A mensagem de Paz de John Lennon em “Imagine”

marco na carreira solo de Lennon

Papa Paulo VI
 

No primeiro dia do ano, um manto de serenidade cobre o planeta, marcando “O Dia da Paz Mundial”, iniciativa  do Papa Paulo VI em 1967.  O líder da Igreja Católica, à época,  propôs a celebração anual, não apenas para os fiéis católicos, mas para todos os seres humanos, transcendendo barreiras religiosas. Em sua mensagem, o Papa expressou a esperança de que o mundo aderisse a essa causa, visando uma humanidade consciente e liberta de conflitos bélicos.

Neste início de ano, a busca pela paz mundial ressurge, ecoando as palavras de John Lennon, o icônico Beatle e ativista britânico que lutou pela paz até o dia de seu assassinato em dezembro de 1980.

Em 1967, o ano da proposição do Papa pelo dia mundial da paz, Lennon compôs “All You Need Is Love”, tornando-se um ativista do movimento antiguerra e da contracultura da época. Entre 1968 e 1972, Lennon, em parceria com Yoko Ono, produziu uma série de gravações, incluindo o sucesso internacional “Give Peace a Chance”, “Happy Xmas (War Is Over)” e a emblemática “Imagine”. Esta última, uma obra atemporal.

John Lennon

Marco na carreira solo de Lennon “Imagine” foi composta em 1971, embora,  pareça mais atual do que nunca.  Sua mensagem inspiradora encoraja a visão de um mundo sem fronteiras, livre de divisões religiosas e nacionais, propondo uma vida desapegada de bens materiais. A canção foi fortemente influenciada pelos poemas de Yoko, especialmente “Cloud Piece” de 1964, presente no livro “Grapefruit”.

Em entrevista à revista Playboy em 1980, Lennon revelou que a inspiração também veio de um livro de orações cristãs dado a Yoko por Dick Gregory. Definindo “Imagine” como um “Hino humanista para o povo”, Lennon expressou sua visão anti-religiosa, anti-nacionalista, anticonvencional e anticapitalista.

John Lennon e Yoko

A magnificência de “Imagine” não passou despercebida, sendo eleita pela Rolling Stone como a 3ª maior música de todos os tempos. Recebendo o prestigiado prêmio Grammy Hall of Fame e uma posição no museu Rock and Roll Hall of Fame entre as 500 músicas que moldaram o rock. A canção continua a transcender gerações como uma verdadeira obra-prima.

AAinda sobre os efeitos do “Dia da Paz Mundial”, que possamos refletir através da letra e música, de John Lennon, unindo-nos como “verdadeiros amigos da Paz”. E quem sabe, ao som de “Imagine”, possamos “sonhar”com o final dos conflitos que assolam nosso planeta. Afinal, como Lennon nos lembrou, tudo que precisamos é amar.

Ouviremos “Imagine” com John Lennon, voz e piano.

 Observe: essa época foi muito fértil para a música e a cultura em geral. Os movimentos dos anos sessenta influenciaram a música pop e revolucionaram a indústria cultural. A crença nos valores de “paz e amor” contrastava com os conflitos que estavam devastando o mundo, e, infelizmente ainda devastam.  A poética da canção cria uma imagem de um futuro em que haverá mais igualdade entre as pessoas. A  música de Lennon literalmente propõe imaginarmos uma realidade  sem conflitos.

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A DESPEDIDA DE CARLOS LYRA

O ativismo de Lyra não se limitou à música

Carlos Lyra lomeo Cristofori
 

No último dia 16 de dezembro, a música brasileira despedindo-se de um dos últimos pilares da bossa nova, Carlos Lyra. Nascido em 11 de maio de 1933, Lyra foi uma figura emblemática na história da música, desempenhando um papel fundamental nos primórdios da bossa nova. Sua carreira, que abrange quase sete décadas, testemunhou sua participação ativa nos encontros musicais da Zona Sul do Rio de Janeiro ao lado de nomes como Nara Leão, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli e Sérgio Ricardo. Seu legado, um acervo de 20 álbuns e uma coletâneade  inéditas lançado em 2019: “Além da Bossa”, solidifica sua posição como um dos grandes expoentes da Música Popular Brasileira.

Carlos Lyra, ao longo de sua notável carreira, resistiu bravamente à tentativa de ser rotulado meramente como um bossa-novista. Para ele, a essência residia no samba, e em certo momento desafiou os filósofos da USP que tentavam monopolizar a interpretação da bossa nova. Para Lyra:

“ a bossa nova não era apenas um movimento mercadológico, mas uma ponte entre o samba sincopado e o samba-choro dos anos 40, moldada pelas novas harmonias de mestres como João Gilberto, Johnny Alf e Aníbal Augusto Sardinha”.

Sua jornada musical começou em 1957, quando, em parceria com Menescal, deu vida a uma das mais belas canções românticas brasileiras, “Coisa Mais Linda”, eternizada na voz de João Gilberto em seu álbum de estreia. Ao longo dos anos, Lyra tornou-se um defensor das raízes do samba, como evidenciado em sua obra “Influência do Jazz”, magistralmente interpretada por Lenny Andrade.

