O BRASIL CHORA A PARTIDA DE GAL COSTA

com uma voz afinadíssima, educada e límpida, Gal passava da suavidade da Bossa Nova às distorções das guitarras em segundos

Gal Costa (1945 – 2022)

De todas as cantoras brasileiras com mais de 50 anos de carreira, Gal Costa talvez tenha sido a que mais se reinventou ao longo dos anos.  Foram 57 anos de carreira, iniciada em 1965, quando a cantora estreou com músicas inéditas de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

 Ela ainda era Maria da Graça quando lançou “Eu vim da Bahia”, samba de Gil sobre a origem da cantora e do compositor.

Com uma enorme capacidade de redescobrir-se a baiana Maria da Graça Costa Pena Burgos, nascida em Salvador em 1945 partiu em na última quarta-feira, 09 de novembro, na cidade de São Paulo, onde vivia há vários anos.

Gal Costa aprendeu cedo a usar a voz como instrumento e levou esse talento às últimas consequências. Versátil e destemida, transitou por diversos gêneros musicais e rompeu com padrões, sempre buscando mais e mais.

Sophie Charlote e Gal Costa

A atriz Sophie Charlote, que viverá Gal Costa no cinema, disse:

“todas nós mulheres devemos reverenciar a potencia feminina que ela é”

Também a verdade é que Gal, para além da música, utilizou o corpo inteiro como uma ferramenta de expressão da maior importância. Era o corpo sensual, a boca vermelha, e, a voz afinadíssima, educada e límpida, que passava da suavidade da bossa nova às distorções das guitarras em segundos

Gal Costa

 Em 1967, em seu primeiro disco dividido com Caetano Veloso, Gal ainda era uma artista de voz doce e tímida, discípula fiel de João Gilberto. Já entre 1969 e 1971, a artista deixa claro o seu potencial para a estridência do rock. Nessa fase, ao tomar certa distância da bossa nova, Gal gravou Roberto e Erasmo Carlos, aproximou-se da jovem guarda e da tropicália, alcançando o equilíbrio perfeito entre “berros e sussurros”.

Em 1971, veio o show “Fa-tal – Gal a todo vapor”, a cantora vestiu uma saia bem abaixo do umbigo e explorou os seus agudos cantando “Eu não tenho nada, antes de você ser eu sou amor da cabeça aos pés”.

Gal também mostrou o seu lado político. Seus amigos Caetano e Gilberto Gil foram para o exílio em Londres, e, ela ficou no Brasil evidenciando seu engajamento político ao se colocar como uma das porta-vozes da resistência à ditadura militar.

Os anos de censura, também afetaram Gal. Em 1973, ela teve a capa do disco “Índia” censurada pela mesma ditadura.

“Índia”, 1973

Em 1979, surge “Gal tropical” em que ela usava o timbre claro e definido em faixas como a marchinha pop “Balancê”.

Já por volta de 1994, Gal exibiu os seios nos palcos do Rio de Janeiro, ao cantar “Brasil”, de Cazuza. Além do figurino inesperado, uma camisa larga que podia ser desabotoada com facilidade.  De peito aberto, Gal avançou pelos anos sem medo de mostrar a sua voz e a sua coragem.

Gal Costa cantando Cazuza

Recentemente, a cantora seguiu explorando gêneros como a música eletrônica, o funk carioca, visitando a música sertaneja, na qual fez parceria com a goiana Marilia Mendonça.

Marilia Mendonça e Gal Costa

Perder Gal Costa, a cantora de tantos sucessos que embalaram a trilha de vida de tantos, não é fácil. Seus amigos mais chegados mal conseguem se expressar. Seu filho de 17 anos chora e começa a perceber o furacão Gal Costa.

Vai à cantora e fica o seu exemplo, o seu talento e principalmente a sua coragem!

 A Gal de “doce e bárbara”, do tropicalismo, segue nos inspirando e lembrando que, “é preciso estar atenta e forte”. Como é difícil perder Gal Costa. Como é dolorido ver partir a mais nova integrante do quarteto – Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Gal Costa, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Caetano Veloso

A amiga e “irmã de alma” Bethânia fala emocionada:Observe a interpretação precisa e brilhante da pianista Belkiss.

“Em choque, triste demais, difícil demais. Eu nunca pensei um dia chegar a vocês para falar sobre a dor de perder Gal. O Brasil que ela sempre encantou com sua voz única, magistral, hoje, inteiro, chora. Como eu”.

Como é difícil eleger uma única música para homenageá-la. A escolha então é para que jamais esqueçamos – “Divino Maravilhoso”, composição de Gilberto Gil e Caetano. “É preciso estar atento e forte”.  A gravação é do último show ao vivo realizado por Gal Costa em Pernambuco em julho de 2022.

Observe a interpretação de Gal Costa com sua voz maviosa. Sem dúvida uma das maiores vozes do Brasil.

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MUITO ALÉM DA MÚSICA SERTANEJA

o Festival de música erudita mais antigo do Brasil, em edições contínuas, foi realizado em Goiânia no ano de 1964

Goiânia Noise Festival 

Aa programação de Goiânia conta com atrações musicais para todos os gostos. Há casas inspiradas em festivais como o Woodstock Rock Bar, Jazz, Blues.

