44º FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA BELKISS S. CARNEIRO DE MENDONÇA

O festival de música mais antigo em edições contínuas no Brasil
44º FEstival Internacional de Música Belkiss S. Carneiro de Mendonça

Já se vão 43 Festivais de Música promovidos pela Universidade Federal de Goiás. Eventos realizados em Goiânia que contam parte da história da música em Goiás. 

Desde sua primeira versão, como I Festival de Música Erudita do Estado de Goiás, os festivais trouxeram para Goiânia, reconhecidos nomes do cenário brasileiro e internacional: instrumentistas, cantores, compositores, regentes e educadores musicais, que deixaram sua marca na formação dos músicos em Goiás.

O Festival de Música promovido pela EMAC/UFG é o evento do gênero mais antigo do Brasil, realizado desde 1964 aos dias atuais;

Segundo a professora Maria Helena Jayme Borges:

“O grande acontecimento de 1964 foi a realização do I Festival de Música Erudita do Estado de Goiás de 19 a 27 de setembro. Os professores, alunos e servidores do Conservatório, compreendendo o alto sentido e as vantagens pedagógicas e sociais daquele evento, não mediram esforços para realização do festival, sendo essa a primeira vez que empreenderam um trabalho de tamanho vulto”.

O I Festival trouxe para Goiânia a regente e compositora carioca Maria Luiza de Mattos Priolli (1915 – 2000), ministrando o curso de Análise e Didática do Ritmo e Som; o renomado pianista Arnaldo Estrela (1908 -1980), o curso de Didática do piano e interpretação pianística e o compositor e musicólogo alemão naturalizado brasileiro  Bruno Kieffer (1923 – 1987), ministrando os cursos de Apreciação musical, Estética e História da Música.

Arnaldo Estrela (1908 -1980), Maria Luiza de Mattos Priolli (1915 – 2000) e Bruno Kieffer (1923 – 1987)

Além de cursos, a primeira versão do Festival ofereceu ao público goiano recitais com a participação dos violinistas Nathan Schuwartzmann e Mariuccia Iaconino, das pianistas Belkiss, Arnaldo Estrella e Heloisa Barra, da Mezzo Soprano Honorina Barra, do flautista Lenir Siqueira, do oboísta Paulo Nardhi, do clarinetista José Botelho, do trompista Jairo Ribeiro, do fagotista Noel Devos e ainda contou com a presença Maestro Isaac Karabtchewsky regendo o Madrigal Renascentista.

Isaac Karabtchevsky | immub.org
Maestro Isaac Karabtchewsky

Não por acaso, atualmente o Festival leva o nome de sua idealizadora, a musicista goiana Belkiss S Carneiro de Mendonça (1928 – 2005).

Belkiss S Carneiro de Mendonça (1928 – 2005).

Musicista reconhecida internacionalmente, Belkiss Spenzièri projetou o Brasil com seus concertos, sempre valorizando e divulgando a música brasileira. O festival que a homenageia será realizado pela Universidade Federal de Goiás através da Escola de Música e Artes Cênicas entre os dias 24 a 27 de outubro de 2021 no formato on-line. Um presente para os 88 anos de Goiânia.

No dia do aniversário de Goiânia (24 de outubro) haverá uma cerimonia de abertura com um recital de professores convidados e professores da casa, com transmissões pelo canal do YouTube da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG (informações detalhadas no site http://www.emac.ufg.br)

Recital de Abertura

Relembrando a pianista que dá nome ao festival, ouviremos a LP Belkiss Carneiro de Mendonça (Copacabana COLP 12.550), lançado em 1980, Disponibilizado no YouTube pelo Instituto Piano Brasileiro – IPB.

Belkiss Carneiro de Mendonça

 Observe a interpretação precisa e brilhante da pianista Belkiss

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HOMENAGEM AO DIA DO PROFESSOR

Glacy Antunes de Oliveira
Professora Glacy Antunes de Oliveira

Marcado como o Dia do Professor, o dia 15 de outubro foi criado com o intuito de homenagear esse profissional de grande importância no desenvolvimento do ser humano.

A data é celebrada  em referência a d. Pedro I, que, no dia 15 de outubro de 1827, emitiu uma lei sobre o Ensino Elementar, definindo que todas as cidades do Brasil deveriam ter Escolas de Primeiras Letras (Ensino Fundamental).

Após um século desta lei imperial, Salomão Becker,  professor do estado de São Paulo e autor da frase “professor é profissão, educador é missão”,  decidiu utilizar a data 15 de outubro como o momento oportuno para estabelecer um dia de folga a esses profissionais tão atarefados. De sua ideia se organizou uma confraternização entre professores e alunos. A proposta do Professor acabou sendo bem recebida e inspirou celebrações semelhantes.

O 15 de Outubro foi oficializado no Brasil, em 1948, como data comemorativa e feriado no estado de Santa Catarina, e, em 14 de outubro de 1963, por meio do decreto federal nº 52.682, foi criado o Dia do Professor em todo o país pelo Presidente João Goulart.  Internacionalmente se celebra o Dia Mundial do Professor em 5 de outubro.