O ativismo de Lyra não se limitou à música. Como fundador do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes em 1961, sua voz ecoou durante a ditadura, exilando-se nos EUA, em 1964, por conta do Golpe Militar. Em terras estadunidenses gravou com Tony Bennette fez turnê comStan Getz. Morou também no México, antes de retornar ao Brasil  definitivamente em 1976.

Lyra também esteve presente no histórico Festival de Bossa Nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962.

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Registro do festival Bossa Nova at Carnegie Hall, em 1962, com Roberto Menescal, Ana Lúcia, o conjunto de Oscar Castro Neves, Carlos Lyra, Normando e Chico Feitosa

Foto: Dan Blaweiss/Divulgação

Nos anos 50, enquanto o Brasil se internacionalizava, a bossa nova firmava-se como um dos pilares da brasilidade, conectando-se às raízes do samba-canção e do samba-choro, ecoando por Baden Powell, Edu, Chico, Gil, Caetano, Milton e João Bosco. Carlos Lyra deixa-nos com o último suspiro de um Rio de Janeiro que já não existe, mas que reverbera eternamente em sua música imortal.

Ao relembrar seus maiores sucessos, como “Maria Ninguém”, “Coisa Mais Linda” e “Influência do Jazz”, destacamos a versatilidade desse compositor que transcendeu rótulos e enriqueceu o panorama musical brasileiro. Carlos Lyra parte, mas sua música se perpetua proporcionando uma jornada nostálgica pelos caminhos da bossa nova e além.

50 Anos da Bossa Nova

Ouviremos “Primavera” de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes  do DVD “Carlos Lyra. 50 Anos de Música”  com Antonio Adolfo ao piano.

Observe em “Primavera” o encontro entre letra poética e melodia sofisticada nesse exemplo bem sucedido do encontro de Lyra  com o “petinha”.

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Uma viagem pela vida e legado de Bartolomeo Cristofori

Ao refletirmos sobre a vida e obra de Cristofori, é evidente que sua contribuição transcendeu a técnica para a criação de uma peça fundamental na história e na literatura do piano

Bartolomeo Cristofori (1655 – 1731)
 

Bartolomeo Cristofori, conhecido na história como o inventor do pianoforte, nasceu em 4 de maio de 1655 em Pádua e faleceu em 27 de janeiro de 1731em Florença.

Pouco sabemos dele antes de 1688, quando aos 33 anos foi contratado pelo Grã- Príncipe Ferdinando de Médici (1663 – 1713), um amante e patrono da música. Essa colaboração marcaria um capítulo crucial na história da música, pois Cristofori não era apenas um técnico talentoso, mas um inventor de instrumentos musicais. O príncipe, fascinado por máquinas e proprietário de uma vasta coleção de instrumentos musicais, viu em Cristofori não apenas um mantenedor de instrumentos, mas um visionário na arte de criar.

Músicos da corte dos Médici Por: Anton Domenico Gabbiani

Em meados de 1700, surgiu na cena musical oficialmente o pianoforte. O “Arpicembalo” de Cristofori, registrado nos inventários dos Médici, trazia um som que podia ser suave como um sussurro e forte como um trovão. O príncipe, fascinado, percebeu que estava diante de algo extraordinário, não apenas um instrumento, mas uma obra-prima da mecânica. Cristofori conseguiu fabricar um instrumento rico em nuances, desafiando as convenções, proporcionando uma resposta tátil delicada e eficiente.

Instrumento construído por Bartoloeo Cristofori, Metropolitan Museum em Nova York

Bartolomeo Cristofori permaneceu em Florença, continuando a trabalhar para os Médici até sua morte em janeiro de 1731. Seus assistentes, Giovanni Ferrini e Domenico dal Mela, seguiram carreiras notáveis, com Dal Mela creditado por fazer o primeiro piano vertical.

Há também uma sessão interessante de instrumentos musicais antigos, incluindo alguns instrumentos de Bartolomeu Cristofori em Florença na Galleria dell’Accademia di Firenze.

Instrumento construído por Bartoloeo Cristofori, Galleria dell’Accademia di Firenze

 O design inovador de Cristofori inclui uma ação de piano complexa, martelos de papel, um suporte interno para a tábua harmônica e uma disposição única de cordas. Embora seus pianos tenham sido de construção leve e não pudessem produzir um som especialmente forte para os padrões atuais, eles incorporavam quase todas as características dos instrumentos modernos.

A influência de Cristofori, inicialmente lenta na Itália, ganhou destaque quando a rainha Maria Bárbara de Bragança (1711 – 1758), patrona do compositor Domenico Scarlatti (1685 – 1757), adquiriu cinco desses pianos. No final do século XVIII, o pianoforte solidificou seu lugar como um dos principais instrumentos na música ocidental.

Rainha Maria Bárbara de Bragança, 1725, por Domenico Duprà, Museu do Prado

O legado de Bartolomeo Cristofori permanece vivo perpetuando sua genialidade através do tempo.

Ouviremos a Sonata n. 14 em dó menor de L. van Beethoven interpretada no “Piano forte” de Eric Zivian. Essa gravação é uma coprodução do Festival de Música Valley of the Moon que buscam interpretações em instrumentos antigos visando uma compreensão do estilo da época.

