UM PIANO E DOIS INSTRUMENTISTAS

“O dueto de piano é um caso único onde ocorre uma performance musical de duas pessoas, usando plenos recursos de um só instrumento”

Wolfgang Amadeus Mozart e a irmã tocam a quatro mãos, observados pelo pai. A mãe, já falecida, aparece no retrato ao fundo. Quadro de Della Croce.
Fonte:
Infopédia

Peças para dois executantes em um piano, isto é piano a quatro mãos. Algumas peças inglesas para piano a quatro mãos datam do início do século XVII, mas as primeiras obras primas do gênero são as Sonatas de Mozart (1756 -1791).

Schubert (1797-1828), Schumann (1810 – 1856)e Brahms (1833 – 1897) são alguns dos nomes que enriqueceram o repertório do século XIX, e, desde então compositores do mundo todo, incluindo os compositores brasileiros, escreveram e ainda escrevem obras notáveis para esta formação.

Brahms, Schubert, Schumann

A música para piano a quatro mãos ocupa lugar de destaque no repertório camerístico. Constitui-se em excelente motivação para pianistas e importante ferramenta pedagógica no ensino do piano. Foi na passagem do séc. XVIII para o XIX que surgiram as primeiras transcrições para piano a quatro mãos, que logo se tornaram o principal meio de divulgação da música sinfônica, música de câmara e outros gêneros – não podemos esquecer que naquela época não havia outros meios de comunicação como o rádio e as gravações tão comuns atualmente.

O sucesso deste repertório foi tão grande que provocou um enorme número de transcrições de outras formas musicais como: oratórios, trechos de ópera, danças populares e todo tipo de obras dedicado tanto para amadores, visando à prática doméstica de música, como para pianistas profissionais, impulsionando os compositores a escrever peças originais para este gênero.

A relevância deste momento musical é muito bem relatada por Cameron McGraw no prefacio de seu trabalho sobre o repertório de piano a quatro mãos:

“O assombroso crescimento que teve a literatura de quatro mãos a fez tornar tão popular que acabou se constituindo numa instituição social da crescente classe média. […] O dueto de piano é um caso único onde ocorre uma performance musical de duas pessoas, usando plenos recursos de um só instrumento, podendo executar com muita eficácia uma obra escrita originalmente ou especialmente arranjada para esta formação. Além disto, possui um repertório surpreendentemente abundante e de notável diversidade.”

No Brasil, considerando que a partir de meados do séc. XIX o piano se tornou o instrumento preferido da sociedade brasileira, a partir, especialmente, do desenvolvimento da prática domestica de música em saraus familiares, surgiram os duos de piano a quatro mãos e, com eles, um repertório de transcrições e obras originais de compositores nacionais.

Sarau no Império

Na prática do piano a quatro mãos predomina a existência de laços de intimidade dentre seus executantes; irmãos, cujo mais célebre exemplo é o de Mozart e sua irmã Nannerl, casais como Robert e Clara Schumann, professores e alunos, amantes e amigos. Talvez estes laços pudessem ser justificados pelo misto de proximidade e embate entre os corpos que perfazem a execução, possibilitando ao ouvinte um espetáculo também visual.


Nannerl  e Wolfgang Mozart 

No Brasil percebe-se a prática do piano a quatro mãos entrelaçando os fatos históricos e socioculturais do passado (desde a chegada da corte em 1808) e do presente. O repertório brasileiro para piano a quatro mãos esteve e está presente na Vida Doméstica, no Entretenimento, como Ferramenta Didática, na Economia e em Arranjos e Transcrições. Atualmente o repertório para piano a quatro mãos faz parte das grades curriculares das Universidades, os compositores de hoje escrevem obras para este repertório que já alcançou os Palcos de Concerto apontando para a relevância deste repertório também na música brasileira.

Ouviremos o pianista brasileiro Nelson Freire (1944) e a pianista argentina Martha Argerich (1941), ícones do piano no mundo,  tocando uma obra brasileira.


Nelson Freire (1944) e Martha Argerich (1941)

A Congada de Francisco Mignone (1897 – 1986) integra a ópera o Contador de Diamantes composta em 1921, transcrita para piano a quatro mãos e dois pianos pelo próprio Mignone em 1971.

Francisco Mignone (1897 – 1986)

Observe na interpretação de Nelson e Martha a perícia na manipulação do tema tradicional utilizado por Mignone, a riqueza rítmica e o colorido orquestral. Vale a pena ouvir esta preciosa gravação.

