A espontaneidade e originalidade da musa do piano

De todas as características da performance de Yuja Wang, o que mais chama a atenção da crítica é o equilíbrio entre o domínio técnico e a musicalidade fora do comum.

YUJA WANG (1987)
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A chinesa Yuja Wang (1987) é uma espécie de “estrela pop” do piano que, com sua espontaneidade e originalidade vem trazendo milhões de seguidores para o mundo da música de concerto.

Em 2017 a pianista deslanchou sua carreira internacional de sucesso ao receber um convite para substituir nada menos do que Martha Argerich (1941), uma das mais célebres pianistas do mundo, no Symphony Hall, em Boston. A jovem chinesa foi ovacionada pelo público e pela crítica local. “Uma performance com virtuosismo e equilíbrio impressionantes”, definiu o jornal The Boston Globe.

Wang iniciou seus estudos de piano em Pequim, sua cidade natal, no início dos anos noventa, numa época em que a difusão da música de concerto ocidental começava a se intensificar na China. Desencorajada por um professor a tocar o instrumento por ter mãos “pequenas, fracas e frágeis”. Yuja passou por cima das adversidades e aos quinze anos foi de Pequim para Nova York estudar no Conservatório Curtis Institute of Music, na Filadélfia.

Atualmente, além de contrato de gravação com a prestigiada Deutsche Grammophon, a “diva do piano mundial” está na lista de artistas apoiados pela Rolex sendo embaixadora da marca de relógios. Yuja Wang possuía, antes da pandemia, uma agenda completamente lotada de concertos nos principais palcos do mundo, incluindo o Brasil.

Há vários vídeos no you tube da pianista que valem a pena serem assistidos.

A escolha da semana é Noites nos jardins da Espanha, do compositor Manuel de Falla (1876-1946) com a Orquestra Sinfônica NHK, sob a regência do maestro suíço Charles Dutoit (1936) e a solista Yuja Wang, gravado em Tokyo, Japão em dezembro de 2014.

Observe sua técnica precisa e limpa. Com beleza, elegância extravagante e talento fenomenal, não é a toa que Yuja Wang tem movimentado o mundo do piano ao redor do planeta.

 

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O Impressionismo na Música

Baseando-se na insinuação, o impressionismo, usou de uma linguagem completamente diferente daquela a que os românticos estavam acostumados.
IMPRESSÃO, NASCER DO SOL (1872), CLAUDE MONET, ÓLEO SOBRE TELA 48X63 CM, MUSEU MAARMOTTAN MONET.

Em momento tão delicado para o mundo olhamos hoje para à França, e, lembramos um de seus grandes legados – O IMPRESSIONISMO. Claude Monet (1840-1926) foi um dos principais organizadores da primeira mostra da que seria conhecida como arte impressionista. A exposição organizada pela “Sociedade Anônima de Pintores, Escultores e Gravadores” era composta, entre outros, por Auguste Renoir (1841-1919), Camille Pissarro (1830-1903) e Paul Cézanne (1839-1906).

Foi o crítico Louis Leroy quem primeiro fez uso do termo “impressionismo”, referindo-se ao título do quadro de Claude Monet, Impressão, nascer do sol. Com caráter negativo e pejorativo, o crítico afirmava: “um papel de parede é mais elaborado do que essa cena marinha”.

As principais características da pintura impressionista são as figuras sem contornos nítidos, as sombras luminosas, as pinceladas fortes e o registro das tonalidades da luz no momento em que a obra estava sendo pintada.

Na música, o impressionismo, apresenta uma ampla gama de possibilidades sonoras inovadoras. Exemplos de todas essas inovações podem ser encontrados na música para piano de Debussy (1862-1918) que, juntamente com Ravel (1875-1937), constituem o acréscimo mais importante feito na literatura pianística no início do séc. XX.

CLAUDE DEBUSSY (1862-1918)

O estilo impressionista aplicado à música objetivava evocar sentimentos, estados de espírito e impressões através da harmonia e cores tonais. Baseando-se na insinuação usou de uma linguagem completamente diferente daquela a que os românticos estavam acostumados.

Ouviremos o Etude Pour les arpèges composés para piano de C. Debussy interpretado pelo pianista brasileiro, especialista na obra de Debussy,  José Eduardo Martins (1938). Observe o timbre e a qualidade das proporções sonoras para entender o estilo do compositor.

