“A SERTANEJA”

Brasilio Itiberê da Cunha (1846 – 1913)
Brasilio Itiberê da Cunha (1846 – 1913)

“A Sertaneja”, obra para piano, publicada em 1869, composta pelo paranaense Brasilio Itiberê da Cunha (1846 – 1913), passou para a história, como uma das peças que marcaram o início do nacionalismo na música brasileira de concerto.

A obra de Itiberê da Cunha exibe trechos que remetem a influencia da escrita virtuosística do compositor húngaro Franz Liszt (1811 – 1886), e, em menor grau, do lirismo do compositor polonês Frédéric Chopin (1810 -1849).

Franz Liszt (1811 – 1886) e  Frédéric Chopin (1810 -1849).

No entanto o que tornou “A Sertaneja” uma obra conhecida foi o fato de utilizar, em sua seção central, a composiçao, Balaio Meu Bem Balaio, tema folclórico inspirado no fandango, dança popular típica de Paranaguá – PR, cidade natal do compositor.

Além de compositor, Itiberê foi diplomata de carreira, tendo servido em embaixadas brasileiras na Bélgica, Itália, Peru, Paraguai e Alemanha.

Brasilio Itiberê da Cunha (1846 – 1913)

 Dom Pedro II (1825 – 1891), imperador do Brasil, nesse período histórico, grande incentivador dos artistas brasileiros, propôs ao paranaense ingressar na carreira diplomática como uma maneira de se aperfeiçoar como compositor.

 Dom Pedro II (1825 – 1891)

Há indícios de que o alcance de outras obras “pré-nacionalistas”, não obtiveram o êxito e a popularidade de “A Sertaneja’, por concorrerem com a profissão de político viajante do compositor e ainda o fato do piano ser o instrumento de divulgação de repertório de câmara ou sinfônico por excelência.  

Há relatos históricos de que Brasilio Itiberê, no período em que esteve em Roma entre os anos de 1873 e 1882, nutriu amizade com o compositor e pianista Franz Liszt que teria tocado “A Sertaneja”.

Há também uma corrente de musicólogos que considera Brasílio Itiberê “um compositor de música ligeira”.

Em recente artigo escrito pelos musicólogos Borém e Marichi Júnior:

“(…) Um Brasílio Itiberê mais real seria lembrado como um músico engajado politicamente pela liberdade daqueles que formaram a cultura do Brasil (…) como um pianista formidável que se fez respeitado pelos colegas mais importantes na Europa e como um compositor engenhoso cujas habilidades e compromissos nacionalistas ainda não se revelaram completamente, especialmente em obras compostas após A Sertaneja”.

Parece interessante ouvir a “A Sertaneja” com um olhar e uma escuta do século XXI. A composição pode não parecer “brasileira o suficiente” para hoje. Mas, como foi à percepção em 1869?

Ouviremos “A Sertaneja” – Fantasia Característica Sobre Temas Brasileiros Op.15, interpretada pelo pianista brasileiro Arnaldo Estrela (1908 – 1980).

Observe! Essa é uma obra que representa um momento histórico no qual a música brasileira ainda era bastante europeizada.

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