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FRRANCIS JEAN MARCEL POULENC

“meio monge, meio mau rapaz”

Francis Poulenc (1899-1963)
Ilustração  – Eleni Kalorkoti

O compositor e pianista francês Francis Jean Marcel Poulenc (1899-1963), juntamente com os compositores Georges Auric, Louis Durey, Arthur Honegger, Darius Milhaud e Germain Tailleferre, formou o grupo denominado “Os seis franceses”. As ideias que supostamente uniam o grupo eram uma fidelidade à simplicidade e integridade, evitando o que é formal e acadêmico, e a incorporação de elementos da música popular, especificamente o jazz e as canções do teatro de variedades.


Les Six – Os Seis Franceses
Francis Poulenc, Germaine Taileferre, Louis Durey, Jean Cocteau,
Darius Milhaud, Arthur Honegger.
Esboço de Georges Auric na parede atrás do Grupo dos Seis.

 Embora as ideias do “Grupo dos Seis” tenham se firmado na história da música, o grupo nunca foi muito coeso e seus membros se moveram em diferentes direções, depois que a associação, que durou apenas alguns anos, se desfez.

Dentre os membros do grupo, Poulenc, foi o mais consistente em desenvolver e sustentar seu próprio estilo.  Simplicidade, clareza e inclusão de influências da música popular fazem parte do universo de sua obra.

Em artigo no Paris-Presse” de Julho de 1950, assim o crítico Claude Rostand (1912-1970) descreve o compositor francês, em uma etiqueta que lhe ficou associada para o resto da vida:

“meio monge, meio mau rapaz”  “le moine et le voyou”


Francis Poulenc (1899-1963)

O ambiente parisiense da época é fielmente representado nas obras de Poulenc. Sua música, eclética e ao mesmo tempo pessoal, é essencialmente melodiosa, emoldurada pelas dissonâncias do século XX.  Poulenc tem talento, elegância, profundidade de sentimento e um doce-amargo que são derivados da sua personalidade melancólica e ao mesmo tempo alegre.

Embora Poulenc possa nunca ter conhecido Édith Piaf (1915-1963), os dois músicos possuíam muitos pontos em comum.  Talento, profundidade de sentimentos, a vida parisiense e uma alegre melancolia. Poulenc homenagea Piaf com o Improviso para Piano n. 15 em dó menor composto em 1959.


Édith Piaf (1915-1963)

Ouviremos o Improviso para Piano n. 15 em dó menor interpretado pelo pianista francês Pascal Rogé (1951).

 Observe no Improviso de Francis Poulenc  a elegância e profundidade de sentimento do “doce-amargo” tão presente na obra do compositor e da homenageada.

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O CONCERTO N.2 EM DÓ MENOR PARA PIANO EORQUESTRA DE SERGEI RACHMANINOFF

Remissão de um compositor

Retrato de Rachmaninoff (1873 – 1943)
por  Konstantin Somov (1869 – 193

Após o fracasso da estreia de sua primeira sinfonia, o compositor e pianista russo Sergei Rachmaninoff (1873 -1943), entra em depressão profunda, permanecendo sem compor por vários anos.

Foi realmente desastrosa a estreia de sua Primeira Sinfonia, op. 13 sob a direção de Alexander Glazunov (1865 – 1936). Na manhã seguinte à estreia, o compositor César Cui (1935 – 1918) escreve:

“se houvesse um conservatório no inferno, Rachmaninoff iria receber o primeiro prêmio por sua Sinfonia, tão diabólicas as discórdias que ele coloca diante de nós”. 


Sergei Rachmaninoff (1873 – 1943)

 Segundo relatos, desolado no primeiro momento, o compositor consegue sair da depressão através da hipnoterapia e psicoterapia ministradas pelo doutor Nikolai Dahl (1860 – 1939). O médico russo era especialista em neurologia, psiquiatria e psicologia.  Dahl era também violista amador, chegando a integrar o naipe de viola na orquestra de estreia do concerto opus 18. Foi para o médico que Sergei Rachmaninoff dedica seu afamado Concerto n. 2 opus 18 em dó menor para piano e orquestra.

Nesta obra composta em 1901, marco de sua cura, o compositor reúne aspectos essenciais de sua arte. Sua música fundamentalmente russa demonstra a influência recebida por seu ídolo de juventude Tachaikovsky (1840 – 1893). Rachmaninoff constrói no concerto n. 2, de forma magistral uma melodia lírica expandida a partir de pequenos motivos.

Segundo Rachmaninoff:

“cada movimento foi construído em torno de um ponto culminante. (…) Tal momento deve realizar-se como o romper da fita de chegada ao fim de uma corrida, deve agir como a libertação do último obstáculo material, vencendo a última barreira entre a verdade e sua formulação”.