Observe que o som do piano da época de Beethoven era bem diferente do piano moderno. Essa gravação permitirá experimentar ouvir o som conforme soavam no instante da composição.

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“Miúcha, a voz da Bossa Nova”

uma Jornada Musical e Emocional

Cartaz do Filme: Miucha a voz da Bossa Nova
 

Nesta semana falaremos sobre a icônica cantora Miúcha, conhecida como “A Voz da Bossa Nova.” Seu legado na música brasileira é indiscutível, e agora, graças ao trabalho cuidadoso dos cineastas Daniel Zarvos e Liliane Mutti, temos a oportunidade de conhecer mais sobre sua vida e carreira por meio do longa-metragem “Miúcha, a voz da Bossa Nova”.

O filme, narrado pela atriz Silvia Buarque, sobrinha de Miucha, e com a voz pessoal da própria artista, é uma verdadeira viagem no tempo. Utilizando imagens de arquivo que incluem cartas, depoimentos, diários, filmes em Super 8, fitas cassetes e aquarelas, a obra nos apresenta o retrato de Miúcha nas décadas de 60 e 70, enquanto ela enfrentava os desafios e as amarguras da busca por seu sonho de se tornar uma cantora de destaque.

Miúcha, cuja jornada a levou de Nova York a Paris, passando pela Cidade do México e Rio de Janeiro, conviveu com verdadeiros gigantes da música e da cultura. Ela foi esposa de João Gilberto, protegida de Vinícius de Moraes, irmã de Chico Buarque, companheira de Tom Jobim e a voz que encantou ao lado do sax de Stan Getz. Uma trajetória grandiosa que, no entanto, não foi isenta de desafios.

O filme também nos leva aos bastidores dos encontros de Miúcha com a poeta chilena Violeta Parra, que a apresentou a João Gilberto em Paris, e com Simone de Beauvoir, que a conheceu no Rio de Janeiro, em um encontro na casa dos seus pais, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda e a pianista Maria Amélia

Liliane Mutti, uma das mentes por trás do projeto, revela:

“Esse material inédito é muito revelador. Mesmo a família e os amigos mais íntimos descobrem pontos da vida e criação de Miúcha que só foram contados por ela a nós, durante os últimos dez anos da sua vida. Somos levados a uma grande reflexão sobre o lugar e os desafios da mulher artista na sociedade. Miúcha viveu intensamente os anos 60 e 70, recorte escolhido para o filme, e deixou um legado de liberdade radical para todas nós”.

 Silvia Buarque, que teve a tarefa sensível de dar vida às cartas escritas por Miúcha, conta:

“O Daniel e a Lili me dirigiram bastante bem, mas foi um trabalho difícil porque eu tinha uma ligação muito especial com a Miúcha. A ideia nunca foi imitá-la, nem eu seria capaz. Mas eu queria pegar a cadência. Foi doloroso ouvir os recados dela, deu saudade… Mas também foi um trabalho prazeroso. Conheci um lado dela que eu não conhecia. Foi muito intenso, como era a Miúcha, gostoso e dolorido ao mesmo tempo”.

O filme não apenas destaca o talento inquestionável de Miúcha, mas também revela os desafios e dificuldades que ela enfrentou, inclusive nas mãos de João Gilberto, que a boicotou e silenciou em diversos momentos.

Não é à toa que “Miúcha, a voz da Bossa Nova” recebeu prêmios de destaque, como o de Melhor Longa de Música no Festival Internacional de Cinema Indie – Lisboa e o de Melhor Filme do In-Edit – México. Além disso, foi o único representante nacional na categoria musical da 38ª edição do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, também no México.

Portanto, não percam a chance de conferir este emocionante e revelador documentário que joga luz sobre a vida e a carreira de Miúcha, uma das maiores vozes da música brasileira. Sua jornada é inspiradora e nos faz refletir sobre a importância das mulheres artistas na sociedade. Uma verdadeira obra de arte cinematográfica que merece sua atenção.

Para relembrar Miucha ouviremos a canção “Pela Luz dos Olhos Teus” é uma parceria de Tom Jobim e Vinícius de Moraes lançada em 1977 no álbum “Miúcha e Antônio Carlos Jobim”.

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A história inspiradora do Conservatório Goiano de Música e de uma de suas fundadoras: Maria Lucy Veiga Teixeira

Dona Fífia, uma das mentoras da criação da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, é uma figura notável. Nascida Maria Lucy Veiga Teixeira, na cidade de Goiás, em 26 de maio de 1926,

Dona Fifia (1926)
 

No dia 15 de janeiro de 1956, nasceu o Conservatório Goiano de Música, fruto do sonho e da coragem de cinco mulheres e do maestro belga Jean Douliez, radicado em Goiânia.

Belkiss S. Carneiro de Mendonça, Dalva Maria Pires Machado Bragança, Maria Luiza Póvoa da Cruz, Maria das Dores Ferreira de Aquino e Maria Lucy da Veiga Teixeira são as mulheres que idealizaram esse projeto visionário.

Em entrevista realizada na plataforma digital durante da terceira edição da “Live: O piano e suas perspectivas” ocorrido em 3 de julho de 2020, Dona Fífia, como é carinhosamente conhecida, relembrou a origem do Conservatório Goiano de Música:

“Ele surgiu da decisão de um homem e cinco mulheres”.

