MÚSICA RUSSA DE CONCERTO

Produziu obras e nomes entre os mais importantes da cultura universal nos últimos duzentos anos

A Revolução Bolchevique de 1917 instaurou a União Soviética e transformou o Império Russo numa confederação de repúblicas socialistas. Atrás da “cortina de ferro” a União Soviética adotou o realismo socialista como estética oficial influenciando todas as gerações de músicos do século XX.  

Quem são estes músicos? Como é a música na Rússia? No que diz respeito à música folclórica há um som bem distinto de um instrumento de cordas com sonoridade bem peculiar, “a Balalaica”.   KalinkaKatiushaPoliushka Poliê e Suliko são algumas das  canções que compõem o repertório tradicional.

Balalaica

Já a musica de concerto produziu obras e nomes entre os mais importantes da cultura universal nos últimos duzentos anos. Os balés de Tchaikovsky, o afamado “grupo dos cinco” formado por Balakirey, Mussorgsky, César Cui, Kosakoy e Borodin, que influenciaram e formaram uma geração de sucessores representados pelos músicos: Stravinski, Prokofiev, Rachmaninov, Shostakovitch, Alyabyev, Glinka, Khachaturian, Scriabin e tantos outros.


Peter Ilyich Tchaikovsky (1840 – 1893)

A partir de consulta feita nas redes sociais sobre qual compositor russo falar no Papo Musical, o vencedor da enquete foi Alexander Nikolayevich Scriabin (1872 – 1915). O compositor e pianista russo iniciou com um estilo de composição tonal, inspirado na linguagem harmônica do afamado compositor polonês, da era romântica, Frédéric Chopin (1810 – 1849). Scriabin tinha apego ao passado e uma mente imaginativa que o transportava ao futuro.

Alexander Nikolayevich Scriabin (1872 – 1915)

O compositor russo desenvolveu, no decorrer de sua carreira, uma linguagem musical altamente  atonal que pode, atualmente, ser comparada com composições dodecafônicas e serialistas. É  considerado uma das figuras mais importantes da escola russa de composição do inicio do período moderno. Para o compositor austríaco, Arnold Schoenberg (1874 – 1951), criador do dodecafonismo,

Arnold Schoenberg (1874 – 1951)

“Scriabin é um dos mais originais, fascinantes, enigmáticos, revolucionários […] compositores do século”.

O compositor russo buscava incansavelmente uma linguagem própria emoldurada pelo período romântico, que se caracteriza pela valorização da individualidade dos artistas.  Seu catálogo de obras é prioritariamente composto por obras para piano solo, que inclui prelúdios, estudos, noturnos, valsas e mazurcas, entre outras formas musicais.  

A Grande Enciclopédia Soviética revela:

Nenhum compositor foi mais desprezado e ao mesmo tempo mais agraciado por amor…”.

Ouviremos o Estudo N.5 opus 42 de Alexander Scriabin interpretado pelo pianista russo Evgeny Kissin (1971).

Evgeny Kissin (1971)

Observe a identidade musical de Scriabin nesse estudo. Contrapondo com o seu misticismo há um pensamento bastante racional no que se refere à construção musical – geométrica e harmoniosa como a matemática. Scriabin é “Patologicamente Megalomaníaco”, e, ainda assim, extraordinário.

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UFG RECEBE IMPORTANTE ACERVO DE JOSÉ EDUARDO MARTINS

O pianista pesquisador do repertório não frequentado
José Eduardo Martins (1938)

O pianista e pesquisador brasileiro José Eduardo Martins nasceu em São Paulo em 1938. Oriundo de uma família dedicada às artes e ao conhecimento. O pai, o português José Martins, dedicou a fazer dos filhos homens que viriam ao mundo para fazer diferença. Dentre seus irmãos, o renomado jurista Ives Gandra Martins (1935) e o maestro João Carlos Martins (1940), que desde muito cedo iniciaram o estudo do piano.

José Eduardo Martins aos 9 anos de idade

Professor titular aposentado da Universidade de São Paulo – José Eduardo desenvolveu uma brilhante carreira como pianista e pesquisador. Possuidor de um rico acervo musical constituído de livros, revistas arbitradas e partituras, Martins escolheu a Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, para ser a beneficiária desse rico material bibliográfico.

Segundo Martins:

“O fato da UFG se encontrar distante do eixo geográfico São Paulo e Rio de Janeiro, que concentra as Universidades Federais e Estaduais com suas bibliotecas bem próximas, fez-me pensar nessa penetração mais a Oeste de nosso país. Concentrar-me na UFG é relevante pelo fato essencial de a Universidade Federal de Goiás ser uma das mais importantes do país”.

O Pianista José Eduardo Martins entregando o acervo para os funcionários da UFG

Ademais, Goiânia e o pianista José Eduardo Martins possuem uma relação afetiva de longa data. O pianista frequenta Goiânia desde a década de 1970, ministrando aulas, participando de bancas examinadoras e recitais promovidos pela Universidade Federal, bem como, por outras entidades artísticas espalhadas pela cidade, como o tradicional MVSIKA Centro de Estudos e a já extinta Pauta Escola de Artes.