Sergei Rachmaninoff (1873 – 1943)

Acredito que você leitor, já tenha ouvido as várias versões do concerto n. 2 em dó menor de Sergei Rachmaninoff. A canção popular estadunidense “All By Myself” cujo sucesso foi escrito por Eric Carmen e gravado em 1994 por Sheryl Crow e em 1996 por Celine Dion, é um arranjo temático do segundo movimento desse concerto. O tema do concerto n. 2 foi também popularizado no filme “O Pecado Mora ao Lado” (1956), dirigido por Billy Wilder e estrelado por ninguém menos do que Marilyn Monrroe, Tom Ewel e Evelyn Keyes.

Curiosamente, este concerto também era uma das músicas favoritas da Princesa Diana. Segundo o livro “Diana crônicas íntimas” de Tina Brown, a princesa costumava ouvi-lo ao escrever cartas e em momentos de descanso.

Princesa Diana (1961 – 1997)

Ouviremos o concerto n. 2 opus 18 de Sergei Rachmaninoff interpretado pelo pianista brasileiro Nelson Freire (1944) com a Orquestra Filarmônica de São Petersburgo sob a regência do Maestro Alexander Dmitriev (1935).

Nelson Freire (1944)

 Observe que este concerto inicia com uma série de acordes intercalados por uma nota grave, oscilando lentamente, lembrando um pendulo. Pode ser uma referencia aos pêndulos utilizados em seções de hipnose. Não podemos afirmar ao certo, mas não deixa de ser uma curiosa coincidência.

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DALVA E HERIVELTO – UMA CANÇÃO DE AMOR

Uma cantora que influenciou gerações

ADRIANA ESTEVES E FÁBIO ASSUNÇÃO

 

Estrela máxima da Era de Ouro do Rádio, dona de uma voz poderosa, cuja extensão ia do contralto ao soprano, apelidada de “Rouxinol do Brasil”, Dalva de Oliveira nasceu no dia 05 de maio de 1917 em Rio Claro (SP). 

O centenáio da cantora em 2017 foi o mote para a criação de um espetáculo musical que acabou se transformando em CD duplo pela gravadora  Biscoito Fino, também disponível em plataformas digitas.   Com idealização e produção de Thiago Marques Luiz, os roteiros dos espetáculos  levaram a assinatura do pesquisador da música brasileira Ricardo Cravo Albin.

Segundo Thiago Marques Luiz, “A Dalva teve importância fundamental pra formação de toda uma geração de cantoras, incluindo a de Ângela Maria, que mais tarde influenciou Elis Regina, Maria Bethânia, Alcione e tantas outras.  É um dos primeiros ícones femininos da música brasileira”. 


DALVA DE OLIVEIRA

Filha de pai carpinteiro  e mãe portuguesa, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro aos 18 anos em busca de fama.

Nos primeiros anos na “cidade maravilhosa” Dalva de Oliveira frequentava o Cine Pátria, onde conheceu seu grande e conturbado amor, o também cantor e compositor, Herivelto Martins


HERIVELTON MARTINS (1912 – 1992)

Para além do conturbado relacionamento, Dalva, Herivelto e Nilo Chagas, formaram em 1937 o histórico Trio de Ouro, com o qual fez muito sucesso com obras como   “Ave Maria no Morro”. 

TRIO DE OURO
NILO CHAGAS, HERIVELTON E DALVA

Dalva e Herivelto experimentaram a fama, mas também as páginas policiais. Com uma separação com direito a perda da guarda dos filhos, machismo social e do próprio  ex-marido. Dalva de Oliveira viveu dias de glória e de muito sofrimento.

Como se a arte imitasse a vida, as canções doloridas que Dalva de Oliveira entoava refletiam fielmente sua vida amorosa turbulenta. A batalha que ela travou através dos discos com Herivelto Martins, depois da separação do casal, registrou uma das mais tempestuosas e célebres relações do mundo musical no Brasil. 

HERIVELTON E DALVA

No final dos anos 40, Dalva partiu para carreira solo repleta de êxito  comercial e artístico. Ricardo Cravo Albin define Dalva de Oliveira: “uma rainha das dores e das alegrias do povo”.

DALVA DE OLIVEIRA (1917 – 1972)

A vida do casal foi muito bem retratada na Série que se transformou em Filme “ Dalva e Herivelto – uma canção de amor”, (2010) de Maria Adelaide Amaral com direção de Denis Carvalho, tendo como protagonistas Adriana Esteves e Fábio Assunção, disponível na globoplay.

ADRIANA ESTEVES E FÁBIO ASSUNÇÃO

Tanto na Série quanto no Filme, há uma narrativa ágil, que consegue relatar fatos históricos como o governo de Getúlio Vargas; a eclosão da Segunda Guerra Mundial; o polemico governo do Presidente Dutra; o fechamento dos Cassinos e o surgimento da Televisão.  

