CHEGA DE SAUDADE

Dono de uma sonoridade original e moderna, João Gilberto levou a música popular brasileira ao mundo

João Gilberto (1931-2019)

Já se foi um ano sem João Gilberto (1931-2019). O ícone da Bossa Nova partiu em 06 de julho de 2019 aos 88 anos.

Considerado um dos músicos mais influentes no jazz americano do século XX, João Gilberto ganhou importantes prêmios nos Estados Unidos e na Europa.

Em 1958, o músico baiano, então com 27 anos, entrou no estúdio da gravadora Odeon, no centro do Rio de Janeiro, para mudar a música brasileira: era a gravação de Chega de Saudade, música de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.


Capa do LP Chega de Saudade (1959)

Essa primeira gravação marca o surgimento da Bossa Nova, um movimento da música popular brasileira, caracterizado por ser um estilo de música com forte influência do samba carioca e do jazz norte-americano, marcado, em sua grande maioria, pelo tom coloquial, temas habituais e voz mais baixa, permeada de harmonias de samba e invenções melódicas de jazz.

João Gilberto dizia:

Apesar de sexagenária, a bossa não envelheceu, vai ser admirada pelo mundo para sempre. É como Debussy, que morreu há cem anos. São só números”.

Com o intuito de buscar algo novo, jovens cariocas reúnem-se em prol da inovação musical. Além dos músicos que giraram em torno de Chega de Saudade, o cantor João Gilberto e os autores Tom Jobim e Vinicius de Moraes, outros músicos como: Dorival Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime, Marcus Valle, Paulo Valle, Carlos Lyra, Nara Leão, Baden Powell, Nelson Motta, Wilson Simonal, dentre tantos outros, aderiram ao novo estilo de música.

Com  mais 60 anos,  e, com a partida  de  vários de seus de personagens emblemáticos,  a Bossa Nova continua viva e encantando plateias pelo mundo.

Segundo Leny Andrade

“Canto canções que gravei nos meus primeiros discos (nos anos 1960), para diferentes plateias e com o mesmo frisson. Não dá nem para nomear. São eternas. Eu as reverencio hoje e daqui a 20 anos”.

Para matar a saudade, ouviremos, Chega de Saudade  de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, no primeiro álbum do cantor e compositor brasileiro João Gilberto, o  disco foi lançado em LP em 1959, grande sucesso no Brasil, que impulsionou a carreira de João Gilberto, tornando conhecido o movimento da Bossa Nova que se iniciava.


Tom Jobim, João Gilberto e Vinicius
de Moraes

Observe que Chega de Saudade se caracteriza pelas suas improvisações e modelações, combinando influências de diversos ritmos. Aproveite esta versão na voz do inesquecível João Gilberto.

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ERUDITO OU POPULAR?

 “Ernesto Nazareth é a verdadeira encarnação da alma musical brasileira”


Ernesto Nazareth (1863 – 1934)

Estamos vivendo tempos desafiadores. Constantemente convivemos com falta de empatia e bom senso. Há extremismo, nas discussões dos mais diversos assuntos,  em exaltadas opiniões nas redes sociais, bem como entre amigos e familiares.

Na música, ainda hoje, se discute diferenças entre o “erudito” e o “popular”. O compositor carioca Ernesto Nazareth (1863 – 1934) ilustra bem esta polemica. Nazareth sonhava em ser um reconhecido pianista, estudar no exterior, ser aceito como “músico erudito”.

Ernesto Nazareth transita entre o chamado “erudito” e o “popular”. Ora se percebe em sua obra um toque “chopiniano”, especialmente nas valsas, ora a vibração de uma polca, um tango ou de um choro entranhado de “alma brasileira”.

Polemica a parte, Ernesto Nazareth foi genial. Apresentava-se como pianista ou “pianeiro” em recitais, salas de cinema, lojas de partituras, bailes, reuniões e cerimônias sociais. Foi tocando piano na sala de espera do Cine Odeon no centro do Rio de Janeiro que compôs em 1910,  uma de suas mais famosas obras,   o Tango ODEON.

Muitas personalidades ilustres frequentavam o Cine Odeon exclusivamente para ouvir o artista.  Foi neste tradicional cinema carioca que Nazareth conheceu o compositor francês Darius Milhaud (1892 – 1974) e nada menos que o afamado pianista  Arthur Rubinstein (1887 – 1982). 


Cine Odeon, Rio de Janeiro

No anseio de ser reconhecido como pianista “erudito”, Nazareth não pode perceber o quanto sua música era original e repleta de brasilidade. O fato de não ter ido estudar na Europa como outros compositores da época, não o fez menor, muito pelo contrário, foi bebendo na fonte da música urbana carioca que ele compôs tão originalmente.

