“ANTÔNIA – UMA SINFONIA”

um filme sobre mulheres silenciadas na música

Por  indicação de amigos, assisti recentemente, mais um filme que trata de música de concerto.

 Essa semana falaremos de um filme emocionante – “Antônia, Uma Sinfonia.

O longa narra a vida de uma mulher que nasceu na época errada: Antônia Brico (1902-1989) entrou para a história como a primeira mulher a reger, com sucesso, uma grande orquestra, como a filarmônica de Berlim e a de Nova York, isto na década de 1930.

O filme,  “Antônia, Uma Sinfonia”,  brilhante na narrativa da história de  mulheres silenciadas e segregadas, com produção belgo-holandesa,  está  atualmente disponível na  NETFLIX,  e,  se passa entre as cidades de Amsterdã, Berlim e Nova York.


Christianne de Bruijin (1986) como wIlly

A jovem pobre holandesa, migrante nos Estados Unidos na década de 1920, tem um sonho dito impossível: se tornar uma regente. Imersa em um mundo dirigido e vivido por homens, Willy aprendeu cedo a tocar piano,  mas o que ela realmente almeja é estar a frente de uma orquestra.

Christianne de Bruijin (1986) no Filme Antonia uma sinfonia

Nada é fácil para Willy. Ela encontrará diversos empecilhos na sua jornada para se tornar quem nasceu para ser.

Christianne de Bruijin (1986) como wIlly

No caminho, ela conhece o belo e rico Frank Thomsen vivido pelo ator britânico Benjamin Wainwright com quem vive uma história de amor renunciado pela busca de realizar seu sonho profissional.

Christianne de Bruijin e Benjamin Wainwright em Antônia uma sinfonia

E um grande amigo, Robin Jones, vivido pelo artista transgênero, o americano  Scott Turner Schofield.

Scott Turner Schofield em Antônai uma sinfonia

A verdadeira Antonia Louisa Brico (1902 – 1989)  nasceu na Holanda e migrou para a Califórnia (EUA) com seus pais adotivos e tentou com muita bravura colocar seu nome na história.

Antônia Brico (1902-1989)

Antônia, Uma Sinfonia foi baseada em documentário sobre a vida da regente intitulado Antônia: A Portrait of a Woman realizado por Jill Godmilow (1943), com a ajuda da antiga aluna de Antônia, Judy Collins lançado em 1974.

A verdadeira Antônia morreu em 1989 aos oitenta e sete anos vítima de doença prolongada. Ela viveu na casa de repouso Bella Vita Towers, em Denver até 1988.

Ainda hoje, há poucas mulheres no universo da regência. Felizmente a história está começando a mudar.

Atualmente a diretora musical da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) é uma mulher,  a nova-iorquina Marin Alsop (1956). E, uma nova geração de regentes brasileiras também está se formando e surgindo no cenário musical.

Marin Alsop (1956)

Ouviremos o quarto movimento (PRESTO) da Nona Sinfonia de  Ludwig van Beethoven (17770 – 1827) com a Orquestra sinfônica do Estado de São Paulo com a participação do coro acadêmico da Osesp e Coro da Osesp  sob a regência de Marin Alsop; e os solistas Lauren Snouffer,  Denise de Freitas,  John Mark Ainsley e Paulo Szot.

Observe! A nona sinfonia é uma das obras mais conhecidas do repertório ocidental, considerada tanto ícone quanto predecessora da música chamada “romântica” e uma das grandes obras-primas de Beethoven. Aproveite!

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“PAPAI” HAYDN

compositor considerado o pai da sinfonia clássica
Franz Joseph Haydn (1732 -1809)

Na semana dos pais, homenagearemos Franz Joseph Haydn(1732 -1809) .

Considerado o pai da sinfonia clássica e dos quartetos de cordas, Haydn compôs 104 sinfonias e ainda consolidou a “forma sonata”, estrutura de composição muito utilizada até o século 20.

Quarteto de Cordas violoncelo; viola; violinos 1 e 2

Franz Joseph Haydn nasceu na pequena aldeia de Rohrau, situada às margens do rio Leitha, Áustria, no dia 31 de março de 1732. Filho de um marceneiro e músico amador, desde pequeno revelou excepcionais dotes musicais.

Haydn foi o primeiro nome do classicismo vienense, seguido de Mozart (1756- 1791) e Beethoven (1770 – 1827).

Haydn (1732 -1809) ; Mozart (1756- 1791) e Beethoven (1770 – 1827).

Embora Mozart fosse 24 anos mais novo que Haydn, os dois tornaram-se amigos e passaram a se corresponder com frequência, realizando um valioso intercâmbio musical, que veio a enriquecer tanto a obra de um, como do outro.

Haydn, mais audacioso na estrutura musical; Mozart, mais inventivo e requintado nas melodias e orquestrações. A amizade foi muito proveitosa rendendo obras memorais aos dois amigos.