Escolhemos homenagear neste 15 de outubro uma professora na área de música – a professora e pianista Glacy Antunes de Oliveira.

Glacy Antunes de Oliveira (1984)
Revista Goiana de Artes, 5(1): 113-132, jan./jun. 1984

Sensível, determinada, criativa. Em busca de seus sonhos, aproveitou o impulso e apoio convincentes da família, agarrou e potencializou as oportunidades que a Universidade Federal de Goiás lhe proporcionou, quer como docente quer como administradora ou como pianista, por todo o Brasil e também no exterior.

Segundo Glacy:

“Vem sempre à minha mente a figura calma e firme da minha mãe que, embora me trouxesse biscoitos e bolinhos, mantinha-me por várias horas ao piano pois, como dizia ‘… seus professores afirmam que você tem grande talento; cabe a mim, ensinar-lhe disciplina, determinação, minúcia e paciência …’.”

A menina talentosa tornou-se Professora Titular na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás,  fazendo uma verdadeira revolução à frente dessa escola.

Enquanto diretora e membro do Conselho Universitário uniu o corpo docente em prol do crescimento da instituição, criou cursos de graduação, especialização e mestrado. Igualmente, trouxe eventos artísticos e científicos internacionais para Goiânia, elevando o patamar da Escola perante a Universidade e ao Brasil. Depois de sua gestão a EMAC é considerada pelos órgãos medidores do ranking nacional como uma das melhores escolas de música do país.

Em curto espaço de tempo à frente da cultura do município, quando Secretária de Cultura, mostrou o que é possível realizar em uma instituição pública.

A sempre inovadora e destemida Galcy conta:

Minha queda por inovações manifestou-se quando da formatura da minha turma no Conservatório – Yara Moreyra, Maria Augusta Callado, Acy Taveira, Jodelmi Camilo, Dalva Albernaz…. Tive a audácia de telefonar para o Maestro Camargo Guarnieri, convidando-o para paraninfo; o notável compositor aceitou, dando início a uma profícua relação não só com a UFG mas também com a Música e músicos de Goiás- (anos depois, recebeu o título de Doutor Honoris Causa concedido pela UFG)“.

Formatura no Conservatório Goiano de Música (1960)
Yara Moreyra; Glacy Antunes; Maestro Camargo Guarnieri
Acervo Yara Moreyra

Como Professora de Piano e Música de Câmara, orientou incontável número de pianistas, hoje atuantes como professores, solistas e cameristas pelo mundo.

Foi fundadora do MVSIKA, Centro de Estudos, reconhecido por especialistas como um marco no Brasil quanto à Didática da Música, do Teatro, da Dança, das Artes Integradas.

Detentora de inúmeros prêmios, a pianista Glacy tem se apresentado como solista e camerista ao lado do Maestro e flautista Norton Morozowic.

Glacy Antunes, piano – Norton Morozowicz, flauta

Em 2019 Glacy Antunes de Oliveira  foi agraciada com o Título de Professora Emérita da Universidade Federal de Goiás. Em seus quase sessenta anos de existência, a UFG conferiu esta honraria, à Pianista Belkiss S. Carneiro de Mendonça,  a Maestrina Maria Lucy Veiga Teixeira (Dona Fífia),  e,   em 10 de junho de 2019 à Professora e Pianista Glacy Antunes de Oliveira.

Profa. Glacy Antunes de Oliveria recebendo o Título do Magnífico Reitor Prof. Edward Madureira (2019)

Segundo o renomado compositor Ronaldo Miranda:

“Glacy tem o seu nome inscrito na consistente escola pianística de Goiás, como ex-aluna de Belkiss Carneiro de Mendonça e como professora exemplar de uma plêiade de jovens pianistas brasileiros”.

Glacy é uma daquelas mulheres que não conhece a palavra impossível. E, por onde passa faz total diferença! Realiza, incentiva, acolhe, fazendo a música e as pessoas melhores por onde passa.

Ouviremos uma restauração do Concerto para piano n.5  em mi maior, opus 73,  conhecido como Concerto do Imperador de L. van Beethoven,  com a pianista Glacy Antunes de Oliveira de fragmentos de reportagens sobre o Festival de Música de Blumenau em 1990, sob a Direção Artística de Norton Morozowicz, com a Orquestra de Câmara de Blumenau e renomados professores e músicos convidados que integraram a orquestra do Festival.

Observe os aspectos militares e simbólicos do Concerto Imperador que caracterizam seu estilo heróico interpretado pela grande pianista Glacy Antunes de Oilveira

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DIA DO COMPOSITOR BRASILEIRO

uma criação de Herivelto Martins
Herivelto Martins (1912 – 1992)

Anualmente no dia  7 de outubro celebra-se  o Dia do Compositor Brasileiro. 

A data foi criada em 1948 pelo compositor Herivelto Martins (1912 – 1992), que integrou a União Brasileira dos Compositores (UBC) na década de 40.

O cantor e compositor, foi grande incentivador da música brasileira e colaborou grandemente para a valorização dos músicos no país.