Ernesto Nazareth deixou 218 obras como: “Apanhei-te, cavaquinho”, “Ameno Resedá”, “Confidências”, “Coração que sente”, “Expansiva”, “Turbilhão de beijos”, “Odeon”, “Fon-fon”, “Escorregando”, “Brejeiro” “Bambino” e muitas outras.

Sua vida não foi fácil. Portador de sífilis foi internado na Colônia Juliano Moreira em Jacarepaguá no Rio de Janeiro.   Fugiu no principio de 1934, sendo seu corpo encontrado, três dias após a fuga, boiando nas águas da represa que abastecia o manicômio. Nunca foram comprovados os reais motivos de sua morte.

O que diziam de Nazareth?


Brasílio Itiberê (1846 – 1913)

Segundo Brasílio Itiberê (1846 – 1913) Nazareth foi:

“… Expoente máximo de nossa música popular e um autêntico precursor da música erudita de caráter nacional”.

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Villa-Lobos (1887 – 1959)

Para Villa-Lobos (1887 – 1959) Ernesto Nazareth :

“… É a verdadeira encarnação da alma musical brasileira”.


Mário de Andrade (1893 – 1945)

Mário de Andrade (1893 – 1945):

“… Ninguém melhor do que ele para representar o espiritamente achacoalhado e jovial do carioca”.


Francisco Mignone (1897 – 1986)

Francisco Mignone (1897 – 1986) disse:

“… Ele deve ser considerado um clássico da música brasileira nacionalista”

Ouviremos de Ernesto Nazareth – Odeon em gravaçãode 1975 do pianista Arthur Moreira Lima (1940). Ao gravar a obra de Nazareth, gerou polemica, por se tratar de um pianista “erudito” consagrado, vencedor de prêmios internacionais.  Sem se abalar com as controvérsias, acabou por fazer grande sucesso.

Arthur Moreira Lima (1940)

Observe nesta interpretação de Odeon à brasilidade rara de Ernesto Nazareth, e o pianismo particular de Arthur Moreira Lima.

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IMAGENS DO MUNDO QUE FLUTUA

 

O não visto se chama invisível. Não podendo ouvi-lo será inaudível

Vamos ouvir música contemporânea?


Paulo Guicheney (1975)

Convido-o a conhecer o premiado compositor goiano Paulo Guicheney (1975).

Guicheney escreve para várias formações instrumentais, foi premiado na XVII Bienal de Música do Rio de Janeiro com a obra “Anjos são mulheres que escolheram a noite” e na XIX Bienal com a obra

“MUSIK NACH W.”

Sua obra vai muito além das fronteiras de Goiás, e tem sido executado em diferentes países como Argentina, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Uruguai e México.

Atualmente Guicheney está cursando o Doutoramento em Musicologia na Universidade Nova de Lisboa em Portugal. Paulo é professor efetivo de composição da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás além de escritor e autor do livro “Tempo de atirar pedras e dançar” (Martelo Casa Editorial, no prelo). 

Segundo o compositor brasileiro, Paulo Costa Lima, Membro da Academia Brasileira de Música: “A obra de Guicheney pode ser tomada como fresta para esse grande tema da relação entre a invenção e suas referências”.

Ouviremos de Guicheney a Suíte “7 Ukiyo-e” – para ensemble (11 músicos). A obra é uma leitura sonora de sete imagens: três gravuras de Hiroshige, três de Hokusai e uma pintura de Van Gogh. Segundo Guicheney, não é uma peça programática, mas pode-se dizer que elas são reverberações sonoras das imagens. Ukiyo-e, segundo o compositor, também pode ser traduzido como imagens do mundo que flutua.

Para entendermos a inspiração de Guicheney, lembramos o pintor e gravador japonês Hiroshige (1797- 1858) conhecido sobretudo por suas gravuras de paisagens. Como o ultimo grande professor de Ukiyo-e (escola de gravura popular),   Hiroshige converteu as paisagens cotidianas em cenas de grande intimismo.  

 


Hiroshige

O outro artista que o inspirou, Katsushika Hokusai (1760 – 1849), por sua vez, fez mais de trinta mil desenhos em toda a vida, criando aos 70 anos A Grande Onda. Com esta obra, o artista japonês inspirou nada menos que Vincent van Gogh (1853 – 1890).


Katsushika Hokusai, auto-retrato, 1839


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 A três referencias artísticas resultaram na Suíte “7 Ukiyo-e” (em sete movimentos)   I. Plum Park in Kameido – Hiroshige; II. The Spirit of the Servant Okiku – Hokusai; III. Sudden Shower over Shin-Ohashi Bridge and Atake – Hiroshige;  IV. Fireworks at Ryogoku Bridge – Hiroshige; V. The Amida Waterfall on the Road to Kiso – Hokusai; VI. The Ghost of Oiwa – Hokusai e VII. Bridge in the Rain, after Hiroshige – Van Gogh.