No início, as aulas eram ministradas na Faculdade de Direito, localizada na Rua 20, no setor Central de Goiânia. O diretor da faculdade, Ernani Cabral, cedeu o espaço para as aulas à tarde e à noite, uma vez que as atividades da faculdade ocorriam apenas pela manhã. Dona Fífia, em sua entrevista, recorda com saudosismo o período em que as aulas eram realizadas até mesmo debaixo de uma mangueira em sua casa, o que chamou a atenção da imprensa e rendeu a crônica “Aprendendo música à sombra de um quintal”, escrita pelo jornalista Hélio Rocha.

Apesar dos desafios financeiros e administrativos, os idealistas persistiram em seu propósito de manter o Conservatório Goiano de Música. Como todos os professores eram especializados em piano, foi decidido que cada um também lecionaria uma disciplina teórica adicional, a fim de ampliar a oferta de disciplinas necessárias. No entanto, um desafio permanecia: encontrar um prédio próprio para a sede da instituição.

Em 1957, o conservatório conseguiu alugar um prédio de dois pisos na Avenida Tocantins. Com essa conquista, em 26 de janeiro de 1959, o tão sonhado Conservatório se tornou realidade nos moldes de uma escola federal, quando o presidente Juscelino Kubitschek autorizou seu funcionamento.

No entanto, segundo a professora Maria Helena Jayme em sua publicação “A música e o piano na sociedade goiana (1805 – 1972)”:

“a situação ainda não estava completamente resolvida”.

 Durante a criação da Universidade Federal de Goiás, o projeto enviado ao Congresso não continha a documentação completa do conservatório. Diante disso, as professoras Dalva Bragança, Léa Pereira Campos e Dona Fífia foram a Brasília com uma carta do governador José Feliciano Ferreira para obter a inclusão do conservatório na UFG.

Finalmente, em 14 de dezembro de 1960, o Conservatório Goiano de Música foi incorporado à UFG, juntamente com as primeiras escolas de ensino superior existentes em Goiás – Faculdade de Direito, Faculdade de Farmácia e Odontologia, Faculdade de Medicina e Escola de Engenharia.

Conservatório Goiano de Música

 Assim começou a história da Escola de Música e Artes Cênicas na Universidade Federal de Goiás, que, partindo de um modesto conservatório, se tornou uma instituição plural e uma referência no Brasil. Além da música de concerto, a escola ampliou seu escopo ao longo do tempo, oferecendo cursos de Musicoterapia, Artes Cênicas com ênfase em Artes da Cena e Direção de Arte e Música Popular.

Atual Escola de Música e Artes Cênicas da UFG no Campus Universitário
Fonte: Site da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG

Dona Fífia, uma das mentoras da criação da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, é uma figura notável. Nascida Maria Lucy Veiga Teixeira, na cidade de Goiás, em 26 de maio de 1926, ela completa esta semana 97 anos. Além de ser uma talentosa pianista e professora de canto coral, Dona Fífia é Professora Emérita da UFG, responsável pela criação do renomado “Coral do Conservatório Goiano de Música”, estabelecendo um padrão de excelência que se mantém até os dias de hoje. Com formação em Piano pela Universidade de Música de São Paulo e Canto Orfeônico no Rio de Janeiro, ela também participou de inúmeros cursos de especialização em Canto Coral.

Maria Lucy Veiga Teixeira (Dona Fifia) Recebendo o título de Professora Emérita da UFG em 2018

Dona Fífia é uma figura querida por todos, encantando os ouvintes com sua música em diversas ocasiões como nas missas, na Academia Goiana de Música, em festas familiares, transmissões ao vivo e em qualquer lugar onde a música a chame. Sua alegria é contagiante, e seu amor pela música à torna uma figura mais do que especial.

Para celebrar a trajetória de Dona Fífia e o coro da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, ouviremos “Aleluia” de G. F. HANDEL (1685 – 1759) com o Coro de Câmara da EMAC – UFG. Concerto da Orquestra Filarmônica de Goiás, com Angelo Dias, regente convidado; Coro de Câmara da EMAC – UFG e Solistas Convidados.

 

Vida longa à dona Fífia e ao coro da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG!

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Morre a baiana Astrud Gilberto, ícone da bossa nova, aos 83 anos

Artista ficou internacionalmente conhecida após dar voz a versão em inglês da música ‘Garota de Ipanema’

Astrud Gilberto (1940 – 2023)
 

No dia 5 de junho, a música brasileira perdeu uma de suas maiores estrelas: a cantora, compositora e artista plástica Astrud Gilberto, considerada um ícone da bossa nova. Aos 83 anos, Astrud faleceu, deixando um legado inestimável para a música brasileira e internacional.

A triste notícia foi anunciada por sua neta, Sofia Gilberto, em um emocionante texto em que ela lamentou a partida da avó. Sofia destacou que Astrud foi quem levou a bossa nova de Ipanema para o mundo, sendo a pioneira e a melhor. A cantora ficou conhecida internacionalmente ao dar voz à versão em inglês da icônica música “Garota de Ipanema”.