A influência de Mozart sobre Haydn foi evidenciada nas “Sinfonias de Solo-o”, nos seus últimos quartetos e nos famosos oratórios: “A Criação” e “As Estações”.

Wolfgang Amadeus Mozart chamava Haydn de “papai”, declarando que ele era “o pai de todos os compositores”.

Por volta de 1792, em Viena, passou a lecionar para jovens talentos, entre os quais o temperamental Beethoven, vindo da Alemanha, então com 22 anos de idade. O aluno Beethoven dedicou ao professor Haydn a Sonata para piano em lá menor, op. 2 n. 2.

Um dos compositores mais importantes do classicismo, com uma produtividade insana, Haydn compunha de maneira constante. Além das afamadas sinfonias, compôs 68 quartetos, concertos para oito instrumentos diferentes; várias missas; dois grandes oratórios,  treze óperas em italiano e seis em alemão; inúmeras obras para trios e para piano, sem mencionar centenas de cantos ingleses, escoceses e galeses.

Um dos mais influentes jornalistas de música de concerto, o inglês Norman Lebrecht (1948),  conta que :

“na década de 1920, um rico alemão chamado Antony van Hoboken começou a coletar  manuscritos e primeiras edições de peças deixadas por Haydn, com a intenção de compilar um catálogo definitivo. Ele desistiu após alcançar cinco mil itens e, embora todos os trabalhos de Haydn estejam catalogados, novas descobertas continuam sendo feitas. Existe muito Haydn para a cabeça de qualquer um”.

Norman Lebrecht (1948)

Ainda segundo Norman Lebrecht, entender e ouvir Haydn exige uma análise de seu contexto.

“Grandes maestros ao longo dos anos entenderam que Haydn não é um compositor que mereça um programa exclusivo, mas que serve de aquecimento para outras peças. Toscanini apresentava a sinfonia no 92 de Haydn, antes de Dom Quixote, de Richard Strauss, enquanto Furtwängler tocava a sinfonia no 88 como aperitivo para a Sinfonia no 4 de Schumann ou de Bruckner, iluminando assim as verdades sinfônicas mais profundas através da luz de Haydn”.

Com personalidade serena e bem-humorada Joseph Haydn faleceu em Viena, Áustria, no dia 31 de maio de 1809,  em casa, durante um violento bombardeio nas vésperas da tomada de Viena pelo exército de Napoleão Bonaparte  (1769 – 1821), por ordem do próprio Napoleão, um guarda foi colocado à porta de sua casa em seus últimos momentos de vida, de modo a evitar que fosse perturbado, tamanho o prestígio do qual gozava.

Reverenciado, foi sepultado em solene cerimônia fúnebre, ao som do Réquiem, de Mozart, sendo conduzido ao cemitério da igreja do subúrbio onde ele havia morado. Onze anos depois, seus restos mortais foram ransladados, por ordem do príncipe Esterhazy, para a Igreja de Eisenstadt.

Túmulo de Haydn – Igreja de Eisenstadt , Áustria

 Ouviremos de Haydn o Concerto em Dó Maior para violoncelo e orquestra com o violoncelista russo Mischa Maisky (1948) como solista e regente.

Observe os três movimentos do concerto para violoncelo de Haydn.  O primeiro  “Moderato” corresponde “forma sonata” (exposição, desenvolvimento, reexposição), o segundo “Adagio” possui um caráter mais clássico e cantante. O terceiro e ultimo movimento “Allegro molto” consegue demonstrar todo o virtuosismo do solista e da orquestra.  Aproveite!

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FRANCISCO MIGNONE OU CHICO BORORÓ

compositor, pianista, regente, professor, flautista

Francisco Mignone (1897-1986)

O pianista, flautista, regente e compositor brasileiro Francisco Paulo Mignone (1897-1986) iniciou os estudos musicais com o pai, o imigrante italiano Alfério Mignone, professor de flauta do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP).

Alfério Mignone

Aos 10 anos, Mignone começa a estudar piano com Silvio Motto. Com apenas 13 anos de idade, passa a atuar como flautista e pianista além de regente de orquestras no cinema.

O jovem músico participava de grupos de choro e compunha canções populares, assinando como Chico Bororó, obras essas, interpretadas por grandes nomes como o cantor Francisco Alves (1898 – 1952).

Francisco Alves (1898 – 1952).

Naquela época, a chamada “música erudita” não se misturava com a “música popular”.  Motivo pelo qual, Francisco Mignone, se viu obrigado a utilizar o pseudônimo de Chico Bororó.

Diplomado pelo Conservatório Dramático de Música de São Paulo em flauta, piano e composição, Mignone, começa apresentar suas primeiras obras sinfônicas, com enorme sucesso, indo, em seguida, prosseguir estudos em Milão na Itália.

Na Itália estuda com o compositor italiano Vincenzo Ferroni (1858 – 1934), ex-aluno do compositor francês Jules Massenet (1842 – 1912) no Conservatório de Paris, que o introduz nas técnicas composicionais francesas bem como na tradição operística italiana.