Imagens dos sete movimentos

A versão que ouviremos é a gravação da estreia mundial da obra, de Fevereiro deste ano em Morelia – México, no Conservatorio de las Rosas. O ensemble tem a participação de professores e alunos do Conservatório, a regência é de Sergio Ortíz.

Observe na percussão, a utilização de diferente instrumentação como taças de cristal e enxadas; além de um gongo e uma mola de carro. Paulo vem trabalhando desde 2017com taças de cristal.

Paulo Guicheney

A obra de Guicheney é instigante. Ouse! Permita-se aventurar no Novo.

Boa audição!

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VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

 Muito além da primeira pianista negra a ingressar na Julliard School of Music
Muito além da primeira pianista negra a ingressar na Julliard School of Music.

Nina Simone (1933 –
2003)

Em meio à pandemia, uma onda de indignação contra o racismo se espalha por todo o mundo. Em todo o planeta, uma só voz: VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

Talvez o isolamento, a reflexão e o contato com a imagem real do racismo filmada pelo celular e propagada pela mídia, fez vir à tona algo que acontece há séculos, todos os dias com os negros do mundo.

Na arte seria diferente? Infelizmente NÃO.  

No post desta semana falaremos sobre Nina Simone.

Pianista, cantora, compositora e ativista dos direitos civis dos negros norte-americanos, a estadunidense Nina Simone, conhecida como “musa do Jazz”  viveu todos os conflitos do seu tempo.  


Nina Simone

Sobre o título de “musa do jazz” ela dizia: “É o título que todo branco concede piedosamente aos cantores negros”.

Nas décadas de 70 e 80, Nina Simone acompanhou a ascensão e a queda dos direitos civis, a derrota do Black Power, a opressão sobre as mulheres negras e a persistência do racismo.

Nina Simone


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 “Eu podia cantar para ajudar meu povo e isso se tornou o principal esteio da minha vida. Nem o piano clássico, nem a música clássica, nem mesmo a música popular, mas a música dos direitos civis.” 

Nina Simone (Eunice Kathleen Wayman) nasceu em Tryon, Carolina do Norte, EUA, em 21 de fevereiro em 1933, e morreu em Carry-le-Rouet, Provence-Alpes-Côte d’Azur, França em 21 de abril de 2003, aos 70 anos, enquanto dormia.

Seu talento surgiu logo aos três anos de idade, quando passou a tocar piano de ouvido e foi encorajada pela mãe, empregada doméstica e pastora metodista, a estudar piano seriamente.

Aos 12 anos sentiu na cor da pele o preconceito que a aguardava. Ao dar seu primeiro concerto, seus pais foram impedidos de ocupar os primeiros acentos, destinados exclusivamente a brancos.

“Eu estudei piano clássico por 22 longos anos e teria seguido carreira se tivesse dinheiro para isso. Acontece que eu era pobre e fui rejeitada pelo Curtis Institute of Music da Filadélfia [por ela ser negra]. Então, eu não tive alternativa além de cantar em clubes noturnos para sustentar a família [ela tinha sete irmãos]”, afirmou à Folha de São Paulo em setembro de 1988.


Julliard School of Music

Nina Simone estudou na afamada Julliard School of Music, se tornando a primeira negra a ingressar na renomada Escola de Nova Iorque. A pianista foi além, e, se tornou, como escreveu o repórter da Folha Thales de Menezes, no ano de 2017: “uma grande cantora de jazz e também de soul, rhythm’n’blues, pop, folk, gospel. Além de exímia pianista, tornou-se uma compositora inspirada e engajada na luta pelos direitos civis”.

A carreira e a vida de Nina foram conturbadas e polemicas. A musicista parecia ter uma busca insana pela perfeição e pelas causas relacionadas aos direitos humanos.  

Nina Simone

“Gastei muitos anos perseguindo a excelência, porque é nisso que se pauta a música clássica (…) Agora eu me dedico à liberdade, o que é muito mais importante”. Disse Nina Simone.

Ouviremos Nina Simone no Festival de Montreux em 1976 interpretando a canção “how it feels to be free”

Observe a genialidade de Nina Simone. Sua voz rouca e profunda, acompanhado de um piano na medida certa. Incrível!

Boa audição!