Segundo sua filha, a atriz  Yaçanã Martins:

Yaçanã Martins (1954)

“Ele não só criou a data como fundou a União Brasileira de Compositores e ajudou a regulamentar a profissão. Pixinguinha cruzava com ele na rua e dizia: ‘devo a minha aposentadoria a esse homem’.

Herivelto Martins , compositor de vasta obra, tem sua carreira consolidada com a difusão do rádio,  expansão da indústria fonográfica e do cinema falado.

O Rio de Janeiro vivia o auge cultural reunindo renomados artistas.  Herivelto afirma-se como compositor, ao lado de Noel Rosa, Ary Barroso, João de Barro e Lamartine Babo.

Segundo Zuza Homem de Melo:

“ao integrar o coro da RCA Victor no início dos anos 1930, fica conhecido pelo hábito de introduzir breques nas gravações”

Foi na RCA que Herivelto conheceu seu parceiro Francisco Sena. Juntos formaram o Duo Preto e Branco cuja qualidade vocal chamava atenção da crítica especializada . É uma das primeiras formações a cantar em dueto, se diferenciando do esquema “pergunta e resposta”, muito comum na época.

Francisco Sena (1900 – 1935) e Herivelto Martins (1912 – 1992)

No fim dos anos 1930, após a morte de Sena e sua substituição por Nilo Chagas, Herivelto conhece Dalva de Oliveira, com quem se casa e tem uma conturbada relação amorosa.

Trio de Ouro – Nilo Chagas, Herivelto e Dalva de Oliveira

Com Dalva (1917 – 1972) e Nilo Chagas (1917 – 1973), forma o conjunto vocal Trio de Ouro, que inova, mais uma vez, ao trazer duas vozes masculinas e uma feminina.

As brigas conjugais entre Herivelto e Dalva atingem a mesma repercussão do sucesso do Trio de Ouro, e os jornais e revistas, ligados à crônica do meio artístico, noticiam os ataques mútuos do casal que  troca acusações por meio de sambas-canções.

Um dos grandes sucessos do compositor Herivelto é Ave Maria no Morro(1942). A composição está entre uma das obras da música popular brasileira mais gravadas.

Nos anos 1960, mesmo considerada uma heresia pelo  então cardeal Sebastião Leme, passa a ser cantada nas missas. Entre os intérpretes dessa canção estão Sarita Montiel, Wilson Simonal, Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, Gal Costa, Baby Consuelo, Milton Banana e Eduardo Araújo, Emilio Santiago e Pery Ribeiro, filho do casal  Dalva de Oliveira  e Herivelto Martins.

Pery Ribeiro (1937 – 2012)

Ouviremos Ave Maria no Morro interpretado por Pery Ribeiro; orquestra e coro sob a direção do Maestro Norton Morozowicz e direção Geral Helio Brandão (gravação em Curitiba – Teatro Positivo, 2010).

Observe! Ave Maria no Morro é um samba-canção, espécie de oração, que traduz a vida nos morros cariocas.

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JÁ VEM CHEGANDO A PRIMAVERA

obra coral de Henrique de Curitiba

Ipê Amarelo (Goiânia – Goiás)

A primavera é uma das quatro estações do ano. Ela ocorre após o inverno e antes do verão. No Brasil, ela tem início em 22 de setembro e termina no dia 21 de dezembro. É um período no qual ocorre o florescimento de várias espécies de plantas, a natureza fica bela, presenteando o ser humano com “tantas lindas flores, mil aromas no jardim”…

O renomado compositor brasileiro Henrique de Curitiba (1934-2008), que tinha certa predileção pela música coral, anunciava a chegada da primavera em uma obra escrita para coro intitulada “Vem chegando a primavera”, composta em 1994 e revista pelo autor em 1998.

Henrique de Curitiba (1934 – 2008)

Nascido em uma família de artistas, tanto ele quanto os irmãos Norton e Milena Morozowicz são nomes consagrados internacionalmente. A avó Natalia Morozowicz foi atriz na Polônia, a mãe, Wanda Lechowski, era pianista amadora, e, o pai, Tadeu Morozowicz, bailarino e coreógrafo formado no Teatro Nacional de Varsóvia e na Escola Imperial de Ballet de Saint Petersburg, na Rússia. Professor Tadeu foi o criador do primeiro curso de ballet do Paraná, na Sociedade Thalia, em Curitiba.

Wanda, Milena, Tadeu e Henrique

Vivendo a maior parte de sua vida na capital paranaense, passou por diversas cidades e países, inclusive Goiânia, onde morou por alguns anos. Compôs, ao longo de sua vida, mais de 150 obras. Com uma produção consistente, é considerado: “um de nossos melhores compositores neoclássicos”.


Henrique e a avó Natalia Morozowicz na Polônia

A última obra escrita por Curitiba antes de sua morte foi uma obra coral, O Verão, parte do esboço para a Suíte Coral – Quatro Estações.

Em conversa informal, que mantivemos em janeiro de 2008 em Curitiba, Henrique contou que a Suíte das Estações estava sendo concluída e seria integrada por Já vem a Primavera (1994), Outono Dolente (2007) e O Verão (2008).