O pianista pesquisador do repertório não frequentado
Ana Flávia Frazão/José Eduardo Martins/ Gyovana Carneiro em Goiânia

Ter sido escolhida para receber um acervo desta envergadura é, sem dúvida, uma grande honraria para a Universidade Federal de Goiás. A Escola de Música pretende alocar todo o material em uma sala na EMAC/UFG que terá, por mérito, o nome do pianista José Eduardo Martins, disponibilizando o acervo para toda a comunidade acadêmica.

Martins é Doutor Honoris Causa pela Universidade Constantin Brâncuşi da Romênia e Acadêmico Honorário da Academia Brasileira de Música. Recebeu, em 2004, a Ordem do Rio Branco, uma das honrarias mais significativas do governo brasileiro. Em 2011, foi agraciado com a comenda Officier dans l’Ordre de La Couronne, outorgada pelo Rei Alberto II, da Bélgica. Recentemente, juntamente com o musicólogo e autor português Mário Vieira de Carvalho (1943), tornou-se sócio honorário da Associação Lopes-Graça em Portugal.

José eduardo Martins (1938)

José Eduardo se dedicou ao repertório não frequentado, realizando ciclos com as integrais de compositores como Debussy (1862 – 1918), Scriabin (1872 – 1915), Rameau (1683 – 1764), Moussorgsky (1839 – 1881), Fernando Lopes-Graça (1906 – 1994) entre outros. Apresentou, em primeira audição, mais de 130 composições contemporâneas de autores de vários países. Realizou a gravação de 22 CDs na Bélgica, Bulgária e Portugal, lançados pela Labor (EUA), PKP (Bélgica), Portugaler, PortugalSom/Numérica (Portugal) e pelo selo De Rode Pomp, da Bélgica Flamenga.

Ele é autor de diversos livros sobre música e de mais de uma centena de artigos publicados em várias revistas e periódicos do Brasil e do exterior, incluindo artigos para a Biblioteca Nacional de Paris, Imprensa da Universidade de Coimbra e para a Universidade de Sorbonne. Além disso, foi responsável pela redescoberta, no fim dos anos setenta, do grande compositor romântico brasileiro Henrique Oswald (1852– 1931), realizando gravações, primeiras audições e edição de partituras de inúmeras obras para piano solo e camerística com piano do compositor.  Martins é autor do livro Henrique Oswald – Músico de Uma Saga Romântica.

Henrique Oswald – Músico de Uma Saga Romântica.

“(…) Ainda bem que o pianista, durante uma pausa, entre escalas e arpejos, contemplou o compositor com um livro que fez chorar de alegria. Lá no céu”. Oliver Toni (1926 – 2017)Compositor e maestro

Ouviremos o pianista José Eduardo Martins interpretar  L’Egyptienne de Jean-Philippe Rameau (1683 – 1764).

Observe a interpretação magistral do pianista José Eduardo Martins

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O ADEUS A CHRISTOPHER PLUMMER

O capitão John Von Trapp do inesquecível filme – A  Noviça Rebelde

Christopher Plummer (1929 – 2021) 

O ator canadense Christopher Plummer (1929 – 2021)  que interpretou o capitão John Von Trapp em a Noviça Rebelde (The Sound of Music), um dos musicais mais famosos da história do cinema,  morreu aos 91 anos no ultimo cinco de fevereiro. A morte foi relatada por seu empresário que destacou seu senso de humor e sua fineza, além do talento, que alcançou várias gerações. A carreira do ator se estende por 75 anos, durante os quais trabalhou em quase 200 filmes e séries de televisão, além de ser um ator de teatro apaixonado pelas peças de  Shakespeare.

A família von Trapp no filme A Noviça Rebelde

Sua interpretação em Noviça Rebelde, no papel de capitão John Von Trapp,  foi inicialmente rejeitado por Christopher Plummer.  Curiosamente, o canadense, um homem do teatro, lamentou que sua voz tenha sido dublada em canções no filme. Anos depois, ao jornal The Guardian, confessou que havia aceitado:

“aquele maldito projeto apenas para fazer um musical no cinema”.

Segundo Plummer em entrevista à “People” (1982):

“Esses papéis sentimentais são os mais difíceis para eu fazer, especialmente porque fui treinado vocal e fisicamente para Shakespeare”. (…) “Para fazer um papel nojento como von Trapp, você tem que usar todos os truques que conhece para preencher a carcaça vazia do papel. Esse maldito filme me segue como um albatroz”.

Filme a Noviça Rebelde

Por anos, ele fez pouco de “A noviça rebelde”, considerando o filme uma “armadilha melosa”, até passar a compartilhar a opinião popular sobre o clássico, um ícone do entretenimento familiar afetuoso, no qual o ator contracena com Julie Andrews (1935).

Julie Andrews (1935) no filme A noviça Rebelde (1965)

Christopher Plummer e  Julie Andrews  ficaram conhecidos no planeta como  – A Noviça Rebelde e o Capitão Von Trapp. Até os dias de hoje são lembrados por esta brilhante atuação.