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UM AMOR PARA TODA VIDA

 “Ele me sorriu e com grande esforço me enlaçou em seus braços. Eu não trocaria esse abraço por todos os tesouros do mundo”

Clara Wieck (1819 – 1896) e Robert Schumann (1810 – 1856) 

Vamos falar de amor? Reclusos devido à pandemia, talvez isto se torne urgente. Um dos meus casais preferidos da história da música é Robert e Clara Schumann.

Robert e Clara viveram uma verdadeira história de amor. O jovem Robert Schumann (1810 – 1856), recém-formado em Direito, resolve estudar música. Viaja para Leipzig e procura o mais renomado professor de música da Alemanha, o Sr. Frederich  Wieck (1785 – 1873), pai da pianista, Clara Wieck (1819 – 1896).


Clara Wieck

Quando conheceu a filha do professor, Clara era uma criança.  Com o passar dos anos Clara e Robert se se descobrem apaixonados.  Robert revela o amor do casal ao professor Wieck. O professor de música, que, até então, o tratava como filho,  torna-se inimigo mortal de Schumann. Clara e Robert começam a viver um grande e proibido amor. Para separá-los Clara é mandada pelo pai numa turnê de concertos pela Europa; os jovens são proibidos de se encontrar ou se corresponder; Wieck acusa Schumann de alcoolismo, difama-o, acusa-o de várias maneiras, sob os mais variados pretextos. Após vários desencontros amorosos, Clara ao completar 21 anos, torna-se legalmente maior e eles enfim, conseguem se casar.

Filhos de Clara e Robert

Sempre rodeados de amigos, Robert e Clara mantinham uma convivência repleta de amor e música. Com o nascimento do primeiro filho, (tiveram oito) reconciliam-se com o pai de Clara, e a vida parece assumir contornos de uma existência normal. Clara e Robert pareciam um casal feliz.

Mas nem tudo vai bem. Infelizmente a linda história de amor vem recheada de sofrimento.  Schumann não alcança a fama logo de imediato. Começam as crises de melancolia acompanhadas de alucinações, depressão e pouco poder de concentração.  Como compositor, Schumann, ainda está no auge de sua capacidade, mas sua mente declina condenando-o à loucura. Robert Schumann atira-se ao Reno. Salvo, é internado em um sanatório para loucos e é proibido de encontrar a amada esposa.

Robert e Clara Schumann

Para Clara, Schumann envia cartas que testemunham o seu amor até o fim:

 “Oh! se eu pudesse te rever, falar-te mais uma vez”.

Chamada às pressas, Clara testemunha últimos momentos de consciência de Robert:

“Ele me sorriu e com grande esforço me enlaçou em seus braços. Eu não trocaria esse abraço por todos os tesouros do mundo”

Robert Schumann morre, aos 46 anos. Depois da morte de Robert, Clara empenha- se em divulgar a obra de seu grande amor.

Schumann dedicou a maior parte de suas obras ao piano. Reveri ou Traumerie. integra As Cenas Infantis opus 15, um conjunto de 13 pequenas peças para piano que demonstram a criatividade poética e musical de Schumann. Ele trabalhou nesse projeto durante a primavera de 1838, durante a ausência de sua amada Clara, a qual participava de uma turnê.  O compositor procurou, em Cenas Infantis, exprimir as reminiscências que um adulto tem da infância.

Escute Traumerie interpretada pelo pianista argentina Martha Argerich  (1941).

Observe com atenção! Poucos artistas encarnaram tão bem os ideais do romantismo melancólico como Robert Schumann. Em Traumerie fica evidente o pessimismo profundo e os grandes dramas que viveu.

Boa audição!

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CAMARGO GUARNIERI E A CIDADE DE GOIÂNIA

 “Devo prestar uma homenagem ao povo goiano que, acolheu-me como filho adotivo, permitiu que eu desfrutasse aqui do convício de sincero amor pela música brasileira”



Camargo Guarnieri (1907 – 1
993)

Agraciado com o prêmio “Gabriela Mistral”, pela Organização dos Estados Americanos (OEA), em  Washington, como “Maior Compositor Contemporâneo das Três Américas”,  Camargo Guarnieri é considerado, ao lado de Villa-Lobos,  um dos maiores compositores do Brasil.

Filho de músicos recebeu o nome de Mozart Camargo Guarnieri.  Nascido em Tietê-SP,  iniciou seus estudos musicais aos 10 anos com Virgínio Dias, a quem dedicou sua primeira obra. No entanto, foi após o acontecimento da Semana de Arte Moderna que Guarnieri começou a compor regularmente. 

Guarnieri representa a concretização musical do nacionalismo modernista. Suas relações com as ideias modernistas, e particularmente com Mário de Andrade, têm características relevantes para música brasileira. Mário de Andrade (1893-1945) e Lamberto Baldi (1895-1979) foram os responsáveis pela formação do então jovem compositor.  Baldi trabalhava os aspectos técnicos musicais enquanto Mário de Andrade o orientava em estética e cultura geral.