Maria Adelaide Amaral e Denis Carvalho conseguem ir e vir no tempo, pontuando por elipses, com variações cromáticas que situam as diferentes épocas, tendo como foco principal a música da Era de Ouro do Rádio. Vale a pena conferir!

Ouviremos a voz de Dalva de Oliveira em  – Hino ao Amor, letra de Edith Piaf, música de Marguerite Monnot com versão em português de Odair Marzano.

DALVA DE OLIVEIRA

 Observe o timbre e vigoroso vibrato na voz de Dalva de Oliveira. A cantora sabia utilizar recursos dramáticos com eficiência como ninguém.

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“COCO CHANEL & IGOR STRAVINSKY”

Moda e Música têm encontro marcado com  “Coco Chanel & Igor Stravinsky”

Mads Mikkelsen e Ana Mouglalis em

 “CHANEL COCO & IGOR STRAVINSKY”
 

Ainda obrigados ao distanciamento social, arte, mais do que nunca, é nossa grande aliada. O filme baseado no livro de Chris Greenhalgh – Chanel Coco & Igor Stravinsky é ótima opção.

O enredo coloca em primeiro plano o romance proibido de duas personalidades extremadas: a estilista Gabrielle Coco Chanel (1883 – 1971) interpretada pela  atriz francesa Ana Mouglalis (1978) e o compositor russo Igor Stravinsky (1882  – 1971) vivido pelo dinamarquês Mads Mikkelsen (1965).


Coco Chanel (1883 – 1971)  e Igor Stravinsky (1882  – 1971)

O filme retrata, com perfeição, o que acontecia na frenética Paris do início do século 20, na estreia do balé “A sagração da primavera“, com música de Igor Stravinsky, coreografia e dança de Vaslav Nijinsky (1889 – 1950) e cenário arquitetado pelo artista plástico Nicholas Roerich (1874 – 1940).


Vaslav Nijinsky; Igor Stravinsky; Nicholas Roerich

A estreia da Sagração da Primavera foi uma noite emblemática, ocorrida em maio de 1913, provocando reações violentas do público no Teatro Champs-Elysées. Sobraram vaias para todos os lados, e o caos se instaurou na plateia. Diversos músicos e maestros se retiraram do Teatro logo no começo da apresentação, revoltados com a nova abordagem dos instrumentos.


Teatro Champs-Elysées, Paris, France

Nessa plateia, uma artista fora do comum – a estilista francesa Coco Chanel, que rompia parâmetros da moda e caminhava para tornar-se sinônimo de figurinos clássicos que ultrapassariam seu tempo. Segundo o filme, nascia também, naquela noite de 1913, a semente de um romance que só frutificaria sete anos depois, entre Coco e Stravinsky.


Gabrielle Coco Chanel

A célebre obra, que na época causou tanta polêmica ao embalar o balé em dois atos, é hoje considerada um ícone da música de concerto. Não foi ao acaso, Sagração da Primavera, subverteu a estética musical do século XX, dando origem ao Modernismo, revolucionando praticamente todas as principais características da música de então. O arcabouço do ritmo, a estrutura orquestral, o timbre, a forma, os aspectos harmônicos, a maneira como se utilizava as dissonâncias, e, o valor conferido à percussão que sobressai a melodia, algo impraticável até aquele momento histórico.

Além da música de Stravinsky causar tanto espanto, a coreografia de Nijinsky incluía muitos passos “anti-dançantes”.  O figurino, desenhado por Nicholas Roerich, era muito grande e pesado, algo totalmente oposto ao figurino tradicional.  Nada lembrava a elegância e a leveza de um balé tradicional.


Figurino de Sagração da Primavera, 1913

Ainda hoje, a natureza subversiva de Sagração da Primavera deixa o público perplexo. O teor provocativo e incivilizado no qual desfilam no palco cenas ancestrais e excêntricas despertam, em quem as assiste, emoções e aflições.

No vídeo abaixo, assistiremos a um trecho da primeira cena do filme “Chanel Coco& Igor Stravinsky” (France, Jan Kounen, 2009), que reconstitui de forma bastante acurada como deve ter sido a escandalosa estreia de “Sagração da Primavera”. Segundo relatos, todos os aspectos da performance são baseados nas fontes históricas fidedignas acessíveis.

Observe que a linguagem de Stravinsky centra-se principalmente no ritmo, totalmente destacado em sua estética.   “Sagração da Primavera” é a renúncia ao universo da lógica e da objetividade, um reflexo do mundo moderno. Vale a pena ouvir a obra e assistir este filme memorável.