“Aos 22 anos, Astrud deu voz à versão em inglês de ‘Garota de Ipanema’ e conquistou fama internacional. A música, um hino da bossa nova, se consagrou como a segunda mais tocada em todo o mundo, principalmente por sua causa. Amo e amarei Astrud eternamente. Ela foi o rosto e a voz da bossa nova na maior parte do planeta. Astrud estará para sempre em nossos corações, e neste momento temos que celebrar sua vida”

Escreveu Sofia

Nascida em Salvador, Bahia, em 29 de março de 1940, Astrud Gilberto era filha de mãe brasileira e pai alemão. Desde cedo, sua família se mudou para o Rio de Janeiro, onde ela cresceu e se tornou parte essencial da cena musical carioca. Sua trajetória na bossa nova teve início quando ela conheceu o músico João Gilberto, com quem se casou em 1959.

Astrud Gilberto e Nara Leão

Na adolescência, sua melhor amiga  Nara Leão, então aspirante a cantora, foi incentivando a amiga a soltar a voz. Foi também Nara quem apresentou Astrud e João Gilberto.

Astrud e Joao Gilberto

 João Gilberto, considerado o Pai da Bossa Nova, apresentou Astrud ao mundo da música e a convidou para interpretar a versão em inglês de “Garota de Ipanema” no álbum “Getz/Gilberto”,”, lançado em 1964. Esse álbum se tornou um marco na história da bossa nova e rendeu a Astrud e ao saxofonista Stan Getz quatro prêmios Grammy incluindo Melhor Álbum do Ano e Melhor Gravação do Ano.  A cantora baiana também recebeu o prêmio Latin Jazz USA pelo conjunto de sua obra em 1992 e foi incluída no International Latin Music Hall of Fame em 2002.

Astrud Gilberto chega ao aeroporto de Londres, em 1965
Imagem: Evening Standard/Hulton Archive/Getty Images

A voz suave e cativante de Astrud encantou gerações de ouvintes ao redor do mundo. Seu talento singular fez com que artistas renomados como Miles Davis, Frank Sinatra Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie e Tony Bennett fossem influenciados pela sua música. Astrud se tornou uma das cantoras mais importantes da música brasileira e a única mulher do país a disputar as principais categorias da maior premiação da indústria da música mundial.

Além de sua contribuição como cantora, Astrud deixa um legado significativo como artista plástica. Sua sensibilidade artística se manifestava em suas obras, que refletiam sua paixão pela vida e pela música.

Astrud Gilberto

A partida de Astrud Gilberto deixa um vazio na música brasileira, mas seu legado continuará a inspirar e encantar os amantes da bossa nova e da música em geral. Astrud estará para sempre em nossos corações, levando consigo a essência da bossa nova, o ritmo que conquistou o mundo.

Vá em paz, Astrud Gilberto!

Ouviremos a versão de Garota de Ipanema em inglês  do álbum “Getz/Gilberto”,”, lançado em 1964.

Observe a  interpretação que ajudou a popularizar e a internacionalizar a Bossa Nova no mundo.

Observe a simbiose entre música e letra interpretada pela irreverente Rita Lee.

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A RAINHA DO ROCK BRASILEIRO 

com estilo próprio e peculiar, Rita Lee mostrou que veio ao mundo para causar, criar e encantar através da arte

Rita Lee (1947 – 2023)
 

Rita Lee (1947 – 2023) partiu no ultimo 08 de maio, e, tem recebido várias homenagens, sendo sempre exaltada por sua originalidade,  talento e inovação.

Ela realmente possui um estilo próprio e peculiar, mostrando que veio ao mundo para causar, criar e encantar através da arte.

Rita Lee

Consagrada pelo público, a estrela é uma das mulheres mais influentes do país, dona de uma história única, abriu caminho para as mulheres no rock, sendo a cantora que mais vendeu discos no Brasil. O LP Rita Lee e Roberto de Carvalho, lançado em 1982 vendeu mais de dois milhões de cópias.

Sempre surpreendendo, Rita fez os “Beatles” virarem “Bossa Nova”, ao lançar, em 2001, “Aqui, Ali, em Qualquer Lugar”, álbum de estúdio em que interpreta clássicos dos “Beatles” em uma versão “Bossa Nova”.

Percussora na luta em defesa dos animais, ainda em 1960, a roqueira já afirmava em entrevistas ser amiga dos animais e que queria fazer mais por eles.

Rita Lee

 Em 1983, ingressou na carreira literária com a obra “Dr. Alex”, que conta a saga de um cientista alemão defensor dos animais que se transforma em um ratinho para se livrar de um grupo de malvados, que não respeita bichos e nem o meio ambiente.

Capa do Livro  (2006)

Além dos vários livros infantis, escreveu em 2006 sua autobiografia. Rita realmente escreve como em sua música “Sem culpa nenhuma”. Se não se tratasse de Rita Lee, poderia parecer uma biografia “não autorizada”. Com toda sinceridade e coragem, a cantora, compositora e escritora, relata fatos de sua infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho (1952); o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias.

Rita Lee e o marido Roberto de Carvalho registro postado nas redes sociais

Na comemoração de seus 70 anos, a diva do rock lançou “ favoRita” uma edição especial, com textos autobiográficos, fotos raras e inéditas dos mais de 50 anos de carreira da artista; um dossiê sobre a perseguição a Rita na época da ditadura com inéditos documentos e letras de músicas proibidas; a sua paixão e o ativismo pelos bichos em textos e fotos; os irreverentes figurinos de seus shows; depoimentos de personalidades e artistas; e, ensaio fotográfico exclusivo para edição.