Mário de Andrade,  Lamberto Baldi  e Camargo Guarni
er

“Devo toda a minha formação humanitária a Mário de Andrade. Ele foi meu exemplo de caráter, honestidade e bondade”.  Camargo Guarnieri

O nacionalismo, traço marcante na obra de Guarnieri, não consiste em citar melodias folclóricas nem empregar elementos folclóricos não modificados, ele escreve uma música brasileira, de forma intelectual e criativa. 

Segundo o Professor Wolney Unes:

“ Não foi antes de Guarnieri que a produção musical erudita nacional atingiu plena maturidade. O compositor paulista soube como nenhum outro no Brasil dar universalidade à linguagem musical, sem perder de vista as fontes nacionais nem sua marca pessoal, peculiaríssima (…)”. 

Onde entra a cidade de Goiânia na vida do eminente compositor?

Segundo uma de suas biógrafas, a goiana Consuelo Quireze Rosa, seu primeiro contato com a Universidade Federal de Goiás se deu nos anos sessenta.

Guarnieri veio a primeira vez em Goiânia,  após convite, da então aluna Glacy Antunes de Oliveira, para que o compositor fosse paraninfo da turma de formandas  de Piano do Conservatório Goiano de Música.

A partir desta data, inicia-se a estreita relação de Camargo Guarnieri e a cidade.

O compositor paulista passa a integrar o corpo docente do Conservatório Goiano de Música e a conviver intimamente com a comunidade. Aqui fez amigos, compartilhou ideias e influenciou a vida musical.  Foi muito amado e homenageado em Goiânia. 


Camargo Guarnieri e Belkiss S. Carneiro de Mendonça

O maestro, por sua vez, retribuiu dedicando obras a vários goianos como as alunas, Flávia Cruz e Mônica Rassi, às musicistas: Glacy Antunes,  Wanda Amorim,  Consuelo Rosa, Custódia Annunziata, Maria Lúcia Roriz, Celina Szrvinsk , Mercia Mendonça, Ângela Barra, Maria Stela Cunha, Maria Lucy Teixeira, Wanda Goldfeld, Elciene Oliveira, Tânia Póvoa. A vice-diretora da Escola de Música, à época, Raulice Bahia   e  a saudosa e grande divulgadora da obra de Guarnieri, Belkiss  Spencieri Carneiro de Mendonça. 


Tânia Póvoa, Belkiss  Carneiro de Mendonça e Maria Lucy Teixeira

Em 1987, Camargo Guarnieri, por indicação do Maestro Norton Morozowicz,  recebeu da Universidade Federal de Goiás o importante  título de Doutor honoris causa e assim se pronunciou:

“Devo prestar uma homenagem ao povo goiano que, acolheu-me como filho adotivo, permitiu que eu desfrutasse aqui do convício de sincero amor pela música brasileira”. 

Guarnieri muito contribuiu para a literatura pianística. Para piano solo compôs: Ponteios, Valsas, Momentos Musicais, Improvisos, Sonatas, Sonatinas, dentre outras.  Aqui destacamos os 20 Estudos para piano. Assim como os estudos de Chopin, os estudos de Guarnieri apresentam dificuldades técnicas e interpretativas diversas. Os vinte estudos foram compostos entre os anos de 1949 e 1987, sendo quatro dos vinte, dedicados a pianistas goianas, a saber, o de número 13 à Wanda Fleury; o número 14 à Belkiss Carneiro de Mendonça; o número  15 à Consuelo Quirese e o número  18 à Glacy Antunes. 

Observe a textura polifônica trabalhada por Guarnieri neste conjunto de obras.

Ouviremos, os 20 estudos de Guarnieri, interpretado pelo pianista estadunidense Frederick Moyer (1957).

Boa audição!

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“QUADROS DE UMA EXPOSIÇÃO”

Composta por Modest Mussorgsky,  em junho de 1874, após visita a uma galeria de arte em São Petersburgo que exibia obras de Viktor Hartmann.

Modest Mussorgsky  (1839-1881)

O isolamento social nos leva a refletir sobre o quanto faz falta viajar, assistir concertos, entrar em uma bela galeria de arte.

Enquanto vivemos em clausura, podemos nos deliciar com “Quadros de uma Exposição” do compositor russo Modest Mussorgsky. 

Embora tenha sido um compositor eminentemente dramático, Mussorgsky realizou em “Quadros de uma exposição” uma obra-prima que sintetiza elementos poéticos, realísticos e humorísticos e se destaca pela originalidade de suas melodias.

