para loucos e é proibido de encontrar a amada esposa.

Robert e Clara Schumann

Para Clara, Schumann envia cartas que testemunham o seu amor até o fim:

 “Oh! se eu pudesse te rever, falar-te mais uma vez”.

Chamada às pressas, Clara testemunha últimos momentos de consciência de Robert:

“Ele me sorriu e com grande esforço me enlaçou em seus braços. Eu não trocaria esse abraço por todos os tesouros do mundo”

Robert Schumann morre, aos 46 anos. Depois da morte de Robert, Clara empenha- se em divulgar a obra de seu grande amor.

Schumann dedicou a maior parte de suas obras ao piano. Reveri ou Traumerie. integra As Cenas Infantis opus 15, um conjunto de 13 pequenas peças para piano que demonstram a criatividade poética e musical de Schumann. Ele trabalhou nesse projeto durante a primavera de 1838, durante a ausência de sua amada Clara, a qual participava de uma turnê.  O compositor procurou, em Cenas Infantis, exprimir as reminiscências que um adulto tem da infância.

Escute Traumerie interpretada pelo pianista argentina Martha Argerich  (1941).

Observe com atenção! Poucos artistas encarnaram tão bem os ideais do romantismo melancólico como Robert Schumann. Em Traumerie fica evidente o pessimismo profundo e os grandes dramas que viveu.

Boa audição!

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CAMARGO GUARNIERI E A CIDADE DE GOIÂNIA

 “Devo prestar uma homenagem ao povo goiano que, acolheu-me como filho adotivo, permitiu que eu desfrutasse aqui do convício de sincero amor pela música brasileira”



Camargo Guarnieri (1907 – 1
993)

Agraciado com o prêmio “Gabriela Mistral”, pela Organização dos Estados Americanos (OEA), em  Washington, como “Maior Compositor Contemporâneo das Três Américas”,  Camargo Guarnieri é considerado, ao lado de Villa-Lobos,  um dos maiores compositores do Brasil.

Filho de músicos recebeu o nome de Mozart Camargo Guarnieri.  Nascido em Tietê-SP,  iniciou seus estudos musicais aos 10 anos com Virgínio Dias, a quem dedicou sua primeira obra. No entanto, foi após o acontecimento da Semana de Arte Moderna que Guarnieri começou a compor regularmente. 

Guarnieri representa a concretização musical do nacionalismo modernista. Suas relações com as ideias modernistas, e particularmente com Mário de Andrade, têm características relevantes para música brasileira. Mário de Andrade (1893-1945) e Lamberto Baldi (1895-1979) foram os responsáveis pela formação do então jovem compositor.  Baldi trabalhava os aspectos técnicos musicais enquanto Mário de Andrade o orientava em estética e cultura geral.



Mário de Andrade,  Lamberto Baldi  e Camargo Guarni
er

“Devo toda a minha formação humanitária a Mário de Andrade. Ele foi meu exemplo de caráter, honestidade e bondade”.  Camargo Guarnieri

O nacionalismo, traço marcante na obra de Guarnieri, não consiste em citar melodias folclóricas nem empregar elementos folclóricos não modificados, ele escreve uma música brasileira, de forma intelectual e criativa. 

Segundo o Professor Wolney Unes:

“ Não foi antes de Guarnieri que a produção musical erudita nacional atingiu plena maturidade. O compositor paulista soube como nenhum outro no Brasil dar universalidade à linguagem musical, sem perder de vista as fontes nacionais nem sua marca pessoal, peculiaríssima (…)”. 

Onde entra a cidade de Goiânia na vida do eminente compositor?

Segundo uma de suas biógrafas, a goiana Consuelo Quireze Rosa, seu primeiro contato com a Universidade Federal de Goiás se deu nos anos sessenta.

Guarnieri veio a primeira vez em Goiânia,  após convite, da então aluna Glacy Antunes de Oliveira, para que o compositor fosse paraninfo da turma de formandas  de Piano do Conservatório Goiano de Música.

A partir desta data, inicia-se a estreita relação de Camargo Guarnieri e a cidade.

O compositor paulista passa a integrar o corpo docente do Conservatório Goiano de Música e a conviver intimamente com a comunidade. Aqui fez amigos, compartilhou ideias e influenciou a vida musical.  Foi muito amado e homenageado em Goiânia. 


Camargo Guarnieri e Belkiss S. Carneiro de Mendonça

O maestro, por sua vez, retribuiu dedicando obras a vários goianos como as alunas, Flávia Cruz e Mônica Rassi, às musicistas: Glacy Antunes,  Wanda Amorim,  Consuelo Rosa, Custódia Annunziata, Maria Lúcia Roriz, Celina Szrvinsk , Mercia Mendonça, Ângela Barra, Maria Stela Cunha, Maria Lucy Teixeira, Wanda Goldfeld, Elciene Oliveira, Tânia Póvoa. A vice-diretora da Escola de Música, à época, Raulice Bahia   e  a saudosa e grande divulgadora da obra de Guarnieri, Belkiss  Spencieri Carneiro de Mendonça. 


Tânia Póvoa, Belkiss  Carneiro de Mendonça e Maria Lucy Teixeira

Em 1987, Camargo Guarnieri, por indicação do Maestro Norton Morozowicz,  recebeu da Universidade Federal de Goiás o importante  título de Doutor honoris causa e assim se pronunciou:

“Devo prestar uma homenagem ao povo goiano que, acolheu-me como filho adotivo, permitiu que eu desfrutasse aqui do convício de sincero amor pela música brasileira”. 

Guarnieri muito contribuiu para a literatura pianística. Para piano solo compôs: Ponteios, Valsas, Momentos Musicais, Improvisos, Sonatas, Sonatinas, dentre outras.  Aqui destacamos os 20 Estudos para piano. Assim como os estudos de Chopin, os estudos de Guarnieri apresentam dificuldades técnicas e interpretativas diversas. Os vinte estudos foram compostos entre os anos de 1949 e 1987, sendo quatro dos vinte, dedicados a pianistas goianas, a saber, o de número 13 à Wanda Fleury; o número 14 à Belkiss Carneiro de Mendonça; o número  15 à Consuelo Quirese e o número  18 à Glacy Antunes. 

Observe a textura polifônica trabalhada por Guarnieri neste conjunto de obras.

Ouviremos, os 20 estudos de Guarnieri, interpretado pelo pianista estadunidense Frederick Moyer (1957).

Boa audição!

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