Não são poucos os bares com shows de rock à batalha de MCs, do samba à orquestra, rimas elaboradas do rap, batida contagiante do hip-hop e a inconfundível melodia do soul marcam um dos cenários musicais da capital goiana. Sem contar com bares que oferecem variadas vertentes do chorinho.

No Centro Cultural Oscar Niemeyer, bem como no Teatro Goiânia e Centro Cultural UFG, há inúmeras atrações para os amantes da música de concerto.

Orquestra Filarmônica de Goiás, Antônio Meneses e Maestro Neil Thomson
Centro Cultural Oscar Niemeyer

Parece incrível! Mas o Festival de música erudita mais antigo do Brasil, em edições contínuas, foi realizado em Goiânia no ano de 1964.

Segundo a professora Maria Helena Jayme Borges:

“O grande acontecimento de 1964 foi à realização do I Festival de Música Erudita do Estado de Goiás de 19 a 27 de setembro. Os professores, alunos e servidores do Conservatório, compreendendo o alto sentido e as vantagens pedagógicas e sociais daquele evento, não mediram esforços para realização do festival, sendo essa a primeira vez que empreenderam um trabalho de tamanho vulto”.

Já se vão 44 Festivais de Música promovidos pela Universidade Federal de Goiás. Eventos realizados em Goiânia que contam parte da história da música em Goiás.

Festivais de Música da EMAC/UFG

Desde sua primeira versão, como I Festival de Música Erudita do Estado de Goiás os festivais trouxeram para Goiânia, reconhecidos nomes do cenário brasileiro e internacional: instrumentistas, cantores, compositores, regentes e educadores musicais, que deixaram sua marca na formação dos músicos em Goiás..

O I Festival trouxe para Goiânia a regente e compositora carioca Maria Luiza de Mattos Priolli (1915 – 2000), ministrando o curso de Análise e Didática do Ritmo e Som; o renomado pianista Arnaldo Estrela (1908 -1980), o curso de Didática do piano e interpretação pianística e o compositor e musicólogo alemão naturalizado brasileiro  Bruno Kieffer (1923 – 1987), ministrando os cursos de Apreciação musical, Estética e História da Música.

Maria Luiza de Mattos Priolli (1915 – 2000); Arnaldo Estrela (1908 -1980) e Bruno Kieffer (1923 – 1987)

Além de cursos, a primeira versão do Festival ofereceu ao público goiano recitais com a participação dos violinistas Nathan Schuwartzmann e Mariuccia Iaconino, das pianistas Belkiss, Arnaldo Estrella e Heloisa Barra, da Mezzo Soprano Honorina Barra, do flautista Lenir Siqueira, do oboísta Paulo Nardhi, do clarinetista José Botelho, do trompista Jairo Ribeiro, do fagotista Noel Devos e ainda contou com a presença Maestro Isaac Karabtchewsky regendo o Madrigal Renascentista.

Maestro Isaac Karabtchewsky (1934)

Não por acaso, atualmente o Festival leva o nome de sua idealizadora, a musicista goiana Belkiss S Carneiro de Mendonça (1928 – 2005).

Belkiss S Carneiro de Mendonça (1928 – 2005)

Musicista reconhecida internacionalmente, Belkiss Spenzièri projetou o Brasil com seus concertos, sempre valorizando e divulgando a música brasileira. O festival que a homenageia será realizado pela Universidade Federal de Goiás através da Escola de Música e Artes Cênicas entre os dias 06 e 11 de novembro de 2022 em Goiânia.

Além do 45º Festival internacional de Música Belkiss Spencieri Carneiro de Mendonça que será realizado entre os dias06 a 11 de novembro, haverá o  2º Festival de Música Popular “Jarbas Cavendish”; de 11 a 14 de novembro;  e o  XV Festival Universitário de Artes Cênicas de Goiás – FUGA 15, bem como a VII Mostra Universitária de Direção de Arte – Pontos de Fuga 7 realizados entre16 a 25 de novembro.

Em Goiânia realmente acontecem muitos eventos além da música sertaneja.

Para encerrar, relembraremos a pianista que dá nome ao festival, ouviremos o “LP” Belkiss Carneiro de Mendonça (Copacabana COLP 12.550), lançado em 1980, Disponibilizado no YouTube pelo Instituto Piano Brasileiro – IPB.

Belkiss S Carneiro de Mendonça (1928 – 2005)

Observe a interpretação precisa e brilhante da pianista Belkiss.

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MARCOS PORTUGAL (1762-1830)

e o hino à independência do Brasil

Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1762 – 1830)

O Hino da Independência foi uma canção criada em homenagem à Independência do Brasil, conquistada em 7 de setembro de 1822. Ainda em clima das comemorações dos 200 anos dessa “independência” explanaremos sobre o hino.

Essa composição é inspirada em um poema criado por Evaristo Ferreira da Veiga (1799-1837), um escritor, poeta, jornalista, livreiro e político. Evaristo ficou conhecido por ser defensor da independência do Brasil, desenvolvendo carreira na política e elegendo-se deputado por Minas Gerais. Evaristo da Veiga também é patrono da Academia Brasileira de Letras.

Evaristo Ferreira da Veiga (1799-1837)

O que pouco se comenta é o fato da letra do Hino da Independência ter sido extraído do poema Hino Constitucional Brasiliense, escrito por Evaristo da Veiga em agosto de 1822. O poema de Evaristo da Veiga tornou-se popular e recebeu uma melodia composta por Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1762 – 1830), em 1822.