 Julie Andrews e Christopher Plummer

A Noviça Rebelde é, sem dúvidas, um dos grandes clássicos do cinema ocidental.  É praticamente impossível alguém não ter ouvido falar dele, pelo menos, uma vez, ou conhecer uma de suas inesquecíveis e encantadoras músicas. O campeão de bilheteria e um dos filmes mais assistidos de todos os tempos, é baseado em um musical da Broadway, criado por Howard Lindsay (1989 – 1968) e Russel Crouse (1893 – 1966), o qual foi adaptado da obra cinematográfica de 1956, A Família Trapp, e do livro The Story of the Trapp Family Singers, escrito pela verdadeira Maria Von Trapp. A Noviça Rebelde é inspirada em uma história real.

O casal Maria e John Von Trapp (verdadeiros)

No longa – A noviça Maria não consegue se adaptar muito bem às regras do convento, por esta razão, a Reverenda Madre resolve afasta-la temporariamente de suas atividades e a envia para trabalhar como governanta na casa da família Von Trapp, cuidando das sete crianças do viúvo John Von Trapp, Maria chega para mudar a vida de todos ali e trazer, principalmente, o amor, a alegria e a música de volta àquela casa.

Filme A Noviça Rebelde

Com um roteiro simples trabalhado de forma brilhante, o filme é impecável.  A questão do Nazismo e do Anschluss (anexação da Áustria à Alemanha Nazista) é retratada de uma forma branda, o suficiente para compreendermos um pouco do momento histórico em que a narrativa se passa. Enfim, um filme adorável, no qual a música contagia e encanta. Um programa para assistir muitas e muitas vezes.

O filme Noviça Rebelde (1955) venceu o Oscar (1966) na categoria – melhor diretor Robert Wise; e o Globo de Ouro (1966) nas categorias – Melhor Filme e Melhor Atriz –Julie Andrews.

Ouviremos o trecho do filme em que Maria (Julie Andrews)e as crianças passeiam pela Áustria cantando Dó Ré Mi.

Observe a maravilha da trilha sonora deste filme. Difícil escolher! Vale a pena ouvir cada canção deste incrível e inesquecível filme.

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CARL PHILIPP EMANUEL BACH (1714 – 1788)

Muito além de filho de Bach

Carl Philipp Emanuel Bach (1714 – 1788)

O grande patriarca da dinastia Johann Sebastian Bach faleceu em 1750 deixando um legado impressionante: além de suas centenas de obras, uma geração inteira de filhos que se dedicaram à música.

Família Bach

Um de seus 20 filhos, Carl Philipp Emanuel Bach, nasceu na cidade de Weimar em de março de 1714. Seguindo o costume da família, foi o próprio Johann Sebastian a assumir a educação musical do menino.

Johann Sebastian Bach

Curiosamente, quando, na segunda metade do século 18, se ouvia um músico europeu falar ou escrever sobre o “Grande Bach”, ele normalmente não estava se referindo ao célebre Johann Sebastian (1685 – 1750), e sim a seu segundo filho, Carl Philipp Emanuel Bach (1714 – 1788).


Carl Philipp Emanuel Bach, retratado por Franz Conrad Löhr

 Entre os vários irmãos que se tornaram músicos profissionais, Carl Philipp Emanuel Bach era considerado um vanguardista, um revolucionário, um mensageiro de uma nova época musical. Carl Philipp foi ídolo até mesmo para a geração seguinte de músicos.

Para W. A Mozart Carl Philipp era:

“(…) o pai, nós somos os filhos”.

Segundo L. V Beethoven:

“A maior parte da formação de Haydn derivou de um estudo de sua obra C. P. E. Bach”.

Em 1738, Carl Philipp recebeu uma tentadora oferta de emprego. O príncipe herdeiro Frederico (futuro Rei Frederico 2º da Prússia, apelidado “o Grande”) convidou-o para trabalhar como cravista da orquestra de sua corte. O patriarca dos Bach advertiu o filho sobre a superficialidade da música da corte prussiana: “Isso é azul-de-Berlim, desbota!”. Mas o jovem músico queria trilhar seus próprios caminhos, e aceitou a oferta do príncipe onde acabou permanecendo 30 anos.


O concerto de flauta em Sanssouci’, de Adolph Menzel (Berlim, Alte Nationalgalerie). Carl Philipp Emanuel Bach toca junto ao rei Federico o Grande, flautista, na presença de Johann Joachim Quantz y Franz Benda”

Por diversas vezes, Carl Philipp Emanuel pediu para ser exonerado do serviço prussiano. Em vão, pois Frederico, não admitia abrir mão de seu “homem do teclado”. Somente em 1768 deixaria o músico partir, quando o conselho municipal de Hamburgo ofereceu a Carl Philipp o prestigioso cargo de diretor musical das cinco grandes igrejas da cidade. Enfim,  sentia-se um artista livre: organizava seus próprios concertos, tornou-se homem de negócios autônomo, publicando suas obras através de editora própria.

Ao lançar sua primeira coleção de  “Peças de teclado para conhecedores e diletantes, a crítica nos jornais alemãesforam entusiásticas:

“Seu poder de invenção parece ser ilimitado. Cada uma de suas sonatas é um original inédito. E quando se escuta o próprio Bach tocar essas obras-primas! Ah, então a pessoa fica sem saber se admira mais o intérprete ou o compositor.”