 

Que tal ouvir a música e dar um passeio por um Museu repleto de Arte impressionista? Quase todos os Museus do planeta estão abertos gratuitamente para visitas digitais neste período de isolamento. Aproveitem!

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Chopin: Trajetória de um gênio

Obras do compositor polonês são recorrentes em trilhas sonoras de desenhos animados e conhecidas por grande público
Frédéric Chopin (1810-1849) deixou a Polônia aos 21 anos para morar em Paris, onde rapidamente encontrou fama e sucesso

Nestes tempos de reclusão, nada melhor do que buscar programas em família. Que tal ouvir Chopin ao assistir Pica-Pau? A obra do compositor polonês Frédéric Chopin é recorrente em trilhas sonoras para as aventuras de desenhos animados como Tom e Jerry e Pica-Pau.

Frédéric Chopin (1810 – 1849) começou a estudar música com apenas 4 anos. Ele demonstrou de imediato o grande talento musical. Iniciou a carreira de concertista ainda jovem, deixando a Polônia em um momento de instabilidade política.

Nessa época, milhares de pessoas foram exiladas e outras proibidas de voltar à pátria. As cartas que enviava à família não eram respondidas e, diante da situação, o músico, aos 21 anos, resolveu partir para Paris. Levou na bagagem composições e um amor inabalável por sua terra natal.

A caminho da França, Chopin passa pela Alemanha, onde encontra o compositor Robert Schumann (1810 – 1856). Contam que na primeira vez que visitou a residência do compositor ele não estava em casa. A esposa, Clara Schumann (1819 – 1896), o recebeu. Ela não falava francês, Chopin não falava alemão.

Diz a história que ele se sentou ao piano e tocou algumas de suas composições. Clara fez o mesmo com as músicas do marido. Se isto é lenda ou fato real, não sabemos. O que pode ser comprovado é a opinião de Schumann sobre Chopin registrada em artigo da Nova Gazeta Musical publicado na Alemanha: “Tirem os chapéus, senhores, um gênio”.

Em Paris, ele encontra rapidamente a fama e o sucesso. Chopin era um rapaz fino, elegante, gentil, possuindo assim todos os predicados para ser aceito na sociedade francesa. Foi logo adotado pela elite culta parisiense, requisitado como concertista e como professor.

Dar aulas para os jovens da sociedade fez com que conseguisse razoável conforto material nos primeiros anos parisienses. Levava uma vida sofisticada, em meio aos salões da aristocracia e às salas de concerto que começavam a aparecer. Conheceu músicos consagrados, como Rossini (1792– 1868) e outros de sua geração, como Mendelssohn (1809 – 1847), Berlioz (1803 – 1869) e o dileto amigo Liszt (1811 – 1886).

Infelizmente, sua saúde piorava dia a dia. Uma de suas irmãs já havia morrido de tuberculose, doença que também o vitimou e, em 17 de outubro de 1849, a “mal do século” o matou. No enterro, a seu pedido, o coração foi enviado para Varsóvia e o corpo enterrado em Paris e o caixão coberto por terra polonesa.

Vamos relembrar a infância ouvindo o compositor. Em 1947, o Estúdio de Walter Lantz fez uma homenagem à Frédéric Chopin com as obras: Heroic Polonaise em lá bemol maior, Opus 53; Fantasie Impromptu em do sustenido menor, Opus 66; Écossaise em ré maior, No. 2, Opus 72; Mazurka em si bemol maior, No. 1, Opus 7 e Scherzo si bemol maior, No. 2, Opus 31.

Observe bem, com certeza você conhece muitas destas obras para piano do compositor polonês.

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A dama do piano que inspirou Monteiro Lobato

Guiomar Novaes foi fonte de inspiração para criação de personagem do Sítio do Picapau Amarelo
Pianista Brasileira Guiomar Novaes com a filha Anna Maria Pinto

No mês das mulheres, continuaremos a conversar sobre artistas inspiradoras. Uma delas, Guiomar Novaes (1895 –1979), teve uma trajetória espetacular. Ainda menina inspirou o escritor Monteiro Lobato (1882 –1948), a criar a personagem Narizinho, do clássico Sítio do PicaPau Amarelo.