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GILBERTO MENDES E UMA VONTADE DANADA DE BEBER COCA-COLA

“Você conhece aquele dito popular, falem bem ou mal, mas falem de mim?”

Gilberto Mendes (1922 – 2016)
 

Um dos pioneiros da música concreta no Brasil, Gilberto Ambrosio Garcia Mendes nasceu no dia 13 de outubro de 1922, em Santos, cidade do litoral paulista. Iniciou seus estudos de música apenas aos 18 anos, no Conservatório Musical de sua cidade natal. Praticamente autodidata, compôs sob orientação de Cláudio Santoro (1919 – 1989) e Olivier Toni (1926). Frequentou o afamado Ferienkurse fuer Neue Musik de Darmstadt, na Alemanha, entre os anos de 1962 e 1968.


Instituto Internacional de Música de Darmstadt, Alemanha

Seu nome consta dos Verbetes das principais enciclopédias e dicionários mundiais, tai como: Grove inglês; o Rieman alemão; o Dictionary of Contemporarry Music de John Vinton; entre vários outros. Sua obra já foi tocada nos cinco continentes, principalmente na Europa e Estados Unidos.

Mendes foi um dos músicos que assinou o Manifesto Música Nova, publicado pela revista de arte de vanguarda Invenção em 1963, e a partir dessa tomada de posição, tornou-se um dos precursores, no Brasil, no campo da música concreta, aleatória, serial integral; com a experimentação de novos grafismos, novos materiais sonoros e a incorporação da ação musical à composição, com a criação do teatro musical.


REVISTA INVENÇÃO, Ano II, Nº 3, junho de 1963
Revista de Arte de Vanguarda
 Diretor: Décio Pignatari
 

Foi, ainda, professor na Escola de Comunicação e Arte da USP, conferencista e colaborador das principais revistas e jornais brasileiros. Fundou, em 1962, a Festival Música Nova de Santos, o mais antigo em seu gênero em toda a América.

Gilberto Mendes recebeu vários prêmios no Brasil: o Prêmio Carlos Gomes, do Governo do Estado de São Paulo, além de diversos prêmios da APCA.  Também recebeu a Bolsa Vitae, o prêmio Sergio Mota  hors concours  2003 e o título de “Cidadão Emérito” da cidade de Santos, dado pela Câmara Municipal. Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, em 2004, recebeu a insígnia e diploma de admissão na Ordem do Mérito Cultural, na classe de comendador, do Ministério da Cultura, das mãos do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro da Cultura, Gilberto Gil.


Gilberto Mendes

Uma de suas obras mais interessantes, Moteto em Ré Menor, mais conhecido como Beba Coca Cola, para vozes corais e poema, foi composta em 1967. Em plena ditadura, o compositor criou uma espécie de antijingle, numa crítica ao consumo da sociedade moderna através de um de seus maiores ícones. Gilberto Mendes (1922 – 2016) concebe uma obra a partir do poema concreto de Décio Pignatari (1927 – 2012).

Beba Coca-Cola

“Na época, eu fiquei esperando uma represália da Coca-Cola. Que nada. Um diretor me procurou com uma caixa enorme de refrigerantes. E me agradeceu dizendo: ‘Você conhece aquele dito popular, falem bem ou mal, mas falem de mim?’ Só sei que até eu, logo depois de ouvi-la, ficava com uma vontade danada de beber Coca-Cola.” Gilberto Mendes.

A obra termina com um sonoro arroto – “o primeiro arroto solo da história da música universal” e com o coro falando a palavra “cloaca”, que encerra o poema de Pignatari.

Ouça a interpretação magistral desta obra com o Coro da OSESP sob a regência da grande e saudosa maestrina Naomi Munakata (1955 – 2020).

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Naomi Munakata (1955 – 2020)

Observe, nesta obra, a diversidade de material sonoro e o emprego do humor, características marcantes na obra de Gilberto Mendes.

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“DISSERAM QUE VOLTEI AMERICANIZADA”

Carmen Miranda, uma das mais expressivas artistas do século XX, foi acusada de ter perdido a sua brasilidade e de ser usada como “instrumento para a política de boa vizinhança dos americanos

Carmem Miranda (1909 – 1955)

Nascida Maria do Carmo Miranda da Cunha, em Portugal, no ano de 1909. Carmen Miranda, viria a se tornar um dos maiores símbolos de brasilidade jamais criados. Alçou o estrelato em terras brasileiras e mudou-se para os EUA, onde faleceu em sua casa em Los Angeles em agosto de 1955, vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Ainda jovem, a “Pequena Notável”, como era conhecida, foi apresentada ao compositor Josué de Barros que, encantado com seu talento, passou a promovê-la em editoras e teatros, sendo em muito pouco tempo apontada como uma das principais cantoras do Brasil. Não demorou e veio a grande oportunidade de fazer carreira nos Estados Unidos.