Marcos Portugal nasceu em uma família de músicos em 24 de Março de 1762, na freguesia de Santa Isabel em Lisboa, e estudou música no Seminário Patriarcal, fundado por D. João V em 1713. Seu reconhecimento como músico data de 1783 quando, já autor de várias composições conhecidas e executadas, aproxima-se da família real portuguesa. Em 1792 parte para Itália e lá, conhecida como Marcos Portogallo, apresenta grande número de óperas nas cidades de Florença, Parma, Veneza, Milão, Nápoles, Ferrara e Verona. Em 1800 retorna a Lisboa já gozando de fama e assume importantes cargos musicais no Reino.

Curiosamente, embora considerado o músico mais querido do Príncipe Regente, Portugal não embarcou para o Brasil com a Família Real. Não fica estabelecida de forma definitiva a razão pela qual ele não teria acompanhado a corte ao Brasil.

Marcos Portugal chega ao Rio de Janeiro em 1811 e lá permanece até sua morte em 1830, exercendo grande influência musical e política na corte. Ao desembarcar na capital carioca foi imediatamente nomeado Mestre da Capela Real e o principal professor dos filhos de Dom Joao VI, incluído o príncipe Pedro primeiro.

Aluno do maestro, dom Pedro I, demonstrava interesse pelo ramo da música, e após a Independência do Brasil, ele resolveu produzir uma nova melodia para o Hino. Com as modificações, o Hino da Independência foi oficializado. Marcos Portugal seria então apenas o professor do autor do hino à independência.

De acordo com uma versão divulgada pelo historiador e parlamentar político, Eugênio Egas,  em 1909, a música teria sido composta pelo Imperador na tarde do mesmo dia da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822.  A versão de Eugênio Egas, por outro lado, jamais foi registrada nos jornais brasileiros de 1822 e nunca foi comprovada com documentação do período, a versão de dom Pedro I.

 Óleo sobre tela, por Auguste Bracet (1881 – 1960)
O Imperador dom Pedro I do Brasil compondo o Hino da Independência em 1822.
Coleção Museu Histórico Nacional

Já a letra do Hino Constitucional Brasiliense com música de Marcos Portugal, foi publicada pela Typographia do Diário, em 1822, conforme documentação do arquivo Nacional.

Libreto do Hino da Independência do Brasil
Fonte: Arquivo Nacioanal

Segundo relatos, com a perda de popularidade e a abdicação do Governo Imperial em 1831, o Hino da Independência, com música de Dom Pedro I, caiu no esquecimento. Nos cem anos da Independência, em 1922, o Hino voltou a ser executado com a melodia original de Marcos Portugal.

Foi na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, que o então ministro da Educação e da Saúde, Gustavo Capanema nomeou uma comissão que estabeleceu os hinos brasileiros. O Hino à Independência, como conhecemos hoje, foi finalmente regulamentado. Com o apoio do maestro Heitor Villa-Lobos, membro daquela comissão, a melodia composta por dom Pedro I foi dada como única a ser utilizada na execução do Hino.

Ouviremos uma versão do hino oficial, de um clip lançado pela TV Cultura  gravada com a Brasil Jazz Sinfônica, sob a regência do Maestro Ruriá Duprat,  gravado no Museu do Ipiranga e no Parque da Independência em maio desse ano de 2022. O museu reabriu suas portas nas comemorações dos 200 anos da independência do Brasil.

Observe! O clipe mostra imagens exclusivas dos músicos em apresentações solos executando o Hino da Independência em diferentes espaços do Museu do Ipiranga, ao mesmo tempo em que traz recortes dos operários da reforma do Museu extraindo sonoridades de suas ferramentas, num perfeito casamento, apresentando um conjunto rítmico da orquestra com sons da reforma.

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Elizabeth II (1926 – 2022)

uma rainha que adorava música

Princesa Elizabeth tocando piano no Palácio de Buckingham, 1946

A partir da noticia do falecimento da Rainha Elizabeth II (1926 – 2022) na ultima quinta-feira (08/09), a pauta de todas as mídias, gira em torno da trajetória da monarca britânica mais longeva da história.

Rainha Elizabeth II (1926 – 2022)

 A vida pessoal dos membros da família real britânica, sempre foi motivo de muita curiosidade. Porém, o que nem todos comentam é que a rainha adorava música, e, passou isso para seu filho Charles, o atual Rei.

Segundo o site oficial da rainha britânica, Elizabeth gostava de trilhas sonoras de musicais e de músicas da Guarda Britânica. Seu gosto era clássico e refinado.

O pai da rainha Elizabeth II, o Rei George IV (1895 – 1952), foi um generoso patrono da música de concerto e um devoto inabalável da vida musical da Grã-Bretanha, frequentando regularmente concertos, premiando músicos com as mais altas honras, apoiando bandas e orquestras militares do país além de incentivar o estudo de música das filhas.

 George VI ouvindo a Rainha Elizabeth (Rainha-Mãe) ao piano

A vida da princesa Elizabeth, junto com sua irmã, a princesa Margaret, foi banhada por música desde a tenra idade. A Rainha-Mãe (1900 – 2002)e a governanta das meninas ensinavam as princesas em casa, com foco em literatura, língua, história e música.