Curiosamente, o inverno era estação que Henrique não apreciava.  Sua partida em fevereiro de 2008, impossibilitou a composição da obra Inverno. A Suíte das Estações findou no Outono Dolente.

O Maestro  Samuel Kerr disse:

“Sempre, encarando o coro como um organismo vivo e sempre abrindo espaço para a criatividade, Henrique agiu como homem de seu tempo, sensível às transformações e preocupando em criar uma música que fosse amada pelo executante e fruída pelo ouvinte”

 “Já vem a Primavera”, anuncia de forma magistral a estação que ora se inicia.

Ouviremos a interpretação do coro estadunidense “San Francisco Chamber Choir” sob a regência do maestro Johua Habermann com edição do Maestro Norton Morozowicz.

Henrique e Norton Morozowicz

Observe a beleza da sonoridade e o refinamento dessa interpretação.

Viva a Primavera! Que ela traga além de belas flores no jardim , CHUVA!

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O DIA DO FREVO

14 de Setembro – Dia Nacional do Frevo

“Frevo Dança de Carnaval” – Cândido Portinari

O Dia Nacional do Frevo é comemorado em 14 de Setembro, em homenagem ao jornalista Osvaldo da Silva Almeida, que foi, segundo pesquisas, o criador da palavra Frevo, tendo sido escolhido a sua data de nascimento, 14 de Setembro de 1882 como a data de homenagem.

Vale ressaltar, no entanto, outra data comemorativa para o Frevo: 9 de fevereiro, em função de ser a data em que historiadores identificaram a primeira aparição da palavra frevo, em 1907.

Dança folclórica típica do carnaval de rua, o frevo é uma das principais danças tradicionais brasileiras e uma das manifestações culturais mais conhecidas na região nordeste do Brasil, se destacando principalmente no carnaval das cidades pernambucanas – Olinda e Recife.

Olinda – Pernambuco

Segundo historiadores, o Frevo tem origem no século XIX em Pernambuco, onde surgiu da rivalidade entre as bandas militares e os folguedos de escravos libertos.

Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevo, em que capoeiristas saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu estandarte.

Heitor dos Prazeres (1889-1966)

A dança frenética, de ritmo muito acelerado surgiu em um tempo histórico igualmente agitado em termos políticos e sociais, quando se vivenciava o momento pós-abolicionista. 

Os passos do frevo são bem complicados, usa-se uma sombrinha ou guarda-chuva aberto enquanto se dança para manter o equilíbrio.

sombrinhas

Usados como armas de ataque e defesa durante os blocos de rua que saíam pelas ruas de Recife, segundo historiadores, os porretes foram os precursores das graciosas sombrinhas que passaram a se associar indistintamente ao frevo.

De acordo com o historiador Junior Viegas, foi o aumento da presença das mulheres no  Carnaval que levou as sombrinhas a diminuírem de tamanho e se tornarem adereços da folia, pintadas com as cores da bandeira de Pernambuco. Logo, a presença das sombrinhas também se incorporou à dança.

“Frevo” – Candido Portinari

 O frevo é tocado, podendo em alguns casos, ser cantado. Há ainda uma forma mais lenta de frevo que é chamada de “frevo canção” ou “frevo de bloco”.

Não se sabe, ao certo, se o Frevo surgiu primeiro como dança ou como música. Valdemar Oliveira, autor da Publicação “Frevo, Capoeira e Passo” (1942) afirma:

“Creio que não há no mundo um binário tão sacudido, tão pessoal, tão típico como o frevo, nem dança tão estranha e tão expressiva pelos seus modos como o passo”.

Para comemorar o dia Nacional do Frevo que ocorreu ainda essa semana, ouviremos o Frevo (para piano a quatro mãos) do compositor brasileiro Ronaldo Miranda (1948) interpretado pelo Duo Bretas-Kevorkian.

Ronaldo Miranda (1948)

A obra foi composta em 2004, por encomenda do Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro para o Projeto “Do Outro Lado do Carnaval”, com objetivo de mostrar a música de concerto no contexto do carnaval

Observe que FREVO vem do vocábulo “Frever” ou ferver, em alusão ao comportamento da multidão, dançando ao som das sincopas contagiantes desta dança carnavalesca. A linguagem harmônica da obra revela a maturidade de Ronaldo Miranda, utilizando livre combinação de elementos tais como: politonalismo, modalismo e o emprego de estruturas quartais.

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SIGISMUND NEUKOMM (1778-1858)

A chegada da corte ao Rio de Janeiro e a nova maneira de observar o mundo das artes
Sigsmund Neukomm(1778-1858).

Embora a comitiva real tenha sido recebida com grande festa, o Rio de Janeiro não estava preparado para atender toda a estrutura da corte. Dom João VI precisou implementar inúmeras medidas para tornar a capital do império uma cidade habitável para sua corte.

Chegada do Príncipe D. João, da família real e da Corte à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, missa comemorativa da chegada ao RJ
Óleo sobre tela. Armando Martins Viana. Século XX. Museu da Cidade, Rio de Janeiro

Quando a Família Real Portuguesa adentrou a Baia de Guanabara em 1808, o Rio de Janeiro era uma cidade colonial de população diversificada, ruas estreitas e vida cultural escassa.