Vincenzo Ferroni (1858 – 1934)

De volta a São Paulo, em 1929, torna-se professor da instituição onde fora aluno, e se aproxima das propostas nacionalistas do ex-colega de conservatório, Mário de Andrade (1893 – 1945), de quem se torna grande amigo.

Mário de Andrade (1893 – 1945)

Em 1932, casa-se com Liddy (1891 – 1962), filha do afamado professor de piano Luigi Chiaffarelli (1856 – 1923). No fim do mesmo ano, muda-se para o Rio de Janeiro e passa a lecionar no Instituto Nacional de Música, desenvolvendo importante carreira acadêmica, formando regentes e compositores que se destacam no meio musical brasileiro, como Roberto Duarte (1941) e Ricardo Tacuchian (1939).

No ano de 1951 assume a direção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e integra a Academia Brasileira de Música.

Em 1963, já viúvo de Liddy, casa-se com a pianista paraense Maria Josephina (1923), com quem desenvolve frutífera parceria em recitais a quatro mãos e, é quem, até os dias de hoje,  aos 98 anos,  cuida do acervo e da divulgação da obra do compositor.

Maria Josephina (1923) e Francisco Mignone (1897-1986)

Os estudiosos dividem a obra de Francisco Mignone em duas fases: a primeira, sob influência italiana, na década de 1920, quando Mignone foi para Milão. (Ressalta-se que embora com forte influência italiana, nesta fase ele também compôs sobre temas brasileiros).  Já a segunda fase, repleta de influências do amigo Mário de Andrade é marcada por seu engajamento no movimento modernista.

Francisco Mignone em Milão na Itália (1921)

Um dos compositores mais profícuos do Brasil, Mignone destacou-se com suas obras sinfônicas, contribuiu de forma decisiva para a música vocal com os ciclos de canções sobre poemas modernistas de Manuel Bandeira (1886 – 1968) e Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), bem como as peças baseadas em poemas e melodias folclóricas.

Destacou-se também na  composição de ópera, como Chalaça e O Sargento de Milícias, além dos bailados Quincas Berro d’ÁguaO Caçador de Esmeraldas.

O principal marco da transição para o nacionalismo na obra de Mignone  é a composição do bailado Maracatu do Chico-Rei, em parceria com Mário de Andrade, inspirado em episódios da construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Salvador.

Atuando em várias vertentes, Mignone chega a abandonar os critérios composicionais nacionalistas e emprega a técnica dodecafônica, retomando o sistema tonal na década de 1970.

Francisco Mignone contribuiu enormemente para a literatura e repertório do piano brasileiro, destacam-se as Doze Valsas de Esquina, compostas entre 1938 e 1942, nas quais buscava reproduzir a maneira de tocar dos chorões.  Nessas obras, vem à tona o músico popular escondido no passado, estão aí o “brejeiro”  Chico Bororó

Francisco Mignone

Ouviremos uma gravação histórica disponibilizada pelo Instituto Piano Brasileiro.  O Concerto para piano e Orquestra de Francisco Mignone com a Orquestra Sinfônica Brasileira, solo do pianista Arnaldo Estrella (1908 – 1980) sob a regência do próprio compositor.

Arnaldo Estrella (1908 – 1980)

Observe a riqueza musical desse concerto brasileiro tão pouco tocado. Pela primeira vez no blog o vídeo vem com a partitura musical. Aproveite!

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“ROMANCE SECRETO”

uma Série para quem ama música

Romance Secreto”, com título original “Secret Love Affair” (2014).

Continuando com indicações de programas para os amantes da música de concerto, a sugestão é “Romance Secreto”, com título original “Secret Love Affair” (2014).

A série é produzida pela emissora de televisão JTBC, da Coreia do Sul, foi escrita por Jung Sung Joo e dirigida por Na Pan Seok.  

Esse drama é, sem dúvida, uma jóia rara escondida na Netflix; especialmente para aqueles  que amam música de concerto. 

“Secret Love Affair” gira em torno da história de duas almas de mundos distintos que se encontram para viver uma paixão proibida. Luxo, ostentação e falsidade se encontram com uma vida repleta de dificuldades, perdas, sinceridade e transparência, onde a paixão que ambos nutrem pela música se transforma no ponto de partida para um romance nada ortodoxo. 


Ji jin Hee como Kang Joon Hyung ; Kim Hee Ae como  Oh Hye Won  e  Yoo na In como Lee Sun
 

Embora o amor pela música seja a tônica da série, em cada episódio, os bastidores da academia de música, nem sempre “maravilhosos”, vão se revelando.

Como diretora de uma afamada Fundação de Arte, trabalhando diretamente com toda a família que gere o grupo, Kim Hee Ae como Oh Hye Won, uma talentosa pianista, abandona a carreira em prol da destacada posição e se perde em meio a sua ambição. 