Carl Philipp Emanuel Bach atuou durante 20 anos em Hamburgo, tornando-se um dos expoentes musicais, descrevendo assim a sua estética:

“Eu penso que a música deve predominantemente tocar o coração. Faz parte da verdadeira arte musical uma liberdade que exclui tudo o que é escravo e mecânico. Deve-se tocar a partir da alma, e não como um pássaro domesticado.”

Carl Philipp Emanuel Bach morreu em Hamburgo, cercado de honrarias. No entanto, a partir da segunda metade do século 19, ficou relegado ao segundo escalão da história da música. Ele fora o elo entre o Barroco e o Classicismo-Romantismo, perdido entre a genialidade do pai J.S. Bach e a popularidade de Haydn (1732 – 1809), Mozart (1756 – 1791) e Beethoven (1770 – 1827), passando para história como o “filho de Bach”.

Haydn, Mozart e Beethoven

Ouviremos de Carl Philipp Emanuel Bach o Concerto para Flauta em ré Menor, interpretado pelo solista Jean-Pierre Rampal (1922 – 2000), flauta, Huguette Dreyfus (1928 – 2016), harpsicórdio e orquestra de câmara sob a regência de Pierre Boulez (1925 – 2016).

Observe ao ouvir esta gravação: Tudo é extremo “Seus movimentos rápidos acontecem na velocidade do relâmpago, parecem querer fugir para outro mundo; e seus movimentos lentos são impregnados de uma incrível dramaticidade e grande profundidade”

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ODETTE ERNEST DIAS

A dama da flauta transversal no Brasil

Odette Ernest Dias (1929)

A grande dama da flauta transversal: Odette Ernest Dias – Flautista, pedagoga, pesquisadora, é uma das artistas mais importantes da atualidade. Vai completar no próximo dia 02 de fevereiro 92 anos, e, continua em plena atividade, exalando seu amor pela MÚSICA.

Odette revela:

“Nunca abro a caixa do meu instrumento sem prazer”.


Odette e quatro de seus seis filhos: Andrea e Claudia (flautistas), Carlos (oboísta) e Jaime (violonista). E ainda as netas Clarice Nicioli (flautista), Bebel e Joana Nicioli (clarinetistas), o genro Raimundo Nicioli (violonista), as noras Liliana Gayoso e Luiza Volpini (violinistas), e os netos Miguel Dias (baixista) e Lourenço Vasconcellos (percussionista), com sua companheira Renata Neves (violinista)

 Odette nasceu em Paris, seu pai, oriundo das Ilhas Maurício e sua mãe, nascida na Alsácia. Segundo palestra proferida pela flautista na Academia Brasileira de Música (ABM), foi à origem francesa que permitiu que ela “sentisse melhor o Brasil”.

Em 1952, a francesa Marie Thérèse Odette Ernest (1929) veio para o Brasil, convidada pelo Maestro Eleazar de Carvalho (1912 – 1996) para fazer parte da Orquestra Sinfônica Nacional. Integrou as orquestras da Rádio Tupi, da Rádio Mayrink Veiga, da Rádio Nacional e da TV Globo. Participou de gravações com inúmeros artistas da música popular. Exerceu as funções de solista de orquestra, recitalista e camerista. Fundou a Camerata do Rio. Atuou como professora da Pró-Arte (RJ) e ainda leciona no Conservatório Brasileiro de Música.

Maestro Eleazar de Carvalho (1912 – 1996)

No Rio de Janeiro, Odette conheceu a música brasileira e a ela se integrou. Segundo a flautista:

(…) “quando conheci Pixinguinha (…)  foi uma coisa incrível e me fascinou demais. Eu acho que aqui eu reencontrei uma coisa que já existia dentro de mim, por causa do meu pai, pois ele era uma pessoa de cultura mista, então quando eu entrei, vi coisas que eu não estranhei nenhum pouco”.

Pixinguinha (1897 – 1973)

Segundo o flautista, professor e pesquisador Raul Costa d’Avila, autor de uma tese sobre a pedagogia de Odette, defendida no Programa de Pós Graduação em Música da Escola de Música da UFBA:

“Odette cresceu em um período histórico difícil, cercada pelos horrores da guerra, obrigada a conviver diariamente com a tragédia”. Apesar disso, fazendo uma retrospectiva sobre sua vida, Odette declara:

‘hoje eu sei, olhando o passado com uma visão mais distante e ampla, e olhando o presente, que o homem nunca deve se acostumar à violência e à repressão’.

Odette Ernest Dias

Costa d’Avila ressalta que mesmo sendo criada em um ambiente social muito duro, sua educação não foi repressora, pois seu ambiente doméstico se conservou livre de qualquer preconceito racial, religioso, cultural e nacional.  Odette considera que a coisa mais preciosa que herdou de seus pais:

“foi à necessidade de lutar contra qualquer tipo de preconceito e opressão”.

Em várias entrevistas Odette ressalta as qualidades do pai, o colocando, antes de tudo, como um educador, dando ênfase ao ensino da música e do esporte com grande preocupação com a saúde, incluindo medicina natural, yoga, exercícios de respiração, higiene, cuidados corporais e alimentação.

De 1974 a 1994, Odette residiu em Brasília, fez parte do corpo docente da Universidade de Brasília (UnB), titular por notório saber, atuando como professora de Flauta, Estética e Musicologia. Empreendendo em várias frentes pedagógicas e performáticas pelo mundo.