O grupo que acompanhou o Rei nesse trajeto era bem diverso e nele também estavam artistas europeus que passaram a influenciar o estilo e as práticas de músicos coloniais, construindo uma nova percepção do gosto e uma nova maneira de observar o mundo das artes.

A pedido de Dom João VI, Antônio de Araújo Azevedo, o Conde da Barca, idealizou a Missão Artística Francesa, com o propósito de fundar a Real Escola de Belas Artes.

Academia Real de Belas Artes, projetado por Grandjean de Montigny
 Visto em três diferentes épocas
o aspecto do edifício em 1826, quando contava somente com o andar térreo; vista mais acima, aparece com um segundo andar acrescentado; o edifício é visto em sua última aparência, antes da demolição, com alguns acréscimos configurando um terceiro pavimento

A  missão artística, composta por personalidades de reconhecido talento, os pintores Jean Debret (1768-1848) e Nicolas Antoine Taunay (1755-1830), escultores como Auguste Taunay (1768-1824) e arquitetos como Grandjean de Montigny (1777-1850), entre outros, desembarcaram no Rio de Janeiro em 1816

Passados poucos meses do desembarque no Rio de Janeiro da “missão artística” francesa, aporta em terras brasileiras outra comitiva francesa, a do Duque de Luxemburgo, que tinha como um de seus objetivos o restabelecimento das relações franco-portuguesas. Junto com os diplomatas ligados ao Duque de Luxemburgo vieram também o naturalista Auguste de Saint Hilaire (1779-1853) e o compositor Sigsmund Neukomm(1778-1858).

Retrato de Augusto de Saint Hilaire(1779-1853)
 óleo sobre tela – Henrique Manzo(1896 – 1982)
Acervo do Museu Paulista da USP

O compositor austríaco Sigismund Neukomm foi um dos músicos europeus que deixou sua marca e influenciou a música brasileira.

Sigsmund Neukomm(1778-1858)

A circulação de músicos estrangeiros no Rio de Janeiro joanino foi importante para o estabelecimento de uma prática de corte, para sustentar a demanda de música e, sobretudo, ajudar a constituir um novo gosto, baseado em práticas cortesãs. (MONTEIRO, 2008, p. 61)

Sigismund Ritter Neukomm nasceu em Salzburg em 10 de julho de 1778 e teve como professor de música Joseph Haydn (1732-1809). Permaneceu no Brasil entre os anos de 1816 e 1820. Ministrava aulas de música para a Família Real e para membros da elite carioca. Admirava e ajudava talentos brasileiros como Padre José Mauricio Nunes Garcia(1767-1830) e Francisco Manuel da Silva(1795 -1865).

O envolvimento de Neukomm com as práticas musicais brasileiras exerceu influência tanto em sua própria obra, como   na vida artística do Rio de Janeiro joanino.

 Ouviremos do compositor austríaco, obra composta em 1819, no Rio de Janeiro, intitulada  O Amor Brasileiro –  capricho para pianoforte sobre um lundu brasileiro interpretada pelo pianista carioca Arnaldo Estrella (1908 -1980).

Retrato do Pianista Arnaldo Estrella(1908 -1980)
Nanquim sobre papel, 1942
Arpad Szenes (1897 – 1985)
 

Observe o amalgama cultural entre o Brasil colonizado e a cultura colonizadora.

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HINO NACIONAL BRASILEIRO

curiosidades


Hino Nacional Brasileiro

Hino Nacional Brasileiro é um dos quatro símbolos oficiais da República Federativa do Brasil.

Hino Nacional Brasileiro que conhecemos hoje, não foi composto com a essa finalidade. A melodia de Francisco Manoel da Silva (1785-1865), que tem letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927), foi incorporada ao hino original cerca de quarenta e quatro anos após a morte do compositor da melodia.


“O maestro Francisco Manuel ditando o Hino Nacional
Óleo sobre tela (1850) por  José Correia de Lima  (1814 -1857)

O maestro e compositor Francisco Manoel da Silva nasceu no Rio de Janeiro e deixou boa quantidade de obras, que estão espalhadas em arquivos cariocas, mineiros e paulistas e abrangem música sacra, modinhas e lundus, além do famoso Hino Nacional Brasileiro.

Francisco Manoel teve grande destaque na vida musical do Rio de Janeiro no período compreendido entre a morte de Padre José Maurício Nunes Garcia (1830) e o apogeu de Carlos Gomes (Segundo Império), e muito contribuiu para a história da música no Brasil, pois fundou, entre outras instituições, o Conservatório Imperial de Música(1848). 


Museu Nacional, onde funcionou o Conservatório de Música de 1848 a 1854,
Campo da Aclamação, atual Praça da República.
 

Quando, em 7 de abril de 1831, D. Pedro I (1798-1834) foi  aconselhado a renunciar e abdicar do trono em favor de seu filho Pedro II (1825-1891), a época com apenas 5 anos de idade, Francisco Manoel compôs a música do atual hino que, em primeira execução, apareceu com letra de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva.