Lobato era vizinho do professor de piano da menina Guiomar. Ao notar a talentosa criança que corporificava a música pelas mãos, olhos e o nariz arrebitado, criou a personagem. Considerada um dos maiores fenômenos do século XX na arte do piano, seus estudos musicais, no Brasil, ficaram a cargo do italiano radicado em São Paulo Luigi Chiaffarelli (1856 – 1923).

Com apenas 13 anos de idade, acompanhada da mãe, embarcou para Paris, em busca de uma das duas vagas destinadas a estrangeiros no Conservatório Nacional de Paris. Examinada por músicos do porte de Claude Debussy (1862 – 1918), Gabriel Fauré (1845 – 1924), Moritz Moszkowski (1854 – 1925) e Lazare Lévy (1822 – 1964), ela obteve o primeiro lugar entre os quase 400 candidatos oriundos de diversas regiões do mundo. Uma carta enviada por Debussy ao maestro Andre Caplet (1878-1925)l, descoberta em seus arquivos nos anos 1950, traz narrativa preciosa desse exame:

Guiomar fez sucesso em turnês internacionais

“A ironia habitual das coisas quis que a pessoa mais artística desse grupo fosse uma brasileira de 13 anos. Ela não é bela, mas tem os olhos ébrios de música, e esta capacidade de se isolar de tudo o que está à sua volta, marca característica, ainda que rara, do artista.”

Claude Debussy
Paris, 25 de novembro de 1909

O mundo se rendeu ao talento de Novaes, que fez sucesso em suas turnês pela Europa e Estados Unidos. Sempre acompanhada da mãe e depois do marido, o compositor e arquiteto Octavio Pinto (1890 – 1950), com quem viveu uma grande história de amor e se casou em 1922.

“Miss Novaes é quieta, modesta e séria, não tem compositor nem pianista favorito, e é conservadora em tudo, a não ser no estudo do piano: ‘ toco o que o meu capricho do momento pede – às vezes Bach, Beethoven e Brahms, às vezes a música ligeira de Schumann e Chopin. Não sou clássica nem romântica nos meus gostos musicais, ou talvez seja ambos’ (…) Se outros deixassem o piano se expressar por eles, como ela faz, também devessem falar menos.”

New York Herald
20 de Fevereiro de 1916

Em entrevista para Dean Elder assim relata Guiomar sobre a busca da técnica em suas interpretações:

“Naturalmente preparo tudo, mas quando estou em público, jamais penso na técnica. Apenas toco da maneira que sinto como acho que devo tocar, sem nenhuma preocupação com isso ou aquilo. Simplesmente me permito tocar e ofereço meu humor do momento, o que acho muito melhor do que calcular. Temos que ser generosos ao oferecer o que estamos sentindo e fazendo. Inspiração e intuição são as qualidades mais importantes do artista.”

Guiomar Novaes, 1970

A recatada pianista se expressava através de sua arte. Ouviremos a grande pianista brasileira interpretando Chopin (1810 – 1849) – Ballade nº 4 em fá menor, opus 52. Observe a interpretação magistral de Guiomar Novaes que a torna única e incrivelmente espetacular.

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Elis e a história da música no Brasil

No mês das mulheres, conheça mais sobre uma das mais importantes cantoras e intérpretes que o País já presenciou
Com personalidade e coragem, Elis Regina foi a primeira a inscrever a própria voz como um instrumento

Homenageando as mulheres no mês de março, a escolha da semana é uma personalidade que passou como um furacão pela música popular brasileira, Elis Regina Carvalho Costa (1945 –1982). Se viva fosse, teria completado 75 anos em 17 de março.

Com muita personalidade e coragem, Elis foi a primeira pessoa a inscrever a própria voz como um instrumento na Ordem dos Músicos do Brasil. Sua presença de palco e qualidade da voz, aliadas a esta força interior, fizeram com que Elis Regina entrasse na história da música brasileira como uma das mais importantes cantoras e intérpretes que o Brasil já presenciou.

Inicialmente influenciada pelos cantores do rádio e descolada da Bossa Nova, Elis Regina foi a primeira grande artista a surgir dos festivais de música na década de 1960. Participou do I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, em 1965 com duas músicas.