Livro favorita, Rita Lee

Em 2023 Rita Lee continua a contar sua história em outra autobiografia:

“(…) quando decidi escrever Rita Lee: Uma autobiografia (2016), o livro marcava, de certo modo, uma despedida da persona ritalee, aquela dos palcos, uma vez que tinha me aposentado dos shows. Achei que nada mais tão digno de nota pudesse acontecer em minha vidinha besta. Mas é aquela velha história: enquanto a gente faz planos e acha que sabe de alguma coisa, Deus dá uma risadinha sarcástica.”

“Vidinha besta” é o que nossa grande Rita Lee não possui.

Em 1993, após lançar o álbum Rita Lee, dando o pontapé inicial para  carreira solo, a cantora foi convidada, por nada menos, que a banda britânica “Rolling Stones” para abrir seus shows no Brasil em 1995.

Como consequência de sua carreira estrelar, a rainha marcou passagem na fama também na TV Globo, a cantora e compositora é, até hoje, a artista com maior número de músicas em aberturas de novelas, como: Bravo, de 1975, O Casarão, de 1976, Final Feliz, de 1982, Sassaricando de 1987, A Próxima Vítima, de 1995, Um Anjo Caiu do Céu, de 2001 e Celebridade, de 2003.

Atenta ao novo, mesmo longe dos palcos, Rita Lee teve os seus 20 álbuns disponibilizados digitalmente com todo material gráfico em uma caixa intitulada Rita Lee – Discografia. O produto foi esgotado na plataforma “Amazon” pouco tempo depois do início das vendas.

Rita Lee está, sem dúvida, no panteão dos grandes artistas. Viva Rita!

Ouviremos a música “Amor e sexo”, sucesso de Rita Lee em 2003, inspirada numa crônica de Arnaldo Jabor (1940 – 2022) publicada em dezembro de 2002, com o título “O amor atrapalha o sexo”,  no qual o jornalista, discorreu sobre as diferenças entre o amor e o sexo inspirado numa conversa entre duas amigas que encontrou no calçadão do Leblon. O texto de Jabor serviu de base para Rita e Roberto de Carvalho  assinarem a letra da canção junto com o jornalista.

Observe a simbiose entre música e letra interpretada pela irreverente Rita Lee.

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 A TRÁGICA HISTÓRIA DA ESPOSA DE TCHAIKOVSKY

um filme que narra à trágica história, de Antonina Miliukova , esposa de Tchaikovsky

Antonina Miliukova, interpretada por Alyona Mikhailova
 

No mês das mulheres, falaremos de um filme que narra à trágica história, de Antonina Miliukova (1848 – 1917), esposa deTchaikovsky (1840 – 1893), abordando a questão patriarcal do divórcio. Na Rússia, daquela época, à mulher só conseguia uma decisão favorável ao divórcio quando assumia a infidelidade ou provava a prática “imoral” de seu marido.

Essa história se passa em uma Rússia homofóbica, na qual Pyotr Tachaikovsky escondeu ser homossexual e casou-se com Antonina Miliukova para abafar comentários sobre sua sexualidade.

Pyotr Tchaikovsky e Antonina Miliukova

“A esposa de Tchaikovsky” que abriu o Festival Cannes em 2022 vai revelando de forma surpreendente toda toxidade do relacionamento doentio do casal Pyotr e Nina. O longa é dirigido por Kirill Serebrennikov (1969) tendo como protagonistas Alyona Mikhailova (1995), no papel Antonina Miliukova e Odin Lund Biron (1984),como Tchaikovsky.

Kirill Serebrennikov (1969)

 Na coletiva de imprensa oficial do filme em Cannes, Kirill Serebrennikov disse: 

“Tchaikovsky tornou-se um grande gênio, e agora a Rússia se orgulha dele, mas o poder tradicional quer esconder os pontos escuros de sua vida – sua sexualidade e que ele era fã da monarquia. Não foi bom para o período soviético. Sua biografia é quase destruída cortando frases de suas cartas e citações. Está tudo danificado por pessoas que vivem nos tempos modernos. É por isso que eu queria contar essa história verdadeira.”

Essa história já foi contada no cinema em 1971 no filme“Delírio de Amor”.A história deTchaikovsky já foi abordada, também, em 2006, no documentário da BBC dirigido por Matthew Whiteman. Mas, infelizmente, mesmo hoje, 51 anos depois do primeiro filme, nessa ousada produção russa que enfrentou a repressão de seu país para contar a história de um de seus heróis, que era gay, a esposa Antonina, é retratada de forma negativa, rotulada como uma mulher imprudente e insana.

Cena do filme

Historiadores confirmam que a jovem Nina conheceu Tchaikovsky em 1865, 12 anos antes de se casarem, através de uma amiga em comum, a cantora Anastasia Khvostova. Com apenas 16 anos na época, ela se encantou com o famoso compositor, então com 25 anos. O impacto desse primeiro contato jamais o atingiu, mas ela ficou obcecada.