Em 1841, na coroação de Pedro II, esse hino foi executado novamente, com letra diferente da primeira – e de autor desconhecido. A melodia seguiu sendo executada sem letra, em solenidades civis e militares, até a Proclamação da República em 1889

Coroação de Pedro II, 18 de dezembro de 1841

Considerando uma herança do Império, em janeiro de 1890,  houve um concurso, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, para a escolha, entre 29 candidatos, de um novo Hino Nacional Brasileiro que representasse a República Brasileira.

O vencedor do concurso foi Leopoldo Miguéz (1850-1941). Curiosamente, depois de executados os hinos concorrentes e escolhida a obra de Miguéz, o proclamador da República, Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), preferiu o Hino de Francisco Manoel e o manteve como Hino Nacional apresentado sem letra.

Leopoldo Miguéz (1850-1941)

Deodoro da Fonseca  decidiu então que ao vencedor da música, Leopoldo Miguéz, e letra, José Joaquim Medeiros e Albuquerque, caberia o título de “Hino da Proclamação da República”. O Brasil passava então a ter o seu hino oficializado, porém, de forma incompleta, pois, faltava-lhe a letra.

Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892)

Assim, oficializado o concurso, foi assinado o Decreto n° 171, de 20.01.1890, que conservava o “Hino Nacional” e adotava o “Hino da Proclamação da República”.

Tal situação permaneceria ignorada até julho de 1909, quando o governo instituiu um novo concurso “para escolha de uma composição poética a se adaptar com todo o rigor à melodia do Hino Nacional”.

O vencedor desse concurso foi o poeta Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927) que ainda esperaria vários anos para afinal ser declarada oficialmente a letra do “Hino Nacional Brasileiro”, pelo Decreto n°15.671, de 06.09.1922.  

 Ouviremos uma gravação histórica da música de Francisco Manoel da Silva com letra de autor desconhecido utilizado na celebração nacional, em 1840, na coroação do jovem dom Pedro II de Bragança.

Observe, foi um hino tão representativo do império, que até os dias de hoje, é um dos símbolos oficiais da República Federativa do Brasil.

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A MÚSICA NA VIDA DE PEDRO LEOPOLDINA

o gosto pela música do casal imperial

Casamento de Pedro e Leopoldina (alegoria)
Coleção do Museu Histórico Nacional

Em continuidade aos assuntos da música no império, abordaremos o gosto musical do casal Pedro I e da Princesa Leopoldina.

Aos vinte anos a princesa Leopoldina (1797 – 1826) casou-se por procuração com Pedro de Alcântara (1798-1834), futuro D. Pedro I do Brasil e Pedro IV de Portugal.

Naquela época, o casamento entre nobres significava um tratado de relações exteriores, visando interesses políticos e econômicos entre os países envolvidos. Foi pensando em uma boa aliança com a Áustria que D. João VI decidiu casar seu filho com uma arquiduquesa de uma das famílias imperiais mais tradicionais, ricas e poderosas da Europa.

Embora a vida musical de Dom Pedro I não seja muito divulgada, sua ligação com as artes era bem acentuada. Seu professor de música em Lisboa, Marcos Portugal (1762 – 1830), chega ao Rio de Janeiro três anos após a chegada da família real, sendo músico de grande prestígio na corte de Dom João VI.


Marcos Portugal
(Lisboa, 24 de Março de 1762 – Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 1830)

Já o responsável pela formação musical de Leopoldina, na Áustria, foi o pianista, professor e compositor nascido na Boêmia (atual República Tcheca), Leopold Koželuh (1747-1818), um dos mais destacados compositores tchecos da Viena do século XVIII.

Leopold Koželuh (1747-1818)
Nicholas Boylston” (1767), óleo sobre tela, 125 x 99,5 cm, do pintor John Singleton Copley, contemporâneo de Kozeluch (Harvard University, Cambridge)

O gosto pela música tanto da princesa como do jovem Pedro foi o primeiro elo de interesse do casal. Os jovens acompanhavam regularmente peças, óperas e concertos, sendo incansáveis na promoção de apresentações musicais na corte.


Hino da Independência (1922)
Augusto Bracet
Óleo sobre tela 2500x 1900 cm
Rio de Janeiro, Museu Histórico Nacional

Na habitação real havia uma sala de música com três pianos, ambiente muito utilizado para o convívio do príncipe e da princesa.

A princesa Leopoldina relatou em carta escrita à tia Maria Amélia em 24 de janeiro de 1818:

durante o dia, estou sempre ocupada a escrever, ler e tocar música; como meu esposo toca muito bem quase todos os instrumentos, costumo acompanhá-lo no piano e, desta maneira, tenho a satisfação de estar sempre perto da pessoa querida”.

(KANN, 2006, p. 237).

Leopoldina, ao se casar com o Príncipe dom Pedro I não sabia muito bem o que a esperava no Novo Mundo, a princesa trouxe então para o Brasil além de grande comitiva composta de pintores, cientistas e botânicos europeus, um grande acervo de partituras, hoje pertencentes a Coleção Thereza Christina Maria da qual falamos no ultimo post.