“Quadros de uma Exposição” foi composta em junho de 1874, para piano,  após visita a uma galeria de arte em São Petersburgo que exibia obras de Viktor Hartmann (1834-1873), seu amigo, que era arquiteto e pintor e acabara de falecer. 



Viktor Hartmann (1834-1873)

Com o intuito de prestar homenagem ao dileto amigo, Mussorgsky, escolheu dez dentre os quadros expostos e compôs uma música para cada um deles, unindo-os através de um tema comum denominado “Promenade”.  “Quadros de uma Exposição”, como o próprio nome sugere, descreve um passeio em uma exposição de quadros através de metáforas utilizando as notas musicais.

Segundo Mussorgsky, seu desejo era:

“ ligar sua arte o mais estreitamente possível à vida, sobretudo a das massas russas, nutri-las dos acontecimentos cotidianos e emprega-las como um meio de comunicação de uma experiência humana”.




Quadros da  Exposição de Viktor Hartmann

A suíte do compositor russo foi durante anos  ignorada. O responsável pelo seu emergir, foi seu admirador confesso, Claude Debussy (1862-1918). Posteriormente a este ressurgimento, “Quadros de uma Exposição” recebeu inúmeros arranjos, sendo a versão mais famosa a de Maurice Ravel (1875-1937).

Ravel, ao orquestrar a obra do compositor russo, em 1922, quarenta e um anos após a morte de Mussorgsky, torna a obra mais popular.  Com o seu apurado dom orquestral, Ravel, soube extrair da obra a dosagem necessária dos instrumentos e criar sonoridades instrumentais precisas, dentro do espírito dos temas.

Em 1971, a banda de rock progressivo britânica formada por Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer – “Emerson Lake and Palmer”, famosa por mesclar música erudita e rock, gravou, em um disco ao vivo, uma versão de rock da obra de Mussorgsky.

Ouviremos a versão original do compositor, interpretado pelo pianista israelense-canadense Tzvi Erez (1968). Anexado ao áudio há a apresentação dos quadros da exposição. Ao menos virtualmente, vamos apreciar a música de Mussorgsky e os quadros de Viktor Hartmann.

Observe a harmonia excêntrica e a originalidade da obra de Mussorgsky.

Boa audição!

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MARIA CALLAS – UMA CARREIRA CHEIA DE EMOÇÕES

Sua voz tinha um timbre único e emblemático, que a transformaram na maior soprano da história do estilo lírico e na mais famosa intérprete operística do século XX


Maria Callas (1923-1977)

Batizada como Cecilia Sofia Anna Maria Kalogeropoulou, nasceu no seio de uma família grega, na cidade de Nova Iorque, no dia 2 de dezembro de 1923. Sua vida pessoal controvertida a popularizou, mas foi seu talento e seu trabalho incansável no sentido de desenvolver uma nova forma de interpretar as criações operísticas que a tornaram a grande diva. Sua voz tinha um timbre único e emblemático, que a transformaram na maior soprano da história do estilo lírico e na mais famosa intérprete operística do século XX.

Segundo seus biógrafos, a vida de Maria Callas foi, desde a infância, semelhando à ópera trágica.  Começou a ficar a famosa na Grécia, para onde retornou com sua mãe no final dos anos 30 por causa da crise financeira que abateu a família. Com uma voz impressionante desde criança, o pai e mãe praticamente a obrigaram a seguir essa carreira, privando-a de uma educação formal. Foram vários relatos em que Callas demonstrava sua mágoa em relação à família.

Sua entrada na Itália se deu em 1947, na cidade de Verona, onde interpretou La Gioconda, sob a direção do maestro Tullio Sefarin (1878 – 1968), que a partir de então se tornou seu mestre na música. Seu sucesso se espalhou por todo o país e ela subiu aos palcos do famoso teatro La Scala de Milão.


La Scala de Milão

O emergir do fenômeno Callas no cenário lírico se deu por volta de 1948 ao interpretar notavelmente a protagonista da ópera Norma de Vicenzo Bellini (1801-1835) em Florença. Todavia, sua carreira só viria a projetar-se mundialmente em 1949, quando a cantora surpreendeu crítica e público ao alternar, na mesma semana, récitas tão distintas como de I Puritani, de Bellini(1801-1835), e Die Walküre, de Richard Wagner (1813-1883).

Ainda em 1949 Callas casa-se com o empresário italiano Giovanni Battista Menegghini (1896 – 1981), Intensamente geniosa, Maria Callas encontrava em sua vida íntima a mesma dramaticidade que revelava nos palcos. Não era fácil a convivência com o marido, nem com maestros e companheiros de trabalho. 