Carmen Miranda em “Nancy Goes to Rio” (1950)

 A estreia de Carmen, em terras americanas, aconteceu no espetáculo musical “Streets of Paris”, em Boston. Seu sucesso de crítica e público foi enorme. Sua fama não parou de crescer. Carmem, ao longo de sua carreira, atuou em 14 filmes em Hollywood e esteve presente nos mais importantes programas de rádio, TV e teatros dos EUA, chegando a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos. Ela era tão adorada pelas massas que chegou a virar boneca de papel e personagem de desenho da Disney.


Carmen Miranda – Boneca de Papel

Carmen Miranda se casou com o norte-americano David Sebastian (1908 – 1990), com quem viveu uma relação bastante difícil. Em função de uma agenda sempre lotada, Carmen começou a usar barbitúricos. Além disso, bebia e fumava bastante, o que potencializava o efeito dos remédios,  resultando em sua prematura morte em 1955.

Quando Carmen Miranda voltou ao Brasil pela primeira vez, depois de tanto sucesso nos EUA, foi acusada de ter perdido a sua brasilidade e de ser usada como “instrumento para a política de boa vizinhança dos americanos”. Foi então que os compositores Luís Peixoto e Vicente Paiva fizeram especialmente para a “Pequena Notável” o samba Disseram que Voltei Americanizada  sendo esta uma das ultimas canções que Carmem gravou no Brasil.

Carmen Miranda

  A música “Disseram que Voltei Americanizada” é mencionada no apêndice do livro 1001 Músicas para Ouvir Antes de Morrer, do crítico musical Robert Dimery, sendo gravada por grandes nomes da MPB como Maria Bethânia, Caetanos Veloso, Adriana Calcanhoto, Eduardo Dusek, Roberta de Sá, Elba Ramalho, Ná Ozzetti, Gaby Amarantos, Baby Consuelo, Grupo Vocal Ordinarius, dentre outros.

Ouviremos “Disseram que Voltei Americanizada”  com o Grupo Vocal Ordinárius formado por Augusto Ordine, Maíra Martins, Mateus Xavier, Matias Correa, Fabiano Salek, Fernanda Gabriela e Rebeca Vieira. A direção Musical é de Augusto Ordine.

Observe a riqueza desta intepretação com arranjo primoroso e vozes soando como verdadeiros instrumentos.  Vale a pena conferir!

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IN VINO VERITAS DE HENRIQUE DE CURITIBA

“O bom vinho alegra o coração dos homens”

Henrique de Curitiba (1934 – 2008)

No inverno e em isolamento social, nada como um bom vinho. A sugestão é a Suíte de Vinhos do compositor Henrique de Curitiba (1934-2008).

Henrique de Curitiba Morozowic, membro de uma família de artistas, tanto ele quanto os irmãos Norton e Milena Morozowicz são artistas consagrados internacionalmente. A mãe, Wanda Lechowski, era pianista amadora, e, o pai, Tadeu Morozowicz, bailarino e coreógrafo formado no Teatro Nacional de Varsóvia e na Escola Imperial de Ballet de Saint Petersburg, na Rússia. Professor Tadeu foi o criador do primeiro curso de ballet do Paraná, na Sociedade Thalia, em Curitiba.


Wanda, Milena, Tadeu e Henrique – Acervo Família Morozowicz

Henrique nasceu e viveu a maior parte de sua vida na capital paranaense; mas passou por diversas cidades e países, inclusive Goiânia, onde morou por alguns anos. Compôs, ao longo de sua vida, mais de 150 obras. Com uma produção consistente, é considerado: “um de nossos melhores compositores neoclássicos”.

Em 1954 Henrique foi aperfeiçoar seus estudos em São Paulo na afamada classe de composição do professor Hans Joachim Koellreuter (1915 – 2005) na Escola Livre de Música. Com um nome tão difícil de pronunciar – Zbigniew Henrique Morozowicz, logo ficou conhecido como o “Henrique de Curitiba”.

Suas obras foram editadas em diversos países, além do Brasil. A obra coral de Henrique de Curitiba Morozowicz”, foi publicada em 2009, pela Fundação Cultural de Curitiba, em projeto coordenado pela Professora Glacy Antunes de Oliveira.


Henrique de Curitiba (1934 – 2008)
Diário de Viagem de Henrique de Curitiba

Sempre rodeado de música e verdadeiros amigos, Henrique, gostava de tomar um bom vinho e brindar a vida com pessoas queridas. Para festejar os vinhos compôs, no ano 2000, uma suíte coral intitulada In vino veritas” (No vinho está à verdade), que estreou na Califórnia (EUA), no ano de 2001, com o coro da famosa vinícola Robert Mondavi de Napa Valley.