Muito amada pelos brasileiros, Leopoldina viveu, no Rio de Janeiro, em uma corte pobre e repleta de problemas. Culta, preparada e caridosa, a princesa austríaca foi retratada, até pouco tempo, como uma mulher melancólica e humilhada com os escândalos e relações extraconjugais do príncipe.

Princesa Leopoldina (1797 – 1826)

A historiografia mais recente tem reivindicado à biografia de Maria Leopoldina uma imagem menos passiva na história nacional. Muito além de uma princesa acanhada e melancólica, Leopoldina teve grande destaque na cultura e na política brasileira.

Incansável na promoção de apresentações musicais na corte, particularmente das obras dos compositores de sua terra natal, a Áustria, a Imperatriz Leopoldina  não só era patrona da música, mas também tinha muito interesse em praticá-la. Ao trazer para o Brasil seu acervo de partituras, e praticar estas obras em terras brasileiras, a Princesa Leopoldina contribuiu fortemente para a mudança da forma de compor de compositores que viveram e ou nasceram no Brasil deste tempo histórico.

Outro importante compositor que também fez parte dessa história, é o austríaco Sigismund Neukomm (1778-1858), ministrou aulas para o casal de príncipes produzindo na corte de Dom João VI, no Rio de Janeiro, inúmeras obras musicas.

Ouviremos do compositor S. Neukomm – as “Variações Kozeluch” para Violoncelo e piano interpretado pelo violoncelista Fábio Presgrave e o pianista/pesquisador Max Uriarte.

Sigismund Neukomm (1778-1858)

Observe que essa obra retrata a relação entre os dois dos professores da Princesa Leopoldina. Kozeluch, seu professor na Áustria, e, Neukomm professor no Rio de Janeiro.

Segundo o pianista/pesquisador brasileiro Max Uriarte:

“Neukomm escreveu as variações sobre um tema de Kozeluch no Rio de Janeiro em 1817 a pedido da princesa Maria Leopoldina, futura imperatriz do Brasil. (…) A parte de violoncelo é intencionalmente de secundária importância (tem um único solo, na segunda variação), estando à música mais concentrada na parte de piano. É possível também que Leopoldina tenha executado a obra com seu marido D. Pedro I, futuro imperador do Brasil, ao violoncelo”.

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COLEÇÃO THEREZA CHRISTINA MARIA

um tesouro escondido no terceiro andar do Palácio Capanema

Dom Pedro II, Imperatriz Thereza Christina Maria e as Princesa Isabel e Princesa Leopoldina

Justamente na semana das comemorações do Dia do Patrimônio Histórico, surgiram rumores de intenção de leiloar o Palácio Capanema.

Palácio Gustavo Capanema (Rio de Janeiro)

Segundo o site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o projeto do Palácio Capanema , foi desenvolvido por uma equipe de arquitetos chefiada por Lúcio Costa, com a participação de Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira, Carlos Leão e Ernany de Vasconcelos, a partir de estudos deixados por Le Corbusier durante sua estadia no Rio de Janeiro, em 1937.

O edifício tombado pelo Iphan em 1948, representa o marco da arquitetura moderna em nosso país. A área ocupada pelo prédio de 16 pavimentos possui jardins, projetados por Burle Marx.

No terceiro andar do Palácio Capanema, está o acervo de música da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Com mais de 250 mil peças, reúne uma vasta coleção de livros, partituras, fotografias, programas de concerto, manuscritos e libretos de ópera, todos eles guardando alguma relação com a história da música no Brasil e no mundo, de fundamental relevância para pesquisadores e musicólogos.

Abordaremos hoje, parte desse acervoA Coleção Thereza Christina Maria.

Segundo Pedro Persone:

“A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro abriga um verdadeiro tesouro na sua Divisão de Música: o acervo musical da Coleção Theresa Christina Maria. Vasto e praticamente inexplorado, esse acervo contém partituras trazidas e/ou adquiridas pelas imperatrizes Leopoldina (1797-1826) e Theresa Christina (1822-1889)”

Acervo dessa coleção é constituída de partituras em primeira edição, livros raros e periódicos que pertenceram às Imperatrizes Dona Leopoldina (1797-1826), e Dona Thereza Christina Maria (1822-1889). Dona Leopoldina era uma colecionadora compulsiva e dela eram a maioria das partituras do acervo, muitas das quais vieram com ela de sua Áustria natal.

Dona Leopoldina (1797-1826)

A doação dessa coleção foi feita por Dom Pedro II (1825-1891), já no exílio em Portugal, após a proclamação da República em 1889, juntamente com outras relíquias: livros, documentos, fotografias, coleções, objetos de sua propriedade particular, ao povo brasileiro, com o propósito de que o nome de sua esposa, Thereza Christina, fosse sempre lembrado pelos brasileiros.

Dom Pedro II (1825-1891),



O conjunto de obras musicais da Coleção Thereza Christina Maria, pertencente ao acervo de Música e Arquivo Sonoro da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro é mesmo um verdadeiro tesouro. Criada em 1952, a Divisão de Música foi formada principalmente pela Coleção da Real Biblioteca Nacional, levada para o Rio de Janeiro pela corte portuguesa em 1808. A Coleção Thereza Christina Mariafoi formada a partir de doações de Dom Pedro II e pela aquisição do acervo da biblioteca do colecionador cearense Abraão de Carvalho em 1950.

