TÁR

Na corrida pelo Oscar 2023, uma das indicações permeia o mundo da música de concerto. “Tár” é um dos grandes títulos indicados do ano.

Cate Balnchett (1969)
 

A história gira em torno da genial e impiedosa Lydia Tár, com uma força criativa muito bem articulada, Tár (a maestro) é uma mulher voraz, de argumentação coerente e ácida, que deixa um rastro de destruição á aqueles que a cercam.  Ela é um retrato do que Hollywood se tornou nos últimos anos com o surgimento do movimento “MeToo”.

cena do filme

Embora desde os primeiros minutos já se perceba um longa bem imerso na música de concerto, com diálogos muito polidos e reflexões sociais e artísticas específicas do mundo musical, Todd Field (1964), coloca sua originalidade à prova, e, com a ajuda de Cate Balnchett (1969), o diretor e roteirista cruza os preconceitos iniciais. Tár consome o espectador muito mais do que o esperado.

Todd Field (1964)

 O cineasta  Field  retrata a indústria marcada pelo poder, influência e egolatria. Fugindo do óbvio, o longa com quase três horas de duração, faz de seus densos monólogos uma experiência cinematográfica inesperadamente angustiante.

Trazendo a história dessa maestro que vive o auge de uma admirável carreira,  o filme é uma experiência sinestésica onde a música de concerto e o cinema Cult se encontram proporcionando algo diferente para o público.

Conforme acompanhamos a artista a poucos dias de sua mais aguardada performance com a filarmônica alemã, vemos toda sua cautelosa jornada desmoronar com escândalos assombrosos que envolvem uma série diversa de abusos.

Cate Blanchett stars as Lydia Tár in director Todd Field’s TÁR, a Focus Features release. Credit: Courtesy of Focus Features

Entre a pressão de garantir que sua arte e sua imagem permaneçam imaculadas aos irrefutáveis fatos,  a personagem, intocável,  se vê diante de um beco sem saída. É possível separar a obra do artista? Essa é uma das perguntas que Tár apresenta. Desde a primeira cena, Field deixa claro que quer desafiar seu público. Apresenta os créditos que destaca os nomes de toda a equipe do filme, no início, alojando uma “afinação dos músicos da orquestra” ao fundo.

  A história da tumultuada jornada, marcada por diálogos que poderiam muito bem ser cansativos de tão pedantes, nos toma pela mão de forma arrebatadora. É o cinema arte em sua mais alta qualidade que nos chama para dentro da narrativa. Com um roteiro inteligente e um catálogo de brilhantes performances, transforma momentos de angústia e aflição, em êxtase.

Com um final irônico e brilhante,  o diretor faz de Tár uma pequena sátira de uma mulher que, embora flertasse com todas as ideias progressistas, é de fato um retrato assustador do arcaico.

A hipotética maestro, Lydia Tár, tem como uma de suas principais referencia, Herbert von Karajan (1908 – 1989). Não por acaso, seu ídolo, passou 35 anos à frente da Orquestra Filarmônica de Berlim com uma regência marcada pelo perfeccionismo, intensidade, introversão e exibicionismo.

Filarmônica de Berlim

Ouviremos a Filarmônica de Berlim, no qual o maestro Herbert Von Karajan é o solista e o regente do Concerto n. 21 para piano e orquestra da W. A. Mozart (1756 -1791).

Herbert von Karajan (1908 – 1989)

Observe a grandiosidade desta obra, composta em 1785, executada por um orquestra de excelência. Um dos concertos mais populares de Mozart, enfatizando o brilhantismo e a genialidade do compositor ao transportar para o gênero instrumental toda a dramaticidade operística que ele dominava com maestria.

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