  “Tudo começou assim: no ano de 2000 completei os meus 50 anos de compositor. Para celebrar o fato, escrevi uma suíte coral, In vino veritas, tendo por tema vinhos de diversos tipos. Por sugestão de meu filho Aléxis, que fazia o seu mestrado em San Francisco, enviei a partitura para o NAPA VALLEY CHORALE. A sua regente, Jan Lanterman, gostou da música e me propôs de fazer a sua estreia mundial em Napa, na Califórnia – a capital dos vinhos finos da América – em maio de 2001. Meus amigos, ter ido à NAPA VALLEY, foi uma das mais belas experiências da minha vida”. (Morozowicz, 2001 – Diário de Viagem de Henrique Morozowicz)


Henrique, Alexis e Norton
Acervo da Família Morozowicz

A suíte foi inspirada no texto do antigo provérbio latino, Bonumvinum laetificat cor hominum, (O bom vinho alegra o coração dos homens), usado nas quatro peças que a compõem – cada uma evocando um tipo de vinho. O refrão, O bom vinho alegra o coração dos homens, repete-se em todas as peças, mas a cada delas foi atribuído um caráter musical diferenciado, representando as diferentes qualidades dos vinhos Cabernet/Merlot (solene, de andamento lento e harmonia densa, como a natureza encorpada do vinho), Beaujolais Nouveau (allegro buliçoso, demonstrando o caráter leve e algo frisante deste vinho novo, o primeiro da safra anual), Liebfraumilch (vinho suave e adocicado, recebeu do compositor um tempo de barcarola) e Bardolino (o mais rápido dos movimentos, para um vinho italiano leve e vibrante).


Henrique e Norton
Acervo Família Morozowicz

Difícil não apreciar uma boa música e um bom vinho. Escolha o seu, escutando a versão de In vino Veritas”com a Camerata de Curitiba sob a regência de Maestro Norton Morozowicz na comemoração dos 80 anos de Henrique de Curitiba.

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BIDU SAYÃO

“Considerada uma das maiores estrelas da ópera de todos os tempos”

Bidu Sayão (1902-1999)

A “Diva” Balduína de Oliveira Sayão (1902-1999) herdou da mãe, sua grande incentivadora o apelido de Bidu. Dedicou-se ao canto lírico desde cedo e estreou aos 18 anos, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Eu não tinha voz alguma quando comecei. Os professores me disseram que eu era muito nova ainda, que minha família ia gastar dinheiro à toa. Mas eu insisti, chorei muito, garanti que não me importava com bailes, namorados, festas. E comecei a cantar”. Bidu Sayão

Bidu Sayão

 Bidu Sayão iniciou sua carreira internacional na Europa, onde estudou canto em Bucareste, Romênia, com a soprano Elena Theodorini (1857-1926), e em Nice, França, com o grande tenor polonês Jean de Reszke (1857-1925).

No Velho Continente fez a sua estreia oficial em 1926, em Roma, interpretando Rosina, da ópera “O Barbeiro de Sevilha”, Rossini (1792 – 1868). O sucesso a levou a cantar nas principais casas de ópera da Europa, incluído o teatro La Scala de Milão.


Teatro  La Scala
Milão – Itália

Em 1935, estreou nos Estados Unidos, cantando no Carnegie Hall em Nova Iorque sob a regência do afamado Arturo Toscanini (1867-1957), o maestro era seu admirador, referindo-se a ela como “la piccola brasiliana”.


Arturo Toscanini (1867-1957)
Pastel on Board (13.3X19.3)
Frederico Zandomneghi (1841 – 1917)

Sayão radicou-se nos EUA e fez brilhante carreira no Metropolitan, onde atuou durante 16 temporadas operísticas. Apresentou-se também em turnês por outras grandes cidades dos EUA, como Chicago e San Francisco.

 A brasileira que fez sua carreira na Europa e os Estados Unidos nunca esqueceu suas origens. Em fevereiro de 1938, cantou para o casal  Roosevelt na Casa Branca. O Presidente dos EUA lhe ofereceu a cidadania estadunidense, mas ela recusou. De acordo com Bidu “no Brasil eu nasci e no Brasil morrerei”. Infelizmente Sayão morreu aos 96 anos,  no estado norte-americano do Maine, onde vivia.


Eleanor e Franklin Roosevelt
Na Casa Branca entre 1933 e 1945

Seu nome é lembrado e reverenciado como uma das maiores estrelas da ópera de todos os tempos. O Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão é a mais importante competição vocal da América Latina. Em 1995, aos 92 anos, sua  vida e  carreira tornaram-se enredo da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis. Bidu entrou na avenida no último carro alegórico sentada num trono cuidadosamente preparado para ela.