Ainda crianças na década de 1930, as princesas Elizabeth e Margaret passaram o período de guerra no Castelo de Windsor, onde foram colocadas sob a tutela do organista e compositor ingles Sir William Henry Harris.

Princesa Elizabeth e Princesa Margaret sentadas juntas ao piano no Castelo de Windsor, 1940

Aos 11 anos, a princesa Elizabeth aprendeu a tocar piano. A princesa Margaret era mais conhecida por ser a cantora e pianista da família, enquanto Elizabeth tinha uma paixão maior pelo ar livre, cavalos e cães, que ela nutriu ao longo de sua longa vida, sem deixar de cultivar o gosto pela música.

A princesa Elizabeth observa sua irmã, a princesa Margaret, tocar uma valsa de Brahms no piano na sala da escola no Palácio de Buckingham.

A rainha tinha dois títulos honorários em música, bacharel em música pela Universidade de Londres e doutora em música pela Universidade de Gales. Ambos obtidos antes de ela ascender ao trono como símbolo de sua devoção à música.

Como os pais, Elizabeth II soube apreciar as artes, e, passou esse legado aos seus filhos, principalmente ao, agora atual, Rei Charles III.

Quando criança, Charles era um membro assíduo da plateia, ao lado de sua avó, a rainha-mãe, nas casas de ópera e salas de concertos da Inglaterra.

A princesa Anne e o príncipe Charles com a avó, conhecida como a Rainha Mãe, em Windsor. A foto foi tirada pouco depois que as crianças viajaram para Tobruk, na Líbia, para se juntar ao rei e à rainha, que estavam fazendo um tour pelos países que já fizeram parte do Império Britânico, 1954

Em uma entrevista a Alan Titchmarsh, da Classic FM, em 2020, o então Príncipe de Gales ressaltou a importância e a necessidade urgente de nossa sociedade proteger e valorizar as artes, principalmente durante a pandemia. Rei Chalés III ainda declarou:

“É tão importante, eu acho, que os avós e outros parentes levem crianças com cerca de sete anos para experimentar alguma forma de arte em performance.”

O Rei do Reino Unido, Charles III, é um músico de coração, com um profundo amor pelo balé e pela música. Ele é defensor e patrono do mundo das artes, com patrocínios na Royal Philharmonic Orchestra, Associated Board of the Royal Schools of Music, Royal College of Music.

Charles III estudou violoncelo, trompete e piano. Com deveres reais e a expectativa do serviço militar, Sua Majestade deixou seu violoncelo quando se juntou à Marinha Real e à Força Aérea Real em seus 20 e poucos anos.

“Quando entrei para a Marinha, descobri que não era tão fácil levar um violoncelo em

Principe Charles estudando violoncelo

Vida longa ao Rei. Que ele mantenha o amor e o incentivo às artes.

Homenageando a família real britânica ouviremos “Skyline Pigeon” de Elton John (1947) a versão apresentada no Rock in Rio de 2015. 

O artista prestou homenagem à Rainha Elizabeth II após o anúncio da morte da monarca.  AtualmenteElton John está na turnê no Canadá, e, passou uma mensagem emocionante para a multidão que o assistia em Toronto.

“Ela é uma presença inspiradora para estar por perto, (…) eu estive perto dela e ela é fantástica. Ela liderou o país em alguns de nossos maiores e mais sombrio momentos com graça, decência e carinho genuíno. Tenho 75 anos, ela esteve comigo toda a minha vida”.

Elton John (1947) recebendo título Cavaleiro da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II, 1998.

Elton John foi um dos músicos condecorados com o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II.  Ele recebeu o título devido ao trabalho de caridade e contribuição para a cultura do Reino Unido. Se tornar cavaleiro é a maior honra dada pela monarquia britânica sendo destinada apenas para as personalidades que contribuíram notavelmente para a vida nacional britânica.

Observe a grandeza desse músico inglês!

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Estercio Marquez Cunha (1941)

o compositor goiano é tema de curta-metragem

Estercio M. Cunha (1941)

O compositor goiano Estercio Marquez Cunha (1941) é uma daquelas pessoas que todos querem estar perto. Com uma palavra de carinho, um sorriso, pronto a ajudar os jovens músicos que estão sempre à sua procura.

Marquez é ligado profissionalmente à Universidade Federal de Goiás, onde foi professor de Harmonia, Contraponto e Fuga, mas a sua carreira acadêmica começa na década de 1970, quando lecionava na Faculdade de Artes da Universidade Federal de Uberlândia.

Ainda na mesma década, mais precisamente no ano de 1973, se junta às professoras Glacy Antunes de Oliveira, Delmari Brito Rossi e Elizabeth Caramashi para fundar o MVSIKA! Centro de Estudos, uma escola de proposta inovadora, pioneira do ensino de artes integradas.

No início da década de 1980, doutorou-se em Composição nos Estados Unidos, na Universidade da Cidade de Oklahoma, e é à carreira de compositor que Estercio se dedica desde sua aposentadoria em 1995.

Universidade da Cidade de Oklahoma

Além de compor, Marquez, segue dando aulas de composição aos alunos que sempre o rodeiam.

