CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE VASCO MARIZ

O incansável promotor da Música Brasileira

Vasco Mariz
(22 de janeiro de 1921 – 16 de junho de 2017)

A Academia Brasileira de Música comemora o centenário de nascimento de seu acadêmico Vasco Mariz (22 de janeiro de 1921 – 16 de junho de 2017). Mariz foi o titular da Cadeira nº 40 da ABM sendo o Patrono: Mário de Andrade (1893 – 1945) e o Fundador: Renato de Almeida (1895 – 1981).  Três ilustres personalidades da música brasileira.

Mario de Andrade(1893 – 1945) e Renato de Almeida(1895 – 1981)

 Vasco Mariz foi embaixador e musicólogo.  Segundo o compositor Ricardo Tacuchian (1939), nenhum autor brasileiro publicou mais livros sobre música brasileira do que ele. São 56, entre títulos novos e reedições, destacando-se a primeira biografia escrita sobre Villa-Lobos, atualmente na 12ª edição, incluindo as edições estrangeiras lançadas nos Estados Unidos, França, Rússia, México, Colômbia e Itália (a 1ª edição é de 1949).

Publicações de Vaco Mariz

A respeito dessa publicação, Mariz diz:

 “A fonte da pesquisa era o próprio Villa Lobos, a quem entrevistei mais de vinte vezes para escrever a biografia, que hoje está na 12ª edição e foi publicada em seis línguas no exterior, até na Rússia (1987)”.  


Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959)

Vasco Mariz estudou no Conservatório Brasileiro de Música, graduou-se em direito, iniciando logo em seguida a sua carreira diplomática. Assim que concluiu um curso de aperfeiçoamento em História Diplomática em 1947, foi indicado vice-cônsul na cidade do Porto em Portugal, servindo depois em diversas funções e cargos em Rosário; Nápoles; Washington; Nova Iorque e  Roma; até alcançar o posto de ministro em 1967, e, embaixador em 1971, designado representante do Brasil no Equador e sucessivamente em Israel; Peru e na Alemanha Oriental.

Vasco Mariz

Em sua carreira como diplomata, antes de ser embaixador, desempenhou o papel de delegado brasileiro junto a vários organismos internacionais de grande importância, e, em diversas ocasiões tais representações tinham claros propósitos culturais, desenvolvendo-se na área de história, folclore, arte e música.  

Em entrevista à Tacuchian, para Revista Brasileira de Música na ocasião dos 90 anos de Mariz, assim se pronunciou o entrevistado a respeito de suas principais iniciativas, como diplomata, em prol da música e do músico brasileiro:

“Na Argentina, no início dos anos 50, promovi vários concertos de música brasileira e lá publiquei um livro em espanhol, um de autoria coletiva sobre a música clássica brasileira. Fiquei amigo de Alberto Ginastera, o grande rival de Villa-Lobos, sobre quem depois escrevi um opúsculo. Na Itália, graças a minha amizade com o diretor do Teatro di San Carlo, de Nápoles, consegui que vários cantores brasileiros de passagem cantassem papeis em algumas óperas de diferentes temporadas. Nos Estados Unidos da América, organizei o já referido Festival de Música Interamericana e ajudei a muitos intérpretes brasileiros a dar recitais em várias cidades. No Peru, consegui, na rádio principal de Lima, um programa semanal de música brasileira que existe ainda. Obtive do Itamaraty que o saudoso Mário Tavares passasse três meses em Lima para reorganizar a orquestra sinfônica de lá, no que teve muito sucesso, e depois consegui do presidente Geisel uma condecoração para ele. Em Israel ajudei bastante as apresentações de Arthur Moreira Lima e os conjuntos de Gilberto Gil e Sérgio Mendes. Em Berlim, meu último posto diplomático como embaixador, consegui convencer o maestro Kurt Masur, então diretor do Gewandthaus de Leipzig, que a cidade de Bach fizesse uma homenagem a Villa-Lobos, autor das Bachianas Brasileiras, no ano do seu centenário, 1987”.

A música brasileira se curva ao seu grande promotor Vasco Mariz!  Em homenagem ao seu centenário, ouviremos o primeiro movimento da Segunda Sonata-Fantasia para violino e piano de Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959), interpretado pela pianista goiana Ana Flávia Frazão e pelo violinista alemão Laurent Albrecht Breuninger.

Laurent Albrecht Breuninger e Ana Flávia Frazão

A obra que ouviremos foi composta em 1914, integrando parte dos concertos com obras de Villa-Lobos, apresentadas na Semana de Arte Moderna de 1922.

Observe a interpretação primorosa deste Duo, de forma muito entrosada e equilibrada, conseguem expressar todo o lirismo desta obra fenomenal

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