Embora tenha ganhado o festival com Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), dizia que sua favorita era Por um amor maior (Francis Hime e Rui Guerra). Consagrada como a grande revelação do evento, recebeu o convite para atuar na televisão no Programa O Fino da Bossa ao lado de Jair Rodrigues.

Elis cantou muitos gêneros, não tinha nenhum medo de mudar o rumo. Da MPB, passou pela afamada bossa nova, enveredou no samba visitou o rock e o jazz. Imortalizou canções como Madalena, Águas de Março, Atrás da Porta, Como Nossos Pais, O Bêbado e o Equilibrista, Querelas do Brasil e tantas outras.

Difícil mesmo tornou-se interpretar uma canção já gravada por ela. Alguns compositores ficavam receosos de gravar suas próprias canções após Elis as ter interpretado, tão forte era a marca de seu registro. Após ouvi-la cantando Se eu quiser falar com Deus, Gilberto Gil se perguntou: “Como é que eu vou cantar essa música agora?”.

Com Tom Jobim e Chico Buarque, a artista teve histórias curiosas. Foi reprovada por Tom e Vinicius de Moraes, em 1964, durante as audições para o disco Pobre Menina Rica. Tom Jobim a achava muito provinciana. Dez anos depois, gravaram juntos o disco Elis & Tom, histórico registro da MPB.

Com Chico Buarque, a música Atrás da porta, gravada por Elis em 1972, ainda não estava finalizada e era apenas um rascunho quando foi ouvida por Roberto Menescal, seu produtor. Ela gravou apenas a parte inicial da letra, fazendo vocalises durante o resto da canção. O registro foi enviado a Chico, que a finalizou no mesmo momento.

Sempre destemida, ao longo de toda sua carreira, destacou-se por cantar também músicas de artistas ainda pouco conhecidos à época, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Belchior, Renato Teixeira, Aldir Balnc e João Bosco, ajudando a lançá-los e a divulgar suas obras, impulsionando-os no cenário musical brasileiro.

Ouviremos Maria, Maria, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant. A canção fala sobre a força e a beleza das mulheres. Observe a voz inconfundível de Elis Regina e sua concepção cênica em relação ao conteúdo da letra.

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Compositoras foram silenciadas na música clássica

No mês das mulheres, relembre a história triste de artistas como Nannerl Mozart, Clara Schumann e Fany Mendelssohn
Clara Schumann era esposa de Robert Schumann e teve sua carreira como compositora deixada em segundo plano

No mês das mulheres, te convido a revisitar a triste realidade de mulheres silenciadas em razão do gênero, no universo da música clássica, em especial Nannerl Mozart, Clara Schumann e Fany Mendelssohn. Embora a música fosse vista como um “predicado a mais” para as mulheres “de boa família”, excluí-las dessa atividade profissional era algo considerado completamente normal até muito pouco tempo.

Os compositores Amadeus Mozart (176-1791), Felix Mendelssohn (1809-1847) e Robert Schumann (1810 – 186) tiveram mulheres extremamente talentosas ao lado deles e, unicamente por serem mulheres, foram desencorajadas a serem compositoras profissionais.

Nannerl Mozart era exibida como criança prodígio

A austríaca Nannerl, Maria Anna Walburga Ignatia Mozart (1751-1829), passou para história como a irmã de Mozart. Deixada para trás, enquanto o pai Leopold Mozart (1719-1787) e o irmão continuavam uma turnê, ela escreveu uma canção e os mandou.

Não existem registros da música, no entanto, a reação do irmão Mozart foi encontrada em uma carta endereçada à irmã. “Eu não consigo acreditar que você componha tão bem. É lindo”, escreveu ele.

A triste realidade é que Nannerl foi exibida como criança prodígio junto com Mozart. Tocou diante da realeza por toda a Europa. Mas, ao atingir a puberdade, foi empurrada pelo pai para os papéis mais tradicionais de gênero: filha submissa, esposa do homem que o pai escolheu e mãe.

Clara Schumann influenciou hábitos na performance musical

Já a alemã Clara Josephine Wieck (1819 – 1896) foi esposa de Robert Schumann, sendo uma das poucas crianças prodígio a se manter famosa e reconhecida como virtuosa do piano por toda a vida. Clara Schumann influenciou hábitos na performance musical, inclusive dos homens.