Odette Ernest Dias na UnB

Francesa de nascimento, Odette, prestes há completar 92 anos, ainda possui o sotaque carregado da língua de origem, e, continua atuando em pesquisas sobre a formação da música brasileira. Suas pesquisas resultaram em diversos discos gravados (Sarau Brasileiro, História da Flauta Brasileira, Afinidades Brasileiras – M. A. Reichert, Modinhas sem Palavras, entre vários outros) além de artigos, livros publicados, participação em congressos especializados e recitais no Brasil e exterior.

Uma de suas produções mais recentes foi o CD “Ondas Reflexas”, em parceria  com seu neto, Lourenço Vasconcelos, tocando vibrafone.

Odette e deu neto Lourenço Vasconcelos

Ainda conforme o flautista e pesquisador Costa d’Avila: “Em um lampejo poético Odette traça um paralelo de sua vida com os movimentos de uma sinfonia, deixando transparecer que, em cada fase de sua vida, é notório como as influências do meio foram marcantes, definindo parte de suas atitudes como ser humano, artista e professora. A este respeito ela diz”:

‘Eu dividiria minha vida em quatro fases, como se fossem quatro movimentos de uma sinfonia.

I. Paris – infância, aprendizagem – tradição: Prelúdio.

II . Rio de Janeiro – entrar na vida- pessoal e profissional – atividades múltiplas  Allegro.

III. Brasília – despojamento, nudez – céu aberto – horizonte, contemplação – produção nova – Adágio.

IV. Rio de Janeiro – volta – decantação procura da essencialidade – deixar a carga, o passado para trás  Alegria  Allegro Stretto final’.

O  “furacão de emoções”, Odette, encanta com sua flauta e sua personalidade todos à sua volta. Aposentar? Nem pensar!

O horizonte recua sempre, quanto mais se caminha.[…]” Odette Ernest DIAS, 2008

Odette Ernest Dias

Ouviremos de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959) Melodia Sentimental com Odette Ernest Dias, Andrea Ernest Dias, Ruy Quaresma, e Raimundo Nicioli.

Observe a emoção e a beleza dessa interpretação de Melodia Sentimetal.

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CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE VASCO MARIZ

O incansável promotor da Música Brasileira

Vasco Mariz
(22 de janeiro de 1921 – 16 de junho de 2017)

A Academia Brasileira de Música comemora o centenário de nascimento de seu acadêmico Vasco Mariz (22 de janeiro de 1921 – 16 de junho de 2017). Mariz foi o titular da Cadeira nº 40 da ABM sendo o Patrono: Mário de Andrade (1893 – 1945) e o Fundador: Renato de Almeida (1895 – 1981).  Três ilustres personalidades da música brasileira.

Mario de Andrade(1893 – 1945) e Renato de Almeida(1895 – 1981)

 Vasco Mariz foi embaixador e musicólogo.  Segundo o compositor Ricardo Tacuchian (1939), nenhum autor brasileiro publicou mais livros sobre música brasileira do que ele. São 56, entre títulos novos e reedições, destacando-se a primeira biografia escrita sobre Villa-Lobos, atualmente na 12ª edição, incluindo as edições estrangeiras lançadas nos Estados Unidos, França, Rússia, México, Colômbia e Itália (a 1ª edição é de 1949).

Publicações de Vaco Mariz

A respeito dessa publicação, Mariz diz:

 “A fonte da pesquisa era o próprio Villa Lobos, a quem entrevistei mais de vinte vezes para escrever a biografia, que hoje está na 12ª edição e foi publicada em seis línguas no exterior, até na Rússia (1987)”.  


Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959)

Vasco Mariz estudou no Conservatório Brasileiro de Música, graduou-se em direito, iniciando logo em seguida a sua carreira diplomática. Assim que concluiu um curso de aperfeiçoamento em História Diplomática em 1947, foi indicado vice-cônsul na cidade do Porto em Portugal, servindo depois em diversas funções e cargos em Rosário; Nápoles; Washington; Nova Iorque e  Roma; até alcançar o posto de ministro em 1967, e, embaixador em 1971, designado representante do Brasil no Equador e sucessivamente em Israel; Peru e na Alemanha Oriental.

Vasco Mariz

Em sua carreira como diplomata, antes de ser embaixador, desempenhou o papel de delegado brasileiro junto a vários organismos internacionais de grande importância, e, em diversas ocasiões tais representações tinham claros propósitos culturais, desenvolvendo-se na área de história, folclore, arte e música.  