Maria Callas e Menegghini

Foi na década de 50 que Callas interpretou as performances femininas mais significativas da história da ópera. Era uma cantora incrivelmente dedicada a evoluir profissionalmente, e se recusava a ser um clichê operístico. No auge da carreira foi demitida do Metropolitan por não concordar com as peças repetitivas que o diretor queria lhe impor para a temporada seguinte.


Eu quero evoluir como cantora, mas ele quer só ganhar dinheiro. E com minha voz”,

Ao retornar anos depois ao Met, foi aplaudida de pé mesmo antes da apresentação.

Após separa-se de Manegghini, Maria vive uma forte paixão ao lado do grego afortunado Aristoteles Onassis (1906 – 1975), junto a quem viveu uma conturbada relação amorosa com enorme repercussão sensacionalista na mídia. Onassis deixa Callas para casar-se com Jacqueline Kennedy (1929 – 1994).


Maria Callas e Onassis

Sua vida desabou no momento em que descobriu que o grande amor de sua vida a estava traindo com a viúva do presidente Kennedy.

Maria Callas  morreu em Paris, aos 53 anos, dois anos depois da morte de Onassis.

Impossível descrever a cantora em um post. É preciso ouvir aquela voz, saboreá-la, especialmente em suas apresentações entre 1950 e 1965.

No vídeo de 1962, Callas interpreta “Habanera” da ópera Carmen do francês Georges Bizet (1838 – 187)) no Royal Opera House de Londres, sob a regência do maestro Georges Prêtre (1924 – 2017).

Observe a grandiosidade de Habanera, nome popular de “L’amour est un oiseau rebelle”, ária de entrada do personagem Carmen que Callas interpreta com maestria.

Boa audição!

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OS 250 ANOS DE BEETHOVEN

Em todas as partes do mundo, orquestras e outras instituições culturais, preparam-se para celebrar, depois do controle da COVID – 19 um dos mais importantes nomes da produção artística de todos os tempos
Ludwig van Beethoven


Ludwig van Beethoven (1770 – 1827)

O ano de 2020 comemora-se o 250° aniversário do nascimento de Ludwig van Beethoven (1770 – 1827), mas afetada pela COVID – 19, a humanidade está confinada em suas casas e as salas de espetáculo fechadas e em silêncio.

Como homenagear a obra de um compositor sem música ao vivo? O ano que prometia inúmeros concertos pelo mundo está à espera de dias melhores para as comemorações dos 250 anos de Beethoven e a retorno da música de concerto ao vivo.

Considerado um dos pilares da música ocidental, Beethoven é, sem dúvida, o Pop Star dos compositores chamados “eruditos”. Suas obras são mais executadas do que as de qualquer outro músico clássico. Suas Sinfonias e Sonatas estão no ouvido das pessoas que nem sabem que o admiram.

O compositor alemão tinha um gênio difícil, gradativamente agravado pela perda da audição. Ludwig morreu completamente surdo, apesar disto, ajudou a criar o mito do “artista como herói” e é considerado um patrimônio de toda a humanidade.

Beethoven foi um dos primeiros compositores da história a buscar independência, tanto das regras composicionais como enquanto indivíduo criativo. Em cada forma musical em que ele atuou, conseguiu não somente solidificar as tradições do passado, como propor transformações estruturais e semânticas que influenciaram as gerações posteriores em todos os níveis estéticos.

“O resumo de sua obra é a liberdade – a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida”.

Paul Bekker(1882-1937)

Sim, Beethoven via na música a expressão maior da liberdade! Ele foi mesmo gigante! Em todas as partes do mundo, orquestras e outras instituições culturais, preparam-se para celebrar, depois do controle da COVID – 19, um dos mais importantes nomes da produção artística de todos os tempos.

O título da Terceira Sinfonia tem uma história interessante: foi primeiramente dedicada a Napoleão Bonaparte (1769 – 1821). A simpatia de Beethoven pelos princípios humanitários da Revolução Francesa era profunda, e o compositor via então em Bonaparte o verdadeiro representante desses ideais. Quando Napoleão se autoproclamou imperador, Beethoven, decepcionado e enfurecido, rasurou a dedicatória substituindo por Sinfonia Heroica.



Coroação de Napoleão Bonaparte, 1807
Jacques Louis David
10m X 6m
Museu do Louvre, Paris
 

Observe o uso de maciços blocos sonoros, realizados através da separação dos timbres, muito comum na obra de Beethoven.

A terceira Sinfonia possui quatro movimentos – 1. Allegro con brio;  2. Marcia funebre: Adagio assai; 3. Scherzo (Allegro); 4. Finale: Allegro molto – Poco andante – Presto. Encontramos a desesperança expressa na Marcha Fúnebre do segundo movimento e o otimismo contagiante de seu Finale.