Paulo Guicheney (1975)

Segundo o compositor goiano professor da Universidade Federal de Goiás  Paulo Guicheney (1975):

“Estercio é um dos compositores mais interessantes que o Brasil já produziu, mas por estar afastado dos grandes centros, e também por seu comportamento tímido, não tem o reconhecimento que sua obra merece. É dono de uma linguagem própria única, plena de lirismo e inovações”.

Grupo “Música Íntima”

Outros compositores goianos que comungam das mesmas ideias é o grupo que forma o,  “Música Íntima”,  projeto de compositores egressos da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, no qual fazem parte Douglas Sá, Gabriel Araújo, Gilberto Filho, Lucas Manassés, Luiz Gonçalves e Ubiratan Costa.

O Projeto “Música Íntima”, além de mostrar as novas composições do grupo, divulga e promove compositores contemporâneos do estado de Goiás. Dentro da proposta do projeto, está a realização de documentários sobre compositores contemporâneos.

Luiz Gonçalves (1986)

O compositor e videomaker Luiz Gonçalves (1986), doutorando em música pela UDESC e professor de composição nas Oficinas de Música da UFG, que integra o “Música Intima”, é grande admirador de Estercio. Com o intuito de divulgar a obra e a vida do compositor goiano, agregou a ideia do grupo, e, realizou um documentário sobre Estercio.

O curta foi selecionado para participar 23º FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental na categoria MOSTRA DO CINEMA GOIANO. Intitulado: TEMPO DE SILÊNCIO. O curta, com duração de 21 minutos, foi apresentado na cidade de Goiás no ultimo FICA em maio de 2022. 

Com Direção, roteiro e edição de Luiz Gonçalves; Direção de fotografia e colorização de  Fernando Canhete e Produção do Projeto Música Íntima e T3mpo filmes.

TEMPO DE SILÊNCIO conta um pouco sobre a trajetória do compositor Estercio  Marquez Cunha. Segundo Gonçalves:

“(…)  Estercio é um dos compositores mais prolíficos do cerrado. Nascido em Goiatuba em 1941, foi o primeiro, e por muitos anos também o único, compositor goiano a aderir ao Modernismo na música. Neste curta-ensaio, onde sua música e suas ideias são retratadas, Estercio nos faz um apelo: que sejamos de fato donos de nossa percepção, pois nossa liberdade enquanto indivíduos jamais dispensa o ato de perceber, cada um à própria maneira, o mundo“.

Vamos assistir esse curta-ensaio com Estercio Marquez Cunha. Além de falas de Estercio seguindo o roteiro proposto por Gonçalves, o filme contem algumas obras do compositor como: Quatro cantos de fé; Música para soprano, flauta e violão Nº3 e Nº1; Música para piano Nº55; Ofício de Treva e Luz; Quarteto de cordas Nº5.

Observe a grandeza desse compositor goiano tão bem retratado no curta-ensaio TEMPO DE SILÊNCIO.

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CAETANO VELOSO

os 80 anos de um dos gênios da arte brasileira

Caetanos Veloso (1942)

Músico, produtor, arranjador e escritor brasileiro, Caetano Veloso, completou 80 anos de idade no ultimo domingo 07 de agosto, comemorado em grande estilo com um show, transmitido por plataformas digitais, rodeado pelos filhos: Moreno, Zeca e Tom, e, da irmã Maria Bethânia.

Caetano com os filhos e a irmã Maria Bethânia.

Com um passado e um presente que lhe garantem admiração no Brasil e exterior, Caetano, construiu uma obra musical marcada pela releitura e renovação, com grande valor intelectual e poético, se destacando como uma das principais referencia artísticas brasileiras.

O artista plural que nunca parou de compor nem de cantar, ao longo de sua carreira, também escreveu livros e produziu cinema. Caetano Veloso tem canções em trilhas sonoras no cinema nacional e  internacional como “Hable com Ella”, de Pedro Almodovar e em “Frida”, de Julie Taymor, recebendo, ao longo de sua carreira, inúmeros prêmios.

“Hable com Ella”, de Pedro Almodovar

Caetano Emanuel Vianna Teles Veloso nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, no dia 07 de agosto de 1942. Filho de José Veloso, funcionário dos Correios e Telégrafos, e de Dona Canô, aos 14 anos de idade, veio de mudança com a família para o Rio de Janeiro.

Em 1960, a família voltou à Bahia, indo morar em Salvador. Nessa época, ao violão,  Caetano passou a acompanhar, sua irmã Maria Bethânia, em bares da cidade.

Foi ao lado de Gal Costa que Caetano grava “Domingo”, seu primeiro disco. A música “Alegria, Alegria” é classificada em quarto lugar no III Festival de MPB da TV Record.

Nesse momento, surge na música  brasileira um movimento de ruptura cultural que tem como marco o lançamento, em 1968, do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”, disco-manifesto  do Tropicalismo, cujos participantes foram: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa,  os Mutantes  (banda) e o maestro Rogerio Duprat.

Capa do Disco “Tropicália ou Panis et Circensis”
fotografia realizada na casa de Oliver Perroy, fotógrafo da Editora Abril, SP

Outro fato que marca a vida e a carreira de Caetano Veloso foi o exilio. Caetano é preso pela ditadura militar, acusado de ter desrespeitado o Hino Nacional e a Bandeira. Em 1969, parte para o exílio, em Londres, voltando em 1971.