Kim Hee Ae como Oh Hye Won

Aos 40 anos Won é casada com o professor de piano da mesma Fundação, Kang Joon Hyung. Já nos primeiros episódios o espectador percebe as fragilidades do casamento do casal de pianistas.

Oh Hye Won e Kang Joon Hyung em Romance Secreto”

Já o jovem Lee Sun, interpretado pelo ator  Yoo na In, é um moço simples, que trabalha como entregador e secretamente toca piano. Como um jovem do século 21, Lee grava vídeos tocando e posta na internet com o pseudônimo “SOU UM GÊNIO”.  

Lee Sun em Romance Secreto”

Won vive cada vez mais perto do luxo, da riqueza e longe de seu piano. O jovem Lee, ao contrário,vive na total miséria, com todas as dificuldades financeiras, mas não consegue se afastar da música.  Quando Won e Lee se encontram, o amor pela música fica evidente.

De forma envolvente a série não gira em torno apenas dos dois protagonistas, mas também mostra o mais profundo da vida daqueles que os rodeiam. A direção é impecável com ângulos de câmara sugerindo estarmos espionando os personagem em cena. 

Os atores, sul-coreanos, pouco conhecidos, foram escolhidos com todo cuidado, têm uma química impressionante e há cenas que mesmo sem diálogo, nos tira o folego, nos envolvendo com muita música e paixão. A música é um motivo a mais para saborear a série. 

Won e Lee em “Romance Secreto”

Ouviremos  trechos da Fantasia para piano a quatro mãos em Fá menor de Franz Schubert (1797-1828). Obra recorrente nesse blog, está presente em vários filmes, aqui, ela será executada pelos protagonistas.

Franz Schubert (1797-1828)

A Fantasia de Schubert começa com um tema absolutamente memorável, que ressurgirá no finale, tanto recapitulado literalmente quanto servindo de base para uma imensa fuga. Após a fuga, um final inesperado – sombrio, simplesmente fantástico, tal qual um “romance secreto”.

Observe! Na prática do piano a quatro mãos predomina a existência de laços de intimidade dentre seus executantes; talvez estes laços possam ser justificados pelo misto de proximidade e embate entre os corpos que perfazem a execução, possibilitando ao espectador um espetáculo também visual.

Confira no vídeo, com um trecho da série, os protagonistas tocando a quatro mãos e se encontrando através da música.

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“A ÚLTIMA NOTA”

um filme para os amantes da música de concerto

A Última Nota” – título original “CODA”.

Segundo Friedrich Nietzsche “Sem a música a vida seria um erro”. Com essa citação filosófica, inicia-se o filme “A Última Nota”, com o título original “CODA”. A produção canadense com direção de Claude Lalonde já está disponível nas plataformas digitais.

No dicionário Grove de Música, CODA, é descrito como “a última parte de uma peça ou melodia; um acréscimo a um modelo, ou forma padrão. Na fuga, a coda é o material musical que surge após a última entrada do sujeito e, na forma sonata, o que vem após a recapitulação”.

Como uma CODA, o filme a “A Última Nota“, fala da vida de uma artista na terceira idade, relatando um dos períodos mais delicados da carreira do pianista fictício Henry Cole interpretado por Patrick Stewart.

Como “a parte final de uma melodia” o músico sofre ao decidir se é hora de continuar ou encerrar a carreira. Uma reflexão que faz parte da vida. Qual será a melhor hora de encerrar uma carreira? Será esse o momento certo de parar?

Henry Cole dedicou sua vida ao trabalho, pianista de grande sucesso, se afastou dos palcos após o falecimento de sua esposa. O dilema do filme gira em torno do esperado retorno ameaçado por uma crise repentina de ansiedade.

A Última Nota”

Neste momento, entra em cena a jornalista Helen Morrison interpretada pela atriz Katie Holmes na qual Henry Cole passa a confiar.

O pianista “Henry Cole” fala:

Eu não consigo. É como se eu estivesse remando na beira de uma cachoeira”

Patrick Stewart interpreta Henry Cole e Katie Holmes interpreta Helen Morrison no filme “A Última Nota”

Helen” diz:

“você os deixa feliz, só precisa tocar” (…)

A narrativa do pianista é contida e ao mesmo tempo marcante. Aos poucos o espectador vai conhecendo a trajetória do pianista através das poucas pessoas que o cercam, além da jornalista, seu agente Paul interpretado por Giancarlo Esposito.

Paul interpretado por Giancarlo Esposito

Incrível a interpretação de Patrick Stewart ao construir um personagem que é ao mesmo tempo admirado por todos, mas, por dentro, está desmoronando diante da vida, passando com sua atuação magistral, a angustia do seu personagem, para o espectador.

Cena do filme “A Última Nota”

O roteiro de Louis Goldout instiga o público. Como uma Sonata em três movimentos, por vezes metafóricos, o filme leva o espectador a acompanhar flashes da vida de Henry, seu deslocamento do tempo presente para memórias do passado e a eventual fusão entre os diversos tempos em suas memórias. Tudo isto com paisagens de tirar o folego e uma trilha sonora especial para os amantes da música de concerto. 

