CARL PHILIPP EMANUEL BACH (1714 – 1788)

Muito além de filho de Bach

Carl Philipp Emanuel Bach (1714 – 1788)

O grande patriarca da dinastia Johann Sebastian Bach faleceu em 1750 deixando um legado impressionante: além de suas centenas de obras, uma geração inteira de filhos que se dedicaram à música.

Família Bach

Um de seus 20 filhos, Carl Philipp Emanuel Bach, nasceu na cidade de Weimar em de março de 1714. Seguindo o costume da família, foi o próprio Johann Sebastian a assumir a educação musical do menino.

Johann Sebastian Bach

Curiosamente, quando, na segunda metade do século 18, se ouvia um músico europeu falar ou escrever sobre o “Grande Bach”, ele normalmente não estava se referindo ao célebre Johann Sebastian (1685 – 1750), e sim a seu segundo filho, Carl Philipp Emanuel Bach (1714 – 1788).


Carl Philipp Emanuel Bach, retratado por Franz Conrad Löhr

 Entre os vários irmãos que se tornaram músicos profissionais, Carl Philipp Emanuel Bach era considerado um vanguardista, um revolucionário, um mensageiro de uma nova época musical. Carl Philipp foi ídolo até mesmo para a geração seguinte de músicos.

Para W. A Mozart Carl Philipp era:

“(…) o pai, nós somos os filhos”.

Segundo L. V Beethoven:

“A maior parte da formação de Haydn derivou de um estudo de sua obra C. P. E. Bach”.

Em 1738, Carl Philipp recebeu uma tentadora oferta de emprego. O príncipe herdeiro Frederico (futuro Rei Frederico 2º da Prússia, apelidado “o Grande”) convidou-o para trabalhar como cravista da orquestra de sua corte. O patriarca dos Bach advertiu o filho sobre a superficialidade da música da corte prussiana: “Isso é azul-de-Berlim, desbota!”. Mas o jovem músico queria trilhar seus próprios caminhos, e aceitou a oferta do príncipe onde acabou permanecendo 30 anos.


O concerto de flauta em Sanssouci’, de Adolph Menzel (Berlim, Alte Nationalgalerie). Carl Philipp Emanuel Bach toca junto ao rei Federico o Grande, flautista, na presença de Johann Joachim Quantz y Franz Benda”

Por diversas vezes, Carl Philipp Emanuel pediu para ser exonerado do serviço prussiano. Em vão, pois Frederico, não admitia abrir mão de seu “homem do teclado”. Somente em 1768 deixaria o músico partir, quando o conselho municipal de Hamburgo ofereceu a Carl Philipp o prestigioso cargo de diretor musical das cinco grandes igrejas da cidade. Enfim,  sentia-se um artista livre: organizava seus próprios concertos, tornou-se homem de negócios autônomo, publicando suas obras através de editora própria.

Ao lançar sua primeira coleção de  “Peças de teclado para conhecedores e diletantes, a crítica nos jornais alemãesforam entusiásticas:

“Seu poder de invenção parece ser ilimitado. Cada uma de suas sonatas é um original inédito. E quando se escuta o próprio Bach tocar essas obras-primas! Ah, então a pessoa fica sem saber se admira mais o intérprete ou o compositor.”

Carl Philipp Emanuel Bach atuou durante 20 anos em Hamburgo, tornando-se um dos expoentes musicais, descrevendo assim a sua estética:

“Eu penso que a música deve predominantemente tocar o coração. Faz parte da verdadeira arte musical uma liberdade que exclui tudo o que é escravo e mecânico. Deve-se tocar a partir da alma, e não como um pássaro domesticado.”

Carl Philipp Emanuel Bach morreu em Hamburgo, cercado de honrarias. No entanto, a partir da segunda metade do século 19, ficou relegado ao segundo escalão da história da música. Ele fora o elo entre o Barroco e o Classicismo-Romantismo, perdido entre a genialidade do pai J.S. Bach e a popularidade de Haydn (1732 – 1809), Mozart (1756 – 1791) e Beethoven (1770 – 1827), passando para história como o “filho de Bach”.

Haydn, Mozart e Beethoven

Ouviremos de Carl Philipp Emanuel Bach o Concerto para Flauta em ré Menor, interpretado pelo solista Jean-Pierre Rampal (1922 – 2000), flauta, Huguette Dreyfus (1928 – 2016), harpsicórdio e orquestra de câmara sob a regência de Pierre Boulez (1925 – 2016).

Observe ao ouvir esta gravação: Tudo é extremo “Seus movimentos rápidos acontecem na velocidade do relâmpago, parecem querer fugir para outro mundo; e seus movimentos lentos são impregnados de uma incrível dramaticidade e grande profundidade”

*Depois, deixe seu comentário e vamos papear também nas Redes sociais!

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