Deprimido com o exilio europeu, o artista baiano ganhou ânimo quando o produtor musical britânico Ralph Mace o convida para compor e gravar um disco na Inglaterra.

Álbum Caetano Veloso
Lançado na Inglaterra em junho de 1971 pelo selo Famous / GW (de Ralph Mace) e editado no Brasil via Philips no segundo semestre daquele mesmo ano de 1971

Já no Brasil, Caetano Veloso, Gal, Gil e Bethânia formam o grupo “Doces Bárbaros” gravam “Os Mais Doces dos Bárbaros” e excursionam por todo o país.

“Os Mais Doces dos Bárbaros”

Outro parceiro marcante  na vida e na carreira de Caetano foi  Gilberto Gil, que assim se expressa sobre os 80 anos de Caetano:

“meu afeto fortalecido de amigo e de irmão é tudo que posso lhe dar de presente no seu aniversário de 80 anos”

Gilberto Gil e Caetano Veloso

Na década de 80, ao lado de Chico Buarque, apresentou na televisão, o programa “Chico & Caetano”, onde cantava e recebia convidados.

Chico Buarque e Caetano Veloso

Caetano não para de produzir arte. Completa 80 anos nos brindando com sua genialidade que parece inesgotável. 

Difícil escolher uma obra como exemplo. Optamos por “Sampa”, do álbum Muito – Dentro da Estrela Azulada, sendo a canção mais ouvida dentre os inúmeros sucessos do baiano Caetano.

Em vídeo ao vivo de março de 2017  – Caetano Veloso e Gilberto Gil – Caetano interpreta (voz e violão) “Sampa”

Observe! “Sampa” promoveu a ruptura na composição brasileira, libertando-a do vocabulário culto e do romantismo exagerado.

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80 anos do Teatro Goiânia

O dia do “Batismo Cultural de Goiânia”

Teatro Goiânia em 1942, ano de sua inauguração. Batismo Cultural da cidade de Goiânia
Foto: IBGE

Há 80 anos, no dia 05 de julho de 1942, a população goianiense despertou com o toque de alvorada e fogos de artifício, para comemorar o dia intitulado “Batismo Cultural de Goiânia”, termo utilizado para designar o dia da inauguração oficial da capital.

No decorrer da semana a cidade foi palco de realizações culturais que atraíram várias personalidades politicas, artísticas, eclesiásticas e intelectuais do país e da participação do público em geral.

Dentre os vários eventos e festividades que marcaram a Inauguração oficial de Goiânia, a missa campal realizada na manha do dia 05 de Julho pelo arcebispo de Goiás, D. Emanuel Gomes de Oliveira, e pelo arcebispo de Cuiabá, D. Aquino Correia, constitui-se como um momento de relevante significado para o restabelecimento de uma nova aliança entre a Igreja e o Estado em Goiás.

Getúlio Vargas (1882 – 1954), então Presidente da República, deu força, influindo para que aqui se realizassem o Oitavo Congresso Brasileiro de Educação e a Assembleia Geral dos Conselhos do IBGE. Foram dias de discussão febris e excitantes, com destaque para o lançamento da Revista OESTE, que reunia a intelectualidade. Cerca de seiscentos visitantes estrangeiros participaram das comemorações.

Batismo Cultural de Goiânia
Foto: Acervo IFG

Nessa data também foi inaugurado o Cine Teatro Goiânia, como era denominado à época, com a peça “Deus lhe pague”, protagonizada pela atriz Eva Tudor (1919-2017). Foi também no mesmo palco que Pedro Ludovico Teixeira entregou a chave simbólica da cidade ao indicado prefeito da nova capital, Venerando de Freitas Borges.

Eva Tudor (1919-2017)

No entanto o Cine Teatro, então inaugurado, não possuía capacidade para apresentações teatrais, havia sido planejado para estas funções, mas as dimensões de palco eram reduzidas e impróprias para a montagem de espetáculos amplos e sofisticados.

Durante toda a década de 40, 50 e 60 o local fez sucesso promovendo exibições de filmes nacionais e internacionais, bem como formaturas e eventos, reunindo personalidades políticas e a população goiana.

Teatro Goiânia

No início de 1976, com o declínio dos cinemas, a falta de uma estrutura teatral para espetáculos e o a necessidade de reparos em suas instalações, o espaço, foi fechado e passou por minuciosa reforma, quando então se abandonou a ideia de cineteatro, para ter somente a função de teatro.

  A reinauguração aconteceu na noite de 15 de março de 1978, marcada pela apresentação do Corpo de Baile da Associação de Ballet do Rio de Janeiro. A companhia trouxe ao palco os bailarinos Margot Fonteyn (1919 – 1991) e David Wall (1946 – 2013). Após o espetáculo, Fonteyn declarou para a imprensa:

“O equipamento eletrônico do Teatro Goiânia coloca esta casa na liderança dos teatros do Brasil e entre as melhores do mundo”.

Margot Fonteyn e David Wall

Em 1998, o teatro Goiânia, recebe mais uma reforma e se torna uma das mais modernas casas de espetáculos do país e se torna patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN),

Atualmente o Teatro Goiânia possui capacidade de 850 lugares e recebe os mais variados espetáculos e peças teatrais. Resgatando parte de seu histórico, o Teatro Goiânia também recebe exibições de filmes e é palco de importantes festivais de cinema regionais.