O filme possui uma sutileza própria, e, quem gosta de música deve mesmo ver esse filme. Lá você poderá ouvir boa música e refletir sobre a carreira de um grande pianista.

Ouviremos um pianista da vida real. O argentino Daniel Barenboim (1942) interpretando uma das obras que estão no filme. De Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) a  Sonata para piano No. 23 in F minor, Op. 57 “Appassionata”.

Daniel Barenboim (1942)

Observe que “A Última Nota”  traz interessantes e ricas abordagens, que tem como fios condutores a música e arte. Aproveite para desfrutar a brilhante interpretação de Daniel Barenboim nessa Sonata de Beethoven.

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“AS MENINAS” DE VELÁSQUEZ

e a Pavane pour une Infante Défunte de Maurice Ravel


“As Meninas” (no original Las Meninas)
Pintada em 1656 pelo artista espanhol Diego Velázquez (1599-1660).
Atualmente ela faz parte do acervo permanente do Museu do Prado, em Madrid (Espanha).

 

O compositor francês Maurice Ravel (1875 – 1937) era um homem de temperamento acanhado que não frequentava eventos sociais, preferindo sempre dedicar-se ao seu trabalho musical.  No ano de 1901 que começa a mostrar seu virtuosismo ao piano, com a composição “Jeux d`Eau”

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Foi nesse período que compôs uma de suas peças mais conhecidas,  a Pavane pour une Infante Défunte,   originalmente composta para piano no ano de 1899, quando Ravel ainda era aluno, do também compositor francês,  Gabriel Faurè (1845 – 1929).


Gabriel Faure (1845-1924),  Jean Roger-Ducasse (1873-1954), Louis Aubert, A.Z. Mathot, Maurice Ravel, Andre Caplet, Charles Koechlin, Emile Vuillermoz  e Jean Hure,.
(fotografia – Albert Harlingue/Roger Viollet via Getty Images)

Segundo Ravel, Pavane pour une Infante Défunte, trata-se de exercício  de composição que tinha como inspiração um quadro do pintor espanhol. Alguns estudiosos acreditam que essa obra de Ravel foi inspirada na imagem da princesa Margarida, filha do Rei Felipe IV, presente no quadro “As Meninas” de Diego Rodríguez Velásquez (1599 – 1660). 

Princesa Margarida,  detalhe da obra de Diego Velásquez

Ravel tinha uma predileção por tradições espanholas, e a “Pavana” é uma tradicional dança cortesã europeia, em movimentos lentos que obteve grande popularidade entre os séculos XVI e XVII

Essa predileção e entusiasmo nostágico pelos costumes e sensibilidades espanhóis, Ravel compartilhou com muitos de seus contemporâneos, como Debussy (1862 – 1918) e Albéniz (1860 – 1909), e, se evidencia em algumas de suas outras obras, como a “Rapsodie Espagnole” e o afamado “Bolero”

 A “Pavane pour une Infante Défunte” foi dedicada à princesa Edmond de Polignac, Winnaretta Singer, filha do criador das máquinas de costura Singer.  

Princesa Edmond de Polignac

Pavana para uma princesa morta, segundo relatos do próprio autor, não evoca nenhum momento histórico, nenhuma morte trágica,  cujo título foi escolhido unicamente pela repetição consecutiva de sons consonantais idênticos ou parecidos na língua francesa. 

“Não se surpreenda, esse título não tem nada a ver com a composição. Eu simplesmente gostei do som dessas palavras e eu as coloquei lá, c’est tout “.

A obra foi publicada pela primeira vez em 1900, atraindo pouca atenção.  Até que o pianista espanhol Ricardo Viñes (1875 – 1943) a executou em 5 de abril de 1902, na sala Pleyel, durante um concerto da Société Nationale, tornando-a muito popular.  

Ricardo Viñes (1875 – 1943)

Orquestrada em 1910,  a estreia aconteceu nos Concertos Hasselmans, no dia 25 de dezembro de  1911 regido por Alfredo Casella (1883 – 1947).

Alfredo Casella (1883 – 1947)

Ravel nasceu em 7 de março de 1875 na cidade de Ciboure na França ingressando no Conservatório de Paris apenas aos 14 anos de idade.  Durante anos Ravel se preparou para concorrer ao evento que consagrava novos talentos, o Grande Prêmio de Música de Roma.

O francês, considerado um dos favoritos à conquista em 1900, sofreu sua maior decepção ao ser derrotado, fato que marcou a personalidade do compositor, tornando-se, desde então uma pessoa arredia.  Com todo sucesso de Pavane pour une Infante Défunte, Ravel passou a considerá-la “pobre em forma”.

Ravel compôs obras primas, sendo um dos grandes compositores da história da música, no entanto o fim de sua vida não foi fácil, devido a lesões no cérebro, faleceu em Paris em 28 de dezembro de 1937. 