  Tchaikovsky por se sentir vulnerável às críticas da sociedade, em um ímpeto propõe casamento a Nina. Desastre anunciado. O compositor nunca foi apaixonado pela esposa, desgostava de sua origem simples e de sua família. Em apenas seis semanas de convívio se separaram.

Embora muitos tenham colocado a imagem negativa da esposa obstinada, o próprio Tchaikovsky teria escrito para  a sua ”mecenas”, Nadezhda von Meck,  que Nina era inocente.

“Minha esposa, seja lá o que for não deve ser culpada por eu ter levado a situação ao ponto em que o casamento se tornou necessário, (…) A culpa de tudo está na minha falta de caráter, minha fraqueza, impraticabilidade, infantilidade!”,

A relação distante, bastante desgastada, chegou ao fim com a morte repentina do músico aos 53 anos, em 1893. Oficialmente alegam que foi cólera, depois de ter bebido um copo de água não fervida. Alguns historiadores consideram que foi suicídio. Nina ainda viveu 24 anos, mas teve uma vida atribulada. Logo após a morte do compositor, começou a apresentar sinais de distúrbio emocional, com mania de perseguição, sendo internada em um manicômio, três anos após a morte do marido, onde ficou durante 20 anos, morrendo de pneumonia, em 1917.

A trilha sonora do filme apresenta algumas das conhecidas obras do compositor russo como: o Balé “O Lago dos Cisnes” e a ópera “Eugene Onegin”. Com certeza saímos do filme com uma enorme vontade de ouvir as obras de Tchaikovsky.

Ouviremos de Pyotr Tchaikovsky, o Concerto para piano e orquestra Nº 1 em Si bemol menorop. 23. Escrito entre novembro de 1874 e fevereiro de  1875 teve sua estreia em Boston, nos Estados Unidos da América em 25 de outubro de 1875 regido por Benjamin Johnson Lang (1837 – 1909) e com Hans von Bülow (1830 – 1894) ao piano, a quem Tchaikovsky, dedicou esse concerto.

Hans von Bülow (1830 – 1894)

Observe! Esse é um dos concertos mais famosos em todo o planeta. Assim se expressou o pianista Hans von Bülow ao estrear a obra: “(…) a forma é tão perfeita, tão madura, (…) fiquei aturdido ao desejar acompanhar todos os detalhes de sua composição, cuja qualidade me dominou. (…)”

A gravação a seguir é com a Orquestra Filarmônica de Berlim com regência de Hebert com Karajan (1908 – 1989) e o solista o russo Evgeny Kissin (1971).

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 TÁR

Na corrida pelo Oscar 2023, uma das indicações permeia o mundo da música de concerto. “Tár” é um dos grandes títulos indicados do ano.

Cate Balnchett (1969)
 

A história gira em torno da genial e impiedosa Lydia Tár, com uma força criativa muito bem articulada, Tár (a maestro) é uma mulher voraz, de argumentação coerente e ácida, que deixa um rastro de destruição á aqueles que a cercam.  Ela é um retrato do que Hollywood se tornou nos últimos anos com o surgimento do movimento “MeToo”.

cena do filme

Embora desde os primeiros minutos já se perceba um longa bem imerso na música de concerto, com diálogos muito polidos e reflexões sociais e artísticas específicas do mundo musical, Todd Field (1964), coloca sua originalidade à prova, e, com a ajuda de Cate Balnchett (1969), o diretor e roteirista cruza os preconceitos iniciais. Tár consome o espectador muito mais do que o esperado.

Todd Field (1964)

 O cineasta  Field  retrata a indústria marcada pelo poder, influência e egolatria. Fugindo do óbvio, o longa com quase três horas de duração, faz de seus densos monólogos uma experiência cinematográfica inesperadamente angustiante.

Trazendo a história dessa maestro que vive o auge de uma admirável carreira,  o filme é uma experiência sinestésica onde a música de concerto e o cinema Cult se encontram proporcionando algo diferente para o público.

Conforme acompanhamos a artista a poucos dias de sua mais aguardada performance com a filarmônica alemã, vemos toda sua cautelosa jornada desmoronar com escândalos assombrosos que envolvem uma série diversa de abusos.

Cate Blanchett stars as Lydia Tár in director Todd Field’s TÁR, a Focus Features release. Credit: Courtesy of Focus Features

Entre a pressão de garantir que sua arte e sua imagem permaneçam imaculadas aos irrefutáveis fatos,  a personagem, intocável,  se vê diante de um beco sem saída. É possível separar a obra do artista? Essa é uma das perguntas que Tár apresenta. Desde a primeira cena, Field deixa claro que quer desafiar seu público. Apresenta os créditos que destaca os nomes de toda a equipe do filme, no início, alojando uma “afinação dos músicos da orquestra” ao fundo.

  A história da tumultuada jornada, marcada por diálogos que poderiam muito bem ser cansativos de tão pedantes, nos toma pela mão de forma arrebatadora. É o cinema arte em sua mais alta qualidade que nos chama para dentro da narrativa. Com um roteiro inteligente e um catálogo de brilhantes performances, transforma momentos de angústia e aflição, em êxtase.

Com um final irônico e brilhante,  o diretor faz de Tár uma pequena sátira de uma mulher que, embora flertasse com todas as ideias progressistas, é de fato um retrato assustador do arcaico.