Teatro Goiânia

Chama a atenção o nome dado ao hall de entrada do Teatro Goiânia, denominado “Tia Amélia”.

Amélia Brandão Nery, carinhosamente chamada de Tia Amélia, como ficou conhecida, nasceu em Pernambuco em 25 de maio de 1897 morrendo aos 86 anos de idade em Goiânia no dia 18 de outubro de 1983.

Tia Amélia (1897 1983)

Tia Amélia foi um grande nome da música brasileira. Compositora e pianista, frequentou e brilhou nos grandes centros. Em Goiânia abriu uma escola de música. Podemos citar como uns de seus ilustres alunos: Heloisa Barra, Estercio Cunha, Maria Augusta Callado e Glacy Antunes de Oliveira.

Para celebrar a grande musicista que dá nome ao hall de entrada do Teatro Goiânia ouviremos de Tia Amélia a Valsa Gratidão – executado por Hercules Gomes, piano e Rodrigo Y Castro, flauta.

Observe a beleza dessa obra composta por tia Amélia com apenas 12 anos de idade.

Vida longa ao Teatro Goiânia que comemora 80 anos de idade.

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O ADEUS Á GILBERTO TINETTI

pianista de grande personalidade e reconhecido mérito

Gilberto Tinetti (1932 – 2022).
Foto: Reprodução

Morreu, no ultimo 18 de junho, preste a completar 90 anos, o pianista e professor aposentado da Escola de Comunicação e Artes da USP Gilberto Tinetti (1932 – 2022).

Intérprete de variado repertório dedicou especial atenção à divulgação da música brasileira, principalmente dos compositores Camargo Guarnieri e Heitor Villa-Lobos.

Villa-Lobos (1887 – 1959) ao piano ao lado da pianista Magda Tagliaferro (1893 – 1986), 1956. Acervo do Museu Villa-Lobos
Fonte: institutopianobrasileiro.com.br

Tinetti iniciou seus  estudos de piano aos 10 anos, com Josephina De Felice. Mais tarde tornou-se aluno de Hans Bruch, que o apresentou a Magdalena Tagliaferro, com quem estudou em Paris, entre 1957 e 1959.

Na Europa venceu o Concurso da Academia Internacional de Verão do Mozarteum de Salzburgo, na Áustria, em 1970.

De volta ao Brasil, formou, em 1975, o TRIO BRASILEIRO  com os músicos Erich Lehninger, no violino, Watson Clis, no violoncelo.  O Trio foi condecorado como o melhor conjunto de câmara pelo Prêmio Carlos Gomes, 1999.

Trio Brasileiro – Erich Lehninger, Watson Clis e Gilberto Tinetti

Entre os anos de 1980 e 2002 o pianista Tinetti foi professor do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.  Na ECA, onde formou diferentes gerações de artistas, ministrou aulas de piano e música de câmara.

Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo

Também, entre 1980 a 2002, Tinetti foi professor e diretor artístico do Seminário de Música Pró Arte de São Paulo, fundado por Hans-Joachim Koellreutter.

Sendo que em 1986 foi convidado pela direção da Cultura FM para apresentar a série “A Arte de Magdalena Tagliaferro”, em homenagem à sua professora que havia falecido naquele ano.

Posteriormente, em 1987, passou a integrar o quadro de apresentadores da Rádio, com o programa diário “Teclado”  com séries semanais dedicadas a integral de obras para piano de relevantes compositores nacionais e estrangeiros.

  Em 1996, o programa “Teclado” passa por algumas mudanças e é denominado “Pianíssimo”, atração que Gilberto Tinetti apresentou na Cultura FM até dezembro de 2019.

Gilberto Tinetti ao piano

A notícia da morte de Tinetti gerou depoimentos emocionados e homenagens pelo Brasil a fora. Querido por seus pares, a morte de Tinetti deixa uma vazio na música brasileira.

Segundo o Diretor da Sala Cecília Meireles João Guilherme Ripp“a música brasileira perde a arte, técnica e elegância de Tinetti, um de nossos maiores intérpretes”.

O compositor Ronaldo Miranda disse: “Ele deixa uma legião de ex-alunos brilhantes, de Lilian Barretto a Antonio Vaz Lemes, além de incontáveis admiradores (…)”.

A pianista Olga Kiun  se pronunciou: “Acabou mais uma linda e superprodutiva vida de grande músico e ser humano. Vai ser lembrado por muitos com amor”.

Ouviremos o Pianista brasileiro Gilberto Tinetti interpretando os 4 movimentos, das Bachianas Brasileiras Nº 4 de Heitor Villa-Lobos: 1º mov: Prelúdio 2º mov: Coral (Canto do Sertão) 3º mov: Aria (Cantiga) 4º mov: Dança (Miudinho) em uma Transmissão da Tv Cultura  – Programa Clássicos  gravado em 2000.

Observe! Tinetti em encontro com Villa-Lobos registra orientações interpretativas valiosas em relação a essa obra, como a valorização dos baixos em oitavas.  Segundo o pianista, Villa-Lobos teria dito: “Aí está o Bach!”.

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FESTAS JUNINAS

Considerada a segunda festa brasileira mais popular no Brasil

Festa Junina

Com traço marcante da cultura popular brasileira, as festas juninas, tem sua formação histórica ligada ao sincretismo entre sua origem pagã e a celebração de santos católicos.