Maurice Ravel (1875 – 1937)

Ouviremos “Pavane pour une infante défunte” de Maurice Ravel com a Filarmônica de Londres com a regência do Maestro Esa-Pekka Solonen (1958). Em tempos de pandemia, essa gravação foi realizada, com transmissão ao vivo, em 29 de outubro de 2020 em uma Live no Royal Festival Hall.

Observe que a “Pavane” é uma dança lenta.  Ravel indicava que a obra fosse interpretada “extremamente lenta”.

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MORITZ MOSZKOWSKI (1854-1925)

compositor francês de origem polaca


Moritz Moszkowski (18541925)

Segundo o dicionário GROVE de Música, o Estudo é uma peça instrumental destinada basicamente a explorar e aperfeiçoar uma faceta particular da técnica da execução.

As origens dos estudos concertísticos, destinados tanto à apresentação pública quanto à didática do piano podem ser muito bem compreendidos a partir dos Estudos de Muzio Clementi (1752 – 1832), Johann Baptist Cramer (1771 – 1858), Carl Czerny (1791 – 1857), Ignaz Mocheles (1794 – 1870), Frédéric Chopin (1810 – 1849), Franz Liszt (1811 – 1886), Nikolayevich Scriabin (1872 – 1915), Claude-Achille Debussy (1862 – 1918) Moritz Moszkowski (18541925) e muitos outros.

Clementi (1752 – 1832), Cramer (1771 – 1858), Czerny (1791 – 1857) Mocheles (1794 – 1870), Scriabin (1872 – 1915), Debussy (1862 – 1918)

Os estudos do compositor Moritz Moszkowski francês, de origem polaca, embora menos conhecido atualmente, foram muito respeitados e populares no final do século XIX. Seus Estudos de Virtuosidade e suas Danças Espanholas são tocados por pianistas até hoje ao redor do mundo.

Sua fama como compositor reside principalmente em suas peças para piano, escritas num estilo romântico lembrando a estrutura composicional de Schumann (1810 – 1856) e Chopin (1810 – 1849).

Schumann (1810 – 1856) e Chopin (1810 – 1849)

Moritz Moszkowski apresentou seu primeiro concerto, em Berlim na Alemanha, seguindo para várias cidades europeias em turnê antes de se fixar em Paris.

 Em uma destas apresentações tocou o Concerto n. 1 para piano e orquestra de Franz Liszt tendo na plateia o próprio compositor, que, diga-se de passagem, era o “pop star” do período chamado romântico. Conseguir a aprovação de Liszt era a porta de entrada para o sucesso.

Franz Liszt (1811 – 1886)

Depois de viver a fama, a sucesso de Moszkowski entrou em declínio ao enfrentar problemas de saúde e lidar com a perda de sua esposa e filha.

Infelizmente, o gosto musical da época e a opinião pública se voltaram contra o compositor, à medida que o novo século avançava e ele mantinha sua obra enraizada nas tradições do século XIX.

Moszkowski tornou-se recluso e com a produção musical diminuída à medida que sua popularidade caia. 

Seus últimos anos foram tristes e solitários. Moszkowski vendeu os direitos autorais de suas obras, investindo seus bens em títulos alemães, poloneses e russos que se tornaram inúteis com a eclosão da guerra de 1914.

Moritz Moszkowski (18541925)

Moritz Moszkowski morreu pobre e sozinho em Paris no dia 04 de março de 1925.

Ouviremos uma gravação do Estudo n. 6 em Fá Maior, dos Estudos de Virtuosidade Op.72 de Moskowski interpretado por Nelson Freire (1944) em uma gravação singular, com Freire ainda bem jovem.

Observe o talento e a maturidade musical de Nelson Freire evidenciada na performance do pianista, ainda tão jovem.

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ANTÔNIO MENESES (1957)

um dos violoncelistas mais famosos do mundo

Antônio Meneses (1957)

Antônio Meneses (1957) nasceu em Recife e ainda na infância mudou-se para o Rio de Janeiro. Seu pai, João Jerônimo de Meneses ,era trompetista do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e sonhava em transformar os filhos em instrumentistas de corda. Assim, aos seis anos de idade, o filho Antônio – na época apelidado de Toinho – iniciou os estudos de violoncelo.

“Orquestras sempre precisam de instrumentistas de corda, meus filhos vão todos tocar um instrumento de corda”.

João Jerônimo de Meneses

Desde a iniciação ao violoncelo, Meneses demonstrou enorme talento, vencendo vários concursos de música no Brasil, e aos 17 anos partiu para Europa para aprimorar seus estudos. Aluno primeiramente da Escola Superior de Música de Düsseldorf e posteriormente em Stuttgard, na Alemanha, vence em 1977, aos vinte anos, seu primeiro concurso Internacional, em Munique, de forma surpreendente: derrotou 40 candidatos,  vencendo o concurso por unanimidade.