Em entrevista à Tacuchian, para Revista Brasileira de Música na ocasião dos 90 anos de Mariz, assim se pronunciou o entrevistado a respeito de suas principais iniciativas, como diplomata, em prol da música e do músico brasileiro:

“Na Argentina, no início dos anos 50, promovi vários concertos de música brasileira e lá publiquei um livro em espanhol, um de autoria coletiva sobre a música clássica brasileira. Fiquei amigo de Alberto Ginastera, o grande rival de Villa-Lobos, sobre quem depois escrevi um opúsculo. Na Itália, graças a minha amizade com o diretor do Teatro di San Carlo, de Nápoles, consegui que vários cantores brasileiros de passagem cantassem papeis em algumas óperas de diferentes temporadas. Nos Estados Unidos da América, organizei o já referido Festival de Música Interamericana e ajudei a muitos intérpretes brasileiros a dar recitais em várias cidades. No Peru, consegui, na rádio principal de Lima, um programa semanal de música brasileira que existe ainda. Obtive do Itamaraty que o saudoso Mário Tavares passasse três meses em Lima para reorganizar a orquestra sinfônica de lá, no que teve muito sucesso, e depois consegui do presidente Geisel uma condecoração para ele. Em Israel ajudei bastante as apresentações de Arthur Moreira Lima e os conjuntos de Gilberto Gil e Sérgio Mendes. Em Berlim, meu último posto diplomático como embaixador, consegui convencer o maestro Kurt Masur, então diretor do Gewandthaus de Leipzig, que a cidade de Bach fizesse uma homenagem a Villa-Lobos, autor das Bachianas Brasileiras, no ano do seu centenário, 1987”.

A música brasileira se curva ao seu grande promotor Vasco Mariz!  Em homenagem ao seu centenário, ouviremos o primeiro movimento da Segunda Sonata-Fantasia para violino e piano de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959), interpretado pela pianista goiana Ana Flávia Frazão e pelo violinista alemão Laurent Albrecht Breuninger.

Laurent Albrecht Breuninger e Ana Flávia Frazão

A obra que ouviremos foi composta em 1914, integrando parte dos concertos com obras de Villa-Lobos, apresentadas na Semana de Arte Moderna de 1922.

Observe a interpretação primorosa deste Duo, de forma muito entrosada e equilibrada, conseguem expressar todo o lirismo desta obra fenomenal

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DIA MUNDIAL DO COMPOSITOR

Para celebrar esta data, o Papo Musical escolheu Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), aniversariante do mês de janeiro.
Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

O “Dia Mundial do Compositor”  foi sugerido pela Fundação da Sociedade de Autores e Compositores na cidade do México (SACM) em 1945, mas, foi somente a partir de 1983 que o dia 15 de janeiro passou a ser  oficialmente e universalmente celebrado como homenagem aos compositores. O Brasil, por sua vez, comemora a data em dois momentos: além do15 de janeiro, no dia 07 de outubro, data dedicada ao Compositor Brasileiro.

 Para celebrar esta importante data, escolhemos Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Mozart nasceu em Salzburg, Áustria, em 27 de janeiro de 1756, tornando-se um dos compositores mais conhecidos de todo o planeta. Mozart é considerado, juntamente com Johann Sebastian Bach (1985 – 1750)  e Ludwig van Beethoven (1770 – 1827), um dos três maiores compositores da música ocidental.

Mozart, Beethoven e Bach

Mozart começou a tocar instrumentos de tecla aos três anos de idade e compor aos cinco. Antes mesmo de completar seis anos, seu pai, também músico, o levou em companhia da irmã, Maria Anna Walburga Mozart (1751 – 1829) em turnês de enorme sucesso pela Europa.


MOZART ao cravo com sua irmã. Seu pai segura um violino e a mãe, já falecida, aparece no medalhão.
Pintura de Johann Nepomuk della Croce, c. 1780

Reconhecido desde cedo como gênio musical, o pequeno Mozart exibia sua incrível capacidade intelectual e, ao mesmo tempo, captava, em suas andanças, o melhor do espírito musical de seu tempo. Segundo seu biógrafo Stanley Sadie (1930 – 2005) Mozart:

“Foi o único compositor na história a escrever para todos os gêneros musicais e a ser excelente em todos”.

Mozart

Como gênio que foi, conduziu a música de então a um auge da perfeição, criando um estilo que realmente merece ser chamado de clássico.  Mozart desenvolveu um  modo muito próprio de compor, apresentando singularidades que o diferenciam da grande maioria de seus contemporâneos. Sua música possui indiscutivelmente, sua “assinatura”. Assim se expressa Mozart sobre o ato de compor:

“É um erro pensar que a prática da minha arte se tornou fácil para mim. E eu lhe asseguro, meu caro amigo, ninguém se dedicou tanto a aprender o estudo da composição como eu”.

Para comemorar “Dia Mundial do Compositor” parabenizo os “profissionais que escrevem música” e sugiro para audição da semana o concerto para Piano e Orquestra em do menor (K 466) de W. A. Mozart,  com a Camerata de Salzburg, cidade natal de Mozart,  com a solista/ regente, renomada intérprete das obras de  Mozart, Mitsuko Uchida (1948).

Mitsuko Uchida

A crítica da especialidade classificou a pianista nipónico-britânica Mitsuko Uchida como “a deusa da pureza”, referindo-se à forma como ela captou a quintessência dos concertos de Mozart.

Para Mitsuko Uchida: “Mozart é perfeito. É completo. A música chega até Mozart caindo-lhe do céu”.

Observe Mitsuko Uchida como solista e regente. Não deixe de observar também a “assinatura” do compositor Wolfgang Amadeus Mozart no Concerto para Piano e Orquestra em do menor K 466.