A pianista teve uma carreira ativa entre os anos de 1828 e 1891. Inovou na escolha de repertório, na programação de suas turnês, exercendo independência junto ao público e aos empresários. No entanto, sua carreira como compositora sempre esteve em segundo plano.

Apesar de toda a segurança em relação à performance, Clara duvidava de sua capacidade como compositora. A pianista viveu em um período em que mulheres que compunham não eram incentivadas, nem levadas a sério. Ela possui obras de inegável valor, embora tenha passado pela história da música ocidental como a esposa pianista do compositor Robert Schumann.

Fany Mendelssohn compôs por volta de 466 obras

Outro triste exemplo de preconceito é da judia alemã Fanny Mendelssohn (1805-1847). Irmã do compositor Felix Mendelssohn (1809-1847), Fany foi em alguns aspectos mais talentosa do que seu famoso irmão, compôs por volta de 466 obras. No entanto, teve suas ambições tolhidas pela família, inclusive pelo irmão.

A falha nas biografias de Nannerl, Clara e Fanny deixam evidente que no ponto de vista histórico as mulheres são negligenciadas. Estamos perdendo parte da história da humanidade simplesmente por desconsiderar a participação das mulheres nela. Ainda é tempo de rever isto!

Homenageando todas as mulheres que de alguma forma foram silenciadas, ouviremos o Piano Trio op. 17, em sol menor, de Clara Schumann, interpretado pelo pianista Gabor Farkas, pela violinista Luosaha Fang e pelo violoncelista Merkin Hall.

Essa importante obra de Clara Schumann foi composta em 1846. Vale ressaltar que ela compôs para esta formação, após criar uma série inovadora de concertos, na cidade de
Dresden (Alemanha), para valorizar a música de câmara.

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Quando se comemora o Dia Nacional da Música Clássica

Consulta nacional foi realizada em 2006 e escolheu o aniversário de Villa-Lobos como marco para a comemoração da data
ASSINATURA DO COMPOSITOR HEITOR VILLA-LOBOS, QUE FOI ESCOLHIDO PARA REPRESENTAR OS CLÁSSICOS BRASILEIROS
Assinatura do compositor Heitor Villa-Lobos, que foi escolhido para representar os clássicos brasileiros

Com o intuito de escolher uma data mais adequada para celebrar os clássicos no Brasil, até então inexistente, a Agenda VivaMúsica! lançou no ano de 2006 uma consulta nacional dirigida a profissionais atuantes do setor. Foram propostos os nascimentos dos compositores José Maurício Nunes Garcia (22 de setembro), Antônio Carlos Gomes (11 de julho) e Heitor Villa-Lobos (5 de março).

Villa-Lobos venceu a enquete, tornando-se o patrono da música clássica do Brasil. Em 2007, a data entrou para o calendário estadual fluminense e, em 2009, o dia 5 de março foi decretado o Dia Nacional da Música Clássica no Brasil.

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) foi um maestro e compositor brasileiro considerado o expoente máximo da música do Modernismo no Brasil, com relevante participação na Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo em 1922. Ele nasceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de março de 1887, e começou a receber orientação musical ainda criança.

Villa-Lobos incorporou à sua música a brasilidade

Com a fama, também ficaram famosas as viagens de Villa-Lobos pelo Brasil, embora se saiba que algumas aconteceram apenas em sua imaginação. Não foram poucas às vezes em que, fora do Brasil, inventava ou aumentava histórias das “terras selvagens” brasileiras para ganhar maior destaque no meio europeu.

Ao certo, essas viagens ocorreram entre 1905 e 1915, percorrendo o Sul, Nordeste e o Norte do Brasil. Ele voltou ao Rio de Janeiro por volta de 1915, quando teve oportunidade de retornar à vida musical carioca através de apresentações de suas músicas em concertos. Já nestes concertos, Villa-Lobos mostra obras influenciadas por suas viagens ao interior do País como Danças Africanas (1914-1915), Suíte Floral (1917), Amazonas (1917), Uirapuru (1917), entre outras.

Villa-Lobos procurou incorporar à sua música esta ideia de brasilidade musical, buscou a “construção do mito do nacionalismo musical” como ponto de partida em suas composições. Por isso, convido a ouvir o Poema Sinfônico Uirapuru de Villa-Lobos interpretado pela Orquestra Petrobras Sinfônica sob a regência do Maestro Isaac Karabtchevsky.