Antônio Meneses (1957)

Em 1981 outra grande conquista, Meneses grava com o renomado maestro  Herbert von Karajan (1908-1989) e, no ano seguinte, vence o afamado Concurso Tchaikovsky , em Moscou, tornando-se a partir daí  mundialmente consagrado pela crítica e público especializado.

Atualmente Antônio Meneses vive na Suíça. Antes da pandemia, cumpria uma agenda lotada, apresentando-se regularmente como solista nas orquestras de Moscou, São Petersburgo, Nova York, Israel, Amsterdã, Suíça, Berlin e capitais brasileiras.

Meneses já se apresentou em Goiânia com a orquestra Filarmônica do Estado de Goiás, sob a regência do maestro inglês Neil Thomson (1966) e em recital ao lado a pianista goiana Celina Szrvinsk (1959).

Goiânia

Considerado um dos maiores violoncelistas do mundo, é membro titular do trio Beaux Arts Trio, uma das mais prestigiosas formações de câmara do mundo desde  1998.  Seu instrumento é um  Matteo Goffriler do século XVIII.

Seu instrumento é um  Matteo Goffriler do século XVIII.

Em  2011, a carreira de Meneses foi relatada em uma publicação intitulada  Arquitetura da Emoção, acompanhado de um CD com obras de Bach, Saint-Saëns, Fauré, Cassadò e Mignone ,  de autoria dos jornalistas Luciana Medeiros e José Luiz Sampaio.

Ouviremos Antônio Meneses ao lado do pianista  Cristian Badu, interpretando de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959) “O Trenzinho do Caipira  – arranjo de Ricardo Castro (1964) na sala São Paulo em 2019.  

Observe todo o talento e genialidade de  Antônio Meneses ao lado, do também talentoso, Cristian Badu.

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JESSYE NORMAN (1945 – 2019)

uma das raras cantoras negras a alcançar o estrelato mundial no mundo da ópera

Jessye Norman (1945 – 2019)

Lembramos hoje, Jessye Norman (1945 – 2019), uma das mais admiradas cantoras de ópera contemporâneas, uma das artistas mais bem pagas no mundo da música de concerto.

Jessye veio de uma família negra de classe média, nascida em Augusta, Geórgia, em 1945, período em que as tensões raciais eram muito intensas no sul dos Estados Unidos.

A família foi sua primeira referência musical, o pai cantava, a mãe e o avô materno tocavam piano, além de frequentar a Igreja Batista do bairro com intensa atividade musical. Assim Jessye, desde os quatro anos, se destacou cantando na igreja e posteriormente descobriu a ópera ao escutar récitas transmitidas pelo rádio.

Jessye dizia:

As histórias contadas nas óperas não eram diferentes das que eu conhecia. Um rapaz encontra uma garota, apaixona-se por ela, por alguma razão eles não podem ficar juntos e tudo se encaminha para um final triste”.

A soprano estadunidense viveu uma trajetória marcada pela voz imponente, qualidades emocionais expressivas, e um estilo intelectual formidável. Graças a uma bolsa integral, estudou música na Universidade Howard, de Washington. Posteriormente, continuou sua formação no Conservatório Peabody, em Baltimore, e na Universidade de Michigan.

Jessye Norman (1945 – 2019)

Nada foi capaz de deter a trajetória da grande artista. Dona de uma personalidade magnética, com sua imponente presença física, e uma extensão vocal admirável, sempre causou profunda impressão nas plateias por onde passou, interpretando com frequência papéis de princesas ou de outras figuras nobres inusitadas para cantoras negras.

Jessye Norman (1945 – 2019)

O repertório de Norman atravessa quatro séculos da história da música, começando no período barroco e chegando ao moderno. Além das óperas de Wagner, interpretou Beethoven, Berlioz, Gluck, Mozart, Strauss e Verdi. Também cantou, entre outros, peças de Berg, Brahms, Debussy, Mahler, Ravel, Schubert e Schumann.

Admirável e versátil, Norman se aventurou no jazz gravando um álbum celebradíssimo com o pianista e compositor Michel Legrand.

Não foram poucas as honrarias e celebrações que o fenômeno mundial da ópera, Jessye Norman, rompeu e venceu. Quatro prêmios no Grammy Awards, em 1989, no bicentenário da Revolução Francesa, data máxima da França, foi uma negra americana que cantou La Marseillaise. Foi à voz inconfundível de Jessye que brilhou na posse de dois presidentes dos Estados Unidos, Ronald Reagan, em 1985, e Bill Clinton, em 1997. Nos 60 anos da Rainha Elizabeth 2ª, da Inglaterra, em 1986. Na celebração dos 70 anos de Nelson Mandela, em 1988. Na abertura dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta. Na cerimônia pelas vítimas do 11 de setembro, em 2002. Norman sempre defendeu a diversidade e teve uma intensa atuação no engajamento a obras sociais e humanitárias.

60 anos da Rainha Elizabeth 2ª, da Inglaterra, em 1986

Jessye Norman morreu aos 74 anos na cidade de Nova York, deixando seu legado para o mundo da ópera.