 

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TANGO BRASILEIRO

Henrique Alves de Mesquita utilizou o nome de “tango” para designar um tipo de música de teatro ligeiro, conhecida entre os franceses e espanhóis como “habanera” ou “havanera”
Tango Brasileiro “

Henrique Alves de Mesquita (1830 – 1906) foi reconhecido historicamente como o criador da expressão “tango brasileiro” quando classificou uma de suas composições: “Olhos matadores”, parte de sua Opereta “Ali Babá e os quarenta Ladrões” em 1868.


Partitura TANGO

 Alves de Mesquita foi compositor, regente, trompetista e organista, professor, copista e comerciante. Em 1853, fundou o Liceu Copista Musical. Compunha peças por encomenda, copiava partituras, vendia instrumentos musicais e ministrava aulas.  Entre seus alunos destacam-se Joaquim Callado (1848 – 1880) e Anacleto de Medeiros (1866 – 1907).

Joaquim Callado (1848 – 1880) e Anacleto de Medeiros (1866 – 1907)

Admirador das rodas de serestas e modinhas foi um dos músicos mais influentes em seu tempo, sendo muito admirado por músicos como Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935) e Ernesto Nazareth (1863 – 1934) . Em seu catálogo de obras, numeroso e relevante, estão principalmente óperas, operetas e músicas ligeiras que fizeram, à época, grande sucesso.


Ernesto Nazareth (1863 – 1934) e Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935)

 Em 1872 foi nomeado professor de solfejo e princípio de harmonia no prestigiado Conservatório Musical do Rio de Janeiro, aposentando-se em 1904, já no então Instituto Nacional de Música, como professor de instrumentos de metal.

Escola de Música da UFRJ

Segundo a publicação de Antônio José Augusto – Henrique Alves de Mesquita: da perola mais luminosa a poeira do esquecimento, “Henrique Alves de Mesquita, negro e filho de pais não casados, nasceu no Rio de Janeiro em 1830 e era o que historiadores convencionaram chamar ‘homem livre pobre’, indivíduos marginalizados numa sociedade marcada por relações profundamente desiguais, à mercê dos mandos e desmandos da polícia, do governo e das elites. Henrique teve, porém, um destino diferente. Em função de seu talento musical, que cedo demonstrou, foi agraciado com a maior distinção que um aluno poderia alcançar no Conservatório de Música, o prêmio de viagem, tornando-se o primeiro brasileiro a ser enviado ao exterior para realizar estudos musicais, mais precisamente ao Conservatório de Paris”.

Conservatório de Paris

Ouviremos de Henrique Alves de Mesquita, parte da Opereta “Ali Babá e os quarenta Ladrões” – interpretado pelos músicos Maurício Carrilho, violão; Toninho Carrasqueira, flauta e Luciana Rabello, clarinete Proveta e cavaquinho.

Henrique Alves de Mesquita (1830 – 1906)

Observe a riqueza deste choro “primitivo” descrito como um “tango-habanera”.

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FREDDIE MERCURY

Pop e lírico juntos em interpretação antológica

Freddie Mercury (1946 – 1991)
e Montserrat Caballé (1933 – 2018)

O cantor, pianista e compositor britânico Freddie Mercury (1946 – 1991), nasceu Farrokh Bulsara, na colônia britânica da Cidade de Pedra, em Zanzibar, atualmente Tanzânia.


Freddie e sua mãe  – Jer Bulsara (1922 – 2016)

Desde a infância, apreciador de música, estudou piano no colégio interno e foi bastante influenciado pela cantora e compositora indiana Lata Mangesjk (1929), muito famosa em Bollywood por sua atuação em trilhas sonoras de filmes.

Lata Mangesjk (1929)

Mundialmente reconhecido, Mercury se imortalizou como vocalista da banda de “hard rock” QUEEN, formada pelo guitarrista Brian May (1947), pelo baterista Roger Taylor (1949) e posteriormente, pelo baixista John Deacon (1951). 


“Queen”
Roger Taylor, Freddie Mercury, Brian May e John Deacon

 Em 2019, Freddie Mercury foi homenageado como personagem do filme Bohemian Rhapsody. O longa conta de forma poética à história do “Queen’ e de seu lendário vocalista Freddie Mercury. Embora a Edição 2019 do Oscar, não o tenha escolhido como  Melhor filme, foi agraciado com quatro estatuetas: Melhor MontagemMelhor Edição de SomMelhor Mixagem de Som e Melhor Ator, com Rami Malek (1981).

Rami Malek (1981)

Sempre admirador de ópera e conhecedor de música, no final da década de 1980, Freddie Mercury e a cantora lírica Montserrat Caballé (1933 – 2018) se juntaram para gravar o Álbum Barcelona, unindo dois expoentes de universos distintos. A gravação – segunda e ultima do cantor e compositor britânico em carreira solo – foi lançada em 1988, realizando um antigo sonho de Freddie, apaixonado e conhecedor de ópera.

Freddie Mercury e Montserrat Caballè

“Barcelona” foi escolhido para ser o hino da abertura dos Jogos Olímpicos de 1992 na Espanha, e, também utilizada como música-título para a cobertura da BBC de Londres na mesma Olimpíada.

Caballé foi considerada por muitos críticos como a melhor soprano do século 20, ganhando um Grammy e o Príncipe das Astúrias das Artes, a mais alta distinção concedida na Espanha, em 1991. Assim fala Caballé:

“Eu não me considero uma lenda da ópera, nem a última diva, como os jornalistas às vezes escrevem. Cada época tem seus divos e, no meu caso, a única coisa que fiz foi fazer bem o meu trabalho, da melhor forma possível, no mais alto nível”.