As festas juninas chegaram ao Brasil através da colonização portuguesa, e, marcam um ciclo de festividades para celebrar três santos importantes para Portugal e para o cristianismo ocidental: Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29).

Santos Juninos

As celebrações, no entanto, devem ser compreendidas num cenário maior de apropriação de festas pagãs pelo calendário da Igreja Católica.

Segundo Christian de Oliveira:

“A Igreja Católica se apropria de festas pagãs, das festas judaicas às indígenas”.

 Importante notar que as festas juninas, no Brasil, receberam influências temporais e regionais, apresentando atualmente, de forma diferente em cada região do país. É na decoração, nas comidas típicas, nos ritmos e danças, dentre outras particularidades, que se diferenciam de acordo com a região do país.

No que tange a afamada quadrilha, inicialmente, era um conjunto de danças com cinco partes, cada uma com ritmos e músicas diferentes, derivadas das danças palacianas, trazidas para o Brasil pela corte portuguesa a partir de 1808.

Lundu no Brasil colonial  por Johann Moritz Rugendas (1802-1858)

Com o advento da República em 1889, foi criado o termo “festa junina” como uma forma de identificação nacional da festa no Brasil. 

Segundo Alberto Ikeda: “O que restou da quadrilha no Brasil foi o último movimento deste conjunto de danças palacianas, que era uma polka”.

Quadrilha no Brasil

Historicamente, os ritmos que ficaram marcados como juninos foram a polka e a marcha. Com o passar do tempo, o forró passou a ganhar mais espaço nas festas juninas do Brasil.

Ainda segundo Ikeda:  “os ritmos e danças mais populares, se alteraram ao longo dos anos – Um fenômeno atual é a abertura das festas juninas para outros gêneros musicais que não o forró ou as marchas juninas”.

Trazendo essa tradição para a música de concerto, encontramos vários compositores brasileiros que se inspiraram nesses ritmos e compuseram obras lembrando a tradição das festas juninas.

A fogueira é recorrente em Festas Juninas pelo Brasil. O compositor carioca Lorenzo Fernandes (1897 – 1948), compôs em 1935 “Recordações da Infância” uma suíte para jovens pianistas: 1. Caminho da Serra; 2. Na Beira do Rio; 3. Fogueira de São João.

Lorenzo Fernandes (1897 – 1948)

Ouviremos a Fogueira de São João, interpretada pela pianista Carla Reis,  disponibilizada pelo Instituto Piano Brasileiro – IPB

Observe! Essa obra, tão simples, consegue remeter a memórias afetivas relacionadas às fogueiras das tradicionais festas jun

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MELODIA SENTIMENTAL

de trilha sonora a canção popular

Heitor Villa-Lobos (1887-1959)
Foto: Reprodução

O compositor brasileiro, Heitor Villa-Lobos (1887-1959), é considerado um expoente da música no Brasil. Suas obras são executadas no circuito dos mais prestigiados teatros brasileiros, europeus e americanos.

Sua obra consegue frequentar diferentes círculos. Villa-Lobos se faz presente tanto nas salas de concertos mais tradicionais, como em palcos de cantores de música popular.

 Modernista de primeira hora gostava de cinema e foi um dos primeiros compositores brasileiros a compor trilhas para a sétima arte.

Nos anos 50, Villa recebeu a proposta de compor a trilha sonora do filme “Green Mansions” do estadunidense Mel Ferrer (1917 – 2008), estrelado pela atriz britânica Audrey Hepburn (1929 – 1993).

Inicialmente o longa foi um fracasso. As obras de Villa-Lobos foram em grande parte excluída da trilha sonora. Insatisfeito, o compositor reaproveitou os temas na cantata “A Floresta Amazônica”, sendo um dos temas a canção “Melodia Sentimental”.

Dora Alencar Vasconcellos (1910 – 1973) por Candido Potinari ((1903 – 1962)

Melodia Sentimental logo chamou a atenção de sopranos de todo o planeta. A suave serenata com letra da poeta e diplomata brasileira Dora Alencar Vasconcellos (1910 – 1973) seduziu vários cantores populares de sucesso.

Elizeth Cardoso (1920 – 1990)

Nos anos 60, Elizeth Cardoso (1920 – 1990),incorpora de forma definitiva o adjetivo “Enluarada” ao gravar a canção de Villa-Lobos com parâmetro de interpretação distante do “Bel canto”, abrindo caminho para diversas gravações até os dias de hoje.

Luis Leite (1979) e Mônica Salmaso (1971)

São várias as Interpretação de Melodia Sentimental, escolhemos o do violonista carioca Luis Leite (1979) e da cantora Mônica Salmaso (1971) em gravação ao Vivo na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro em junho de 2019.

O violonista Luis Leite possui sólida formação clássica, e, vem sendo apontado como um dos violonistas brasileiros de maior destaque na cena instrumental Contemporânea.

 Já a cantora Mônica Salmaso possui uma suave voz de mezzo soprano, combinada com intimismo e extremo bom gosto na seleção das obras que interpreta. A cantora brasileira foi indicada ao Grammy Latino e conquistou na categoria de melhor cantora, o Prêmio de Música Brasileira (2014) e da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (1999). 

Observe! Essa é uma das primorosas interpretações de “Melodia Sentimental” de Villa-Lobos.

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