Observe que, ao compor Uirapuru, o compositor procura demonstrar em sua obra a imagem do Brasil do início do século XX, momento em que a busca pela brasilidade se torna ponto de fundamental importância para os antropólogos e artistas brasileiros.

“Uirapuru é das primeiras obras-primas de Villa-Lobos, e dá início a uma linguagem orquestral tipicamente villa-lobiana. A partitura retrata o ambiente da selva brasileira e seus habitantes naturais – os índios -, com uma impressionante riqueza de detalhes. O argumento que serviu de base para a composição desse poema sinfônico é de autoria do próprio autor, e conta a história de um pássaro (o uirapuru, que na mitologia indígena é considerado o ‘deus do amor’) que se transforma em um belo índio, disputado pelas índias que o encontram. Um índio ciumento, não suportando aquela adoração, flecha-o mortalmente. Ao retornar à sua condição de pássaro torna-se invisível e dele se ouve apenas o canto que desaparece no silêncio da floresta.”

(MUSEU VILLA-LOBOS, 2011)

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A diferença entre música popular e erudita

Se um segmento é mais conhecido e apreciado pelo público, o outro apresenta-se de forma mais formal e restritiva
Harpa parte da música erudita secular
Música erudita tem raízes nas tradições da música secular e litúrgica ocidental e segue cânones preestabelecidos

Todos os segmentos da música têm a sua importância, mesmo que tão diferentes. Na música popular brasileira, por exemplo, houve o cruzamento de diversas tendências. Elas vão desde o lirismo português, que veio com a família real, ao forte elemento rítmico de origem africana, sendo uma das manifestações o samba urbano do Rio de Janeiro.

Há ainda uma grande influência do folclore, vindo de várias regiões brasileiras, e a sofisticação harmônica do jazz, que resultaram no movimento da bossa nova e num grande número de tendências musicais, que sempre caem no gosto da população. Por este motivo, aliás, é denominada música popular.

Música erudita é o nome dado à principal variedade de música produzida ou enraizada nas tradições da música secular e litúrgica ocidental, que envolve um período amplo, que vai aproximadamente do século IX até a contemporaneidade, e segue cânones preestabelecidos no decorrer da história.

A popular está sempre sendo tocada e consequentemente é mais conhecida e apreciada. A erudita, por sua vez, não está inserida na maioria dos meios de comunicação e acaba por ficar afastada do grande público. Ademais, a própria estrutura de um concerto da música chamada erudita apresenta-se de uma maneira mais formal e também restritiva.

Jorge Ben 
Foto: Natalia Bezerra
Música popular, como a produzida por Jorge Ben Jor, é mais tocada e conhecida do que a música erudita. Foto: Natalia Bezerra

Há semelhanças e diferenças básicas entre as músicas chamadas popular e erudita, mas é preciso apresentar a música de concerto para o grande público. Trabalho com um projeto de formação de plateia em música na cidade de Goiânia. Posso afirmar que para a maioria das pessoas que assistem a um concerto pela primeira vez os mitos da erudição são descontruídos. Elas apreciam e querem voltar. Por isso, é preciso conhecer para escolher.

A audição proposta neste post é de música popular executada por um conjunto de violoncelistas da Alemanha. Ouça os 12 violoncelistas da Orquestra Filarmônica de Berlim em performance com arranjos de Valter Despali de Mas que Nada do brasileiro Jorge Ben Jor e, em seguida, o Tema da Pantera Cor de Rosa do compositor estadunidense Henri Mancini.

Observe a música popular tocada por um conjunto de câmara “erudito”. Independentemente da natureza, música boa é música bem tocada. Aproveite!

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Quando o carnaval chega ao Brasil

Portugueses iniciaram a tradição das festas e bailes por volta de 1720 e de lá para cá as celebrações se transformaram
Máscaras ao estilo vienense chegaram ao Brasil nos primeiros bailes de carnaval no Rio de Janeiro
Máscaras ao estilo vienense chegaram ao Brasil nos primeiros bailes de carnaval a partir de 1840 NO RIO DE JANEIRO

O carnaval chega ao Brasil por volta do ano 1720 pelas mãos de portugueses oriundos das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. Na época, as celebrações eram bem populares e consistiam em jogar água uns nos outros. Já os primeiros bailes no Rio de Janeiro eram muito elitizados e chegaram a partir de 1840, bem aos moldes dos bailes europeus, com valsas, polcas, schotiches e máscaras ao estilo vienense.