Bidu Sayão
Carnaval de 1995, RJ

É de Bidu Sayão a versão mais conhecida da “Bachiana Brasileira n. 5”, de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959). Em 1959, Bidu aceitou o convite de Villa para gravar a composição “Floresta Amazônica”.

Observe nesta versão da “Bachiana Brasileira n. 5” a voz cristalina de Bidu Sayão ao interpretar esta obra magistral de Heitor Villa-Lobos.

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MARILIA MEDALHA

“Marília não canta como uma cantora; canta como uma mulher que gosta de cantar”

Marilia Medalha (1944)

Há 76 anos nascia em Niterói – RJ a grande cantora e compositora Marilia Medalha (25/07/1944). Marília Iniciou a carreira no Clube de Regatas de Icaraí e no Clube Central, em Niterói, partindo daí para o mundo.

Em 1967 conquistou o 1º lugar com a música “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam no III Festival da Música Popular Brasileira. A canção foi vencedora, à frente de Domingo no parque (Gilberto Gil), Alegria, alegria (Caetano Veloso), e Roda viva (Chico Buarque), entre outras. Foi uma das poucas mulheres protagonistas daquela noite de 1967.


Capa da Revista Cruzeiro (1967)
José Carlos Capinam, Marilia Medalha e Edu Lobo,

Marilia também se destaca como parceira de Vinicius de Moraes (1913-1980). A lista de parceiros de Vinicius é bem longa, traz nomes como: Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque, Edu Lobo, Toquinho e Carlos Lyra, além de jovens desconhecidos na época como Jards Macalé e Francis Hime, até nomes como Pixinguinha e Ary Barroso. Desses nomes, a parceria com Marilia merece grande destaque, afinal, foi ela a única mulher a compor em parceira com Vinicius de Moraes.

Vinicius e Marilia se conheciam desde que a cantora foi de Niterói para São Paulo em 1965, participar do musical Arena Conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, com músicas de Edu Lobo. Nesse musical, que ficou em cartaz por mais de um ano, Marília recebeu o prêmio de Atriz Revelação, da Associação Paulista de Críticos Teatrais, em 1966.


Os Parceiros Musicias
Marilia Medalha  e Vinícius de Moraes

Os amigos, Marilia e Vinícius, se tornaram parceiros em uma das fases mais conturbadas da vida do país e dos dois músicos. Vinicius havia sido desligado do Itamaraty ao qual serviu durante duas décadas. Marília, por sua vez, teve prejudicada uma carreira em plena ascensão, no início de 1969, quando seu então marido, o escritor e teatrólogo Isaias Almada, foi preso pelos órgãos de repressão da ditadura militar. Neste momento nasce a parceira musical entre os dois músicos.

Marilia Medalha, uma intérprete sem qualquer espécie de vedetismo e, além do mais, uma mulher fora de série, digna, leal e corajosa quanto as que mais o sejam. (…) Marília não canta como uma cantora; canta como uma mulher que gosta de cantar”.

Vinicius de Moraes, Dezembro de 1970.

Nos últimos anos Marília Medalha tem participado de eventos especiais, dedicando-se somente aos projetos com os quais se identifica estética e ideologicamente, como o trabalho “Tributo a Zé Kéti”, no CCBB do Rio de Janeiro, coordenado por Elton Medeiros, e o musical “Rainha Quelé”, homenagem a Clementina de Jesus, em 2002, no SESC Ipiranga, em que reverencia a sambista Clementina na interpretação marcante de seus jongos, partidos e corimas. Participou de um tributo ao compositor Sidney Muller, na Funarte do Rio de Janeiro, e do evento “A Era dos Festivais”, coordenado por Zuza Homem de Mello.


Marilia Medalha

Atualmente Marilia reside em São Paulo, um tanto recolhida. Vez por outra vem à Goiânia visitar os amigos que aqui fez, e, seu irmão Luiz Medalha, renomado pianista que vive na capital goiana.

Ouviremos Ponteio, de Edu Lobo e José Carlos Capinam no histórico III Festival da Música Popular Brasileira,  interpretado por Edu Lobo, Marília Medalha, Quarteto Novo y Momento Quatro  – Maurício Maestro/Zé Rodrix/David Tygel/Ricardo Sá.


Troféu em 1967
Edu Lobo/Marilia Medalha/Capinam

Observe ao ouvir Ponteio:  do motivo principal da melodia, extrai-se o elemento melódico da introdução que tanto chama a atenção nesta obra magistral. Não foi por acaso que Ponteio venceu o Festival de 1967.

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