A princesa Thereza Christina de Bourbon, que dá nome a coleção, nasceu em Nápoles em 14 de março de 1822 e morreu no Porto – Portugal em 28 de dezembro de 1889. Essa filha mais nova do rei Francisco I e sua segunda esposa, Maria Isabel de Bourbon, fez com o futuro Imperador Pedro II, em 1843, um casamento “arranjado” como era o costume daquela época. Era mulher culta e tinha profundo interesse por arqueologia, e trouxe ao Brasil nao só as suas coleções de arte, mas também uma comitiva de artistas, intelectuais, cientistas, músicos e artesões, como sua sogra, Dona Leopoldina, fizera tantos anos antes.

Theresa Christina de Bourbon (1822-1889)

 Adentrar por este precioso acervo, nesse prédio histórico,  é uma maneira de conhecer melhor a nossa tradição e também a significativa presença da música europeia no Brasil imperial.

As sonatas a quatro mãos de Mozart fazem parte da coleção e foram manuseadas  e interpretadas pela Princesa Leopoldina e pelo compositor Sigsmund Neukomm(1778-1858) na corte de Dom João V no Rio de Janeiro.

Sigsmund Neukomm(1778-1858)

Ouviremos a Sonata K 521 a quatro mãos de W. A. Mozart (1756 – 1791) interpretada pela pianista argentina Marta Argerich  (1941) e pelo pianista russo Evgeny Kissin (1971)

Observe a elegância e surpresas apresentadas nessa sonata de Mozart.  

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“ANTÔNIA – UMA SINFONIA”

um filme sobre mulheres silenciadas na música

Por  indicação de amigos, assisti recentemente, mais um filme que trata de música de concerto.

 Essa semana falaremos de um filme emocionante – “Antônia, Uma Sinfonia.

O longa narra a vida de uma mulher que nasceu na época errada: Antônia Brico (1902-1989) entrou para a história como a primeira mulher a reger, com sucesso, uma grande orquestra, como a filarmônica de Berlim e a de Nova York, isto na década de 1930.

O filme,  “Antônia, Uma Sinfonia”,  brilhante na narrativa da história de  mulheres silenciadas e segregadas, com produção belgo-holandesa,  está  atualmente disponível na  NETFLIX,  e,  se passa entre as cidades de Amsterdã, Berlim e Nova York.


Christianne de Bruijin (1986) como wIlly

A jovem pobre holandesa, migrante nos Estados Unidos na década de 1920, tem um sonho dito impossível: se tornar uma regente. Imersa em um mundo dirigido e vivido por homens, Willy aprendeu cedo a tocar piano,  mas o que ela realmente almeja é estar a frente de uma orquestra.

Christianne de Bruijin (1986) no Filme Antonia uma sinfonia

Nada é fácil para Willy. Ela encontrará diversos empecilhos na sua jornada para se tornar quem nasceu para ser.

Christianne de Bruijin (1986) como wIlly

No caminho, ela conhece o belo e rico Frank Thomsen vivido pelo ator britânico Benjamin Wainwright com quem vive uma história de amor renunciado pela busca de realizar seu sonho profissional.

Christianne de Bruijin e Benjamin Wainwright em Antônia uma sinfonia

E um grande amigo, Robin Jones, vivido pelo artista transgênero, o americano  Scott Turner Schofield.

Scott Turner Schofield em Antônai uma sinfonia

A verdadeira Antonia Louisa Brico (1902 – 1989)  nasceu na Holanda e migrou para a Califórnia (EUA) com seus pais adotivos e tentou com muita bravura colocar seu nome na história.

Antônia Brico (1902-1989)

Antônia, Uma Sinfonia foi baseada em documentário sobre a vida da regente intitulado Antônia: A Portrait of a Woman realizado por Jill Godmilow (1943), com a ajuda da antiga aluna de Antônia, Judy Collins lançado em 1974.

A verdadeira Antônia morreu em 1989 aos oitenta e sete anos vítima de doença prolongada. Ela viveu na casa de repouso Bella Vita Towers, em Denver até 1988.

Ainda hoje, há poucas mulheres no universo da regência. Felizmente a história está começando a mudar.

Atualmente a diretora musical da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) é uma mulher,  a nova-iorquina Marin Alsop (1956). E, uma nova geração de regentes brasileiras também está se formando e surgindo no cenário musical.

Marin Alsop (1956)

Ouviremos o quarto movimento (PRESTO) da Nona Sinfonia de  Ludwig van Beethoven (17770 – 1827) com a Orquestra sinfônica do Estado de São Paulo com a participação do coro acadêmico da Osesp e Coro da Osesp  sob a regência de Marin Alsop; e os solistas Lauren Snouffer,  Denise de Freitas,  John Mark Ainsley e Paulo Szot.

Observe! A nona sinfonia é uma das obras mais conhecidas do repertório ocidental, considerada tanto ícone quanto predecessora da música chamada “romântica” e uma das grandes obras-primas de Beethoven. Aproveite!

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