UM PIANO E DOIS INSTRUMENTISTAS

“O dueto de piano é um caso único onde ocorre uma performance musical de duas pessoas, usando plenos recursos de um só instrumento”

Wolfgang Amadeus Mozart e a irmã tocam a quatro mãos, observados pelo pai. A mãe, já falecida, aparece no retrato ao fundo. Quadro de Della Croce.
Fonte:
Infopédia

Peças para dois executantes em um piano, isto é piano a quatro mãos. Algumas peças inglesas para piano a quatro mãos datam do início do século XVII, mas as primeiras obras primas do gênero são as Sonatas de Mozart (1756 -1791).

Schubert (1797-1828), Schumann (1810 – 1856)e Brahms (1833 – 1897) são alguns dos nomes que enriqueceram o repertório do século XIX, e, desde então compositores do mundo todo, incluindo os compositores brasileiros, escreveram e ainda escrevem obras notáveis para esta formação.

Brahms, Schubert, Schumann

A música para piano a quatro mãos ocupa lugar de destaque no repertório camerístico. Constitui-se em excelente motivação para pianistas e importante ferramenta pedagógica no ensino do piano. Foi na passagem do séc. XVIII para o XIX que surgiram as primeiras transcrições para piano a quatro mãos, que logo se tornaram o principal meio de divulgação da música sinfônica, música de câmara e outros gêneros – não podemos esquecer que naquela época não havia outros meios de comunicação como o rádio e as gravações tão comuns atualmente.

O sucesso deste repertório foi tão grande que provocou um enorme número de transcrições de outras formas musicais como: oratórios, trechos de ópera, danças populares e todo tipo de obras dedicado tanto para amadores, visando à prática doméstica de música, como para pianistas profissionais, impulsionando os compositores a escrever peças originais para este gênero.

A relevância deste momento musical é muito bem relatada por Cameron McGraw no prefacio de seu trabalho sobre o repertório de piano a quatro mãos:

“O assombroso crescimento que teve a literatura de quatro mãos a fez tornar tão popular que acabou se constituindo numa instituição social da crescente classe média. […] O dueto de piano é um caso único onde ocorre uma performance musical de duas pessoas, usando plenos recursos de um só instrumento, podendo executar com muita eficácia uma obra escrita originalmente ou especialmente arranjada para esta formação. Além disto, possui um repertório surpreendentemente abundante e de notável diversidade.”

No Brasil, considerando que a partir de meados do séc. XIX o piano se tornou o instrumento preferido da sociedade brasileira, a partir, especialmente, do desenvolvimento da prática domestica de música em saraus familiares, surgiram os duos de piano a quatro mãos e, com eles, um repertório de transcrições e obras originais de compositores nacionais.

Sarau no Império

Na prática do piano a quatro mãos predomina a existência de laços de intimidade dentre seus executantes; irmãos, cujo mais célebre exemplo é o de Mozart e sua irmã Nannerl, casais como Robert e Clara Schumann, professores e alunos, amantes e amigos. Talvez estes laços pudessem ser justificados pelo misto de proximidade e embate entre os corpos que perfazem a execução, possibilitando ao ouvinte um espetáculo também visual.


Nannerl  e Wolfgang Mozart 

No Brasil percebe-se a prática do piano a quatro mãos entrelaçando os fatos históricos e socioculturais do passado (desde a chegada da corte em 1808) e do presente. O repertório brasileiro para piano a quatro mãos esteve e está presente na Vida Doméstica, no Entretenimento, como Ferramenta Didática, na Economia e em Arranjos e Transcrições. Atualmente o repertório para piano a quatro mãos faz parte das grades curriculares das Universidades, os compositores de hoje escrevem obras para este repertório que já alcançou os Palcos de Concerto apontando para a relevância deste repertório também na música brasileira.

Ouviremos o pianista brasileiro Nelson Freire (1944) e a pianista argentina Martha Argerich (1941), ícones do piano no mundo,  tocando uma obra brasileira.


Nelson Freire (1944) e Martha Argerich (1941)

A Congada de Francisco Mignone (1897 – 1986) integra a ópera o Contador de Diamantes composta em 1921, transcrita para piano a quatro mãos e dois pianos pelo próprio Mignone em 1971.

Francisco Mignone (1897 – 1986)

Observe na interpretação de Nelson e Martha a perícia na manipulação do tema tradicional utilizado por Mignone, a riqueza rítmica e o colorido orquestral. Vale a pena ouvir esta preciosa gravação.

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