Jessye Norman (1945 – 2019)

A família assim se pronunciou:

“Nós estamos orgulhosos das conquistas musicais de Jessye e da inspiração que ela foi para plateias por todo o mundo. Estamos igualmente orgulhosos de sua humanidade e seu ativismo em causas como a fome, falta de moradia, o desenvolvimento de jovens e a educação de arte e cultura”.

Ouviremos Jessye Norman interpretando Habanera (da ópera Carmen de Bizet)  com a Orquestra Nacional da França, sob a regência de  Seiji Ozawa.

Observe a expressividade e o timbre inconfundível de Jessye.

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CANTIGAS DO BEM-QUERER

Henrique de Curitiba (1934 – 2008) e Cassandra Rios (1932 – 2002)
Maestro Norton Morozowicz (1948)

Com as comemorações dos “dias dos Namorados”, no Brasil, propagandas e chamadas em mídias de toda natureza nós lembram que o AMOR está no ar.

Celebrando esse sentimento falaremos de uma obra composta em 1977. CANTIGAS DO BEM-QUERER fala de relacionamentos de forma plural e delicada. A música é de Henrique de Curitiba (1934 – 2008) e os versos de Cassandra Rios (1932 – 2002)

Henrique de Curitiba nasceu em um lar de artistas na cidade de Curitiba-PR, onde se graduou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, de onde partiu para construir um sólido currículo internacional.

Henrique de Curitiba (1934 – 2008)

Henrique compôs mais de 150 obras no gênero instrumental, vocal e de câmara, destacando-se como um dos principais compositores brasileiros de sua geração. Tem obras editadas, executadas e gravadas, no Brasil e no exterior.

“um de nossos melhores compositores neoclássicos” (Mariz, 2000)

Segundo relatos do compositor Henrique sobre a obra Cantigas do Bem-Querer:

“A primeira versão desta obra foi escrita durante o IX Festival Internacional de Música do Paraná sob a Direção Artística do Maestro Roberto Schnorremberg (1929 – 1982), como peça de encomenda para aquele evento, do ano de 1977”.

Ainda segundo Curitiba, Cantigas do Bem-Querer foi composta durante os primeiros quinze dias daquele Festival:

“passada, de página em página, ao Madrigal dirigido por Samuel Kerr (1935), o qual em seguida a ensaiava. Foi apresentada em concerto no Teatro Guaíra em Curitiba, no final do Festival, com muito sucesso”.

As cantigas foram compostas para Coro, soprano solista, piano e orquestra de cordas.

Henrique relata que encontrou, por acaso, os versos de Cassandra Rios “num cesto de liquidação da antiga livraria Guignone, em Curitiba”. Henrique ficou completamente impressionado com o lirismo e beleza da obra desta escritora.

Cassandra Rios (1932 – 2002)

 A paulista, Odette Pérez Ríos (1932 – 2002), utilizava o pseudônimo de Cassandra Rios, em homenagem a sacerdotisa grega que profetizou o episódio do “Cavalo de Troia”.

Aos 16 anos, como Cassandra Rios, publicou seu primeiro livro: “A Volúpia do Pecado“, uma história de amor entre duas adolescentes, se tornando a primeira autora do país de romances eróticos voltados para esta vertente.

A Volúpia do Pecado” – Cassandra Rios

Ninguém foi mais perseguida pelos censores da ditadura brasileira do que Cassandra Rios, escritora recordista em vetos durante o regime militar.

Apesar da enorme perseguição, Cassandra Rios se tornou a primeira escritora brasileira a vender 1 milhão de exemplares, meta alcançada em 1970, sendo ainda, o primeiro caso conhecido de uma escritora nacional a viver exclusivamente da venda de seus livros.

Em entrevistas, Cassandra Rios revelou:

“Sou uma criatura simples, comum, cheia de problemas, tristezas e amarguras. A vida de escritora tem sido muito dura para mim.”

Os versos de Cassandra Rios musicados por Henrique de Curitiba, não tem título, os aqui apresentados são uma “livre referência” do compositor para os diversos trechos da obra musical: 1 – Chove…; 2 – No Mar…; 3 – Se me disseres…; 4 – Interlúdio I (cordas); 5 – Fecha os olhos… (Coro a capella); 6 – Eu te vi (ária de soprano); 7 – Interlúdio II (cordas); 8 – Final.

Celebraremos o amor em toda sua pluralidade com as – Cantigas do Bem-Querer.

Ouviremos a gravação do Concerto realizado na Capela Santa Maria em Curitiba, durante o Festival Padre Penalva em outubro de 2012, sob a direção do Maestro Norton Morozowicz (1948), irmão do compositor Henrique de Curitiba; com a Camerata Antiqua de Curitiba.

Capela Santa Maria em Curitiba

Observe a delicadeza da música de Henrique Curitiba e o lirismo dos versos de Cassandra Rios.

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