A hipotética maestro, Lydia Tár, tem como uma de suas principais referencia, Herbert von Karajan (1908 – 1989). Não por acaso, seu ídolo, passou 35 anos à frente da Orquestra Filarmônica de Berlim com uma regência marcada pelo perfeccionismo, intensidade, introversão e exibicionismo.

Filarmônica de Berlim

Ouviremos a Filarmônica de Berlim, no qual o maestro Herbert Von Karajan é o solista e o regente do Concerto n. 21 para piano e orquestra da W. A. Mozart (1756 -1791).

Herbert von Karajan (1908 – 1989)

Observe a grandiosidade desta obra, composta em 1785, executada por um orquestra de excelência. Um dos concertos mais populares de Mozart, enfatizando o brilhantismo e a genialidade do compositor ao transportar para o gênero instrumental toda a dramaticidade operística que ele dominava com maestria.

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W. A. MORZART  (1756-1791)

“sua música e sua linguagem não querem significar nada além do que a si próprias”

Considerado, juntamente com Johann Sebastian Bach (1985 – 1750)  e Ludwig van Beethoven (1770 – 1827), um dos três maiores compositores da música ocidental. Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) nasceu em Salzburg, Áustria,  em 27 de janeiro, tornando-se um dos compositores mais conhecido de todo o planeta.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791); Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) e Johann Sebastian Bach (1985 – 1750)

Mozart começou a tocar instrumentos de tecla aos três anos de idade e compor aos cinco. Antes mesmo de completar seis anos, seu pai, também músico, o levou em companhia da irmã, Maria Anna Walburga Mozart (1751 – 1829) em turnês de enorme sucesso pela Europa. Com tanta exposição, a figura musical de Mozart sempre foi alvo de curiosidade e perplexidade, seja no que diz respeito à sua obra, seja no que concerne ao seu talento extraordinário e precoce exibido ao mundo por seu pai como prodígio quase sobrenatural.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
 

Reconhecido desde cedo como gênio musical, o pequeno Mozart exibia sua incrível capacidade intelectual e, ao mesmo tempo, captava, em suas andanças, o melhor do espírito musical de seu tempo.

Segundo um de seus biógrafos Stanley Sadie (1930 – 2005) Mozart:

“Foi o único compositor na história a escrever para todos os gêneros musicais e a ser excelente em todos”.

 Sua precocidade conduziu a música, de então, ao auge da perfeição, criando um estilo que realmente merece ser chamado de clássico.  Mozart desenvolveu um modo muito próprio de compor, apresentando singularidades que o diferenciam da grande maioria de seus contemporâneos. Sua música possui indiscutivelmente, sua “assinatura”. Assim se expressava ele sobre o ato de compor:

“É um erro pensar que a prática da minha arte se tornou fácil para mim. E eu lhe asseguro meu caro amigo, ninguém se dedicou tanto a aprender o estudo da composição como eu”.

Curiosamente, Mozart dominava a arte de compor magistralmente. No entanto, mesmo em sua ousadia composicional, jamais pretendeu defender uma ideologia ou mesmo mudar o curso da história. Segundo o músico/professor Moacyr Laterza Filho:

“sua música e sua linguagem não querem significar nada além do que a si próprias”.

Sua obra é grandiosa e conhecida do grande público. Um dos mais populares concertos para piano de Mozart é o K467 n. 21. O segundo movimento, Andante,  desse concerto foi utilizado na trilha sonora do filme sueco Elvira Madigan, de Bo Widerberg (1967).

Filme sueco Elvira Madigan (1967)

 

No filme, o premiado cineasta Bo Widerberg (1930 – 1997), conta a história real de um tenente que deixa a família e abandona o exército para fugir com uma jovem, por quem se apaixona perdidamente. Juntos e sem recursos, passam a enfrentar muitas dificuldades.

O Concerto para Piano no. 21 de Mozart será sempre lembrado como o tema principal de Elvira Madigan, complementando a fotografia e a interpretação magistral de Pia Degermark (1949), vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Cannes (1967).

   Pia Degermark (1949)

 

Ouviremos o segundo movimento do Concerto No. 21 in C Major, K. 467 – 2. Andante · com a pianista e regente Mitsuko Uchida (1948) e a Orquestra de Cleveland.

O Andante  desse concerto é um dos movimentos líricos mais impressionantes de Mozart. É uma busca pungente e melancólica que parece ter sido composto para o filme, que é extremamente romântico, mas também trágico.

Mitsuko Uchida (1948)

A crítica especializada classificou a pianista nipónico-britânica Mitsuko Uchida como “a deusa da pureza”, referindo-se à forma como ela captou a quintessência dos concertos de Mozart. Em 2011 Uchida foi vencedora do Grammy pela gravação da série de concertos do compositor austríacocom a Orquestra de Cleveland.

Para Mitsuko Uchida:

“Mozart é perfeito. É completo. A música chega até Mozart caindo-lhe do céu”.

Observe Mitsuko Uchida como solista e regente. Não deixe de atentar também para a “assinatura” de Wolfgang Amadeus Mozart nesse Concerto para Piano e Orquestra. 

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W. A. MORZART  (1756-1791)