 Fiquemos com o otimismo de dias melhores do movimento final de Beethoven.

Boa audição!

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PRINCESA LEOPOLDINA – “A MÃE DOS BRASILEIROS”

Muito além de uma princesa acanhada e melancólica, Leopoldina teve grande destaque na cultura e na política brasileira. Culta, preparada e caridosa, a princesa austríaca foi amada principalmente pelos pobres e escravos do Brasil. Era chamada
A Mãe dos brasileiros”


Retrato de Dona Leopoldina de Habsburgo e seus filhos, 1921
Domenico Failutti, 1921
Óleo sobre tela 233 x 133 cm
São Paulo, Museu Paulista

Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena (1797-1826) a nossa princesa Leopoldina, nasceu em Viena, descente de uma das mais antigas dinastias da Europa  – A Casa de Habsburgo –  Leopoldina recebeu educação esmerada na qual incluía o estudo sério da música.O compositor  Franz Schubert (1797 – 1828) era amigo de sua família e frequentador assíduo do Palácio de Schönbrunn onde a princesa residia na Áustria.

Das princesas normalmente não se exigia muito, elas deveriam aprender além de bons modos, bordar e tocar um pouco de piano. Porém, na casa dos Habsburgos, as mulheres deviam aprender muito mais, possuindo um nível cultural elevado, submetidas, desde a infância, a um programa intensivo de aulas diárias,  adquirindo conhecimentos científicos, políticos, históricos e artísticos.

O responsável pela formação musical de Leopoldina, na Áustria, foi o compositor nascido na Boêmia (atual República Tcheca), Leopold Koželuh (1747-1818). Além de ser professor de música de Leopoldina, Koželuh conviveu intensamente com a princesa, conforme ela própria narrou por cartas à irmã Maria Luiza:

 “Na ultima sexta-feira toquei um concerto de Koželuh, que saiu muito bom, […] dezessete músicos me acompanharam e eu tremia como vara verde. […]”. (KANN, 2006, p. 191).

Aos vinte anos a princesa Leopoldina casou-se com Pedro de Alcântara (1798-1834), futuro dom Pedro I do Brasil e Pedro IV de Portugal. Naquela época, o casamento entre nobres significava um tratado de relações exteriores, na realidade visando interesses políticos e econômicos entre os países envolvidos.

Leopoldina, ao se casar por procuração com o Príncipe dom Pedro I,  não sabia muito bem o que a esperava no Novo Mundo, a princesa trouxe então  para o Brasil além de grande comitiva composta de pintores, cientistas e botânicos europeus, um grande acervo de partituras, na qual inclui as obras do professor Koželuh.

Muito amada pelos brasileiros, Leopoldina  viveu, no Rio de Janeiro,  em uma corte pobre e repleta de problemas. Culta, preparada e caridosa, a princesa austríaca foi amada principalmente pelos pobres e escravos do Brasil. Era chamada “A Mãe dos brasileiros, e, embora  tenha sido retratada até pouco tempo, como uma mulher melancólica e humilhada com os escândalos e relações extraconjugais do príncipe, a historiografia mais recente,  têm reivindicado a Maria Leopoldina uma imagem menos passiva na história nacional.

Muito além de uma princesa acanhada e melancólica, Leopoldina teve grande destaque na cultura e na política brasileira. É considerada, atualmente, como a primeira mulher a governar o Brasil. Era Leopoldina quem estava no poder no Rio de Janeiro quando dom Pedro proclamou a Independência às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo.

O gosto pela música tanto dela como do marido Pedro foi o primeiro elo de interesse do casal. Com educações tão diferentes, a Sala de Música,  tornou-se  um ambiente muito utilizado para o convívio do príncipe e da princesa.


Hino da Independência (1922)
Augusto Bracet
Óleo sobre tela 2500x 1900 cm
Rio de Janeiro, Museu Histórico Nacional

Ao levar para o Brasil seu acervo de partituras, e praticar estas obras em terras brasileiras, a Princesa Leopoldina contribuiu fortemente para a mudança da forma de compor de compositores que viveram e ou nasceram no Brasil deste tempo histórico.

Para ilustrar a vida musical da princesa, ouviremos de Leopold  Koželuh  o Concerto n. 1 em Fá Maior  para piano e orquestra interpretado pela pianista Tomas Dratva,  com a Slovak Sinfonietta Žilin da Eslováquia, regido pelo maestro  Oliver von Dohnanyi.

Observe  no concerto para piano  e orquestra de Leopold  Koželuch a personificação do clássico vienense, caracterizado pela leveza e elegância do som e a clareza formal de sua estrutura composicional.  

Boa audição!

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