Foi por volta de 1855 que as pessoas de mais posses passaram a ser organizar em “sociedades” e a desfilar em carros alegóricos, enquanto o povo se divertia com a percussão do Bloco Zé-Pereira, ao som de baterias cadenciadas e canções reaproveitadas de cantigas de roda, hinos patrióticos, trechos de óperas, fados, quadrinhas musicadas e até marchas fúnebres.

CHIQUINHA GONZAGA  COMPÔS A PRIMEIRA CANÇÃO CARNAVALESCA BRASILEIRA
Chiquinha Gonzaga compôs a primeira canção carnavalesca brasileira

No entanto, foi a partir de 1920 que a marchinha destinada expressamente ao carnaval brasileiro passou a ser produzida com regularidade no Rio de Janeiro, vivendo seu período de mais sucesso nos anos 1930, 1940 e 1950.

A partir dos anos 1960, entra em cena o samba-enredo e as escolas de samba ganham força na avenida. Vale ressaltar que a musica tocada nos carnavais, têm ritmos e características diferentes nos diversos estados brasileiros, nos propiciando, quando os visitamos, ouvir sambas, batuques, frevos, axés e outras manifestações musicais.

A pioneira marchinha de carnaval brasileira foi composta durante ensaio do cordão Rosa de Ouro, em fevereiro de 1899, no Andaraí, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, onde residia a autora Chiquinha Gonzaga (1747-1935). Como primeira canção carnavalesca brasileira, Abre Alas confirmou o carnaval como festa popular e promoveu o seu casamento com a música urbana.

Observe duas gravações,  Ó Abre Alas composta por Chiquinha Gonzaga em 1899 e, em seguida, a segunda versão composta em 1939 por Piedade e J. Faraj Jorge.

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Vamos voltar a conversar sobre música?

No retorno do Blog Papo Musical, veja a história de uma das mais famosas orquestras do mundo, a Filarmônica de Berlim
Maestro Herbert von Karajan (1908- 1989) foi regente da  Orquestra Filarmônica de Berlim
 Maestro Herbert von Karajan (1908- 1989) foi regente da Orquestra Filarmônica de Berlim

Conversar sobre música é uma das coisas que mais gosto de fazer.  Em maio de 2015, recebi convite da plataforma Ludovica, do Grupo Jaime Câmara, para escrever o Blog Papo Musical. Foi uma experiência incrível! Com um conjunto de quase 200 postagens, abordamos diversos aspectos e temas ligados à música, o que gerou uma intensa interação virtual com o público. 

A Ludovica passou por transformações e os blogs deixaram de existir. Senti falta do Papo Musical e resolvi criar um blog “nosso”. Um espaço para pessoas que gostam de ouvir e conversar sobre música. Nesta primeira publicação, inauguramos o novo “Papo Musical”, onde abordaremos semanalmente curiosidades, sugestões e, principalmente, música.

Vamos iniciar falando de uma das orquestras mais famosas do mundo, a Filarmônica de Berlim. Originada de uma rebelião de músicos em 1882, inconformados com as péssimas condições de trabalho a que eram submetidos, alguns músicos decidiram prosseguir de forma independente, dando início ao embrião da atual orquestra na Alemanha. 

Ao longo de todos esses anos, esse conjunto, que é um dos melhores do planeta, conhecido por sua excelência musical, teve como regentes titulares nomes importantíssimos para a música de concerto: Hans Von Büllow, Arthur Nikisch, Wilhelm Furtwängler, Herbert Von Karajan, Claudio Abbado, Simon Rattle. 

Ouviremos a Filarmônica de Berlim, no qual o maestro Herbert Von Karajan (1908-1989) é o solista e o regente do Concerto n. 21 para piano e orquestra da W. A. Mozart (1756 -1791).

Observe a grandiosidade desta obra composta em 1785 executada por um orquestra de excelência. Um dos concertos mais populares de Mozart, enfatizando todo o brilhantismo e a genialidade do compositor ao transportar para o gênero instrumental toda a dramaticidade operística que ele dominava com maestria.

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