Montserrat Caballè

Já a voz incomparável de Mercury foi investigada cientificamente por pesquisadores austríacos, checos e suecos.  Segundo informações do site norte-americano Consequence of Sound, o estudo comprovou que Freddie não tinha uma extensão vocal que atingisse quatro oitavas, porém apresentou que ele era barítono, apesar de ser conhecido como um tenor. Foi descoberto, também, que suas pregas ventriculares vibravam junto com as pregas vocais, algo impensável para a maioria dos humanos. Além disso, as cordas vocais de Mercury vibravam mais rápido do que de outras pessoas. A onda causada pelo vibrato de Freddie era mais intensa do que a do tenor Luciano Pavarotti.

Freddie Mercury

A soprano espanhola (Montserrat Caballé) morreu em outubro de 2018 em Barcelona aos 85 anos de idade.  Freddie Mercury morreu aos 45 anos de idade, vítima de broncopneumonia, acarretada pela AIDS, em novembro de 1991, um dia depois de ter assumido a doença publicamente.

Observe a maravilha desta combinação – Pop e  Lírico  – resultando numa interpretação magistral.  

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O FENÔMENO LANG LANG

“o pianista mais bem pago do mundo”

Lang Lang (1982)

Natural de Shenyang, no nordeste da China, o pianista Lang Lang (1982) começou a estudar piano aos três anos de idade, e aos cinco conquistou o 1º lugar no Concurso de Piano de Shenyang, no seu país natal. Conta-se que seu pai, sempre muito exigente, chegou a dizer-lhe que preferia que ele morresse se não fosse o melhor. Assim iniciou sua brilhante carreira. Aos nove anos ingressou no Conservatório Central da China e, com apenas onze anos, conquistou a quarta colocação no Concurso Internacional de Jovens Pianistas da Alemanha.

Lang Lang e seu pai

Durante a trajetória que o levou a fama mundial, ocorreu um fato inusitado. Em 1999, ainda estudante do Instituto Musical de Curtis, Lang Lang tocou o Concerto n. 1 de  Tchaikovsky (1840-1893) no Festival Musical de Ravinia em substituição a outro pianista. Após 5 horas de concerto, o maestro Zubin Mehta (1936) pediu-lhe para tocar outras obras. Por volta das 2 horas da madrugada Lang Lang voltou à sala de concertos e tocou novamente para o lendário maestro. No dia seguinte, a história se difundiu. Lang Lang falou:

“Parece que peguei carona num foguete, pois minha carreira decolou rapidamente”

Maestro Zubin Mehta (1936)

Não é comum que o universo da música de concerto produza celebridades: o pianista chinês é exceção. Não raro, seus álbuns estão entre os mais vendidos não apenas das prateleiras de música de concerto, mas também das de música pop. Incansável, estudioso e curioso de novos tipos de música, seja ela clássica, ou moderna ocidental, ou tradicional chinesa.

Lang Lang

 À parte o sucesso nos grandes palcos do mundo, Lang Lang é o mais jovem membro do Conselho Consultivo do célebre Carnegie Hall de Nova York. Com esse impressionante currículo, figura em primeiro lugar entre os 10 pianistas mais bem pagos do mundo.  Para o pianista chinês:

“O terrível não é enfrentar as dificuldades. O terrível é perdermos a direção de nossos esforços. Ou seja, quando as chances aparecem e não conseguimos apanhá-las”.


Lang Lang

Antes da Pandemia, Lang Lang, realizava cerca de 140 concertos anuais. Como 2020 foi um ano atípico para todos, com concertos cancelados, o pianista embarcou em outro projeto: gravação das Variações Goldberg de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Segundo o pianista chinês:

“A música é um bom remédio nestes tempos particulares. Bach, comparado a outros grandes compositores, tem um poder de cura ainda maior”

O astro mundial do piano lançou o álbum pela “Deutsche Grammophon”  em setembro ultimo, e, assim se pronunciou:

“Levei 27 anos para estar preparado (…) Nunca trabalhei em uma peça por tanto tempo. (…) É que técnica é uma coisa, mas apropriar-se da música, torná-la sua, é outra. (…) Esperei anos para conhecer melhor a peça. Quando comecei a gravá-la, morria de medo e gravava outra coisa. Se eu não sinto que uma obra se torna parte de mim, se eu não a entendo completamente, não me sinto confortável em gravá-la.”

Capa do Àlbum lançado em setembro de 2020

Ouviremos com Lang Lang as Variações Goldberg BWV 988: Aria.  As interpretações do pianista chinês são bem polemicas. As críticas para esta gravação tem sido favoráveis, ressaltando, porém, sua interpretação um tanto romântica e, por vezes, excêntrica. Lang Lang, atualmente, com 38 anos, recém-casado, diz ter atingido a maturidade. Ouça e opine.


Lang Lang e sua esposa –  a pianista Gina Alice Redlinger

Observe a sublime inspiração de sentimentos na interpretação, um tanto romântica, de Lang Lang nesta magistral obra do compositor Johann Sebastian Bach.

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